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Se você pudesse escolher uma época da história para viver agora, qual época escolheria?

Essa é uma pergunta bastante comum, um exercício de imaginação que nos faz sonhar com as festas glamurosas dos anos 1920 ou em Woodstock nos anos 1970. Mas, como mulheres, não gostaríamos de viver em nenhuma dessas épocas. O progresso da igualdade de direitos não tem uma história linear, a luta por direitos das mulheres avançou com vários retrocessos e os avanços acumulados até agora não valem para a maioria das mulheres do mundo, como aquelas que moram em periferia, em sua maioria negras, as indígenas, as trans ou as com alguma deficiência. Mesmo assim, há muito mais pontos favoráveis do que desfavoráveis hoje, comparando com o passado. E se as mulheres continuarem tomando as rédeas da história, o futuro tem tudo para ser melhor.

De onde vem a ideia de que mulheres são inferiores?

A ideia de que mulheres são inferiores aos homens existe há muito tempo, desde a Grécia Antiga. Para o filósofo Aristóteles, a mulher não era mais do que “um homem impotente”, já que não possuía racionalidade, segundo ele. Muitos outros filósofos acreditavam na inferioridade das mulheres, mas um dos mais importantes para o período moderno foi Descartes. No século XVII, ele ajudou a criar uma nova concepção de conhecimento, como algo construído através de métodos. Descartes enfatizou o uso da razão em detrimento da emoção e criou a noção cartesiana de separação entre corpo e mente. Com essa separação, as mulheres foram relegadas a tudo ligado a emoções, como intuição e impulsividade, enquanto os homens eram considerados os detentores da razão, “naturalmente” menos emotivos e mais racionais. E exclusão da razão significou exclusão do poder. É uma história construída por homens, afinal de contas. A partir do século XVIII, com o romantismo, poderia se esperar que as qualidades consideradas femininas pudessem ser valorizadas e as mulheres então poderiam ganhar prestígio, mas não, já que o ocorrido foi a valorização do amor romântico, isto é, os homens continuam sendo os detentores da razão, mas em busca do seu “oposto” (a mulher, a emoção) para completar sua existência. A rejeição à razão do romantismo do século XIX fortaleceu ainda mais a dicotomia entre razão e emoção, o que torna muito difícil entender o que é racionalidade até hoje.

Pode parecer um papo muito filosófico, mas essas ideias tão antigas continuam fortes e afetam diretamente a vida das mulheres, que são vistas como mais frágeis ou mais emotivas que os homens por vários motivos, um dos principais deles a questão dos hormônios femininos, como se os homens não tivessem hormônios também ou não fossem abalados por eles de maneira alguma. O chamado “viés inconsciente”, isto é, as noções pré-concebidas que temos das pessoas nas nossas mentes e que nem percebemos, é considerado um dos grandes fatores para, por exemplo, o número tão baixo de mulheres em cargos de chefia em empresas. Apesar de o estudo da organização Catalyst ter provado que empresas com mais mulheres nos conselhos diretores têm uma performance melhor do que as que não tem e que o retorno de capital investido em empresas com forte representação feminina é 26% maior, no Brasil elas representam 6% dos executivos em conselhos diretores de empresas. Em algumas áreas a situação pode ser mais crítica, como na tecnologia, na qual o salário médio das mulheres no setor de Tecnologia da Informação é 34% menor do que o dos homens e, quando elas alcançam cargos de chefia, ganham 65% a menos que seus colegas. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), as mulheres no mercado de trabalho são, em média, mais educadas, experientes e produtivas que seus colegas do sexo masculino, mas ainda ganham menos. Mesmo na Islândia, país número um em rankings internacionais de combate à desigualdade de gênero, há uma diferença 20% entre os salários de homens e mulheres e elas ainda ocupam menos cargos políticos que eles.

Sheryl Sandberg, COO do Facebook, diz no seu livro “Faça Acontecer” que um dos motivos para essa diferença são os estereótipos de gênero que são introduzidos na infância e reforçados nas nossas vidas, tornando-se “profecias que se cumprem sozinhas”. Por exemplo, um homem que dá ordens é visto como assertivo, enquanto uma mulher é vista como mandona. É muito comum ouvir comentários como “está de TPM?” quando uma mulher critica ou discorda de um homem. Esse tipo de comportamento mina a autoconfiança de uma mulher, e como autoconfiança é um fator decisivo na ascensão profissional, os efeitos são enunciados nos números das pesquisas citadas acima. Entre os problemas apontados por mulheres para falta de confiança no mercado de trabalho estão a falta de modelos de mulheres bem-sucedidas dentro de empresas, pequenos atos de discriminação no cotidiano, sentir-se julgada por decisões pessoais e ser avaliada por critérios diferentes do que os usados com os colegas do sexo masculino.

Ainda assim, há avanços. Por exemplo, uma pesquisa feita apela Conaje (Confederação Nacional de Jovens Empresários) mostra que o empreendedorismo feminino cresceu 21,4% na última década e, em 2013, 39% dos negócios brasileiros eram impulsionados ou geridos por mulheres. Nos últimos 10 anos, o salário das brasileiros aumentou em 13%, enquanto o dos homens aumentou em 4%. Elas ainda ganham menos que eles, mas a diferença é menor: o salário delas em 2000 equivalia a 67% do deles, e em 2010 esse valor subiu para 73%. Ou seja, a realidade enfrentada por mulheres avança a passos lentos.

Mulheres abraçam o futuro

Nós acreditamos que um fator importante para um futuro melhor para as mulheres é a representatividade. Durante boa parte da história, as mulheres realizaram grandes feitos, mas não foram reconhecidas. Ou, como diz a escritora Virginia Woolf, “durante a maior parte da história, anônimo foi uma mulher”. Quando falamos em tecnologia, química e física automaticamente pensamos em engenheiros, químicos e físicos, todos homens. Mas as mulheres sempre estiveram nessas áreas. Quem inventou o primeiro computador foi uma mulher (Ada Lovelace), quem desenvolveu a teoria da radioatividade foi uma mulher (Marie Curie), quem criou a fórmula correta da energia cinética “de Newton” foi uma mulher (Émilie du Châtelet) e quem descobriu a hélice dupla do DNA também foi uma, Rosalind Franklin. Está mais do que na hora de reconhecer os créditos das mulheres.

Por isso, em março, a equipe do Think Olga foi ao South by Southwest, um dos maiores festivais de tecnologia e tendência do mundo, registrar como mulheres inovando e abraçando um futuro melhor. Encontramos mulheres incríveis com projetos em diferentes áreas e vamos apresentar os trabalhos delas a vocês em uma série de vídeos no nosso canal no YouTube, TV Olga. A seguir, nosso teaser mostra o que aprontamos. E, ao longo das semanas, vamos divulgar um total de oito vídeos.

Conheça as entrevistadas:

Tracy Chou, engenheira de software do Pinterest, exigiu que as empresas de tecnologia liberassem os números sobre mulheres engenheiras em seus quadros de funcionárias e se tornou uma advogada da inclusão de mulheres na área.

Outra é Alana Nichols, uma atleta paralímpica americana que superou uma fratura na espinha com medalhas de ouro.

 

Shireen Mitchell é uma empreendedora, consultora de redes sociais e ativista da inclusão de mulheres negras na tecnologia e do combate à violência online contra mulheres, tendo criado a primeira empresa de gestão de multimídia online de mulheres negras e a organização Digital Sistas, a primeira a focar na capacitação digital de meninas negras.

