05

Com 24 horas de vida, o projeto artístico 100 VEZES CLÁUDIA chegou a 100 homenagens. É muito especial a sensação de pedir carinho pela internet e de fato recebê-lo. Como as artes não param de chegar, criamos mais uma página para publicá-las. São mais de 200 e-mails na caixa, então peço paciência a todos. Vamos postá-las devagarinho. No mais, obrigada, obrigada, obrigada por dividirem seu amor e respeito à Cláudia Silva Ferreira. 100 VEZES OBRIGADA. E MAIS 100 VEZES CLÁUDIA.

200) MAYARA FREITAS

78

199) PAULO FERREIRA

77

198) HAROLDO ELIAS

75

197) DOLORES BAHIA

74

196) EVANDRO SILVA

73

195) JULIANA SERRA

55

194) ARIENE JORDY

72

193) PUPILLAS

71

 

192) DANIELLA BRAZ

70

 

191) TOMAS GUZMAN

69

190) JANAINA FALEIRO

54

 

189) RAQUEL LOPES

68

188) LARA DAMIANE

53

187) MARIA ANTÔNIA, 7 Anos

67

186) MAÍRA GM 

52

185) WILSON MELO

66

184) TICIANO ALVES

65

183) PAULA SILVA FERREIRA

64

182) FÁBIO FIORENTINO e MIRELLI FERNANDES ROSA

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181) ALISON KENNEDY

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180) BRUNNER MACEDO 51

179) APOLLO MAGNO

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178) KELLY DE FARIAS

60

177) LUCIANA MARIANO 59

176) ALYSSA VOLPINI E JULIANNA MOTTER

 

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175) ANA CRISTINA MACIEL

57

174) BRUNA SOUZA
claudia 173) ROBERTO BERLINER

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172) MÁRCIO MILMAN

55

 171) KÊNIA ALVES

54

170) JULIANA BARRETTO

53

169) RUTH LIMA

52
  168) ISABEL SVOBODA

51

167) DANIELA DIAS

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166) BEATRIZ NADAI

50

165) MARCELA WEIGERT  49

164) NATHALIA SÁ CAVALCANTE

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  163) DANY STENZEL

47 Sou Dany Stenzel, atriz, mãe de dois filhos. Sou Claudia. Não sei pintar, mas quis contribuir com a minha homenagem. Fiz uma Claudia Boneca. Com amor.

162) SANDRO MENEZES

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161) CAROL ROCHA

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160) EMÍLIA ULHÔA

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159) THAIS BARROS

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158) FERNANDO CAMPOS 45

157) MARINA LEVY  44

156) JULIANA RODRIGUES 43

155) COLETIVO PINTE E LUTE 42

154) JUNIÃO 41   153) JU CASTELO

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152) BÁRBARA, DANIEL e LEANDRO  40

151) MAURÍCIO KIFFER  39

150) JÚLIA DOLCE

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  149) CATENZARO

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148) ISAAC GABRIEL

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  147) SARA CERIZ 36 De Portugal, com carinho e revolta.

146) MARÍLIA CABRAL 35

145) CÍNTIA CORONA 34

144) DÉBORA OLIVEIRA 33

143) CECÍLIA SILVEIRA 31

142) LEONARDO LESTRADE 30
141) VINÍCIUS SAVRON 29   140) GUI MOHALLEM 06

139) RAFAELLA NEPOMUCENO 28

138) RAMON CAVALCANTE 27

137) PJ 26

136) SABRINA SANDBERG

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135) JONAS MAIKON

24

134) AMANDA GOTSFRITZ 23

133) NELMA GUIMARÃES 22

132) MUHAMMAD BAZILA 21

131) BELA BORDEAUX 05 130) ALESSANDRA CASTAÑEDA
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129) JÚNIOR HOLANDA 19

128) ALINE SCHONS 04

127) ANDRÉIA TOLAINI 18   126) JOÃO BACELLAR  17

125) CHRYSIPPO AGUIAR  16

124) KK FRANÇA 14

123) REYBERTO 13

122) EDVAN LOVATO 12

121) JOANA SOARES 11

120) ANA LIVIA GOMES 10

119) ISLANDIA VIDA BRASIL 09

118) RACH 03

117) ELSON LUIZ 08

116) LUIZA GIMENEZ DE MELLO

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115) MARIA AUXILIADORA FARIAS 05

114) RENAN SILVEIRA 02

113) ALINE TRENTINI

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112) KARINA PÜTZ

Homenagem Cláudia (1)

111) ANA HELENA TOKUTAKE

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Encarar os olhos de Cláudia é encarar a tristeza e a indignação, mas ao mesmo tempo me enche de força para agir e tentar criar uma sociedade um pouco mais sensível e menos indiferente.

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A mulher arrastada pela Polícia Militar tinha nome – Cláudia Silva Ferreira. Cláudia também tinha família. E sonhos, coragem, dores e medos como qualquer ser humano. As denúncias da barbárie ocorrida são importantes e elas não devem cessar. Mas fugir do sensacionalismo e humanizar esse momento também é. Por isso, nos propusemos a retratar Cláudia com mais carinho do que o visto nos últimos dias.

A convite da OLGA, alguns artistas gentilmente criaram imagens sensíveis, que se dispõe a resgatar a dignidade roubada por criminosos. Este projeto se chama 100 VEZES CLÁUDIA e é aberto para que qualquer um possa enviar suas homenagens. Ou seja, esperamos publicar aqui novas artes com frequência. Quem sabe não chegamos a 100? Por fim, gostaríamos de imprimir algumas das ilustrações e enviar à família de Cláudia. Quer participar? Escreva para olga@thinkolga.com.

UPDATE

Em 24 horas de projeto, conseguimos 100 homenagens à Cláudia! É realmente muito especial essa sensação de pedir carinho pela internet e de fato recebê-lo. As homenagens não param de chegar, então vamos atualizar o post com mais algumas ilustrações. Obrigada a todos que toparam participar, dividindo amor e respeito à Cláudia Silva Ferreira e sua família.

UPDATE 2

Vamos fazer uma exposição gratuita com as imagens do projeto 100 VEZES CLÁUDIA? Quem quiser gentilmente apoiar essa ideia, por favor, entre em contato (olga@thinkolga.com).

UPDATE 3

As homenagens não param de chegar! Criamos uma segunda página para postá-las: MAIS 100 VEZES CLÁUDIA. <3

 

110) AMANDA SALAMANDA

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109) GABRIELA BISCÁRO

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Minha homenagem pra Cláudia é feliz. São meus votos de que ela esteja, agora, num lugar sem dor e sofrimento, mas sim feliz e em paz.

108) FERNANDA GUEDES

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107) ANA BARCELLOS

papel de parede vintage chic Orlean

106) VANESSA CARVALHO

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105) PROFESSORA CRISTIANE SCHIFELBEIN E ALUNOS

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paula

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marvin

senira

Minha turma de Composição Visual, composta por alunos dos cursos superiores de Design de Produto, Design de Moda, Design Gráfico e Produção Multimídia da  FTEC Faculdades de Caxias do Sul/RS, parou hoje para participar e somar no movimento 100 vezes Claudia que vocês propuseram.
Seguem alguns dos trabalhos dos brasileiros que não querem mais ver e nem viver preconceito de qualquer tipo e se unem para dizer basta!
 
Somos todos CLAUDIA: Ana Ariel, Anderson, Andre, Diego, Edvan, Everton, Francine, Gabriela, Helena, Jaqueline, Kelvin, Lethycia, Lindsay, Luiza, Luiza Q., Marcio, Marvin, Mateus, Matheus, Pamela, Paola, Patricia, Paula, Senira, Shirley, Tainá, Vanderlei.

104) MIKA TAKAHASHI

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103) LUALLA ALVES

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102) LAURA ATHAYDE

todos somos claudia101) ITALO ROCHA

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100) GUI SOARES

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99) FRED BOTTREL

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98) HELENA CARRERAS CABEZAS 

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Eu sou espanhola, porém morando no Brasil. Eu expliquei a história para a minha mãe (ELENA CABEZAS), que mora na Espanha, e ela pintou o quadro  que adjunto. Esperamos poder ter contribuído de alguma maneira.

97) IARA CAPDEVILLE 

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96) EDUARDO BORSERO

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95) MOARA BRASIL

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94) AUGUSTO MIRANDA

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Um dia depois de eu ter completado mais um ano de vida a de Cláudia se dava por encerrado. 

A polícia fez o que faz constantemente: censurar espíritos, espancar necessidades, atropelar a sensibilidade humana (que já está com fratura exposta há tempos), defender quem tudo tem, e até o pouco de quem nada tem, lhe tomar.
 
Nós que ficamos por aqui, no império da truculência física, moral, espiritual só erguemos clamores nesse caso por que houve um “desfile” do terror que fosse fotografado, do contrário, seria apagada mais uma estrela que pouco brilha – mas que tem brilho e calor suficientes para criar quatro filhos e mais quatro sobrinhos – e isso seria o nada-fora-do-normal.
 
