Após o sucesso inicial da campanha Chega de Fiu Fiu e do resultado da pesquisa, nossa motivação para mudar a realidade das mulheres, permeada pelo assédio e violência sexual, só aumentou. Recebemos muitas mensagens, todos os dias, de pessoas compartilhando casos de assédio e vítimas constantes dessa violência sentindo-se finalmente compreendidas e empoderadas para retomar a liberdade de escolher seus próprios caminhos. Foi por causa desses depoimentos que surgiu a ideia da criação do Mapa Chega de Fiu Fiu: um espaço virtual dedicado a registrar relatos desse tipo de violência em locais públicos, mas com um olhar de transformação e uma função social.

Chega de Fiu Fiu - Google Chrome

Mais que recolher dpoimentos, a intenção do mapa é devolver as cidades para as mulheres. Dar a elas a oportunidade de registrar o tipo de assédio sofrido, o horário e o local em que ele ocorreu para que, coletivamente, possamos entender que locais da cidade são mais problemáticos e o que pode ser feito para mudá-los.

No mapa, que pode ser utilizado tanto por vítimas quanto por testemunhas, além da descrição do assédio, também são recolhidos dados, de preenchimento opcional, sobre as vítimas – para que tenhamos um recorte social das pessoas que passam por essa situação. Outros tipos de violência também podem ser relatados no mapa, tais como  ameaça, estupro, exploração sexual, homofobia, racismo, stalking, tráfico de mulheres, transfobia, violência doméstica e outros.

Com quase dois mil relatos (e contando!), o mapa se tornou um retrato fiel, vivo e dinâmico do que significa ser uma mulher e circular pelas ruas nos dias de hoje. Há casos de assédio contra crianças de até 9 anos (!) de idade e relatos de embrulhar o estômago vividos por mulheres que estavam apenas se locomovendo pela cidade. A leitura dos depoimentos é forte, mas apenas torna mais nítida a gravidade do problema.

Chega de Fiu Fiu - Google Chrome_2

 

A ferramenta já se mostrou útil muitas vezes e possui casos de sucesso. Uma das denunciantes, por exemplo, era frequentadora de um bar em São Paulo no qual ocorriam muitos assédios. Ela coletou casos parecidos que ocorriam no mesmo local e foram registrados no mapa e levou até o dono do estabelecimento para pedir providências. Em outra ocasião, o Metrô de São Paulo entrou em contato com o Think Olga após uma das denúncias de assédio em um de seus trens ter chegado até eles via redes sociais e uma reunião para discutir melhorias foi realizada.

Essa é a verdadeira força do mapa: lançar sobre a cidade um olhar de transformação para entender como as áreas com maior incidência de assédio podem ser modificadas de forma a torná-las mais seguras para as mulheres e devolver a elas o direito de ir e vir sem medo por esses locais. Clique para conhecer.