 

Debi

Uma delas é Debi Jackson, mãe de uma menina trans de 8 anos e criadora de uma organização para auxiliar famílias e instituições a entender e apoiar crianças trans.

Lisen

Depois de uma carreira bem-sucedida de 20 anos em marketing e estratégia de negócios, Lisen Stromberg decidiu criar uma consultoria de estratégia para alavancar a carreira de outras mulheres e mudar os números das empresas sobre mulheres em cargos de liderança.

 

Lara

Lara-Ann de Wet é uma documentarista sul-africana que tenta ganhar um lugar ao sol na indústria de filmes em Nova York e  ficou conhecida com o premiado documentário “Alive and Kicking: The Soccer Grannies of South Africa”, sobre senhoras que usam o futebol para superar adversidades de suas vidas na África do Sul.

Fatima

Fatima Maan participa dos movimentos Black Lives Matter e Million March Texas, a respeito da brutalidade policial contra negros nos Estados Unidos, estuda direito e dá discursos motivacionais para meninas em serviços de proteção a crianças e adolescentes em risco.

 

Meredith

Meredith Walker recebeu vários prêmios como produtora e chegou a ser chefe do departamento de talentos do Saturday Night Life, até que decidiu largar tudo para fundar, junto com sua melhor amiga, a atriz e comediante Amy Poehler, a Amy Poehler’s Smart Girls, uma comunidade que encoraja meninas a serem elas mesmas através de workshops e treinamentos.

São apenas alguns exemplos de como as mulheres estão mudando o futuro, claro. Mas divulgar o trabalho delas é uma maneira de reconhecê-las e encorajar outras mulheres e meninas a tomar as rédeas da mudança. Vamos moldar o futuro juntas?

Um imenso obrigada a três mulheres transformadoras pelo apoio neste projeto: Nayara Ruiz, Danielle Pinheiro e Giovanna Cartapatti. Agradecemos também ao parceiro Bradesco por nos ajudar a impulsionar cada vez mais o protagonismo feminino. #ElasAbraçam

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Fuck YOu Marion Peck

 

A modelo, atriz e inspiração para todas nós por sua autenticidade no mundo quadrado em que vivemos, Cara Delevingne foi entrevistada por um programa matinal da cidade de Sacramento, na Califórnia. Tudo normal, exceto pelo fato dessa entrevista ter se tornado um monumento à vergonha alheia de tão desastrosa que foi. Estabeleceu-se um ambiente passivo-agressivo que, em seguida, tornou-se apenas agressivo. Quando o link de Cara é cortado, os três apresentadores começam a falar mal do comportamento da moça. Mas… o que eles esperavam?

Cara estava disposta e disponível para falar sobre o seu trabalho. Em suas redes sociais e alguns trabalhos de moda, costuma demonstrar um lado divertido e brincalhão. Como modelo, isso é lucrativo por ser diferente e ousado, e não há dúvidas de que Cara fatura com a construção dessa imagem. Se é autêntica ou inventada, nunca saberemos, mas no momento da entrevista ela não estava ali para entreter ninguém com seu jeito carismático ou agradar a audiência com brincadeiras e sorrisos. Ela é uma atriz que foi convidada para falar sobre um filme que fez. Lá, encontra apresentadores que erram seu nome e insultam sua inteligência ao perguntar se ela ao menos leu o livro que inspirou o longa. Ao se deparar com uma entrevista morna e pouco elaborada, Cara deu respostas mornas e pouco elaboradas, porém foi ela quem levou a fama de rude por não demonstrar uma animação nítida de estar ali. O terceiro apresentador chega a dizer que, ganhando o que ganha, ela tinha o dever de sorrir.

Não é de hoje, porém, que sorrisos e afetações são o mínimo esperado das mulheres, especialmente na mídia. As negras, então, sofrem ainda mais com essa pressão pois qualquer tom menos agradável e elas já caem rapidamente no estereótipo da “negra barraqueira”. Se fala com mais autoridade ou aumenta o tom de voz, “perdeu a razão”. Controlar a postura da mulher é uma sutil, porém eficaz forma de silenciamento que limita a liberdade de expressão, tolhendo emoções e adequando-as aos rígidos padrões do que é considerado feminino e masculino socialmente. Um homem que é assertivo e expressa suas opiniões com dureza sem pedir desculpas por seu comportamento, é másculo, viril, poderoso. A mulher que faz o mesmo é grosseira, machona, bruta ou descontrolada.

Dois pesos, duas medidas
O curioso é que, para sobreviver profissionalmente no mundo corporativo, a mulher ” tem que ter culhão” e “botar o pau na mesa”, expressões machistas que são sinônimos de assertividade, coragem, opinião forte, ambição, garra e outras características geralmente associadas ao sexo masculino. Elas são valorizadas no mundo do trabalho que, é óbvio, ainda não conseguiu se desvencilhar de suas raízes patriarcais. Apesar disso, toda a masculinização necessária para que uma mulher sobreviva e tenha chances de subir degraus na carreira passa a ser desvalorizada no momento em que ela os abraça. Ellen Pao, executiva do Vale do Silício cujo processo contra o machismo corporativo a alçou a manchetes no mundo inteiro, estava à frente do reddit como CEO quando a rede social passou por uma limpeza que excluiu subfóruns misóginos e racistas.

Ellen, que não se deixou intimidar ao dar esse passo contra um público cada vez mais conhecido por seu ódio ao sexo feminino, os nerds, passou então a ser retratada como uma ditadora em charges à frente de paradas militares, em cima de tanques de guerra e com suásticas começaram a pipocar pela internet. Ou seja, uma instituição masculina em essência, o exército, cujas características intrínsecas  são disciplina, rigidez, hierarquia e uso da força, torna-se absolutamente condenável quando associada à ousadia de uma mulher. Ataques sem misericórdia e sem pedidos desculpas em seguida são falhas graves na personalidade de uma mulher. Após outras crises no comando da rede social, Pao foi substituída sob diversas acusações que, semanas depois, mostraram-se falsas.

Estímulos opostos fazem parte do crescimento da maioria das mulheres – e descobrir quem realmente somos no espectro das possibilidades é uma jornada para a vida inteira. Mas, no que se refere ao comportamento, o que se espera de uma mulher, quase sempre, são simpatia e cordialidade. Do contrário, são vistas como rabugentas, metidas ou de TPM. Em um mundo de homens, a presença da mulher tem um quê de favor que jamais poderá ser pago e uma subserviência que é o mínimo esperado. A aceitação parece depender da adequação a um limitado espaço determinado e a um padrão de comportamento dócil, e qualquer passo fora da linha são lidos como sinais de rebeldia e ingratidão.

Talvez seja por isso que as mulheres tenham uma tendência muito maior a pedir desculpas do que os homens.  Mesmo quando estão certas ou em seu direito, é comum que peçam desculpas quase como um reflexo ou adotam uma postura passiva e cordial diante de acontecimentos em que um posicionamento mais firme seria adequado. A Pantene lançou uma campanha endereçada justamente a esse comportamento chamada “Not Sorry” (algo como “Sem desculpas”, em tradução livre), na qual são exibidos diversos exemplos de momentos em que as mulheres se desculpam sem necessidade.

