editathon olga2

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A internet não gosta das mulheres. É verdade e já explicamos um dos porquês aqui. Então que tal lutar para tentar, aos poucos, muda esse cenário? Convido a todas (os) a participar do EDIT-A-THON DAS MINAS, dia 26 de Abril, e aumentar o conteúdo sobre o universo feminino na Wikipedia brasileira. Inscreva-se gratuitamente no Cinese.

O que é um edit-a-thon? 

É uma maratona de 8 horas de edição das páginas da Wikipedia em português. Interessadas (e interessados também) aprenderão a usar a ferramenta de publicação e, durante o dia inteiro, irão acessar os perfis de grandes mulheres e gerar novo conteúdo e informações.

Por que fazer um edit-a-thon?

A Wikipedia, ferramenta aberta de democratização do conhecimento, permite que qualquer pessoa crie tópicos, edite artigos e ajude a espalhar informações corretas pela web. Mas apesar de ser uma ferramenta pública e extremamente popular, estima-se que apenas 13% dos editores da enciclopédia online sejam mulheres. O resultado disso é que muitos tópicos do universo feminino são esquecidos.

Exemplos:
– A da Lovelace, mãe da programação, tem uma página em português muito menor do que a em inglês. E a em inglês é muito menor também do que a do Alan Turing, um dos pioneiros da ciência da computação.

– Vamos para tempos modernos. A página da Lena Dunham, atriz que trouxe toda uma nova e importante discussão sobre padrões de beleza na TV, tem cinco linhas. CINCO. Nós já escrevemos mais sobre a atriz aqui neste blog do que o disponível na Wiki.

– A página da Gabriela Leite é minúscula também, se comparada a todo o trabalho que ela fez em vida. Não é lamentável?

editathon olga

A nossa proposta é criar grupos temáticos (arte, cinema, esporte, ciência, mulheres com deficiência, política, história, etc) para que todas as (os) participantes possam se identificar com as edições.

Dá trabalho? Dá. Mas é uma chance de gerar mudanças para valer! 

Parece insignificante? Bem, não é mesmo! A Wiki é o primeiro resultado que aparece no Google quando fazemos uma pesquisa. É uma das portas de entrada para o conhecimento sobre algo/alguém.

Mais boas notícias: o edit-a-thon será feito em um co-working space cujos proprietários não nos cobrarão nada (no fim do evento, é possível doar algo, 1 real mesmo, se achar válido. Mas não é obrigatório, claro!). É possível que teremos a companhia de uma pessoa da Wikipedia para nos orientar sobre a edição.

Traga seu notebook, sugestões e boa vontade e venha espalhar conhecimento com a gente!


Os flyers foram feitos com carinho pela Fernanda Carolina Abarca.

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olga skull

olga skull

[ATENÇÃO: Post com linguagem explícita de violência]

Checar as estatísticas deste site, como o número de visitas diárias e de onde vêm esses leitores, é algo que faço com frequência. Conforme o blog foi acumulando posts, – e, muitos deles, sobre violência conta a mulher – essa xeretada passou a me trazer desconforto, choque e medo.

Existe uma seção onde dá para conferir os termos de buscas usados pelos usuários que os levaram às nossas páginas. E qual não foi a minha infeliz surpresa quando notei que alguém chegou até a Olga pela procura “como estuprar uma menina e pegando na rua”? Foi a primeira vez que vi algo relacionado à violência sexual contra a mulher ali, mas tampouco foi a última. Tirei um print. O que será que essa pessoa pensou ao cair em um blog que tem como uma das bandeiras justamente a luta contra a violência sexual?

Busca violencia 06

De lá para cá, fui colecionando as barbaridades que ali apareciam. Inspirada pelo Women Under Siege, projeto de jornalismo investigativo que luta contra o estupro em zonas de conflito, decidi também transformar essas informações em post. Divido aqui as buscas de internautas que mostram como o estupro e o assédio é visto não apenas com naturalidade, mas como algo estimulante. Há ainda citações de pedofilia: as “novinhas”com que fantasiam são, na verdade, crianças de 10, 11 anos.

O “interessante” da internet é que ela revela o comportamento – e até os pensamentos íntimos – das pessoas. Não é possível saber com certeza se elas querem se excitar, se são pesquisadores (!), psicopatas ou criminosos em potencial. Mas o material que recolhi é uma demonstração de que a agressão sexual contra mulheres e crianças é, de várias maneiras, algo bastante próximo, que está em mais lugares do que imaginamos. 

“Talvez você pense que se trata mais de fantasias (tanto masculinas, quanto femininas) do que de experiências reais. Mas é importante termos consciência de que isso é o que está na mente das pessoas. Esses são os pensamentos que algumas delas conseguem controlar só até chegar na internet, onde poderão procurar mais informações a respeito. São ideias e impulsos que mal se contêm”, escreveu Lauren Wolfe, diretora do Women Under Siege.

Existem fetiches envolvendo dominação e que não deixam vítimas. Mas não é o que essas procuras revelam. O que elas descrevem são crimes. E muitas demonstram uma intenção de torná-los real: buscam por dicas e informações de como a violência deve ser cometida. Ainda assim, poderia ficar só no âmbito da imaginação, mas sabemos que não é o caso: como vocês podem ver na seção de depoimentos do Chega de Fiu Fiu, são agressões bastante comuns. E aí, percebo que não à toa essas pessoas chegaram aqui.  

Abaixo, as buscas em seus termos originais. 

Estupro

olga busca violencia estupro

Assédio sexual

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Pedofilia

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