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[Situação 1]

A mulher diz: “Deveríamos tentar resolver o bug da forma [insira aqui uma ideia]…”

Ninguém dá bola.

Dois minutos depois:

O homem diz: “E se fizéssmemos [insira aqui a ideia da mulher]?”

Todos respondem: “Ótima ideia! Vamos fazer isso!”

 

[Situação 2]

Colega de trabalho diz: “Você é uma boa programadora, apesar de ser mulher.”

 

[Situação 3]

Recrutador diz: “Obrigado por vir, estamos procurando uma mulher desenvolvedora pois os meninos acham que precisamos “dar uma descontraída”.

 

[Situação 4]

Professor diz: “É bom ter uma mulher na turma de computação. Elas embelezam e perfumam o ambiente. Além do mais, são mais delicadas e atenciosas”.

 

Ser mulher é um desafio imenso. Ser mulher na área de tecnologia traz algumas dificuldades peculiares. Começa com a falta total de incentivo para que as meninas se envolvam com ciência e tecnologia, passa pela hostilidade que as estudantes dos cursos na área da computação encontram nas salas de aula e continua com um ambiente profissional misógino. Alguns números ajudam a entender o quadro atual:

A pesquisa Elephant in the Valley, que retratou o que enfrentam as mulheres no Vale do Silício, também traz números interessantes sobre a realidade das mulheres no maior oásis da tecnologia mundial: 66% das mais de 200 mulheres com mais de 10 anos de experiência no setor disseram já ter se sentindo excluídas de oportunidades por causa de gênero, 88% já enfrentaram situações em que perguntas foram feitas aos seus colegas homens – e não a elas, 60% já foram assediadas e 60% das que foram assediadas e denunciaram, ficaram insatisfeitas com as medidas tomadas.

A PrograMaria, um meta-site sobre mulheres e tecnologia, nasceu da inquietação com dois fatos: a crescente importância da tecnologia em nossas vidas e a falta de de representatividade da mulher na área – no Brasil, as mulheres vêm perdendo representatividade ao longo dos anos.

Muita gente argumenta que os números acima mostram a falta de interesse ou de capacidade das mulheres. Mas é preciso desconstruir a lógica falaciosa do “o cérebro da mulher não é feito para exatas”. Na escola, 74% das meninas demonstram interesse nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, mas na hora de decidir por uma graduação, apenas 0,4% dessas meninas escolhem Ciência da Computação. A pergunta não deve ser “por que devemos incluir as mulheres na tecnologia?” e sim “por que as excluímos?”.

É uma questão simples de igualdade de direitos e oportunidades – quando damos um conjunto de panelas para meninas e bloquinhos de montar para meninos, estamos dando estímulos diferentes, que determinam quais habilidades essas crianças irão desenvolver e, obviamente, isso pode interferir nos caminhos acadêmicos de cada um deles. Recomendo a leitura desta ótima entrevista com o psicólogo americano Andrew Meltzoff, que falou sobre o poder dos estereótipos culturais no aprendizado das crianças. (‘Estereótipo de que ‘matemática é para garotos’ afasta meninas da tecnologia, diz pesquisador”)

A partir de todo esse cenário, decidimos três pilares de atuação para a PrograMaria: inspirar meninas e mulheres a explorar os campos da tecnologia e da programação, fomentar e qualificar o debate sobre a falta de mulheres na área e promover oportunidades de aprendizagem.

Nossa missão é empoderar meninas e mulheres por meio da tecnologia e da programação – e acreditamos nisso por vários motivos:

  1. Faltam profissionais na área. A TI é um mercado em forte desenvolvimento e a demanda por desenvolvedores só irá crescer. Além disso, as empresas já se ligaram que precisam de diversidade no seu quadro de funcionários, afinal, um time diverso produz mais inovação e traz melhores resultados.
  2. As mulheres não precisam necessariamente querer trabalhar como desenvolvedoras para se beneficiarem da programação. Toda empresa hoje precisa de tecnologia. Ter noções básicas do tema facilita o trabalho em equipes multidisciplinares, aumentando a produtividade e melhorando resultados.
  3. Programar é uma ferramenta poderosa de transformação do mundo. Com ela, as mulheres podem dar vida a suas ideias, construir seus projetos e se expressar!