  Um estudo americano realizado em 2010 aponta que o excesso de desculpas das mulheres se dá pelo fato de que os homens têm uma tolerância maior à agressividade do que elas – ou seja, por serem mais sensíveis, elas pensam em como a própria dureza pode afetar o próximo e se desculpam com antecedência para amenizar o incômodo. Mas até que ponto a exposição dos homens a modelos de comportamento mais agressivos e um incentivo muito maior às emoções duras, socialmente masculinizadas, influenciam nesse resultado?

Afinal, desde a infância as mulheres são apresentadas à candura como um ideal a ser alcançado. Brigar, bater, apanhar e continuar brincando não são coisas de menina, mas garotos fazem isso o tempo todo. É mais difícil criar uma carapaça quando um pesado escudo social nos é imposto para nos proteger desde cedo. Princesas fazem parte do imaginário infantil das meninas pois reúnem todas as qualidades tidas como positivas em uma mulher: são bonitas, educadas, falam baixo e cumprem seu papel social com graça e carisma. Você não imagina uma princesa falando firme com um gerente pois o seu pedido veio errado – ela provavelmente diria, sorrindo, que “deve ter havido algum engano” ou, pior ainda, mandaria o príncipe ou um criado ir resolver. Para um homem, exigir seus direitos com firmeza em uma situação dessas é algo normal, sem qualquer necessidade de colocar açúcar para não causar desconforto. Já a mulher que vive essa situação ou abraça a possibilidade de ser vista como barraqueira ou abdica de suas emoções para vestir o cabresto emocional que nos mantém na linha.

Esse comportamento possui consequências que mantêm as mulheres no atraso. A sensação de inadequação as acompanha até no mercado de trabalho. Além de estarem em menor número e ganhando salários menores que os homens, ou talvez por isso mesmo, elas sentem uma angústia muito maior na hora de lutar por cargos e salário. A professora de economia Linda Babcook, da Carnegie Mellon University, publicou em 2003 o livro Women Don’t Ask: Negotiation and the Gender Divide, no qual investigou a atitude das mulheres em relação a salários e promoções. Ela descobriu que mulheres sentem mais ansiedade na hora de pedir por promoções e mais pagamento por seu trabalho. Em seu estudo, ela descobriu que 57% dos homens que se formaram na escola de negócios da universidade negociaram seus salários iniciais, mas apenas 7% das mulheres fizeram o mesmo. Em um artigo de 2005, ela e outros dois co-autores descobriram também que mulheres que tentaram negociar com chefes homens por maiores compensações foram mais rejeitadas que homens na mesma posição – sendo que quando homens e mulheres negociavam com chefes do sexo feminino, o gênero do empregado não interferiu na reação ao pedido de aumento.

Ellen Pao, quando ainda estava no comando do reddit, tomou providências para tentar resolver esse problema. Ela instituiu um salário fixo para novos contratados. “Os homens negociam mais duramente que as mulheres e às vezes as mulheres são penalizadas por negociar”, disse Pao ao Wall Street Journal.  Sendo assim, ela concluiu que, já que os homens se dão melhor na hora de negociar salários ao entrar nas empresas, as mulheres não devem ser punidas recebendo menos simplesmente por não ter a mesma habilidade, embora sejam contratadas para executar o mesmo trabalho. A ideia possui opositores, mas é um sinal de que essa discussão está ganhando adeptos dentro das grandes empresas.

 

O perigo de ser gentil
É preciso desestigmatizar a assertividade e o desagrado feminino, inclusive, pela vulnerabilidade que eles geram também fora do âmbito profissional. Dizer “não” a um homem é uma tarefa dificílima para a mulher. Não apenas por serem programadas desde a infância a agradá-los e a satisfazer seus desejos, mas também pelo medo de parecerem rudes (característica que não é vista como atraente para o sexo feminino) e, principalmente, porque eles não estão prontos para isso. Se por um lado os homens são mais resistentes à agressividade, por outro são extremamente sensíveis à rejeição – o que piora o trabalho delas de se desvencilhar de investidas masculinas e ainda sobra muita culpa de brinde.  Some-se a isso a noção de que os corpos femininos são públicos e o mito de que as mulheres precisam de um homem para ser completas e o que sem tem é a normalização não apenas do assédio, mas também da violência que se segue em caso de negativa. Afinal, quem mandou provocar?

Um exemplo é o que aconteceu com uma redatora do Buzzfeed, Grace Spelman. Após recentemente ser citada em uma lista de mulheres mais engraçadas do Twitter, eis que surge Benjamin Schoen, apresentador de um podcast sobre Harry Potter que ela havia adicionado no Facebook aos 14 anos por ser fã dos livros de J.K. Rowling. No início de agosto, Benjamin enviou um tweet para Grace dizendo-se surpreso de saber que eles já eram amigos no Facebook – e ela educadamente favoritou a postagem, mas não respondeu. Em seguida, ele enviou mais algumas mensagens que ela nunca retornou. Querendo chamar a atenção dela, resolveu entrar em contato via inbox no Facebook:

Grace você faz um ótimo trabalho ao deixar a luz da sua personalidade brilhar online. É hiperativamente lindo. E você parece ser bem introspectiva. Então o que eu quero saber é se você quer casar comigo em um desses lugares tipo drive thru. Se você não suportar toda essa espontaneidade eu entendo que posso estar me adiantando

Estou lançando um novo podcast e adoraria que você ouvisse e, se você gostar, eu amaria que participasse de um episódio

Você me ganhou quando postou aquele vídeo do kendrick lamar

Foi quando me dei conta de que você provavelmente é definitivamente uma alma especial (ou seja “a pessoa certa”) 🙂

Esse smile foi acidentalmente assustador

Grace, que nunca havia feito mais que curtir o primeiro tweet que ele enviou, e até então esse havia sido o único contato correspondido, respondeu com um simples e direto: “Oi Ben! Obrigada pelas palavras gentis, mas na verdade eu já tenho namorado. Espero que fique bem!”. Sentindo-se desconfortável com a insistência dele, ela bloqueou Ben nas duas redes sociais. Foi o suficiente para que ele se revoltasse e enviasse o seguinte email para sua caixa de entrada:

Grace,

Quando você me excluiu do Facebook tão sorrateiramente eu fiquei tão irritado e ofendido que escrevi um texto de 1500 palavras “te colocando no seu lugar”. Mas ao invés de enviar eu salvei como rascunho, já que é minha política não enviar emails quando estou me sentindo irritado, triste ou ferido. Eu quero saber porque você fez isso comigo. Você me parece uma pessoa bem esperta e divertida e as mensagens que eu te enviei foram uma tentativa de fingir ser seu fãzinho. Eu entendo como você pode ter achado que eu estava dando em cima de você. Eu lamento que tenha ficado essa impressão. A última coisa que eu queria era deixá-la desconfortável.Eu só queria quebrar o gelo porque te acho imensamente talentosa e acho que está sendo mal utilizada no seu emprego atual. Sou um escritor, programador e empreendedor. Estava tentando ser seu amigo pois acredito que poderia ajudá-la a avançar na sua carreira. Ao publicar seu trabalho eu melhoraria meus produtos com conteúdo de qualidade.

Essas portas não estão fechadas. Se você não está interessada em trabalhar comigo e se existe alguma outra razão além de você estar ocupada, eu gostaria de saber o porquê. Eu escrevi para você no Twitter para expressar minha genuína admiração e a maneira como você me mandou ir me foder genuinamente me magoou.