Quatro dias depois, o outono chegou e a Cláudia não viu.

93) H. ESTEVAM

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92) LUISA LIMA

Sentimos muito, Claudia

91) MARIANA DE MATOS

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90) JULIA BUCHHORN

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89) JOSÉ CARLOS ANGELO (JOTA)

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88) PRC BARBOSA

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87) EZEQUIEL BELCHIOR

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86) JORGE PENNY

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85) ADRIANO DE LUCA

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84) WILSON DA SILVA VITORINO

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83) DIOGO PONTES

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82) NANA MEDEIROS

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81) GUSTAVO LEAL

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80) SILAS MATOS

100 vezes Claudia

Me chamo Silas Matos, negro, pobre, homem de garra, homem, homossexual, que convive diariamente com preconceito, EU QUERO MUDAR essa história. Eu senti a sua perda. Eu estou com você e sua família.

79) FABIANA BATISTA SOUZA

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78) GUSTAVO GONTIJO

Desenho Cláudia

77) RENATO BARROS

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76) FLORIDO LA

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75) ANTONIO ZANON

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74) ESTEVÃO RIBEIRO

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73) MAG BARBOSA

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72) VITOR TEIXEIRA

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Cláudia vive. Solidariedade à família, e paz para todas as comunidades pobres do Brasil. A luta segue.

71) MARA OLIVEIRA

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70) CLARA GOMES

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69) TAYS VILLACA

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68) CARLOTAS

Claudia Silva Ferreira

67) ALEXANDRE REIS

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66) JÚLIA LIMA

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65) CATRACA LIVRE

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64) JORDANA MIRANDA

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63) LUDA LIMA

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A gente se indigna com isso tudo porque realmente deseja o bem. 
Na verdade o que ‘deveria ser’ vai além disso, pois não deveria existir nem tiroteios. 
Mas enfim, para a questão, fico sonhando em como os policiais deveriam ser, realmente, humanos. 
 
Vamos lá, silêncio quebrado e marcha para dias melhores!

62) DANI BRITO

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61) ADRIANA RODRIGUES

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60) SABRINA CRISTINE

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59) DIEGO GUERRA

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58) ESTHER MARIA PASSOS

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E eu que nem sei o que é ser Claudia Silva… E nem sei o que dizer…
Mas uma reverência tem de ser feita. Um não tem que ser dito. E a memória, cravada.

Claudia Silva Ferreira. Um dia ela volta com a força de um milhão.

57) KARLA NAZARETH 

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56) HARETE

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55) COLETIVO FEMINISTA  NON GRATXS

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O coletivo NON GRATXS também vai estar até o fim com as nossas mulheres, irmãs, pretas e periféricas. 

54) DIDI HELENE

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53) DANI SÁ

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52) WILDE ARRUDA 

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Segue minha intervenção em São José do Rio Preto, terça-feira, dia 18. 

51) SAVANA LEÃO FACHONE

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Somos melhores quando juntos.

50) HELDER OLIVEIRA

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49) TALINE SCHUBACH

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48) LEANDRO FRANCIS RIBEIRO

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47) ADRIANA DE AZEVEDO 

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46) ANDRÉA COSTA

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45) INEZ WOORTMANN

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44) CACINHO JR.

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43) SANDRA FARIAS 

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42) GLAUCIA DE BARROS

LUTO

41) FERNANDA DALLES

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40) LUIZ TIMMAIA

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39) BETO EIRAS

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38) FABIELLY LANUSA

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37) LARISSA RIBEIRO

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36) SOUEID

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35) GRUPO CRIOLOS

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34) CAIO VITOR

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33) ALINE ALBUQUERQUE

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Com toda a revolta e ternura. 


31) FERNANDA OZILAK

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30) DAIANY DANTAS

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Também não sou artista. Sou apenas uma pessoa que busca lidar com esse sentimento de perda e de desesperança diante da irracionalidade desta execução. Meu desenho me ajudou a respirar e a abraçar Cláudia, que partiu inocente e despreocupada, rumo à fila do pão. 


29) CARINE SUDER FERNANDES 

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28) VANESSA PREZOTO

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27) MURILO ROMEIRO

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26) PEDRO MAGALHÃES

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25) LUISA AIDAR

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Oração

Não pode ser em vão
Toda essa violência, essa dor
Tantos bons que se vão
Não é justo ser em vão meu Deus, não!
E vão Cláudia, Amarildo, Severino, João…


24) LUCAS SOUTO

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Sempre que me deparo com situações como essas, que quebram nosso coração e que, infelizmente, são tão corriqueiros em nossos dias, só consigo me lembrar de uma das tantas verdades cantadas pelos menestréis da periferia do Facção Central: “Que porra de país é esse, que mata e prende as vítimas de seu desinteresse?”. Cláudia é a porta-bandeira dessa luta que não pode se calar! Em sua memória uma ilustração de um – também – não ilustrador.


23) ALESSANDRA MOURA

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22) CLÁUDIO RODRIGUES

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21) PAULO GIL

Claudia, esse mundo nao te mereceu!

20) BIANCA BANZATO

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19) MICHELLE MORAES

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Não sou artista e também não sei se o meu desenho será escolhido, mas isso pouco importa, porque sei que esse movimento é uma acalento e uma alerta.


18) NICE LOPES

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Envio minha singela homenagem à esta mulher, vítima do descaso, da falta de amor, da falta de respeito pela vida humana.


17) KEKS PUCCI

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Eu estou um pouco envergonhada de mandar meu desenho porque não sou artista e nunca desenho nada, mas a história de Cláudia me toca demais para não participar. Somos Cláudia da Silva Ferreira. PRECISAMOS ser Cláudia da Silva Ferreira para exigir que se faça justiça.


16) EUGÊNIA SOUZA

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15) MARCELO MESQUITA

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“Não se trata de saudade de alguma coisa que acabou ou pessoa que morreu. É saudade do que está aí vivo, solto e nunca deixou de existir. Se não temos acesso a isso, é por falta de uma batalha maior.” – Elis Regina


14) LUIZA OZILAK

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13) GABRIELA CAMPANER

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12) MARÍLIA NOBRE

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11) TÂNIA RIBEIRO SOARES

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Não sou artista. Sou arquiteta. Desenhar pessoas não é o meu forte. Mas quando vi o post achei importante enviar minha singela contribuição para homenagear Claudia da Silva Ferreira, mesmo que não se publique. Por razões tantas somos diferentes, mas temos o mais importante em comum. 
Somos pessoas. E a vida de uma pessoa é sempre preciosa.


10) LEILA RANGEL DA SILVA

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9) EMERSON DIAS

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8) JÚLIA BORGES

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7) VERA LIRA

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Claúdia Flor Criola, serenidade e força.

6) ANDRÉ PERSECHINI

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5) SARA STORRER

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Nesse desenho, Cláudia é Iansã. Porque no fim das contas, é assim que ela tem que ser lembrada, como Guerreira. Como a força de tantas e tantas pessoas, de tantas mulheres, de quem o mundo parece ter esquecido.

4) TAILOR

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3) CONFEITARIA (criação de Fabiane Secches + Thiago Thomé)

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A gente gostaria de contribuir, ainda que de uma maneira simbólica e muito pequena, para que a Cláudia fosse enxergada e tratada como uma mulher. Como um ser humano. Com respeito. Não como uma coisa, para ser atingida num tiroteio e colocada em um porta-malas, do qual ela ficou dependurada e foi arrastada por 250m.
Embora a gente defenda que seja muito importante que a mídia divulgue essas imagens cruéis e violentas — a gravidade do crime não permite eufemismos, também gostaríamos que, ao menos aqui, neste espaço desta homenagem, Claudia fosse lembrada como a mulher que foi, e tratada com a humanidade que merecia. Gostaríamos que seus filhos se lembrassem sempre de que merecem nada menos do que este tratamento: o de seres humanos. Para isso, nossa inspiração foi o depoimento do seu marido em uma entrevista, que dizia: “Extrovertida, guerreira para caramba, determinada no que queria”.


2) ALINE VALEK

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Fiz algo bem simples, na verdade. Queria fazer algo que representasse a humanidade que não viram e continuam não vendo nela.


1) ANNA MANCINI

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É quase uma tradição: todo final de ano, as grandes publicações do país fazem suas listas de pessoas mais influentes. E uma parte desse ritual é colocar poucas mulheres. Esse problema já foi destrinchado várias vezes, mas ainda há quem insista que essa ausência seja justificada – “não existem mesmo tantas mulheres influentes na área X”, é um dos argumentos mais usado. Para provar que isso não faz sentido, criamos essa lista das mulheres inspiradoras de 2013. Ela nasceu de maneira informal durante um debate no grupo de discussão da Olga, o Talk Olga, e não é, nem pretende ser, definitiva. Sabemos que ela é um recorte – seja da nossa classe social, da cidade em que vivemos, da cor da nossa pele e até mesmo dos nossos interesses pessoais. Por isso mesmo, ela não pode parar. Os leitores estão convidados a acrescentarem não apenas novos nomes nos comentários, mas também novas categorias. O importante é provarmos que existem muitos trabalhos relevantes feitos por mulheres, e que eles não merecem ser ignorados. Daí quem sabe as outras publicações não começam a lembrar mais das mulheres nas suas listas de 2014?