De tanto ouvir que “mulher não dá para exatas”, “mulher não é boa em matemática”, “homens são mais lógicos”, internalizamos essas verdades e passamos a acreditar nelas.

Nos eventos que organizamos e participamos, muitas mulheres contam que simplesmente nunca tentaram aprender porque achavam que programação era muito difícil para elas, que elas não conseguiriam entender e ponto final. Muitas têm ideias incríveis que gostariam de realizar, mas ficam a espera de um amigo desenvolvedor que tope ajudar.

A tecnologia determina a maneira como nos relacionamos, nos comunicamos, consumimos e aprendemos. A sociedade precisa que as mulheres também pensem sobre esses problemas e proponham soluções para eles. Quantas ideias deixam de se tornar projetos, produtos e serviços inovadores por que as mulheres estão à margem da produção de tecnologia?

Em fevereiro a PrograMaria completa um ano. Nesse caminho, encontramos muitas mulheres dispostas e entusiasmadas com a ideia de colaborar. 2016 vai ser um ano muito bom para o tema. Diversos grupos estão surgindo, unindo forças, e se fortalecendo para lutar e promover mudanças!

 

Campanha #SerMulherEmTech

Logo que lançamos nosso site e nossa página no Facebook, começamos a receber diversas mensagens de mulheres que estudavam ou trabalharam no setor, desabafando sobre as dificuldades que enfrentavam diariamente. Situações absurdas como as que você leu no início deste texto. (Tem mais na nossa reportagem especial Mulheres enfrentam preconceito e isolamento em cursos de computacão)

A campanha #SerMulherEmTech foi a maneira que encontramos para dar voz a essas histórias e promover a troca de experiências e de apoio entre essas mulheres. Acreditamos que a informação é o primeiro passo para transformar o que está aí. Queremos abrir espaço para o debate e mostrar que as violências, tão naturalizadas, não devem ser toleradas e precisam ser enfrentadas.


Iana Chan é jornalista e co-fundadora da PrograMaria.

Arte: Alessandra Genualdo

 

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Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

A ONU Mulheres e o Governo da China promoveram neste domingo, na sede da ONU, um evento sobre igualdade de gênero e autonomia feminina. O secretário-geral declarou que os novos Objetivos Globais não podem ser alcançados “sem direitos iguais, na lei e na prática, para metade da população mundial”.

Ban Ki-moon destacou que no fórum, os líderes mundiais estavam “sinalando sua responsabilidade pessoal para a igualdade de gênero”. Apesar de progressos recentes, o chefe da ONU destacou que ainda há um longo caminho a percorrer.

Exclusão

Ele explicou que “muitas meninas e mulheres continuam sofrendo discriminação, estão sujeitas à violência, têm negadas oportunidades iguais em educação e emprego e são excluídas de posições de liderança”.

Segundo Ban Ki-moon, a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável não pode ser alcançada sem direitos iguais para as mulheres.

Ban destacou que garantir a proteção de mulheres e meninas e priorizar suas necessidades também é essencial na hora de resolver emergências humanitárias.

Salários

O chefe da ONU pediu aos líderes mundiais mais compromisso para garantir de verdade a igualdade de gênero. Ban explicou que é preciso tratar com urgência de algumas barreiras, como as diferenças salariais entre homens e mulheres.

O secretário-geral também defende que seja reconhecido o “direito de meninas  e mulheres governarem sua saúde sexual e reprodutiva, acabar com a violência e garantir a participação feminina na arena política, na resolução de conflitos e em processos de paz”.