Eu queria ver se podia ajudar no seu futuro, já que você havia acabado de twittar que se sentira insegura sobre ele.

Espero que me dê uma segunda chance e possa ver que posso ser útil para você.

Mais uma vez me desculpe se te deixei desconfortável. Eu te admiro Grace e honestamente tenho tido dificuldades para dormir porque não sei o que fiz para te aborrecer tanto.

Espero sinceramente que você me responda.

Quando Grace decidiu expôr a história em seu perfil no Twitter, Ben tornou-se abertamente agressivo e chegou a afimar que Grace estava “naqueles dias”.  Tudo o que ela fez foi desvencilhar-se de um completo desconhecido fazendo uso de dispositivos que existem justamente para afastar pessoas que não desejamos ver em nossas redes sociais. A dificuldade em entender a rejeição e a perseguição que isso gerou fazem parte do pesadelo que uma mulher pode viver ao rejeitar um homem. É desse suposto direito sobre a mulher escolhida que nascem fantasias como a friendzone, uma espécie de purgatório para onde vão os “caras legais” que foram rejeitados por mulheres que – oh, a crueldade! – não queriam nada além da amizade deles.

A zona da amizade realmente existe, mas não há nada de errado em ter só a amizade de uma mulher. Não devemos sexo em troca de uma paixão que não desejamos viver. E, ainda que toda essa fantasia romântica tenha partido da cabeça do homem, as mulheres é que são vistas como malvadas por colocá-los na friendzone. Dizer não, ter uma opinião contrária, mais uma vez faz das mulheres as vilãs da história. No caso da Grace, ela ainda citou o fato de ter um namorado – uma manobra básica para tentar amenizar a decepção do homem, sendo uma desculpa para o fato de não poderem ficar juntos, mas também uma das únicas formas de conseguir o respeito instantâneo deles: associando-se a outro homem já que, se estamos sozinhas, nenhuma razão parece ser suficiente para dispensar o afeto masculino.

Perto dos muitos casos de violência contra mulheres que tentaram sair de relacionamentos, a história de Grace parece simples, mas ela apenas salienta o fato de que esse sentimento de direito dos homens sobre as mulheres permeia até as interações mais superficiais. Por baixo do receio que a mulher sente ao rejeitar as investidas de um homem, está o pavor de uma violência física, uma violação sexual, do uso da força como meio para ele conseguir o que deseja. Pode parecer exagero, mas é autopreservação. E, na manifestação do pior cenário possível, é a falta de cautela da mulher é que vai para o banco dos réus.

 

Virando o jogo
Para Sheryl Sandberg, COO do Facebook, autora do livro e fundadora do movimento Lean In, as mulheres não devem se envergonhar de ter ambição e assumir posições de liderança com assertividade e firmeza. Para ela, não apenas as pessoas devem se adaptar a ver mulheres líderes, mas as próprias mulheres devem se acostumar com essa posição. Ela não acredita que os homens sejam confiantes demais, apenas que as mulheres são confiantes de menos. No livro, ela conta sua trajetória em busca dessa confiança. Mesmo quando foi considerada a quinta mulher mais poderosa do planeta pela revista Forbes, ela ainda pedia desculpas pelo próprio sucesso e sentia uma forte necessidade de agradar os outros. Com tantos estímulos conflitantes durante toda a vida, essa não é uma conclusão a que se chegue facilmente. Por isso, além do livro, o site LeanIn.org incentiva as mulheres a se reunir, se educar e estabelecer uma rede de contatos que as fortaleça profissionalmente.

Particularmente, encontrar a própria voz, se fazer ouvir e não se deixar envergonhar pela própria opinião ou pelo espaço que ocupa no mundo são passos essenciais para o empoderamento feminino. Não é uma tarefa fácil. Afinal, trata-se de uma luta contra séculos de uma socialização que limita e silencia as mulheres. O resultado, porém, pode ser magnífico e recompensador. Nas palavras de Chimamanda Ngozi Adichie, em seu discurso na faculdade de Wellesley este ano:

“No mundo inteiro, as meninas são ensinadas a serem agradáveis, a se moldarem em formas que agradem outras pessoas. Por favor, não se modifiquem para agradar outras pessoas. Não façam isso. Se alguém gosta dessa versão sua que é falsa e te diminui, essas pessoas gostam de uma forma vazia e não de você. E o mundo é tão gloriosamente vasto, multifacetado e diverso que certamente existem pessoas no mundo que vão gostar de você como você é.

 

(…) Uma última coisa sobre minha mãe. Eu e minha mãe discordamos sobre muitas coisas quando o assunto é gênero. Existem algumas coisas que minha mãe acredita que uma pessoa deve fazer apenas “por ser mulher”. Como ocasionalmente acenar e sorrir, mesmo que sorrir seja a última coisa que se queira fazer. Como estrategicamente deixar de argumentar apenas porque a outra pessoa com quem se está discutindo não é uma mulher. Como casar e ter filhos. Eu penso que tudo isso pode ser feito por algumas boas razões, mas “porque você é uma mulher” não é uma delas. Então, Turma de 2015, nunca aceitem o “porque você é uma mulher” como uma razão para fazerem ou deixarem de fazer alguma coisa.”

Felizmente, mulheres como a Cara, citada lá no início do texto, já aprenderam essa lição e não se curvam mais diante das expectativas alheias sobre o comportamento feminino. Ela é divertida quando se sente divertida e foi séria quando quis ser levada a sério. Aos pouquinhos, exemplos como o dela vão mostrando para o mundo que o valor de uma mulher não se perde quando ela é agressiva, tampouco reside apenas em seu sorriso. Seu conteúdo é o mesmo e merece respeito independente da forma como é expressado. As emoções femininas dispensam juízo de valor e cabresto. Nós somos muito mais que isso.


Arte: Marion Peck

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olga

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Quando você pensa em machismo, o que vem à sua cabeça? Estupro, violência doméstica, restrição econômica, submissão e subserviência. Porém, existem alguns comportamentos machistas que permeiam nosso cotidiano e sequer nos damos conta. Gestos que parecem inofensivos, mas na verdade roubam nossa força, nosso espaço e limitam as possibilidades das mulheres. Mas estamos de olho! A Think Olga traz uma explicação sobre quatro tipos de machismo invisíveis para te ajudar a combatê-los no seu dia-a-dia: manterruptingbropriating, mansplaining e gaslighting. São comportamentos batizados em inglês sem tradução oficial. Mas também achamos imprescindível pensarmos em versões em português!

 

frase-manterrupting

A palavra é uma junção de man (homem) e interrupting (e interrupção) Em tradução livre, manterrupting significa “homens que interrompem”. Este é um comportamento muito comum em reuniões e palestras mistas, quando uma mulher não consegue concluir sua frase porque é constantemente interrompida pelos homens ao redor.