ARTE

Alexandra Moraes é autora de O Pintinho, tirinhas publicadas na página de Facebook homônima (com mais de 20 mil curtidas) e no jornal Folha de São Paulo. Em 2013, os quadrinhos que foram reunidos em uma coletânea publicada pela editora Lote 42.

Beatriz Lopes, de apenas 19 anos, criou o Zine XXX, exclusivo para quadrinistas mulheres, por meio de financiamento coletivo bem-sucedido em novembro. O lançamento está marcado para janeiro de 2014.

Cris Bertoluci é uma das fundadoras do Coletivo Feito à Mão, que revive a arte do tricô. Neste ano, foi ensinar seu experiência com as agulhas até nas salas da FAAP

Elisa Sassi é ilustradora, pintora e artista de muitos talentos, que em 2013 também fez o elogiado curta Once Upon a Time.

Evelyn Queiroz é criadora da Negahamburguer, personagem ícone da aceitação e do body positive. Em 2014, lançará um livro do seu projeto,o Beleza Real, fruto de um financiamento coletivo realizado em 2013.

Mariamma Fonseca, Samanta Coan e Samara Horta são criadoras do Lady’s Comic, que fala sobre a ainda pequena participação feminina no universo dos quadrinhos. Em 2013, deram uma bela resposta  à declaração equivocada de Maurício de Sousa, sobre a impossibilidade da entrada de mulheres no mundo das HQs, e jogaram luz num caso de assédio na mais recente edição da FIQ.

Rivane Neuenschwander, mineira e artista plástica que já expôs em três andares do New Museum, em Nova York (EUA), na Bienal de São Paulo e voltou a expor na capital paulista em 2013. Em outubro, ganhou o Yanghyun, prêmio coreano que contempla artistas com obra já reconhecida.

Sirlanney é a criadora do Magra de Ruim, página no Facebook que expressa, através de quadrinhos, a vida cotidiana, com enfoque no feminino.

ATIVISMO

Åsa Dahlström Heuser é a criadora da página Cantada de Rua – Conte seu caso, que incentiva mulheres a enviarem seus depoimentos de assédio para serem divulgados (com completo sigilo em relação à autora da denúncia) e encorajar outras mulheres que tenham passado por situações semelhantes a vencer a culpa e o medo. A página deve chegar ao seu primeiro milhar de depoimentos ainda em 2013.

Ana Cruz fundou o movimento Mulheres Negras Construindo Visibilidade em 2013, que divulga casos de racismo e também as conquistas dos movimentos sociais negros.

Bruna Provazi é criadora do Mulheres no Volante, que aborda em encontros em diversas capitais brasileiras temas como artes, música e cinema através de debates voltados à luta feminista.

Juliana Monteiro, Camila Ximenes, Babi Sonnewend e Majonéz Budafóki, ex-alunas da ESPM, criaram o Coletivo Chute, para discutir medidas e ideias pra inibir a violência sofrida pelas mulheres em ambientes sociais, principalmente nas festas da universidade. No Facebook, o grupo de discussão que já soma quase três mil membros.

Daniela Andrade, uma das mais importantes vozes na internet sobre a transexualidade, criou o Transemprego, site que faz a ligação entre empresas e transexuais e travestis que desejam ingressar no mercado de trabalho.

Débora Maria da Silva é a fundadora do movimento Mães de Maio, composto por mães e pais de jovens mortos em ações policiais duvidosas. Além de tentar extinguir os chamados autos de resistências das justificativas por mortes em abordagem policial, o movimento atua nos protestos que buscam a paz nas periferias.

Hailey Kaas é ativista transexual e transfeminista, criadora do site Transfeminismo, que tem se tornado referência no tema aqui no Brasil. Em 2013, Hailey foi uma das ativistas a conseguir que o congresso de feminismo “Fazendo Gênero” tivesse, finalmente, uma mesa sobre transgeneridade; ela também publicou um capítulo sobre transfeminismo no livro A Quem Pertence O Corpo da Mulher – Reportagens e Ensaios, organizado por Leonardo Sakamoto e Maíra Kubik Mano.

Maju Giorgi, ativista e mãe, é fundadora do Mães pela Igualdade, grupo voltado ao combate à homofobia, à lesbofobia e à transfobia. Apesar do nome, os pais pela igualdade são muito bem acolhidos pelo movimento.

Maria José Ricardo é presidenta do Católicas pelo Direito de Decidir, grupo de apoio aos movimentos pela descriminalização do aborto no Brasil, que foi uma frente de batalha contra o Estatuto do Nascituro, que visava diminuir ainda mais as possibilidades legais de aborto.

Marilia Moschkovich, socióloga e ativista, teve grande participação na onda de protestos de junho. Um mês depois, inspirou música de mesma temática do cantor Tom Zé.

Monique Prada é ativista ligada ao reconhecimento do exercício da prostituição e do combate à violência contra as prostitutas.

Renata Mol é a criadora do Questões Plurais, site pioneiro em falar de interseccionalidade, um conceito super importante para o feminismo. O site surgiu em fevereiro de 2013 e virou referência no tema.

CINEMA E TV

Fátima Toledo é preparadora de elenco e e tem em seu currículo filmes como PixoteCidade de Deus, no qual usou a dança para o preparo dos atores. Trabalhou junto com o diretor Diego Quemada Lopez no filme A Jaula de Ouro, consagrado na Mostra de SP e em todo o mundo.

Fernanda Montenegro ganhou o Emmy este ano por sua atuação em Doce de Mãe. A atriz agora, aos 85 anos, se prepara para fazer par romântico com Nathalia Timberg em uma novela ainda sem nome a ser exibida pela Rede Globo.

Laís Bodanzky é diretora e roteirista de cinema, sendo responsável pelo premiado Bicho de Sete Cabeças e pelo documentário Cine Mambembe – O Cinema Descobre o Brasil. Com seu marido, Luiz Bolognesi, mantém desde 2005 um projeto itinerante de exibição gratuita de filmes em cidades paulistas, fluminenses e paranaenses, intitulado Cine Tela Brasil. 

Lúcia Murat dirigiu o filme A Memória que me Contam sobre a ditadura militar, período em que foi presa e torturada. A protagonista do filme é interpretada por Simone Spoladore e é um alter-ego de Lúcia. Ganhou o prêmio da Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica (Fipresci) no Festival Internacional de Moscou.

Nathalia Timberg é uma consagrada atriz brasileira de 84 anos, que esse ano está no ar na novela Amor à Vida, da Rede Globo. Sua personagem, Bernarda, trouxe à tona o ainda tabu sexo na terceira idade. No seu próximo papel, fará par romântico com Fernanda Montenegro. Apesar do autor da novela afirmar que não haverá beijo entre ambas, os papéis de Nathalia vêm desmitificando questões que cercam o amor e o sexo na terceira idade.

Petra Costa, diretora e atriz do filme Elena, que conta a história do suicídio de sua irmã 13 anos mais velha, em Nova York. É forte, delicado, feminino e, acima de tudo, corajoso. Ganhou vários prêmios, entre eles o de melhor direção no Festival de Brasília.

Tata Amaral dirigiu o filme Hoje, que se passa na ditadura, tendo como protagonista uma mulher. Ganhou no Festival de Brasília os prêmios de melhor filme, melhor atriz (pra Denise Fraga), melhores roteiro, direção de arte e fotografia.

EMPREENDEDORISMO

Amanda Rahra e Nina Weingrill são fundadoras do É nóis, que trabalha com educação e cultura voltados a jovens de periferia.

Bel Pesce após conseguir ingressar no MIT, uma das melhores instituições de ensino superior do mundo, criou o aplicativo Lemon, em 2012, baixado milhões de vezes ao redor do mundo. Ao retornar ao Brasil, lançou o livro A Menina do Vale e, em 2013, abriu uma escola de empreendedorismo, a FazINOVA.

Barbara Soalheiro é fundadora do Mesa&Cadeira, empresa que inova a forma de educar por meio de workshops com os profissionais mais brilhantes de suas áreas. Foi elencada no ranking dos 50 mais inovadores em 2013 da Proxxima e ministrou palestra no South by SouthWest (SXSW), em Austin, Texas.

Dani Noce, chef do I Could Kill For Dessert, blog com mais de 100 mil curtidas no Facebook, que reúne vídeos receitas. Além disso, tem um programa semanal no canal VH1. 