Investimento Chinês

Ban Ki-moon explicou que até 2030, o planeta precisa ser “50:50”, ou seja, com direitos iguais para homens e mulheres. O chefe da ONU disse que o evento de alto nível pode ser um marco para a o alcance completo da igualdade de gênero.

O presidente da China, Xi Jinping, anunciou que o país vai contribuir com US$ 10 milhões em apoio ao desenvolvimento das mulheres no mundo. O líder chinês também garantiu que irá ajudar outros países em desenvolvimento a fornecer cuidados de saúde e treinamento vocacional para mulheres e meninas.

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Esse post faz parte de uma parceria entre Think Olga e a Rádio ONU em Português para a divulgação de conteúdo relacionado a gênero.

Arte: Laura Liedo

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Estamos de volta! Não se preocupe caso você tenha notado uma diminuição no número de posts do Think Olga nos últimos meses: passamos por uma grande reforma. Com o amor o apoio de tantas e tantas Olgas (nossas leitoras), o site cresceu. Ainda assim, somos poucas para dar conta do recado e, após dois anos de pé embaixo, trabalhando sem parar e movimentando vários projetos simultaneamente, precisamos de uma pausa para colocar ordem na casa e retomar a Olga com a qualidade que ela merece.

Enquanto estivemos fora por aqui, Juliana de Faria, jornalista e fundadora do Think Olga, participou de eventos incríveis em nome da Chega de Fiu Fiu. Ficamos muito orgulhosas em vê-la representando organizações contra o assédio em locais públicos de toda a América Latina na 59ª Conferência Mundial sobre as Mulheres da ONU, no mês de março, em Nova York.

De lá, ela partiu para o Texas, onde ao lado da Amanda Luz, comandou um painel sobre violência contra as mulheres na internet. Ao voltar, participou do TEDx só com mulheres, em São Paulo, para falar sobre suas experiências à frente dessa que talvez seja a maior campanha contra assédio em locais públicos do país. E, na última semana de junho, repetiu a dose em Floripa.

A oportunidade de participar de tantos eventos bacanas não apenas nos deixaram felizes e cheias de orgulho, mas também nos fizeram refletir sobre o futuro do Think Olga e como precisamos nos preparar para que ele continue sendo relevante e inspirador para tantas pessoas. Por isso, precisamos dessa pausa estratégica para recomeçarmos com fôlego renovado e novos ares.

Conheça as novidades

Para começar, apresentamos nosso novo layout. Ele é mais mais intuitivo e agora contamos com um menu superior que reúne nossos principais projetos. Na Chega de Fiu Fiu, além do Mapa, do Ebook, da Cartilha e das Artes, adicionamos um FAQ com as perguntas mais frequentes que recebemos em relação ao assédio sexual em locais públicos e a campanha.

O Entreviste Uma Mulher foi turbinado e adicionamos mais 20 mulheres incríveis que merecem ser ouvidas não apenas pelo reconhecimento de seus trabalhos, mas por uma maior representatividade feminina nos meios de comunicação.

Apresentamos, também, as mixtapes da Olga na nossa Rádio. Vamos começar com uma especial só com músicas da Nina Simone, inspirada pelo recente documentário lançado sobre essa lenda da música, disponível no Netflix.

Para não ficar mais sem notícias sobre a Olga, agora você pode acompanhar tudo o que estamos fazendo por aí e o reconhecimento que recebemos mundo afora na seção Girl Power. E, para ficar por dentro de eventos feministas em todo o Brasil, fique de olho na nossa atualizadíssima Agenda.

Ufa! E tem muito mais vindo por aí, mas tudo, tudo mesmo, começou aqui nesse espaço. Por isso, estamos felizes em dizer que estamos de volta e com saudades, mas também com muita vontade de fazer os próximos anos do Think Olga ainda melhores do que os anteriores. Agradecemos de coração a paciência e o carinho de todas as Olgas.  Obrigada por tudo e fiquem ligadas para mais novidades!