Em março, um caso típico ganhou a internet: em um painel do SXSW 2015, evento de inovação, música e cinema que acontece todos os anos em Austin, Texas, uma mulher brilhante discutia a baixa presença feminina na tecnologia ao lado de dois homens, igualmente inteligentes. Eram eles o chairman do Google, Eric Schmidt, o jornalista e biógrafo do Steve Jobs, Walter Isaacson, e a Chefe de Tecnologia do governo americano (Pentágono), Megan Smith. E, apesar de o papo ser sobre ampliar as possibilidades para as mulheres, os homens da mesa não estavam dispostos a ceder espaço a ela. Cada vez que Megan Smith tentava fazer uma colocação, era interrompida de forma desnecessária por um dos dois homens:

  • “Sim, Senhora Smith, sei que você pode falar sobre isso melhor que ninguém, mas é que…”
  • “Acho que esta pergunta (da plateia) tem bastante a ver com a área da Senhira Smith, mas eu só queria falar que…”
  • (falando por cima dela) “Sim, Senhora Smith, mas o que vale a pena ser dito é que…”

Esta postura clássica de manterrupting foi tão impactante que uma pessoa na plateia perguntou porque eles não deixavam Megan falar. O público, que estava incomodado, aplaudiu de pé. Outro episódio famoso é o de Kanye West, que interrompeu Taylor Swift durante seu discurso de agradecimento pelo prêmio de melhor videoclipe feminino do MTV Music Awards, em 2009. Ele invadiu a cena para defender Beyoncé, que concorria com ela na categoria. A interrupção começou com o “Hey Taylor, I’m really happy for you and Imma let ou finish” e acabou quebrando a internet, com uma enxurrada de memes. Mas, disfarçado de piada, ali está o machismo. Não apenas por não dar espaço para que Taylor falasse, mas também por ele se expressar em nome de outra mulher, no caso, a poderosa Beyoncé. Desnecessário e agressivo. Com licença, Kanye, mas nós não vamos mais deixar você terminar…
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O termo é uma junção de bro (curto para brother, irmão, mano) e appropriating (apropriação) e se refere a quando um homem se apropria da ideia de uma mulher e leva o crédito por ela em reuniões. Quando colocamos uma ideia, muitas vezes não somos ouvidas. E então, um homem assume a palavra, repete exatamente o que você disse e é aplaudido por isso. Quem já não se viu nesta situação?

Em seu livro “Faça Acontecer”, Sheryl Sandberg, Diretora de Operações do Facebook, convida as mulheres a sentarem à mesa. A serem conscientes de seus lugares e de sua importância na sala de reuniões. Ela explica que somos criadas como delicadas, suaves e gentis, jamais como enfáticas ou assertivas. E quando nos impomos somos vistas como masculinizadas. Não há dúvidas de que isso atrapalha nossa vida profissional.

E este comportamento não é privilégio de algumas áreas. Em todos os mercados funciona assim. Em qualquer sala de reunião. O bropriating ajuda a explicar porque existem tão poucas mulheres nas lideranças das empresas. Além das supostas desvantagens mercadológicas e o preconceito de gênero, ainda servimos de plataforma para o crescimento de colegas homens, pelo simples fato de sermos menos ouvidas e levadas a sério. Garotas do mundo todo, sejamos as donas das nossas ideias!

 

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O termo é uma junção de man (homem) e explaining (explicar). É quando um homem dedica seu tempo para explicar a uma mulher como o mundo é redondo, o céu é azul, e 2+2=4. E fala didaticamente como se ela não fosse capaz de compreender, afinal é mulher. Mas o mansplaining também pode servir para um cara explicar como você está errada a respeito de algo sobre o qual você de fato está certa, ou apresentar ‘fatos’ variados e incorretos sobre algo que você conhece muito melhor que ele, só para demonstrar conhecimento. Acontece muito em conversa sobre feminismo!

Um caso bem ilustrativo foi de um comentarista da CNN, ao falar sobre o caso Hollaback!, em Nova York, e mansplaining assédio sexual em locais públicos para a âncora e para a outra entrevistada:

Algumas pérolas selecionadas (com comentários):

  • “Não há nada que uma mulher goste mais do que ouvir o quanto ela é bonita.” (puxa, obrigada por essa informação #sqn)
  • “Se ela não gosta de cantadas, ela que não saia na rua.” (ótima ideia! Não, péra.)
  • “E por que as mulheres simplesmente não respondem pros caras, já que elas não gostam? (Oi, tem mulher que morre por causa disso, amigo. #exausta)

A verdadeira intenção do mansplaining é desmerecer o conhecimento de uma mulher. É tirar dela a confiança, autoridade e o respeito sobre o que ela está falando. É tratá-la como inferior e menos capaz intelectualmente. Talvez você não tenha percebido isso de forma tão explícita no seu cotidiano, mas com certeza agora irá prestar atenção na maneira como seu chefe ou seu marido falam com você, com os elogios desnecessários ou idiotas que você recebe, nas mensagens bobas de parabéns pelo dia das mulheres. Tá tudo lotado de mansplaining.

 

frase-gaslighting

Gaslighting é a violência emocional por meio de manipulação psicológica, que leva a mulher e todos ao seu redor acharem que ela enlouqueceu ou que é incapaz. É uma forma de fazer a mulher duvidar de seu senso de realidade, de suas próprias memórias, percepção, raciocínio e sanidade. Este comportamento afeta homens e mulheres, porém somos vítimas culturalmente mais fáceis. No dia a dia, aposto que vocês já ouviram alguma vez – ou várias:

  • “Você está exagerando”
  • “Nossa, você é sensível demais”
  • “Para de surtar”
  • “Você está delirando”
  • “Cadê seu senso de humor?”
  • “Não aceita nem uma brincadeira?”
  • E o mais clássico: “você está louca”.

O termo gaslighting surgiu por causa de um filme de mesmo nome, de 1944, em que um homem descobre que pode tomar a fortuna de sua mulher se ela for internada como doente mental. Por isso, ele começa a desenvolver uma série de artimanhas – como piscar a luz de casa, por exemplo – para que ela acredite que enlouqueceu.

Um caso recente, ocorrido dentro da marinha americana, foi noticiado pela imprensa: cinco mulheres afirmaram ter sido vítimas de estupro dentro da corporação. Poucos meses depois, todas foram afastadas por problemas emocionais. Outras mulheres relatam casos dentro da instituição. Após denunciar as agressões, ouviram de volta:

  • “Não venha me aborrecer só porque fez sexo e se arrependeu.”
  • “Isso nunca aconteceu. Agora pode ir embora.”

Isso é gaslighting. Uma forma de manipulação que desencadeia um total esvaziamento da autonomia da vítima. Uma ferramenta presente em muitos relacionamentos, que levam as mulheres a abrir mão de suas escolhas, de suas opiniões e até de cuidar da sua própria vida. É desempoderamento, opressão e controle. Algo que não deve ser admitido em nenhuma situação.

Manterrupting, bropriating, mansplaining e gaslighting. Saber que estes problemas existem já é parte importante da solução. Estar atenta aos pequenos gestos cotidianos e transformá-los pouco a pouco farão a sua vida, e de muitas mulheres, melhor.

 

Pequeno dicionário:

#manterrupting: quando uma mulher não consegue concluir sua frase porque é constantemente interrompida pelos homens ao redor.

#bropriating: Quando, em uma reunião, um homem se apropria da ideia de uma mulher e leva o crédito por ela.

#mansplaining:  É quando um homem dedica seu tempo para explicar algo óbvio a você, como se não fosse capaz de compreender, afinal você é uma mulher.

#gaslighting: violência emocional por meio de manipulação psicológica, que leva a mulher e todos ao seu redor acharem que ela enlouqueceu ou que é incapaz.