Daniela Arrais é sócia da Contente, empresa criadora do Instamission e do Cinemission (lançado em 2013, que já está em sua décima quinta missão). Dani também tem o blog Don’t Touch My Moleskine, que aborda artes, músicas, fotografia e música, é considerado um dos mais influentes do Brasil.

Flávia Durante é jornalista e editora do site da Revista TPM e, em 2013, criou o bazar POP Plus Size.

Gabriela Hunnicut é uma das vencedoras do prêmio Winning Women Brasil 2013 com a agência da qual é sócio-fundadora e diretora geral, a Bold Conteúdo.

Helena Rizzo foi eleita a melhor chef mulher da América Latina em 2013 e é proprietária do Maní, eleito também este ano um dos 50 melhores restaurantes do mundo.

Maria Lutterbach é sócia-fundadora da Mínimasestúdio que produz pequenas tiragens de livros mais artesanais. Neste ano, se especializou em booktrailers e já tem a Cia das Letras como cliente.

Marina Gurgel Prado e Tatiana Pascowitch são criadoras do A Bela do Dia, floricultura que utiliza bicicletas para a entrega de flores em São Paulo.

Maristela Bizzaro é diretora executiva do braço brasileiro, fundado em abril de 2013, da WIFT (Women in Film and Televison) associação internacional de incentivo, educação e fomento às mulheres dentro e fora da telas do cinema, da TV e de novas mídias.

ESCRITA

Aline Valek e Sybylla organizaram uma coletânea de contos e criaram Universo Desconstruído, a primeira ficção científica feminista brasileira.

Ana Guadalupe, escritora de Maringá (PR), tem seus poemas republicados por jornais e revistas de todo o mundo.

Angélica Freitas, autora de Um Útero é do Tamanho de um Punho (CosacNaify), livros de poemas com temática feminista, foi finalista de diversos prêmios, como o Portugal Telecom.

Bruna Beber é autora do livro de poesia Rua da Padaria, terceiro mais vendido na edição de 2013 da Flip.

Dinha, uma das melhores escritoras da literatura que celebra a periferia, lançou, em novembro de 2013, seu segundo livro Onde Escondemos o Ouro. 

Elizandra Souza lançou no finalzinho de 2012 seu segundo livro, Águas da Cabaça, e foi uma das organizadoras de Pretextos de Mulheres Negras, antologia com 22 escritoras negras publicado em agosto de 2013. É ativista cultural, radialista, editora da agenda da periferia de São Paulo, locutora da Rádio Comunitário Heliópolis FM e moradora do distrito do Grajaú, extremo sul paulistano.

Fabi Secches e Flávia Stefani criaram a Confeitaria Mag, revista independente formada por um coletivo de autores, que também dá espaço a textos de convidados. Em 2013, a Confeitaria continuou a crescer e já conta com cerca de 70 autores publicados, em mais de 300 textos.

Fernanda Torres lançou em 2013 seu primeiro e elogiado livro, Fim (Companhia das Letras), ambientado no Rio de Janeiro de 1970.

Isabela Noronha é jornalista e escritora e, sem nenhum livro publicado, já ganhou dois prêmios de literatura. O primeiro foi em Londres, onde fez mestrado em criação literária, na Brunel University. Seu trabalho de fim de curso, um romance, foi premiado este ano pela agência literária Curtis Brown, uma das maiores do Reino Unido. Ainda em 2013 ela competiu com outros 1300 escritores e ganhou, aqui no Brasil, um dos mais prestigiados prêmios de literatura juvenil, o Barco a Vapor, da Fundação SM. Pelo livro “O Garoto que Engolia Palavras”, Isabela Noronha recebeu R$30 mil em dinheiro, como adiantamento, e garantiu a publicação.

Juliana Cunha é autora do blog Já Matei por Menos e do livro homônimo, coletânea publicada pela Lote 42 em 2013.

Juliana Frank lançou em 2013 o livro Meu Coração de Pedra-Pomes, pela Cia das Letras. Seu primeiro livro, Quenga de Plástico, repercutiu tanto que recebeu convite para escrever o roteiro baseado em Pornopopeia pelo próprio autor do livro, Reinaldo Moraes.

Paula Fábrio ganhou na categoria autor estreante com menos de 40 anos, com seu primeiro livro, Desnorteio (Patuá), o Prêmio São Paulo de Literatura, um dos mais prestigiados do país.

Vanessa Bárbara lançou este ano o romance Noites de Alface (Objetiva) e também foi elencada entre os 20 melhores escritores jovens brasileiros, pela Granta.

INSPIRAÇÃO

Élida Aquino é criadora do coletivo Meninas Black Power, grupo que celebra os cabelos crespos e o universo da mulher negra.

Ellen Oléria foi a ganhadora da primeira edição do The Voice Brasil, em 2012. Além do vozeirão, Ellen também recebeu atenção da mídia após seu casamento em agosto com Poliana Martins e tornou-se um ícone da luta de negras, gordas e lésbicas.

Luma Nogueira é a primeira (e por ora, a única) travesti a obter um título de doutorado no Brasil, pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Antes do título, Luma já atuava na área da educação, como concursada da rede estadual de ensino cearense.

Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres no Brasil, eleita em 8 de julho deste ano.

Nilma Lino é a primeira reitora negra de uma universidade federal brasileira. A conquista é um grande passo na democracia racial, ainda distante da realidade das universidades brasileiras.

JORNALISMO/ Mídia

– Mídia Impressa

Daniela Arbex é autora do premiado livro-reportagem Holocausto Brasileiro (Geração Editorial), que traz à tona um capítulo negro e esquecido que compreende quase todo o século XX. O Hospício de Barbacena, em Minas Gerais, foi cenário da morte de mais de sessenta mil pessoas, 70% sem qualquer distúrbio psicológico antes da entrada no local (o enlouquecimento gradual era parte da tortura), sendo a maioria epiléticos, homossexuais, prostitutas, alcoólatras e rebeldes aos sistemas políticas (entre 1903 e 1980 ocorreram dois períodos classificados como ditaduras no Brasil).

Jeanne Callegari é jornalista e editora da revista Vida Simples, onde criou a campanha Chega de Dieta, que promove a auto-aceitação.

Sabrina Duran criou o projeto Arquitetura de Gentrificação, em parceria com a Repórter Brasil e financiado pelo Catarse, para mapear a gentrificação e a especulação imobiliário em São Paulo. Sabrina também publicou esse ano o livro Mulheres Centrais, com perfis e fotos de mulheres que moram no centro paulistano. Além da área de moradia, também atua na área de mobilidade urbana.

– Digital

Andrea Dip é jornalista, especialista em direitos humanos, tendo inclusive escrito um livro há cinco anos sobre a aplicação prática da Declaração Universal dos Direitos Humanos no Brasil. Sendo colunista da Agência Pública, abordou as vergonhosas revistas pelas quais passam mulheres que fazem visitas em presídios.

Anna Beatriz Anjos, Gabriela Sá e Natacha Cortêz são estudantes de jornalismo que tiveram o terceiro projeto mais votado da Reportagem Pública, com uma investigação sobre o aborto no Brasil, mais especificamente no sistema público de saúde, em “Aborto Legal: do Direito ao Tabu”.

Bia Cardoso, Thayz Athayde, Liliane Gusmão e Iara Paiva fazem o Blogueiras Feministas, blog que traz notícias e reflexões sobre mulheres que a mídia tradicional muitas vezes ignora. 

Charô Nunes, Maria Rita Casagrande, Zaíra Pires, Larissa Santiago, Verônica Rocha, do Blogueiras Negras, blog sobre questões afins à negritude e ao feminismo. Toda mulher negra e afrodescendente que se identifique com a proposta pode participar de comunidade e escrever para a página.

Clara Averbuck e Nádia Lapa são autoras do blog Feminismo Pra Quê?, onde abordam temas como machismo e sexualidade.

Eliane Brum escreveu textos que viralizaram nas redes sociais em 2013. Colunista semanal da Época, abordou temas polêmicos, como o aborto.

Jarid Arraes se destacou com seus post para o blog Blogueiras Negras e artigos sobre gênero para a Revista Fórum.

Juliana Romano é jornalista e blogueira, escrevendo sobre moda com foco na diversidade no Entre Topetes e Vinis.

Nathália Viana é uma das fundadoras da Agência Pública, de jornalismo independente. A Pública ganhou diversos prêmios e viabilizou a publicação de várias reportagens sobre temáticas relevantes, como as revistas de agentes penitenciários a mulheres.

Tati Ivanovici é criadora do Rede do LadoDeCá, que aborda atividades culturais nas periferias de todo o país.

Thais Caramico é criadora do Garatujas Fantásticas, site com conteúdo sobre a infância que aborda de forma leve e fluida temas como identidade de gênero, papéis sociais por gênero e consumismo, arte. Parte do conteúdo é feito para as crianças.