Arte: Diela Maharanie

Layout: Carolina Yurie Suga e Jordana Andrade

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Sabemos que o aborto é um dos maiores problemas de saúde pública da mulher no Brasil. A estimativa é que, todo ano, um milhão de abortos são realizados no país. Uma em cada cinco mulheres brasileiras vai realizar um aborto até os 40 anos, segundo  estudo feito pela Universidade de Brasília (UnB), tido como referência pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Boa parte deles na clandestinidade, o que nos leva a uma segunda estimativa: a cada dois dias, uma mulher morre por abortamento mal-sucedido, segundo Jefferson Drezett, coordenador do Serviço de Atenção Integral a Mulheres em Situação de Violência Sexual em São Paulo.

Continuar a ler

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fotos vazadas olga

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Diante do lamentável vazamento (na verdade, roubo) de fotos das celebridades, é com satisfação que vemos tantos artigos positivos e esclarecedores sobre a violência online contra a mulher. Indicamos alguns:

:: O BuzzFeed fala sobre como a sociedade que compra e vende mulheres hipersexualizadas é a mesma que se choca quando a mulher é o sujeito do seu próprio desejo.

:: O Gizmodo se recusa a postar as fotos, os links para as fotos e explica aos seus leitores o valor da privacidade. “Se você terminar de ler esta matéria e for atrás dessas fotos, você precisa prometer nunca mais reclamar sobre a vigilância da NSA”

:: Não compartilhou, mas viu as fotos? O Daily Life explica por que isso perpetua o problema

:: O Ativismo de Sofá faz uma análise do público X privado, além de refletir sobre a objetificação feminina.

:: O Chez Noelle fala sobre victim blaming

:: No Lado Errado da Rua: A hipocrisia do celebgate e a geração que julga a todos

:: A Revista Sexy, cuja base do trabalho é fotografar mulheres nuas, lembra do conceito de consentimento

:: Lainey Gossip: “Se insistirmos na ideia de que a nudez feminina é escandalosa, nós então concordando que mulheres não devem ficar peladas e, se ficam, é porque estão fazendo algo errado”

:: Jezebel: Atrás de toda mulher vítima de bullying, há um homem gritando “liberdade de expressão”.

:: A Esquire reforça: “Não significa não. Até mesmo quando falamos de fotos roubadas”.

:: A TIME pergunta “Onde Estão As Fotos Vazadas de Homens?” e faz uma boa análise sobre a cultura sexista da internet.

:: Dois pesos, duas medidas: The Verge afirma que os homens que reclamam de serem vigiados pela NSA são os mesmos que culpam as mulheres por serem expostas por hacker.

:: Ótima postura da Forbes: não devemos tratar esse caso como um escândalo. Devemos tratá-lo como um crime sexual que invade a privacidade, rouba artigos pessoais e explora o corpo feminino.

:: A internet não gosta das mulheres. E o Huffington Post Women nos relembra dessa violência de gênero online.

:: Precisa desenhar para aprender? O Mashable fez um flowchart respondendo a pergunta: “Devo ver as fotos hackeadas?”. Spoiler alert: NÃO.

:: O Biscate Social Clube fez um tutorial do que fazer quando fotos íntimas são vazadas. Spoiler alert 2: NÃO VEJA AS FOTOS.

:: Lugar de Mulher denuncia o machismo como o caso está sendo tratado também por especialistas na TV (dá para acreditar?)

:: Girls With Style desabafa sobre o vazamento de imagens íntimas.

:: “E se quem visse as fotos das famosas nuas que caíram na internet também fosse culpado pelo crime?”, pergunta o Yahoo Mulher.