 


Maíra Liguori é jornalista, publicitária e co-fundadora do Think Eva

Arte: Aline Jorge

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Numa quinta-feira chocha de abril, daquelas que nada prometem, navegava despretensiosamente por um site de notícias, quando me deparei com a propaganda de um evento intitulado “Mulheres Líderes: Evolução e Perspectivas no Mercado Brasileiro”. Não havia uma descrição muito detalhada, mas dizia o anúncio que a sede de uma organização internacional sem fins lucrativos, chamada Women in Latin America Leadership – W.I.L.L., seria inaugurada em São Paulo naquele dia. O que mais me chamou a atenção, confesso, foi a participação confirmada de uma das mulheres mais proeminentes do cenário empresarial brasileiro: Luiza Trajano, fundadora da rede de varejo Magazine Luiza. Na mesma hora me inscrevi, e não deu outra. Ao lado da embaixadora Maria Celina Rodrigues e da jornalista Mônica Waldvogel, Luiza conquistou o público – formado não só por mulheres, mas por homens também – com sua informalidade inteligentíssima. Aproveitou para destacar as iniciativas pró-mulheres de classes mais baixas da sua empresa e colocou em debate um tema muito importante, mas ainda pouco discutido: as controversas cotas para mulheres em conselhos administrativos de empresas. “Quando um executivo completa 60 anos, é chamado para integrar os conselhos. Já as mulheres da mesma idade se aposentam ou são mandadas embora”, reclamou.

 

“As cotas são um processo transitório para acertar uma desigualdade histórica.” – Luiza Trajano, presidente da Magazine Luiza

 

Em meio a opiniões apaixonadas e ponderadas sobre o assunto, ouvi também descrições de trajetórias incríveis, de mulheres que seguiram crescendo em ambientes essencialmente masculinos e chegaram a assumir cargos executivos de empresas em que os funcionários são predominantemente homens. Andrea Alvares, por exemplo, assumiu aos 28 anos a diretoria geral da unidade de Snacks da Pepsico no Brasil, se tornando a primeira diretora mulher da empresa. Já Elisabeth Farina, presidente da ÚNICA (União da Indústria de Cana de Açúcar), estudou Economia numa classe em que as mulheres ainda representavam apenas 20% da turma e foi uma das poucas a fazer parte do seu corpo acadêmico.

É verdade que o movimento feminista proporcionou muitos avanços na vida das mulheres nas últimas décadas, inclusive o aumento daquelas que ingressam em universidades no mundo todo: o número cresceu mais de 50% desde 1980 – na América Latina e Caribe, para cada 100 homens, há 127 mulheres que entram no ensino superior. Porém, ainda existe uma quebra muito grande quando chega o momento de ela ingressar no mercado de trabalho: apenas 19% das mulheres graduadas de fato são empregadas. É uma perda trágica para a economia, e as causas são as mais diversas – algumas vezes, é uma escolha das próprias mulheres, muitas delas ainda habituadas às velhas convenções sociais.

 

“Quem educa uma menina, educa uma nação” – Slogan da campanha da Unicef para o Dia Internacional das Meninas, celebrado pela ONU

 

Mesmo para aquelas que ingressam no mercado de trabalho, a pressão social permanece estarrecedora. A economista americana Sylvia Hewlett, professora da Universidade de Columbia, descobriu, por exemplo, que, ainda hoje, quanto mais bem-sucedido for o homem, maior a probabilidade de ele se casar e ter filhos – sendo que com as mulheres ocorre o oposto. A falta de tempo de uma executiva para uma relação afetiva não é bem vista pelos homens, enquanto muitas mulheres ainda aceitam operar como apoio à carreira masculina, mesmo que elas tenham aspirações profissionais maiores. O resultado: 40% das executivas bem-sucedidas no trabalho não têm filhos, ante apenas 19% dos homens.

A associação entre ter sucesso e abdicar da vida pessoal faz com que muitas mulheres optem por não crescer profissionalmente, o que colabora indiretamente para que apenas 7% das mulheres latino-americanas ocupem as tão visadas cadeiras dos conselhos administrativos das empresas – o topo das posições de comando –, segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Não à toa, muitas mulheres influentes, como Luiza Trajano, levantam a bandeira das cotas em conselhos. Essa participação feminina limitada motivou, em 2010, a criação de um projeto de lei que prevê o estabelecimento de cotas gradativas para mulheres – 10% em 2016, 20% em 2018, 30% em 2020 e 40% em 2022.

 

“Cota não é sinônimo de incompetência” – Irene Natividad, presidente da Corporate Women Directors International

 

De autoria da senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE), o projeto defende que o porcentual mínimo de mulheres em conselhos de administração seja obrigatório no serviço público (empresas estatais e de economia mista) e opcional nas empresas privadas. Ele já passou pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) no Senado e chegou a ser discutido na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas ainda precisa de ajustes antes que possa ser apreciado pelas duas Casas do Congresso Nacional. Como impasse adicional, a proposta também envolve diversos conflitos de interesses, como toda discussão sobre a adoção de cotas como medida paliativa de incentivo à inserção de grupos minoritários em ambientes historicamente pouco acessíveis. Nesse caso, mesmo algumas feministas, defensoras dos direitos das mulheres, são contra a iniciativa. Para clarear um pouco essas opiniões, selecionei abaixo alguns pontos levantados pelos críticos ao projeto, rebatidos por aqueles que são a favor:

CONTRA

– As cotas são uma interferência indevida do governo na liberdade das empresas decidirem por quem serão dirigidas. – As cotas obrigam as companhias a se livrarem de conselheiros competentes e experientes para dar lugar a pessoas menos qualificadas.

– O crescimento e desenvolvimento das mulheres deve vir por demanda e mérito e não por imposição de uma lei.

– As cotas têm efeito limitado no ambiente de trabalho das empresas: as conselheiras não participariam do dia a dia dos negócios.

– A participação ínfima das mulheres nos conselhos reflete seu número reduzido em cargos executivos, e as empresas buscam conselheiros experientes.

– As empresas teriam problemas hoje para preencher cotas em conselhos, pois não estão preparadas, não recrutaram mulheres pensando nisso.

A FAVOR

– A legislação pode melhorar o atual processo de seleção de pessoas – que costuma replicar e perpetuar as iniquidades existentes.

– Já existem conselheiros profissionais, que são treinados para o cargo e sem experiência efetiva de gestão. Mesmo entre aqueles experientes nem todos são de fato bons.

– As cotas são uma forma de corrigir uma desigualdade no topo das empresas e permitir às mulheres alcançarem postos de liderança mais rapidamente.

– A presença de mulheres no “topo” ajuda a quebrar estereótipos e convencer o resto da pirâmide corporativa de que elas podem ser boas líderes.

– Muitas empresas já reconhecem que a diversidade de gênero nos conselhos amplia as perspectivas e os ângulos dos quais os problemas são analisados.

– As empresas vão precisar sair à caça de mulheres com qualificação e capacidade de liderança, e perceberão que elas sempre existiram.

 

“Somos agregadoras e conciliadoras. Precisamos compartilhar mais nossas habilidades e ser mais participativas” – Chieko Aoki, fundadora e presidente da Blue Tree Hotels, eleita pela Forbesuma das executivas mais poderosas do Brasil

 

Experiências no exterior também contam a favor da iniciativa:

– Em 1993, Israel foi pioneiro ao estabelecer que 30% dos cargos de conselho de administração fossem ocupados por mulheres.