POLÍTICA

Manuela d’Ávila (PCdoB-RS) é a única líder partidária mulher na Câmara dos Deputados e ganhou destaque recentemente por conta de um vídeo em que discursa no plenário contra o machismo, após um deputado responder, de forma machista, a uma pergunta da deputada de cunho político.

Mayara Vivian é uma das maiores vozes do Movimento Passe Livre, criado em 2004 em Santa Catarina mas que viveu seu auge em meados de 2013 com protestos simultâneos e diários em dezenas de cidades do Brasil.

Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) é a primeira mulher à frente da Procuradoria da Mulher do Senado, que lançou este ano o Mais Mulher na Política, em parceria com a Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados. 

PROJETOS SOCIAIS

Ana Carolina Rocha é a criadora da campanha Vaidoa, que divulga e incentiva a doação de sangue.

Casa de Lua é um espaço físico criado por 28 mulheres em São Paulo para receber debates sobre o universo feminino e workshops profissionalizantes.

Gal Martins leva às periferias do sul paulistano oficinas e apresentações de arte contemporânea, com ajuda da companhia de dança Sansacroma.

Giovanna Nader e Raquel Vitti Lino, dupla criadora do Projeto Gaveta, que, na contramão do consumismo, estimula a troca de roupas usadas entre pessoas em evento (as peças que não passam pela seleção delas são doadas para a ONG Filhos de Paraisópolis).

Juliana Bussab e Susan Yamamoto, criadoras da organização Adote um Gatinho, uma das pioneiras do Brasil em resgatar gatos abandonados, que continuou a se destacar em 2013 com um dos maiores bazares da história do grupo.

Juliana Russo e Natália Garcia são criadoras do Cidade para Pessoas, que espalha boas ideias de urbanismo de cidades de todo o mundo, visitadas através do financiamento coletivo.

Renata Quintella criou o projeto Nova Jornada, cujo objetivo é espalhar boas ações pelo Brasil, mesmo que por meio de pequenos gestos, como dar um abraço ou ajudar a carregar sacolas de mercado para alguém.

Simone Mozzilli, publicitária e empresária, voluntária do Hospital A.C.Camargo, fundou o Beaba em 2013 e foi eleita uma das 50 profissionais mais inovadoras do mercado digital pela ProXXima. O Beaba é uma entidade sem fins lucrativos para educação, suporte e apoio à criança com câncer.

TECNOLOGIA E INTERNET

Alessandra Nahra Leal é especialista em programação e sócia fundadora da Saiba+, consultoria de usabilidade e arquitetura de informação, que atende a grandes empresas brasileiras e foi destaque em TI em 2013.

Ana Haddad e Camila Haddad são fundadoras do Cinese, plataforma para divulgação e troca de conhecimentos e divulgação de eventos.

Ana Luiza Gomes e Mayra Fonseca são fundadoras do projeto O Brasil com S, projeto que divulga e valoriza a pluralidade da identidade brasileira.

Ariane Queiroz e Jessica Grecco administram a página do Facebook Indiretas do Bem, que já tem 1,2 milhões de curtidas e além de reconhecer boas ações, se engaja em lutas que estão em ampla divulgação na mídia.

Beatriz, Daniela e Débora Andreucci, da InspirationPage, que este ano lançaram novos projetos e um site novo, que promove e divulga boas ações de todo o mundo.

Bia Granja é a criadora do YouPix, site que virou referência no mundo geek e tem um festival próprio, o youPIX Festival, que cresce cada vez mais. 

Carol Moré criou o blog Follow the Colours, que fala diariamente de ideias, ações inspiradoras, artes e design, ao qual se dedicou em tempo integral este ano. Também foi considerada uma das mulheres mais interessantes para se seguir no Twitter. 

Daniela Silva é fundadora da rodAda hacker, um site que volta oficinas de programação às mulheres, normalmente excluídas num meio majoritariamente masculino.

Janara Lopes é a criadora do IdeaFixa, site de curadoria de arte, referência no meio criativo. O site acabou virando livro, Ideafixa’s: greatest hits (Arte e Letra). Com autoria de Janara e Alicia Ayala, a publicação reúne 11 edições da revista digital do site, com 86 artistas de todo o mundo.

Jaqueline Barbosa é diretora de conteúdo do Hypeness, que seleciona criações de todo o mundo, sempre direcionada a boas iniciativas que podem ser reproduzidas sem barreiras linguísticas ou culturais.

Márcia Olivia Granja é criadora do projeto Sonhos num Pontinho, que fez seu primeiro aniversário este ano.

INTERNACIONAL

Alice Munro, escritora canadense, venceu o Nobel de Literatura de 2013.

Amanda Palmer, cantora norte-americana, escreveu textos com viés feministas que viralizaram.

Amy Poehler, estadunidense, criadora do projeto “Smart Girls at the Party” que baseia na autodescoberta de jovens mulheres. Ao lado de Tina Fey, apresentou o Globo de Ouro – a dupla foi elogiadíssima. Além disso, no seu trabalho como atriz, foi indicada ao Emmy em 2013, por seu papel em Parks and Recreation.

Chelsea Manning, soldado transexual americana, condenada por vazar documentos ao Wikileaks. Poucos veículos noticiaram sua transição de gênero e sua preferência pelos pronomes e nome feminino.

Debbie Sterling, criadora do Goldie Blox, empresa norte-americana de brinquedos para montar com massiva campanha voltada às meninas. A proposta é incentivá-las a brincar com outras coisas além de bonecas.

Debora Spar, cientista política norte-americana, autora do livro Wonder Women, um dos destaques de 2013, com grande repercussão no meio feminista internacional.

Eileen Pollack, escritora e professora da Universidade de Michigan (EUA). Foi a segunda mulher a se formar em física pela Yale e, em 2013, está preparando um estudo interessante sobre mulheres nas ciências exatas, que vai lançar em forma de livro.

Ellen DeGeneres é uma importante apresentadora estadunidense de talk show voltado a mulheres. Um dos seus monólogos mais famosos de 2013, “Bic for Her”, foi visto quase 3 milhões de vezes em um só canal do YouTube, e satiriza a criação de objetos do dia-a-dia ditos “adaptados às mulheres”. É também uma importante figura da luta LGBT nos Estados Unidos.

Greta Gerwig é atriz e co-roteirista do ótimo filme Frances Ha, eleito por todas as listas de cinéfilos como um dos melhores do ano.

Jennifer Lawrence, ganhadora do Oscar 2013, questiona os padrões impostos às atrizes hollywoodianas e o reflexo deles na sociedade, se tornando referência também fora das telonas.

Kerry Washington, atriz norte-americana, foi a primeira mulher negra indicada ao Emmy desde Cicely Tyson, em 1995. 

Laverne Cox, atriz negra e transexual que rouba a cena no seriado Orange is The New Black, lançado em 2013. Seu personagem foi fundamental para mostrar que existem atrizes transexuais excelentes, e que não é preciso contratar mulheres cisgêneras para representar mulheres trans.

Lena Dunham, escritora e criadora da série “Girls”, estrelada por quatro atrizes e ganhador de dois globos de ouro em 2013, que também foi renovada este ano.

Lila Azam Zanganeh, escritora franco-iraniana, que teve destaque na Flip 2013 com seu livro O Encantador – Nabokov e a Felicidade.

Lorde, neozelandesa, é cantora teen feminista de apenas dezessete anos. Seu primeiro álbum conseguiu quatro indicações ao Grammy 2014.

Lupita Nyong’o, atriz nigeriana, faz o papel de uma escrava em 12 Years to Slave, filme que tem 7 indicações ao Globo. Ela está cotada para concorrer ao Oscar.

Mindy Kaling, primeira atriz com ascendência indiana a protagonizar um seriado norte-americano, The Mindy Project.

Miranda July é escritora, cineasta e artista performática, autora de O Escolhido foi Você e de projetos de sucesso em 2013, como We Think Alone.

Roxane Gay, blogueira e escritora norte-americana, é uma das vozes mais influentes do feminismo, com destaque em 2013.

Sheryl Sandberg, empresária norte-americana, conhecida pelo seu trabalho como chefe operacional do Facebook há quatro anos. Em 2013, lançou seu livro, Faça Acontecer, que retrata as questões de gênero no mundo do trabalho, mais especificamente à frente de grandes empresas.

Tina Fey, atriz, escritora e musa inspiradora, foi um dos destaques do Emmy deste ano por 30 Rock (indicada como atriz e vencedora como roteirista, pelo episódio Last Lauch, ao lado de Tracey Wigfield).

Wendy Davis, senadora norte-americana, ficou de pé e discursando por 11 horas, sem comer, beber água ou ir ao banheiro, para impedir o endurecimento da lei anti-aborto estadunidense.

ESPECIAL

Gabriela Leite dá nome a um Projeto de Lei que visa melhorar a vida das prostitutas, sua luta durante toda a vida. Faleceu em outubro de 2013.