 

ARTE: Peony Yip

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Suzana Maria por Singh Bean
Suzana Maria por Singh Bean

Nas artes – como em várias indústrias – as mulheres não são tão representadas quanto os homens. Mas já faz um tempo que existe um contra-ataque pela valorização feminina no mercado. Seja com páginas que divulgam conteúdo na internet (Mulheres em Quadrinhos), seja buscando financiamento coletivo para dar vida a projetos feitos por mulheres (Zine XXX, Magra de Ruim), artistas, ilustradoras e quadrinistas vêm, pouco a pouco, mostrando que existem, sim, e querem sair dos bastidores da indústria.

Nesse caminho, surgiu o projeto Selfless Portrait das Minas, criado pela artista Suzana Maria, de 22 anos. É um grupo fechado no Facebook, exclusivo para mulheres, com mais de 350 membros. As participantes são divididas em duplas por meio de um sorteio e cabe a cada uma desenhar a outra. “Os homens tomam conta do meio da ilustração”, afirma Suzana. “Então essa ideia surge para incentivar mais mulheres não só a desenhar, mas também divulgar seus trabalhos num espaço onde não haverá julgamento.” Dá para entender o Selfless Portrait das Minas como um misto de networking e mentoreamento. A ação fez tanto sucesso que novas participantes não esperam nem mais o sorteio e saem desenhando outras participantes aleatoriamente apenas pelo prazer de fazer parte da ideia.

Outro ponto positivo: o projeto acaba tendo meninas reais como inspiração. Ou seja, corpos que não dialogam com os duros padrões de beleza ganham a arte. “É muito forte aceitar a perspectiva do outro sobre você mesma”, diz Suzana. “E mostramos, uma para as outras, como somos todas lindas em nossa própria individualidade.”

Além disso, o resultado traz uma maior complexidade e profundidade da representação do feminino. Assim como em nas fotos de agências (stock images), muitas vezes as ilustrações de mulheres são baseadas em esterótipos. Faça um passeio pelo Pinterest: há infinitas imagens (deslumbrantes!) de mocinhas carregando sacolas, passando batom, em poses de revista de moda, segurando gatos, admirando arco-íris, mandando beijinho. Mas é dificílimo encontrar representações artísticas de mulheres líderes ou em ações comuns como observar um mapa, usar o computador, dirigir um carro, jogar futebol ou tocar guitarra. E o Selfless Portrait das Minas também preenche essa lacuna tão importante para todas as mulheres, até mesmo aquelas que nunca pegaram num pincel.

***

Nathalia Castro por Karolyne Marchetti
Nathalia Castro por Karolyne Marchetti
Flora Ra por Jessica Kianne
Flora Ra por Jessica Kianne
Letícia Gonçalves por Laura Athayde
Letícia Gonçalves por Laura Athayde
Barbara Avelino por Barbara Gondar
Barbara Avelino por Barbara Gondar
Gabriela Fausto por Beatriz Lopes
Gabriela Fausto por Beatriz Lopes
Gabriele Sória por Roberta Nunes
Gabriele Sória por Roberta Nunes
Katzen Minze por Maíra Coelho
Katzen Minze por Maíra Coelho
Roberta Nunes por Gabriele Sória
Roberta Nunes por Gabriele Sória
Thais Cortez por Fernanda Rodrigues
Thais Cortez por Fernanda Rodrigues
Natalia Matos por Zô
Natalia Matos por Zô
Zô por Natália Matos
Zô por Natália Matos
Carol Nascimento por Larissa Vicente
Carol Nascimento por Larissa Vicente
Paula Campos por Gabriela Ferreira Marques
Paula Campos por Gabriela Ferreira Marques
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youpix

youpix

Quando a Bia Granja, fundadora do YouPix, nos convidou para sermos curadoras do evento, enviamos para ela uma lista com 15 sugestões de mesas, debates, palestras, ações para, no fim, escolhermos apenas 2 (chuif).

É com muita alegria que anunciamos nossa grade:

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Pela primeira vez na história do YouPIX, haverá um dia (17) inteiramente focado em business e negócios.