– Em 2003, a Noruega obrigou empresas públicas e privadas de capital aberto a ocuparem 40% dos assentos de seus conselhos com mulheres em até 5 anos.

– Em 2007, a Espanha estabeleceu um prazo de oito anos para que as companhias pudessem se adaptar a uma política semelhante.

– Em 2011, foi a vez da França, que passou a exigir não só a reserva de cotas, mas também a paridade salarial entre homens e mulheres.

– No mesmo ano, a Bélgica determinou que as companhias deveriam ocupar um terço de assentos em conselhos por mulheres até 2017.

– A mesma regra foi estabelecida na Holanda e na Itália, com um prazo de adaptação das companhias à regra até 2015.

– Outros países passaram a adotar o sistema em estatais, tais como: Dinamarca, Finlândia, Austrália e Islândia.

 

“Não deveria haver tanta testosterona em uma sala onde decisões importantes são tomadas” – Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI

 

Quando a Noruega adotou lei semelhante, os críticos diziam que as empresas não conseguiriam encontrar profissionais com talento ou experiência para preencher as cotas femininas, ficariam sem rumo e perderiam produtividade, o PIB encolheria e o nível de emprego cairia. Na época, a média de presença de mulheres era de 7%. Das 611 empresas sujeitas às novas regras, 470 não tinham nenhuma mulher em seu corpo de diretores. Quase uma década depois da aprovação das cotas, as previsões de um cataclismo corporativo não se confirmaram. Em meio à crise econômica, a Noruega vai surpreendentemente bem – o PIB do país cresce mais do que o brasileiro.

Essas constatações não só fizeram a Noruega se tornar um exemplo para outros europeus na adoção de cotas para as mulheres no topo das empresas, mas também arrastaram o país para o centro de um acalorado debate sobre o papel que a União Europeia (UE) deve desempenhar no tema. Em 2012, a Comissão Europeia propôs uma Diretiva que estabelece que todas as companhias abertas nos países membros com ações listadas em Bolsa de Valores e que possuam mais de 250 trabalhadores devem destinar 40% dos assentos em conselhos de administração para mulheres até 2020. O Parlamento europeu aprovou a proposta de Diretiva no final de 2013, por 459 votos a 148.

 

“Precisamos mudar a ideia geral de composição de família: as mulheres devem entrar no mercado de trabalho, e os homens devem entrar em casa também!” – Marise Barroso, presidente da Masisa

 

Uma pesquisa da McKinsey & Co. mostra ainda que companhias que contam com mulheres no comitê executivo apresentam resultados melhores: a média de retorno sobre o patrimônio líquido das empresas com presença feminina no comitê foi, em 2011, 44% superior à daquelas que contam apenas com a participação de homens. Entre executivos e CEOs ouvidos pela consultoria, 60% acreditam que as mulheres fazem a diferença na performance das empresas, graças à sua capacidade de inspirar e motivar equipes, além de desenvolver pessoas e criar um bom ambiente de trabalho. Com elas no comando, as empresas acessam um banco maior de talentos, agregam diferentes opiniões e percepções para os debates e colaboram com uma reflexão melhor a respeito do processo de tomada de decisões pelos consumidores.

Com tantos dados, tendo a acreditar que uma lei nesse sentido possa ser um empurrão necessário para que as mais empresas apostem nas mulheres de forma mais imediata. Somado a isso, claro, deve haver uma conscientização para que as empresas de fato incorporem processos e programas voltados para a equidade – de recrutamento e desenvolvimento. Seria imprescindível estabelecer um plano de carreira para aumentar o número de mulheres em cargos de gerência, cada vez mais preparadas para atuar como conselheiras, mas dando a elas flexibilidade de horários, capacitação por meio de modelos de liderança, orientação para gestão de tempo e networking. Além disso, as próprias mulheres devem confiar mais em si, para tomar melhores decisões e realizar negociações mais justas. Elas devem assumir a responsabilidade pelo seu crescimento e aproveitar aquilo que têm de melhor.

Em tempo: Nunca aspirei uma carreira corporativa, nem imaginava um dia estar aqui escrevendo sobre esse tema tão distante da minha realidade. Sou apaixonada mesmo é pelo terceiro setor, mas, por incrível que pareça, foi ele quem me aproximou dessa área de negócios. Recentemente, assumi parte de um projeto de carreira cujo objetivo é essencialmente orientar, informar e inspirar jovens profissionais – o que me fez conhecer mais a fundo esse mundo tão injusto com as mulheres – como tantos outros. Desde então, meu esforço quase diário é me aproximar de lideranças femininas que possam servir de exemplo e dar dicas para aquelas que ainda estão começando na vida profissional e aspiram uma carreira corporativa.

Se você também gostou do tema e quer saber mais das discussões que estão rolando sobre mulheres em cargos de liderança, indico fortemente o livro Lean In, da COO do Facebook, Sheryl Sandberg – um belo manifesto a favor das mulheres que querem ascender nas corporações. E outros dois livros que trazem insights interessantes sobre por que muitas vezes as próprias mulheres impõem obstáculos à sua carreira e dão dicas sobre como valorizar mais seu trabalho e negociar melhores cargos e salários: Women Don’t Ask: The High Cost of Avoiding Negotiation and Positive Strategies for Change e Ask for It! How Women Can Use the Power of Negotiation to Get What They Really Want – ambos das autoras Linda Babcock e Sara Lascherver. Boa leitura!


Cecília Araújo estudou Comunicação Social na UFMG e em, São Paulo, se especializou em Jornalismo Literário. Na época, pensava em escrever sobre cultura em revista, mas acabou se tornando repórter de internacional. Foi nas viagens e entrevistas que descobriu sua paixão por direitos humanos e a internet. No ano passado, largou a redação para mergulhar no terceiro setor. Fez um curso de Negócios Sociais no Yunus Social Business Center no Brasil e hoje é responsável pela reformulação do Na Prática, plataforma de carreira da Fundação Estudar, que em breve estará de cara nova – e com mais mulheres líderes representadas!

Colagem: Mariano Peccinetti

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olga tech
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“Ela é mulher, mas é uma excelente programadora.” Que atire o primeiro código aquela que nunca ouviu isso no ambiente de trabalho. Disfarçada de elogio e frequentemente proferida na área de tecnologia, a frase é um retrato do preconceito que ainda assombra o setor e resulta até mesmo em disparidade salarial. No mesmo cargo de gestão, mulheres podem ganhar até 23% menos do que homens. A boa notícia é que o contra-ataque feminino vem ganhando forças.

No exterior, Sheryl Sandberg, vice-presidente de operações do Facebook, denunciou a discriminação sofrida pelas mulheres no mercado de trabalho, principalmente no de inovação, em seu livro Faça Acontecer. Em terras nacionais, contamos com a luta da Mulheres na Tecnologia (/MNT), ONG que visa o aumento da participação e o reconhecimento do potencial feminino na TI.

O grupo – criado há quase 5 anos por Andressa Martins, Narrira Lemos e Luciana Silva – organizou recentemente uma pesquisa online em que questionava sobre a existência de preconceito de gênero no setor. Mais de 70% dos participantes responderam que sim. “Não são raras as situações constrangedoras que uma profissional vive por estar num ambiente que supostamente não seria o dela”, afirmam Danielle Oliveira e Márcia Santos, conselheiras da /MNT. “Ouvir que programação é difícil para as mulheres é bastante comum no nosso dia-a-dia.” 