Um obrigada especial às colaboradoras que tiveram participação massiva na formatação da lista: Fabi Secches*, Francielle Sads, Isabela Mena e Jeanne Callegari*. Muitas outras leitoras e leitores do Talk Olga também enviaram seus votos e sugestões.

* Fabi e Jeanne aparecem na lista, mas, obviamente, não puderam votar em si mesmas. Elas foram indicadas por outras pessoas.   

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olga dieta 2

olga dieta

A vida tem dessas. Por uma razão ou outra, a gente engorda. Lentamente, de repente. A criança gordinha engorda mais ainda, a magrinha muda de figura. A mãe dá à luz e não recupera o peso e a atleta que engorda ao parar de treinar – ou mesmo treinando. Acontece.

Acontece. E quando menos percebe, você está lá, se escondendo na hora da foto com os amigos, evitando ir à praia. Querendo sair para pedalar, mas se sentindo feia nas roupas de ginástica. Adiando a compra de roupas novas até a perda de peso. Deixando um bom pedaço da vida pra depois – depois, quando o peso baixar.

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E aí você se motiva, faz uma dieta. Perde um pouco de peso, compra umas roupas novas. Recebe muitos elogios. Mas, antes de chegar ao peso que você queria, acaba engordando de novo. Você fica frustrada, se sentindo miserável. Não se reconhece no espelho, pensa que a verdadeira “você” está ali debaixo das dobrinhas, daquela zona de conflito ao redor da cintura. Você tem receio de começar outra dieta e falhar novamente. Mas a família enche o saco, as amigas estão sempre falando de dieta. Você sente a pressão. Então você tenta de novo. E o ciclo se repete. Algum emagrecimento, vontade incontrolável de comer certos alimentos, episódios de perda de controle, ganho de peso, reinício da dieta. Para 95% das pessoas, a perda de peso que advém desse ciclo não é duradoura. Muitas ganham mais peso do que tinham no início. Por quê?

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A verdade é que não foi você quem falhou. Sim. A dieta é quem falhou com você. As pessoas que disseram que perder peso era simplesmente questão de disciplina e força de vontade é que falharam com você. Ninguém disse que seria tão difícil, ninguém disse que as taxas de sucesso eram irrisórias. E, principalmente, ninguém disse que não era necessário. Que, em termos de beleza, tem espaço pra todo mundo, todo tipo de corpo. E que, em termos de saúde, dá pra ser saudável em qualquer tamanho. Por que ninguém disse nada disso? É uma boa pergunta. Uma das respostas possíveis é que muita gente lucra em cima da insegurança das pessoas, de vender soluções para problemas que não existem. A indústria da dieta movimenta pelo menos 6 bilhões de dólares por ano.

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Para investigar essa forma de ver a questão – uma mudança de paradigma em que a obesidade deixa de ser doença e em que ser gordo deixa de ser o problema – é que escrevi a reportagem Chega de Dieta, matéria de capa da revista Vida Simples, edição 139, de dezembro. Queria entender um pouco mais sobre a nossa relação com o peso e porque é tão difícil, afinal, controlá-lo. As descobertas foram surpreendentes. Tão surpreendentes que, junto com a reportagem, decidimos lançar uma campanha: #chegadedieta. Porque o primeiro passo para a gente se cuidar mais, e ter mais saúde, é sair do ciclo danoso das dietas.

Olga Vida Simples Chega de Dieta

Algumas das coisas que descobri na reportagem:

Não é preciso ser magro para ser saudável. Muitas pessoas acima do peso ou obesas têm índices excelentes de saúde. Pesquisas mostram que os hábitos, como comer bem e se exercitar, são mais importantes para a saúde do que o peso em si.

Dietas não adiantam. Cerca de 95% das pessoas que fazem algum tipo de dieta – qualquer tipo, das mais mirabolantes às mais sensatas – recuperam o peso em até cinco anos. Dietas funcionam bem para perder peso no curto prazo. Mas, no longo prazo, quase todo mundo ganha o peso de volta.

Dietas podem fazer você engordar. A maioria das pessoas que faz dieta não recupera apenas o peso que perdeu, mas mais um pouco. As dietas bagunçam o mecanismo de regulação de peso do nosso corpo, o “setpoint”, e por isso podem fazer com que engordemos mais do que antes.

Dietas fazem mal. Elas são associadas com várias doenças que dizemos ser causadas pela obesidade, como hipertensão, diabetes e doenças coronárias. Algumas fazem mais mal que outras, e quanto menos individualizadas e mais radicais forem, pior.

A privação é irmã gêmea da compulsão. Se a gente se proíbe de comer algo ou restringe a alimentação, isso gera um desejo incontrolável por essas comidas. O pensamento de que alguns alimentos são “bons” e outros são “ruins” em si é sempre prejudicial.

Ouvir nosso corpo é importante. Se tem algo que podemos dizer sobre nutrição e saúde é que cada corpo é único e tem suas peculiaridades. Alguns alimentos farão bem a algumas pessoas e muito mal a outras. É importante ouvir o corpo, nos apercebermos dos sinais dele, principalmente os de fome e saciedade.

Ser gordo não é moralmente errado. Nós julgamos severamente as pessoas gordas, como se fosse uma escolha ser gordo, como se fosse uma questão de força de vontade. Ainda que fosse – e não é – ninguém teria o direito de nos julgar, avaliar e criticar por isso. O mesmo vale para as pessoas magras – não é bacana julgá-las, ou ao corpo delas.

Ninguém precisa ser saudável se não quiser. Não é da conta de ninguém dar palpite sobre nossa saúde, sobre como levamos a vida. Se, mesmo sabendo que exercícios e uma alimentação mais equilibrada ajudam a melhorar a saúde, você não quiser adotar esses hábitos, a escolha é só sua, de mais ninguém.

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Tem isso – e mais um monte de coisas, como a relação – muitas vezes emocional – que estabelecemos com o alimento. Para modificar a relação que temos com a comida, e com o peso, o primeiro passo é sair desse ciclo: chega de dieta. Aquele número na balança não diz nada sobre você, seu valor, sua saúde. Aceitar-se, entender que tudo bem ter o corpo que se tem, é mais importante. Vamos nos libertar da balança, parar de odiar nosso corpo. E, então, abrir espaço para uma vida mais feliz, com mais auto-aceitação, auto-compaixão. O único peso extra é a culpa.


Jeanne Callegari é editora-assistente da revista Vida Simples e está tentando, cada vez mais, ter uma relação mais pacífica com o peso e a comida.

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olga ju romano

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Eu sempre fui a gordinha da turma. Até quando era magra, sempre tive formas e, talvez por ser baixinha, sempre fui mais larga que as outras meninas. No balé, eu era a das coxas grossas. No vôlei, tinha braço grande. No colégio, era a “gorda, baleia, saco de areia”. Como toda criança crescendo, essas diferenças foram moldando minha personalidade. Eram olhares e palavras maldosas, cada uma a sua maneira, querendo dizer: você tem que ser magra. Crescer em um mundo onde as pessoas sempre esperam que você seja outra coisa que não você mesma é assustador. Felizmente, sempre tive apoio em casa e elogios nunca me faltaram para equilibrar o que eu não tinha fora. Em casa, eu cresci ouvindo que era mais importante ser boa do que ser bonita – mas que vaidade não matava ninguém. E isso me ajudou muito a criar uma barreira lógica contra críticas. Mas a adolescência chega para todo mundo e, com ela, uma vontade irrefreável de se encaixar, de “ser legal”.

Francamente, até a adolescência, ser a gorda nunca me pareceu ruim. E foi lá, aos 14 anos, quando comecei a tomar um remédio para espinhas, cheio de efeitos colaterais psicológicos, que me esqueci por algum tempo o que era importante de verdade. De repente, a vida só tinha sentido se eu fosse magra e nada mais importava – um sentimento semelhante, imagino, ao de quem tem anorexia e bulimia. Se eu fosse magra seria legal, seria desejável, seria popular, teria amigos, sairia para baladas, seria finalmente igual a todas as outras meninas. E foi assim que passei os 2 anos mais infelizes da minha vida. Anos aos quais eu não gostaria de voltar jamais.

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Fiquei magra, sim. Cheguei a vestir 36 – hoje visto 50. Mas passar todas as horas do dia tentando me transformar em uma coisa que eu não era me tornou uma pessoa tão amarga e tão fechada no meu próprio mundo, que nenhum dos benefícios de ser magra foi conquistado, a não ser o de entrar em uma calça menor. Depois de parar o remédio e me recuperar, me fortalecer psicológicamente, comecei a analisar a situação pela qual passei. Amigos de verdade só querem o seu bem, independente do número da sua calça. Relacionamentos não se sustentam pelas aparências – aliás, amor tem mais a ver com o que tem dentro do que o que tem por fora – e é muita futilidade acreditar que alguém deve te amar pela sua aparência. Enfim, o colégio acabou, entrei no cursinho e na faculdade e descobri a diversidade da vida. Sair da sua bolha, pode ser uma experiência maravilhosa. Fanáticos por religião, drogados, depressivos, hedonistas, indecisos, mau caráter… Cada um com uma personalidade e com um corpo diferente e ninguém, absolutamente ninguém, igual. Pensei “Graças a Deus, aqui sou normal”. Como não tinha um padrão, comecei a descobrir o que de verdade eu gostava. Estilo de música, roupas, hobbies, exercícios, livros, etc. Desenvolvi minha personalidade em cima de tudo que eu me sentia confortável e aprendi a dizer “eu gosto disso” ao mesmo tempo em que aprendi a respeitar quem não gostava e principalmente de quem gostava do que eu odiava.