17 de julho | 15h00 – 15h45
Mídias Sociais Que Tratam As Mulheres Como Gente

Ser amiga da garota plus size e da moça da academia, falar de esmalte da moda e estar preocupada com as lideranças femininas no mercado de trabalho. Como as marcas que se dedicam a falar com mulheres podem utilizar as redes sociais para atualizar o discurso e torná-lo mais inclusivo. No momento em que os dilemas femininos tomam uma voz mais forte na sociedade, o observatório para a conversa das marcas ser mais humana e atenta a esses novos anseios está na rotina das redes sociais.

– Amanda Luz, Head de Redes Sociais das revistas femininas da Editora Abril

*

18 de julho | 14h00 – 15h00
A internet não gosta das mulheres

Ameaças, revenge porn, slut shaming, culpabilização da vítima: como o bullying e a violência online gera medo, silencia e maltrata as mulheres?
– Nana Queiroz (criadora do movimento Eu Não Mereço Ser Estuprada)
– Jéssica Ipólito (militante feminista e autora do blog Gorda e Sapatão)
– Estela Machado (aos 16 anos, é uma das criadoras do For You, aplicativo para vítimas de revenge porn)
Com mediação de Juliana de Faria (criadora do Think Olga)

*

19 de julho | 11h00 – 12h00
Para a web, a Scarlett Johansson nua não é tudo isso

Uma foto de Scarlett nua no filme Under The Skin vazou e a web, acostumada com o Photoshop, os filtros do Instagram, as melhores poses e ângulos, a perfeição, não gostou. Como isso influencia os padrões de beleza inalcançáveis para as mulheres? Por que achamos OK o corpo feminino ser objeto de críticas duras por desconhecidos.
– Juliana Romano (blogueira do Entre Topetes e Vinis , que fala de moda com olhar na diversidade)
– Evelyn Negahamburguer (artista e ilustradora)
– Carol Guido (blogueira do GWS – Girls With Style e criadora da campanha #terçasemmake)
– Michi Provensi (modelo e autora do livro Preciso Rodar o Mundo)
Com mediação de Luíse Bello (diretora de comunicação do Think Olga)

*

A entrada para o YouPix é gratuita. Basta você se inscrever aqui: https://secure.peela.com.br/youpix/cadastro/adesao_festival.asp

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copa

copa
Obras no Itaquerão viram endereço de exploração sexual infantil em São Paulo
As denúncias feitas à CPI da Exploração Sexual Infantil afirmam que aliciadores estão oferecendo serviços sexuais de garotas com idade entre 11 e 17 anos para os operários da obra.

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A reação de uma mulher diante a eliminação da seleção inglesa
Um estudo da Universidade de Lancaster intitulado “A Copa pode estar associada ao aumento da violência doméstica?” mostrou que o abuso aumentava em 26% quando o time da Inglaterra ganhava ou empatava. Quando perdia, a violência crescia 36%.

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Quem contará os estupros na Copa do Mundo?
Depois que uma tentativa de estupro cometida por um estrangeiro foi mal apurada, mal divulgada e até relevada por alguns veículos de comunicação, Jarid Arraes pede: “exponham a realidade de violência sexual que a Copa do Mundo proporciona. Durante um evento tão impactante, onde tantos olhos estão voltados para o nosso país, há outras coisas mais importantes além de contar gols”.

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Isabela foi a única menina a se apresentar na abertura da Copa
Em um determinado momento da cerimônia de abertura da Copa, 64 crianças com bandeira das 32 seleções da Copa tomaram o campo, onde simulavam fazer embaixadinhas. Apenas UMA delas era menina. “O feito foi celebrado pelos comentaristas, todos homens, como uma vitória. E isso é só mais um dos exemplos da abordagem machista e sem noção que parece permitida ao esporte, por aqui”, escreveu Mari Messias.

