FAQ

by Think Olga

O que é a Chega de Fiu Fiu? A Chega de Fiu Fiu é uma campanha contra o assédio sexual em locais públicos. Sua principal plataforma é a internet e busca, por meio de ações de conscientização, educar a população sobre as consequências negativas desse hábito nocivo que é visto como um traço cultural do brasileiro que, na verdade, não passa de uma violência. Quais são os seus objetivos? O objetivo da Chega de Fiu Fiu é eliminar o assédio sexual em locais públicos, devolvendo às mulheres o direito de circular pelas cidades sem se sentir intimidadas, independente do local, do horário e da vestimenta que escolherem. O que é assédio sexual? O assédio sexual é uma manifestação de cunho sensual ou sexual alheia à vontade da pessoa a quem se dirige. Quando realizada no ambiente de trabalho por uma pessoa de nível hierárquico superior, é crime. Em outros locais, a lei não possui dispositivos específicos de repressão. Isso não significa, porém, que o assédio sexual cometido nas ruas não acarrete danos físicos, psicológicos ou morais às vítimas. A campanha quer um apagamento da tensão sexual no ambiente urbano? Não pode mais paquerar, por exemplo? A sexualidade é uma parte fundamental na vida de qualquer pessoa, independente do gênero. O Think Olga, porém, acredita na liberdade sexual plena da mulher e desaprova a sua coerção. Uma investida de caráter sexual em alguém do sexo oposto implica necessariamente no consentimento do outro, o que não acontece quando uma mulher leva uma cantada. As cantadas ou os assédios físicos (passar a mão na mulher, por exemplo) não são uma forma de conhecer pessoas para um relacionamento íntimo, seja efêmero ou não. Elas são uma demonstração de poder que intimida as vítimas, pois apenas satisfazem o desejo do assediador de expressar a sua opinião sobre o corpo alheio. Temos, também, inúmeros relatos de mulheres que, ao demonstrar insatisfação com esse tipo de assédio, foram agredidas físicas ou verbalmente por isso, indicando que a verdadeira intenção da cantada não é agradar a mulher. Dizer não ao assédio é dizer que não aceitamos mais ser vistas como objetos sexuais passivos, como corpos sedutores disponíveis para confirmar a virilidade alheia ou como vítimas frágeis dessa estrutura desigual de poder. Dizer não ao assédio é afirmar a agência de nossa sexualidade, é mostrar que buscamos equalizar nossa voz e nosso poder na sociedade, é não se submeter aos papéis sociais tradicionais aos quais somos associadas. Como é que os homens vão "chegar" nas mulheres, então?! Existe uma infinidade de maneiras de estabelecer diálogo com alguém do sexo oposto sem violar a sua privacidade. O mais importante é buscar o consentimento e aceitar um "não" como resposta. Mas em uma casa noturna, onde o ambiente é mais descontraído, tudo bem assediar as mulheres, não? Elas já estão esperando por isso... Não. É perigoso imputarmos o consentimento feminino em coisas. Saia curta, a entrada em uma casa noturna, o ato de beber... Nada disso é consentimento. O consentimento deve ser dado de livre e espontânea vontade, antes do ato sexual. É importante lembrarmos que o consentimento não é a ausência de "não". O que é o Mapa Chega de Fiu Fiu e quais seus objetivos? O mapa é uma ferramenta de transformação alimentada pelo depoimento de pessoas que tenham sofrido ou testemunhado determinados tipos de assédio em todas as cidades do Brasil.  O objetivo, porém, não é limitar ainda mais o território feminino ao indicar que locais são mais perigosos para elas circularem, mas justamente investigar porque eles são assim e o que pode ser feito para que se tornem mais seguros. Por que pedem dados demográficos (renda, escolaridade, etc)? Os dados coletados não só apontam os locais onde há mais ocorrências, como também traça o perfil das vítimas, de forma a nos ajudar a entender como a violência é vivenciada por elas. A campanha é feita para mulheres de brancas e de classe média contra homens negros e pobres? Não. O assédio sexual é a violência mais pública e mais tolerada pela sociedade. Ele pode ser praticado por qualquer tipo de pessoa, em qualquer lugar, e vitimar qualquer tipo de mulher. É importante que possamos quebrar o estigma de que apenas homens pobres e negros assediam, assim como devemos lutar contra o estereótipo de que mulher pobres e negras gostam de ser assediadas.  Mas e se a mulher estiver se vestindo provocativamente, ela não está pedindo pra ser assediada? Todos têm o direito de sair de casa da maneira como preferirem, no horário que desejarem e para onde quiserem sem temer qualquer tipo de violência sexual. Essa realidade, porém, somente se aplica a uma parcela masculina da população. As mulheres lidam com esse fantasma diariamente e, por necessidade, desenvolveram estratégias para lidar com ele, tais como evitar determinados tipos de roupa, fazer caminhos maiores para evitar locais com grande aglomeração masculina ou determinar um toque de recolher para não correr riscos pela cidade. Nada disso seria necessário caso a liberdade e a privacidade das mulheres fosse respeitada. Somos contra a noção de que uma peça de roupa seja um sinal verde para qualquer tipo de violência, inclusive a verbal. O que uma mulher deve fazer quando recebe uma cantada? Não há um protocolo para essa situação – mesmo porque muitas mulheres afirmam ter medo de sofrer violências piores ao reagir negativamente a uma abordagem. Há algumas iniciativas que tentam armar as mulheres. Depois da descoberta de grupos batizados de “encoxadores”, em que homens combinavam dias para encoxar mulheres no metrô de São Paulo, em março, o grupo Movimento Mulheres em Luta distribuiu alfinetes às usuárias do transporte público. “Não me encoxa que eu te furo” eram os dizeres da embalagem. A ASAS (Associação das Advogadas, Estagiárias e Acadêmicas de Direito) distribuiu apitos para que as vítimas pedissem ajuda e alertassem para o acontecido. Convidamos também as mulheres a registrar denúncias de assédio e outras violências de gênero no Mapa Chega de Fiu Fiu, onde é possível compartilhar histórias e informações de forma anônima. Lembramos que o mapa não substitui denúncias oficiais de violência contra a mulher. Pedimos que denunciem também nas Delegacias de Defesa da Mulher e na Central de Atendimento à Mulher pelo telefone 180. A Secretaria de Políticas para as Mulheres também recebe depoimentos nos seguinte e-mails: [email protected] e [email protected]