Eu sempre amei moda e beleza e, desde que me dou por gente, leio revistas femininas. Por incrível que pareça, sempre entendi as modelos das revistas simplesmente como manequins, como cabides. Então, sempre achei que moda era para mim também, já que eu gostava e me sentia parte daquele mundo. A minha família também sempre teve uma veia fashion e um faro apurado para pechinchas – vou à 25 de março e ao Bom Retiro desde criança. Sempre me ensinaram a combinar as roupas, a discernir tecidos bons dos ruins, a saber o valor real de uma peça, etc. Quando cresci, para mim era uma conta lógica: preciso de uma roupa bonita e que caiba em mim. Não faço muitas reflexões em cima disso. Aprendi simplesmente a usar truques para adaptar as peças ao meu corpo gordinho. Sem ficar remoendo o fato de meu corpo ser gordo e, sim, me concentrando em como resolver as peças.

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Foi na faculdade, quando eu realmente aceitei e encarei minha personalidade, que comecei a me vestir com personalidade, com a minha personalidade. As pessoas começaram a elogiar minhas roupas e penteados e passaram a dividir suas dúvidas fashion comigo. Pensei: por que não fazer um blog para compartilhar os meus truques? Em momento nenhum eu pensei “blog plus size”. Ele começou como um blog para meninas fora do padrão, que precisavam se valer de pequenos truques para aprender a combinar e vestir moda. A denominação plus size veio só depois e veio das leitoras, não de mim. E foi tão natural, para mim, quebrar essas regras bobas tipo “gorda não pode usar branco” ou “gorda não deve usar listras horizontais”, simplesmente porque eu já usava e as pessoas já elogiavam. Não que eu precisasse dos elogios, mas concorda que se você usa uma coisa e as pessoas gostam, aquilo está bom em você não importa o que as regras digam? Adicione a isto o fato de que eu, Juliana Romano, tenho um seriíssimo problema com autoridades. Odeio que me digam o que fazer e como fazer. Me sinto um macaco de laboratório. Me dê uma limitação e eu lhe mostro como contorná-la. É isso. Eu gosto de criar possibilidades para situações impossíveis. Então se você me disser que gorda não fica bem com um tipo de roupa, eu fico absolutamente motivada a provar que eu sou gorda e que eu posso ficar bem com essa roupa, sim! E acho que foi essa rebeldia que transformou o blog no ”estopim”. As mulheres são tão reprimidas por tudo na vida, que precisavam de um grito de liberdade. Acho que eu consegui despertar uma força que toda mulher tem dentro de si, a vontade de ser livre sabe? De fazer o que bem entender?

Quando eu comecei, não tinha muita coisa sobre esse assunto. Hoje em dia tem um boom do plus size em todos os lugares. Pessoalmente, acho ótimo em partes. São tantos blogs gringos mostrando moda para pessoas fora dos padrões – não só gordas. Os blogs de beleza e as meninas que fazem, também não se encaixam nos padrões. Aliás, se tem uma coisa que já é democrática é a beleza. Todo mundo pode usar tudo! Acho maravilhoso. Algumas lojas, como a Flaminga, por exemplo, tem um quiz para você ver o estilo do seu corpo e um tabela que você preenche suas medidas, para ajudar na hora das compras a encontrar uma peça que vai cair bem no seu tipo de corpo. E não é você que tem que se encaixar na modelagem. As lojas de departamento também têm aumentado a grade de numeração das peças e criado coleções plus. Mas ainda tenho minhas dúvidas se segregar é evoluir. Eu não quero aplicativos, lojas, coleções e etc plus sizes. Eu quero que tudo seja mais abrangente. Eu quero uma grade de tamanhos maior, quero revistas com imagens corporais diferentes, quero que a atriz gorda da novela não faça o papel da gorda, mas que faça qualquer outro papel que exija uma boa atriz como ela. Eu gostaria que o termo plus size deixasse se existir. Aí então teríamos uma moda democrática. Uma sociedade democrática. Aí então, uma mulher que vista acima do 46 deixaria de ser diferente e seria simplesmente normal. Eu visto 50 e não sou mais especial que uma menina que veste 38 só porque sou gorda e como mais. Eu não preciso de uma coleção “especial”.

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Claro, toda evolução exige um processo de mudança e adaptação. Tenho notado um movimento vindo da gringa, de capas com mulheres mais “reais”. Com gordurinhas, barriguinha, flacidez, etc. Embora eu note que é tudo feito com muito medo ainda. Ninguém sabe bem o limite do ofensivo. Quando a gente pode chamar uma mulher de gorda? Quando ela é plus size? É superdifícil por enquanto. Explico: plus size é uma nomenclatura da moda, para classificar peças que estejam acima do 46. Consequentemente, qualquer mulher que use 46 ou mais é plus size. E isso independe de sua aparência ou do seu peso. Já achar que a palavra gorda é ofensiva, é puro preconceito. Se eu estiver falando de uma menina e for descrever sua aparência, vou dizer, por exemplo: “ah, ela é magra, alta, tem cabelos castanhos e pele morena”, certo? Então, porque eu não posso me descrever como “uma gorda, baixa, de cabelos longos castanhos e lisos, com a pele branca”. Por que a minha característica física é ofensiva? Tem todo um pensamento que nos é imposto desde a nossa infância, de que a mulher deve ser magra e por isso a palavra gorda virou ofensa. Mas na verdade é só uma característica e evitar falar a palavra “gorda” é preconceituoso. Já a palavra gordinha, é só um jeito de amenizar o choque que as pessoas levam com a palavra gorda. Eu não me sinto ofendida quando as pessoas me chamam de gordinha, da mesma forma que não me sinto quando me chamam de gorda ou de plus size. Mas que é um jeito de amenizar uma outra palavra que elas acreditam ser ofensiva e que isso carrega uma dose de preconceito, isso sim. Quer dizer, “olha, você está acima do peso, mas eu não te acho tão ruim para te chamar de gorda”. E, desculpa, mas eu não sou menos capaz que nenhuma mulher magra. Eu sou uma mulher inteligente, tenho amigos, um bom senso de humor, um coração mole, fiz faculdade, gosto de ler, gosto de filmes antigos, faço penteados… Eu tenho tantas outras características além do fato de ser gorda, que para mim é ofensivo ser resumida somente ao meu peso e minha aparência. O meu peso e minha aparência são tão pequenos perto da mulher que eu sou…

Peso, aliás, é algo que deixou de me incomodar há 6 ou 7 anos… Quando subi na balança pela última vez! Números podem ser cruéis com a nossa autoestima. Você olha no espelho e roupa está linda, mas aí você lembra seu peso e parece impossível se amar com todos aqueles números. Então hoje eu subo só na balança do médico, virada de costas e peço para que ele mantenha sigilo absoluto daquele valor. Que ele calcule a minha alimentação e o que eu devo fazer para manter minha saúde, mas que só mexa no peso caso seja absolutamente necessário. E para você ver como a mídia e as pessoas usam como desculpa a saúde para impor um padrão: eu visto 50, tenho dobrinhas na maior parte do corpo, peso sei lá quanto e minha endocrinologista (presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, por sinal) diz que eu não preciso emagrecer nada se eu não quiser. Beijos, sociedade, sou gorda e saudável! Qual a desculpa para eu não poder usar o que eu quiser agora, mesmo?!


Juliana Romano, jornalista e autora do blog Entre Topetes e Vinis, desafiou as “regrinhas fashion” de consultoras, stylists e revistas de moda… E ganhou!

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O que é uma mulher inspiradora? É aquela que mostra que não só dá para ter sonhos interessantes como também, realizá-los. Barbara Soalheiro foi editora da Superinteressante, diretora de redação da Capricho aos 26 anos (a mais nova da história da Editora Abril), editora-chefe da Colors (a ousada revista da Fabrica, laboratório criativo da Benetton) e uma das organizadoras do TedXAmazônia, realizado num hotel flutuante no Rio Negro. Ganhou o prêmio Jabuti em 2007 pelo seu livro Como Vivíamos Sem… e raspou o cabelo todinho durante uma temporada na Índia.