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Lugar de mulher é na Copa
Teve Copa. E teve essa excelente pesquisa feita pelo portal Impedimento, que expõe e analisa algumas das matérias mais machistas e “galanteadoras” do jornalismo brasileiro quando assunto é mulher no futebol.

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#NãoMeAjudaLuciano: por menos estereótipos da mulher brasileira
“A exploração sexual diz respeito sim à objetificação da mulher, do olhar tão disseminado de que a mulher existe para a satisfação do homem, que ela precisa ser bonita para ser ‘admirada’, precisa ser sexualizada para dar prazer ao homem, para citar apenas dois estereótipos que as brasileiras carregam”, afirma a repórter do Brasil Post Gabriela Loureiro sobre o convite de Luciano Huck a solteiras cariocas que queriam arranjar “o gringo dos sonhos”. Mulheres, fiquem com os gringos que quiserem, se quiserem. Desejos e decisões pessoais não devem ser justificativas para que formadores de opinião reforcem e propaguem estereótipos.

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Meninas em Jogo
Durante três meses, na jornalista Andrea Dip e o quadrinista De Maio percorreram estradas do Ceará em busca da teia da exploração sexual de meninas para a Copa.

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Copa do Mundo, torneio de homens?
“Que linha imaginária as exclui da imagem tão masculina da Copa do Mundo, se são tantas e em posições tão essenciais à realização do megaevento?”, questiona a autora Marília Moschkovich. “Não veremos as mulheres que ficarão em casa com as crianças enquanto os maridos jogam futebol, assistem futebol, comentam futebol. Não veremos as mulheres trancadas na cozinha fazendo a pipoca para a família inteira, nem veremos as mulheres lavando louças enquanto o resto da casa sai às ruas para comemorar vitória com vuvuzelas de todos os tamanhos e cores. Não veremos as mulheres que trabalham nas empresas patrocinadoras ganhando 70% do salário de seus colegas homens. Nem veremos as que deixaram de ser promovidas porque desejavam um dia ter filhos. Não veremos as meninas oferecidas como produto em serviços sexuais.”

*

Machismo: e se fosse um pedreiro?
Dois torcedores gringos beijaram duas repórteres durante transmissão ao vivo de matérias. “O assédio é uma questão de poder, de lembrar às mulheres que somos ‘apenas’ mulheres. Por isso ele é humilhante, indigno, violento – ainda que venha na forma de um beijo com risadinhas”, critica a jornalista Marília Moschkovich.

*

Copa do Mundo 2014: publicitários apostam em campanhas de TV sexistas (em inglês)
“É o sinal de que um torneio futebolístico está próximo: propagandas em massa retratando mulheres como estraga-prazeres que detestam esportes e homens como tolos que só querem saber de gols e peitos”, diz o jornal Independent.

*

A mulher brasileira existe, mas não para satisfazê-los
“Uma amiga foi assediada na rua por estrangeiros que vieram para a Copa. Outro estrangeiro achou por bem agarrar e beijar uma repórter, enquanto ela trabalhava, de forma que ela não teve sequer escolha se queria ou não aquele contato físico. No clipe oficial da Copa, o foco da câmera na bunda de passistas que rodeiam o cantor estrangeiro dão uma pista de onde vem a ideia de que o corpo da mulher brasileira, especialmente da mulher negra, existe para ser admirado. Está ali à disposição”, escreve Aline Valek.

*

Arte: Irina Bogos

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Boa notícia: a OLGA lança seu primeiro ebook. Meu Corpo Não É Seu é um ensaio sobre violência contra a mulher, publicado pela Breve Companhia, selo da Companhia das Letras, e escrito por Juliana de Faria e Bárbara Castro.

O lançamento está marcado para hoje (10), em São Paulo, e contará com uma mesa de debate sobre o tema. Teremos a honra de receber Aline Valek (Carta Capital), Tica Moreno (Marcha Mundial das Mulheres) e Maíra Saruê (Instituto Data Popular). Estão todos convidados! Confirme presença aqui.

