O que a escolha de Angelina nos diz sobre... escolhas

by Think Olga

olga angelina


Entre balas perdidas, títulos de heroína e insultos de cretina, o que chamou atenção sobre a mastectomia de Angelina Jolie foram as mulheres que tentaram invalidar o caso por ser "muito radical". O procedimento é mesmo muito radical. E isso foi bem explicado no texto de Jolie ao The New York Times, rico em detalhes doloridos e angustiantes. Mas não é por ser um caminho extremo que ele não deva ser discutido, nem deva ser oferecido às mulheres que estão na mesma situação.
 
O título é "A Minha Escolha Médica", algo que reforça a ideia de opção pessoal. "Para todas as mulheres que lerem isso, espero que isso ajude vocês a saberem que têm opções. Eu quero encorajá-las a procurar informações de especialistas que possam lhes ajudar a passar por esse aspecto da vida e a fazer suas próprias escolhas de forma bem informada", escreveu.

Mesmo assim, a atriz foi tachada de irresponsável por incitar mulheres a se mutilarem sem causa ou propósito. O medo coletivo até é compreensível, porém ele não pode diminuir a liberdade. É mais importante celebrar quem amplia as escolhas e possibilidades às mulheres do que quem as limita ou proíbe.
 
Encontrei pela internet outros textos, interessantes, sobre os caminhos alternativos que Jolie poderia ter tomado. Eles vão de mudança de estilo de vida ao acompanhamento da evolução de um possível câncer. No entanto, todos tinham algo em comum: querer impor o que achavam certo quando, na verdade, poderia apenas adicionar suas propostas ao leque de escolhas.
 
Não é melhor ampliar os caminhos para que todas as mulheres possam viver bem, sem sofrer críticas e julgamentos pelas escolhas que fizerem do que apenas apontar uma direção como a correta? Nem todo mundo quer tirar seus seios - e que bom que existem outras opções para essas pessoas! Mas existem aquelas mulheres que preferem encarar a mastectomia. Então ainda bem que essa escolha lhe foi oferecida.
 
Censurar as mulheres fez parte de praticamente toda a história da humanidade, na qual sempre fomos vistas como cidadãs de segunda classe, principalmente quando se trata de escolhas relativas ao corpo. Para quê dar continuidade a isso? Ter mais opções é sempre melhor do que menos. Ainda mais quando elas dizem respeito apenas a nós mesmas.