Hoje, seu foco está na Mesa&Cadeira, empresa criada por ela em 2010, cuja proposta é “aprender fazendo”. Um grupo pequeno de participantes se reúne com um especialista e, juntos, trabalham em um projeto até atingir o objetivo – uma forma corajosa de educação que aceita as tentativas e os erros como parte do processo.  “Bancar o que você acredita dá muito trabalho e exige muita segurança – e ser muito segura exige um bocado de esforço! Mas basicamente não tem outra opção: o único caminho é dar a cara pra bater e correr o risco.”


Você acha que a Mesa&Cadeira seria diferente se fosse criado por um homem? Existe alguma coisa especialmente feminina no projeto?

Sim, eu acho que a Mesa&Cadeira é muito feminina. Uma parte grande do processo tem a ver com a experiência em volta da Mesa: o que se come, o que se vê, o lugar onde você está. Quando estamos montando uma Mesa, é uma vibe parecida com a que eu sinto quando eu estou organizando um jantar na minha casa para os meus amigos ou para minha família. E uma Mesa é sempre mais legal quanto mais ela se parece com aqueles grandes almoços longos, em que você se diverte, mas também conversa, discute (usamos o formato que usamos porque eu acho que mesas são a combinação perfeita de diversão e compromisso). Tem algo forte dessa onda de receber bem, de cuidar de quem chega. E isso me parece bastante feminino.

Agora, talvez isso diga mais sobre mim do que sobre a realidade! Um dos cargos que existem na Mesa é “Líder de Experiência”, que é justamente a pessoa que cuida para que todo mundo se sinta muito em casa, muito à vontade, cercada de beleza por todos os lados. Essa função sempre foi ocupada por uma mulher. Recentemente, entrevistei um cara legal demais que está interessado na função. Foi ótimo. É o tipo de cara que produz e “edita’ uma Mesa com muito amor, que recebe os amigos em casa, que cuida dos detalhes. E é um cara. Ou seja, talvez no fundo o fato de eu achar que é muito feminina só mostre que eu ainda atribuo, de forma equivocada, algumas inclinações a mulheres e outras a homens.

Durante as edições do Mesa&Cadeira, você consegue perceber diferença na forma de trabalhar entre homens e mulheres?

Não. Realmente não acho que dá pra fazer uma distinção entre os participantes da Mesa. Mas acho que trabalhar com homens e mulheres é diferente, pela minha experiência na vida. Acho que mulheres se sentem confortáveis em ficar em segundo plano. Eu realmente acho que a Sheryl Sandberg [diretora de operações do Facebook e autora do livro Faça Acontecer] matou a charada quando falou sobre “sentar-se à Mesa”.

Vc já viu essa Ted Talk dela, certo? É realmente impressionante que uma mulher possa chegar a uma reunião, não sentar-se à mesa de discussão e se sentir tranquila com isso. Não é ruim. É só uma diferença grande, porque a grande maioria dos homens não se sentiria tranquilo com essa situação. Acho que homens realmente sentem uma pressão maior para estarem no centro da jogada e conseguem se valorizar melhor/valorizar seu trabalho melhor. E as mulheres tendem a ser mais tranquilas com a posição de número 2. E tem algo muito legal nisso, em você se sentir tranquila por realizar um bom trabalho ao lado de outra pessoa que você considera incrível.

Ainda não rolou nenhum Mesa & Cadeira encabeçado por mulheres. Por que você acha que isso aconteceu?  

A primeira pessoa que eu convidei para liderar uma Mesa foi a Susan Hoffman, uma das sócias da Wieden+Kennedy. A Susan é incrível, genial, honesta, brilhante, gente boa. Eu amaria tê-la na cabeceira, liderando uma semana de trabalho. A agenda dela é difícil e por isso ainda não rolou (quem sabe um dia…) Mas realmente na nossa lista de possíveis líderes e líderes dos sonhos tem muito menos mulheres do que homens. O critério que a gente usa não é, obviamente, o gênero. A gente usa dois critérios na hora de escolher um líder: quem tá fazendo um trabalho muito animal + por quem as pessoas pagariam para trabalhar junto e eu realmente conheço menos mulheres que pontuam muito alto nessas duas categorias.

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O que você aprendeu sobre mulheres sendo diretora da Capricho?

Acho que a coisa mais importante eu poderia formular assim ó: que são muito legítimas as preocupações que gostamos de rotular como fúteis. Deixa eu explicar: eu era editora da Superinteressante e fui convidada para trabalhar na Capricho e participar de uma mega reforma editorial que queria deixar a revista mais… relevante. Não lembro muito o termo que a gente usava na época, mas a ideia era essa: fazer uma revista pra uma menina realmente legal, não boba, que não se preocupasse só com bobagens e futilidades. Toda a redação anterior foi demitida e a galera que chegou era incrível, muito talentosa mesmo.

Isso era 2006 e fizemos a reforma editorial mais radical que o título passou nos seus 50 anos. A primeira edição que lançamos dessa nova Capricho é histórica. A única matéria de beleza tinha uma foto do Bin Laden (é sério!) e era uma pensata genial sobre por que chamamos cabelos crespos de cabelo ruim. A foto do Bin Laden com a legenda “Meu cabelo é ruim? Por que: o seu faz caridade?” é uma das coisas mais incríveis que eu já vi publicadas na imprensa mundial (todos os créditos para Marina Bessa). Bom, colocamos a revista na banca e a circulação despencou. As leitoras não queriam aquilo, não se importavam com aquilo.

O caminho fácil seria dizer que o mundo está mesmo perdido e que todas as adolescentes são umas bobas e fúteis. Mas somos menos ingênuas que isso e, em especial, somos ex-leitoras da Capricho. Teve um momento em que eu comecei a pensar muito sobre por que Capricho tinha sido a revista mais importante da minha história e o quanto tinha sido importante para mim poder contar com uma revista que tratava dos assuntos com os quais eu realmente me importava dos 13 aos 16 anos de idade. Eu lembro de pensar: pô, eu sou uma adulta muito legal. E quando eu tinha 13 anos, o maior problema da minha vida era meu cabelo. E cabelo é mesmo o problema mais importante da vida de uma menina aos 13 anos! E isso importa! Não é fútil. Não é irrelevante! No fim das contas, sinto que rola isso: mulheres que querem ser reconhecidas por sua competência profissional (estou falando de mim, claro, né?) tendem a olhar para coisas com as quais mulheres se importam e rotularem como fúteis. Então, passar meses preocupada com o casamento ou com o enxoval do filho é considerado uma bobagem enquanto a final do campeonato de futebol é vista como um hobby legítimo.

A gente tem uma certa vergonha de falar desses assuntos em momentos profissionais. Como se, para sermos profissionais competentes, não pudéssemos também nos importar com o embrulho do bem-casado. De novo, acho que a Sheryl Sandberg acerta quando conta que, há anos, ela sai do trabalho as 5 da tarde. só que no começo ela não dizia que fazia isso “porque tenho 3 filhos”. Demorou bastante para ela começar a dizer: eu vou embora as 5 porque tenho 3 filhos. O ponto mais interessante pra mim não é que horas ela vai embora e sim o fato de que é importante falar: eu vou embora porque tenho 3 filhos e jantar com eles é importante pra mim e isso não tem nada a ver com ser ou não uma grande profissional.

O que você aprendeu sobre você mesma, como mulher, liderando projetos tão grandes e importantes?

Dirigir a Capricho (de janeiro de 2007 a março de 2008, com a missão de fazer uma nova reforma editorial) e entregar o título vendendo o dobro do que vendia quando eu assumi, me ensinou que fazer coisas grandiosas é legal pra caramba! Que eu adoro ter isso no meu currículo e que eu gosto de verdade de ser uma ótima profissional. Minha temporada na itália, como editora-chefe da Colors, me ensinou:

(1) Que bancar o que você acredita dá muito trabalho e exige muita segurança – e ser muito segura exige um bocado de esforço! Talvez homens façam isso mais naturalmente, por serem culturalmente estimulados desde muito jovens. Mas basicamente não tem outra opção: o único caminho é dar a cara pra bater e correr o risco.

(2) Que eu me sinto confortável sendo a número dois de alguém que eu admire. Pelo menos por algum tempo. O número 1 da Colors era o diretor criativo Erik Ravello. Eu refletia muito sobre isso enquanto estava lá. Sobre o lado legal (é bom você ajudar a construir algo. Haveria um problema no mundo se todo mundo precisasse ser sempre o número 1) e o lado ruim (por que as vezes era tão difícil bancar a briga por mais espaço? Ou por créditos mais favoráveis? Ou por mais grana?).

Construir uma empresa como a Mesa&Cadeira me ensinou que as discussões de gênero são menos relevantes quando você tem que colocar uma empresa de pé! TALVEZ – talvez! estou pensando isso agora – porque a Mesa&Cadeira é como um filho: algo que eu tô gestando, vendo crescer, “ensinando” a andar. E daí não tem nem espaço para as reflexões que rolavam na época da Fabrica ou da Abril. É meio instintivo. Tem que fazer. Tem que sair. Tem que rodar.

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