O ebook já está disponível para download nos sites da Cultural, Kobo, Amazon e Apple Store.

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Quais são os locais mais perigosos para as mulheres? Que tipo de violência elas sofrem em cada cidade? Existem poucos dados que ajudem a responder essa pergunta, mas a campanha Chega de Fiu Fiu, que luta contra o assédio sexual em locais públicos, quer tentar agora desvendá-los. Para isso, está lançando o Mapa Chega de Fiu Fiu, uma ferramenta colaborativa para mapear os pontos mais críticos de violência contra mulheres no Brasil. Cada uma pode registrar o caso e o local da violência que recebeu. Com isso, as próprias vítimas ou testemunhas das agressões vão, unidas, nos ajudar a levantar esses dados.O mapa conta com as seguintes categorias: assédio verbal, assédio físico, ameaça, intimidação (stalking), atentado ao pudor (masturbação em público), estupro, violência doméstica, exploração sexual. Acreditamos que para se discutir violência de gênero devemos contemplar também as interseccionalidades. Por isso, acrescentamos racismo, homofobia e transfobia como categorias.

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Como funciona?

– Ao acessar o mapa, o usuário clica nos botões “compartilhe sua história” ou “denuncie o que viu”. Na etapa seguinte, procura o endereço onde a violência ocorreu e marca um pin. Como a ferramente utiliza o Google Maps, a localização pode ser bastante específica. Se o usuário não se lembrar do número específico da rua, pode ajustar a altura da localidade manualmente com o mouse.

– Há um espaço para desenvolver detalhes do ocorrido. Caso tenha recorrido a amparo público ou privado sem sucesso, solicitamos à vítima que notifique no testemunho. Exemplos: a oficiais da Delegacia da Mulher se recusaram a lavrar o boletim de ocorrência; os seguranças e proprietário de uma casa noturna negaram prestar auxílio.

– Contamos também com um pequeno questionário sócio-econômico, baseado no questionário do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Nenhuma das opções é obrigatória (a resposta automática às questões é “prefiro não dizer”). No entanto, estimulamos o usuário respondê-las, pois conseguiríamos dados ainda mais específicos.

– Os pins (como chamamos as marcações dos testemunhos) não exibirão nome, nem e-mail do usuário. Tais dados estarão disponíveis somente para os administradores do mapa. Mesmo assim, há a opção de participar anonimamente.

– É possível checar os pins por região. Na home do mapa, há a caixa de busca “pesquise por uma cidade”.

– Os números gerais são acessíveis a todos e podem ser exportados na seção Dados.

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Por que um mapa?

Nossa proposta de registrar os locais problemáticos do Brasil relativos à violência contra mulher não é podar ainda mais a liberdade das vítimas e apontar espaços públicos e privados onde ela não deve ir. Nosso olhar, na verdade, é o de transformação. Ao conhecer esses pontos críticos, podemos entender o motivo que os levam a assim ser: é uma rua com iluminação escassa? É uma casa noturna com segurança falha? Somente compreendendo tais questões é que podemos buscar mudanças – e não apenas no setor privado, mas também no público. Sim, com dados na mão podemos pressionar também instituições governamentais a olharem com mais atenção para a violência contra a mulher.

Precisamos de você

Os dados só terão impacto se forem representativos e corretos. E para conseguirmos essa relevância, precisamos da participação constante dos usuários. Participe, divida sua história, divulgue o mapa. Sua contribuição é muito importante – para você e todos que lutam contra a violência de gênero.

Denuncie

O mapa não substitui denúncias oficiais de violência contra a mulher. Pedimos que denunciem também nas Delegacias de Defesa da Mulher e na Central de Atendimento à Mulher pelo telefone 180. A Secretaria de Políticas para as Mulheres também recebe depoimentos nos seguinte e-mails: ouvidoria@spm.gov.br e spmulheres@spmulheres.gov.br.

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