Abaixo, uma entrevista com a /MNT sobre as mudanças no atual cenário do mercado de trabalho e as ações que vão provar que tecnologia é coisa de mulher sim!


1 ) Em termos de gênero, qual é o atual cenário da área de tecnologia no Brasil? 

Podemos afirmar que o as mulheres geralmente representam entre 10 a 30% de profissionais na indústria de Tecnologia da Informação no mundo. Os números variam muito de país para país, de um modo geral há menos mulheres donas de suas próprias empresas ou startups do que as trabalham em empresas públicas ou privadas, e esta proporção é menor ainda em cargos de gestão técnica.

Nos Estados Unidos, incluindo os cargos administrativos, elas são 32% dos profissionais de TI. No Canadá, elas representam cerca de 23 a 28%  e, na França, são 20%. No Brasil, as mulheres correspondem a aproximadamente 19%, segundo o PNAD/2009. Diversas pesquisas apontam que há preconceito de gênero, e em uma pesquisa realizada em julho de 2012 em um evento da SBC foi afirmado que “a resistência – quando a menina diz que quer fazer computação ou alguma área tecnológica- começa em casa, com os pais e familiares; depois as adolescentes acabam esquecendo e não se identificam mais com a área.”

2 ) Ada Lovelace, Grace Hooper e as programadoras do Eniac são algumas mulheres ícones da área de tecnologia e programação. Quando foi que as mulheres perderam espaço para os homens nesse setor?

A professora da Unicamp, Claudia Medeiros – premiada pelo Instituto Anita Borg em reconhecimento a sua atuação em favor da inserção da mulher na computação no Brasil – citou em uma entrevista que havia duas hipóteses para este desinteresse feminino: uma econômica e outra social.

Justificou que o aspecto econômico deriva de um aumento da competição na área. “Antes, as mulheres buscavam profissões associadas porque não havia tanto interesse. À medida que o setor evoluiu e começou a oferecer salários melhores, os homens pressionaram o mercado de trabalho e a competição foi acirrada”, disse. A hipótese social considera o fato de a computação ser vista como uma profissão que privilegia o trabalho em isolamento, na qual se passa o dia todo diante de uma tela. A mulher teria preferência por atividades que incluam contatos humanos. “Sabemos que isso é uma mistificação, pois a computação exige cada vez mais interação social e tem importância em todas as áreas”, afirmou.

Acreditamos na hipótese econômica, onde, assim como em outros profissões de ciência e tecnologia, a mulher começou a perder espaço a partir do momento em que esta passou a ser uma área de atuação reconhecida e respeitada. Na medicina, por exemplo, até o século XIV as mulheres tinham um conhecimento tácito dos processos de curas. Com a advento da ciência moderna, a medicina se tornou uma profissão masculina e as mulheres foram proibidas pela sociedade e a igreja de exercê-la sendo consideradas bruxas as mulheres que ainda o faziam.

3 ) Vocês são otimistas com as mudanças, em termos de gênero, na área de computação, inovação e tecnologia? Como enxergam o futuro das mulheres na TI?

Estatisticamente, o percentual de mulheres em relação aos homens que se ingressam nos cursos de tecnologia vem reduzindo. Este é um fator preocupante, mas também incentivador de uma resposta da sociedade. Novos grupos, blogs e organizações sem fins lucrativos surgem focados na discussão desta temática. Grandes empresas de tecnologia, como Thoughtworks, Google, IBM, Microsoft e HP, começaram a se preocupar em ter mulheres no seu quadro de funcionários e já possuem programas específicos de retenção de talentos femininos e incentivo a entrada de novas mulheres.

Diante a compreensão das empresas sobre a importância de termos a diversidade de talentos e o cuidado em manter um clima apropriado, somos otimistas com o futuro das mulheres na área, mesmo entendendo que ainda a muito para se trilhar.

4 ) Como incentivar mais mulheres a participarem dessa área?

Temos um caminho longo a percorrer, várias ações ainda precisam ser tomadas no sentido não só de incentivar a participação de mais mulheres na área mas também de empoderar as mulheres que já estão na área. Podemos citar três linhas de atuação do grupo:

Conscientização da sociedade é a primeira forma de mudança desta cultura. Em março deste ano, organizamos o 1º Encontro Nacional de Mulheres na Tecnologia que contou com a presença de 100 mulheres que participaram de mais de 20 atividades. Para o ano de 2014, já estamos organizando o 2º Encontro Nacional que acontecerá nos dias 27 e 28 de março.

Aumentar a autoconfiança das mulheres na tecnologia. Temos a ideia de criar um espaço virtual e permanente de troca de informações, profissionalização, empregabilidade e sociabilização nas áreas de inovação e tecnologia.

Estamos elaborando um projeto piloto com objetivo de apresentar a jovens de ensino médio noções básicas de programação e robótica estimulando a curiosidade e interesse na área de tecnologia da informação. No âmbito da recolocação profissional, estamos iniciando em Goiânia um projeto piloto de capacitação e apropriação de tecnologia.

5 ) Qual seria o impacto que a industria da tecnologia sofreria se existisse mais mão de obra feminina?

O maior número de mulheres atuando nas empresas resultaria num ambiente com maior diversidade. Este tipo de ambiente tende a ser mais estimulante e produtivo, favorecendo a elaboração de novos projetos e soluções. Isso contribui para a obtenção de um clima positivo que, pelo combate à intolerância, estimula a cooperação e a sinergia entre os profissionais da organização em torno de seus objetivos comuns. De forma que cria-se um ambiente que reforça os vínculos dos funcionários com o trabalho e sua identificação com a empresa, ajudando a gerar ideias novas e a aumentar rendimentos.

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olga mulher noticias venoms

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Um kickstarter feito para mulheres

O GIRLTANK, lançado dia 1º de maio, é um hub de crowdfunding (plataforma em que qualquer pessoa pode ajudar a bancar um projeto) que ajuda mulheres empresárias a colocar suas ideias em ação. Já existem oito iniciativas abertas para financiamento como workshops de TI para mulheres negras de baixa renda, cursos profissionalizantes para ex-detentas e a criação de uma economia verde e local no Marrocos. Espero que o hub não afaste possíveis investidores homens. 

Lean In (Faça Acontecer) vira comunidade na internet

Sheryl Sandberg, a diretora de operação do Facebook, aqueceu o debate sobre a posição da mulher no trabalho com seu livro Lean In (Faça Acontecer). Agora, ela leva a discussão para a internet com o leanin.org, projeto sem fins lucrativos cuja missão é encorajar a formação de mais líderes mulheres.

Um olhar cômico das revistas femininas 

O recém-lançado Reductress é um portal satírico que brinca com o jornalismo feminino. Lá, você pode ler notícias como “criadora do documentário ‘Estupro nos Estados Unidos’ fala sobre cuidados com o cabelo” ou “L’Óreal lança linha de maquiagem anti-bullying para meninas“. Uma forma engraçada para mostrar que a comunicação com as mulheres ainda está baseada em temas chavões – e até detalhes insignificante. Em entrevista ótima ao Buzzfeed, as criadoras do site, Beth Newell e Sarah Pappalardo, ensinam a transformar o jornalismo online em algo mais feminino: “tentamos deixar nosso conteúdo o mais bonito possível. Se você reparar, nossa fonte é mais fininha do que a dos outros”. 

 

 

 

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