Nao-toleramos-assedio
,

Por meio das campanhas Chega de Fiu Fiu, #MandaPrints e #PrimeiroAssedio, temos acompanhado uma evolução na discussão sobre assédio no Brasil. Seja compartilhando experiências pessoais ou em manifestos coletivos, as mulheres têm vencido o medo da culpabilização e deixando claro que cantada não é elogio, mas sim uma violência. Em mais um passo importante no combate ao assédio, a conversa começa a sair das redes sociais para chegar à justiça.

Sabemos que, para isso, é preciso combater um sistema ainda movido pela cultura do estupro – no Brasil, 40% da população acredita que mulheres precisam se dar o respeito para não serem estupradas, de acordo com o Datafolha. Contudo, alguns casos demonstram que a punição para assediadores é possível e tem acontecido.

Depois da injusta demissão da repórter do Portal iG que denunciou assédio por parte do cantor Biel, presenciamos a punição pelo ocorrido sendo direcionada ao único culpado: o agressor. Além de perder contratos para shows, campanhas e também espaço na mídia, ele foi condenado a pagar uma multa de R$ 4.400, estabelecida pelo Ministério Público para encerrar o processo. A quantia será doada para uma instituição de caridade.

Além de servir como exemplo para que estas violências não se repitam, as punições podem ajudar a manter as vítimas seguras, longe de seus agressores. Pensando nisso, a Universidade Estadual da Bahia (UNEB), afastou o professor de sociologia Alex Macedo por dois meses, enquanto as denúncias de assédio sexual de alunas do campus Eunápolis, no sul da Bahia, são investigadas.

A empresa americana de aviação Alaska Airlines expulsou um passageiro de um voo, pois todas as pessoas presentes no avião foram testemunhas do momento em que um sonoro “ooh, sexy” constrangeu uma comissária de bordo enquanto ela passava as instruções de segurança para a viagem. Uma das testemunhas, Amber Nelson, publicou a história no Facebook agradecendo à Alaska por ter levado o caso a sério e teve milhares de compartilhamentos.

Uma atitude esperada em um país que debate a cultura do estupro em função das acusações de assédio à Donald Trump, candidato à presidência dos Estados Unidos. Uma delas já está comprovada: um vídeo dos bastidores da participação de Trump no programa Access Hollywood em 2005, vazado na reta final da corrida eleitoral, mostra o empresário falando sobre como gosta de beijar ou agarrar mulheres sem consentimento – o mesmo vídeo também causou a suspensão do apresentador Billy Bush, que concorda e ri dos comentários de Trump na gravação.

Esta revelação fez Trump perder intenções de votos e até alianças dentro do próprio partido, que agora o pressiona para desistir da candidatura. Além disso, ele agora enfrenta outras acusações de assédio de mulheres que decidiram contar suas histórias motivadas pela possibilidade de ter suas vozes ouvidas.

Nunca antes na história vimos tantos homens sendo punidos profissional ou legalmente por atos de assédio. Por isso é tão importante contarmos nossas histórias e denunciarmos, pois assim colaboramos com a transformação de uma cultura de tolerância ao assédio, em busca de um entendimento de que este é um ato violento e inaceitável.

Compartilhar
"Respeita as mina e deixa a gente parir com respeito”, diz Lia. Foto: Carla Raiter
, ,

A campanha #cadanascimentoimporta da Comparto quer democratizar o conhecimento sobre o parto
A campanha #cadanascimentoimporta da Comparto quer democratizar o conhecimento sobre o parto

“Para mudar a sociedade é preciso mudar a forma de nascer”, afirma o obstetra francês e referência em parto humanizado Michel Odent. Inspiradas por essa ideia de transformar a sociedade a partir do nascimento, as irmãs Raquel e Lia Oliva criaram a Comparto, uma empresa voltada para a defesa do parto humanizado como ferramenta de transformação social e do sujeito. A luta pelo parto humanizado se faz necessária ao considerar os números que dão ao Brasil o ingrato título de campeão mundial da cesárea: mais da metade dos bebês nasce por via cirúrgica na saúde pública brasileira, chegando a 88% dos partos na rede privada, de acordo com uma pesquisa realizada pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Em 53,5% dos casos, não há justificativa clínica adequada para a cesárea. A orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é que no máximo 15% dos partos sejam cesáreas.

De acordo com a pesquisa “Trajetória das mulheres na definição pelo parto cesáreo”, da Fiocruz, a alta taxa de cesáreas no Brasil está ligada à “baixa informação recebida pelas mulheres em relação às vantagens e desvantagens dos diferentes tipos de parto”. Tendo em vista esse cenário de desinformação, Raquel criou em 2012 a Comparto para acompanhar casais na preparação do nascimento dos filhos como Doula e Educadora Perinatal. Formada em Naturalogia, desde a graduação ela se questionava a partir de que momento era possível promover a saúde na vida de alguém e concluiu que era desde o ventre. Foi atrás de formação para trabalhar diretamente com isso e se tornou Doula, lutando pela causa do parto humanizado. “Com o excesso de cesáreas há mais custos na saúde pública, mais riscos de o bebê ficar na UTI, a mulher tem três vezes mais chances de morrer em uma cirurgia desnecessária por hemorragia… Não é uma questão de escolha ou de ideologia, é uma questão de saúde pública. É importante que as mulheres se dêem conta disso para ter condições mais saudáveis de parir seus bebês”, diz Raquel.

Raquel auxilia parto humanizado de Maíra Gadagnotto. Foto: Carla Raiter
Raquel auxilia parto humanizado de Maíra Gadagnotto. Foto: Carla Raiter

Depois de seis anos de experiência como doula e após acompanhar mais de 200 nascimentos – 85% deles partos normais ou naturais – Raquel quis expandir expandir seus serviços para um número maior de pessoas e para isso passou a contar em 2015 com a ajuda da irmã, Lia, com quem dividiu um útero e que traz dez anos de know how com projetos, para transformar a Comparto em um grande hub de troca de experiências e serviços relacionados ao nascimento. O assunto já tocava Lia por ter nascido em uma família de cinco filhas – as chamadas irmãs Oliva -, o que lhe proporcionou ao longo da vida uma discussão muito aberta e presente sobre os assuntos relacionados ao universo feminino. Além disso, a própria Lia nasceu em um parto com violência obstétrica. Quando sua mãe entrou em trabalho de parto, em 1981, não se usava ultrassom tanto quanto hoje e durante a auscultação o médico não ouviu batimentos e concluiu que o bebê era era um natimorto. Dez horas em trabalho de parto para “expelir” o bebê que havia nutrido por nove meses, a mãe acabou sendo submetida a uma cesárea, quando se descobriu que a pequena Lia estava viva e saudável. “A violência obstétrica não é só a maldade do médico, sabemos que muitos médicos são bem intencionados, mas violência não é só meter a mão na cara, às vezes é não deixar a mãe comer, não deixar esperar a filha mias velha chegar porque ele tem compromisso, é a enfermeira dizer ‘na hora de fazer você não gritou’. Basicamente, é tratar a mulher como infantil, como incapaz de entender e tirar-lhe a autonomia”, diz Lia. No Brasil, uma em cada quatro mulheres sofre algum tipo de violência durante o parto, segundo a pesquisa “Mulheres Brasileiras nos Espaços Público e Privado”, realizada em 2011 pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o SESC. Outras pesquisas relacionam a violência no parto com o nível de violência de uma sociedade em um processo que gera ao mesmo tempo em que reflete desigualdade de gênero.

"Respeita as mina e deixa a gente parir com respeito”, diz Lia. Foto: Carla Raiter
“Respeita as mina e deixa a gente parir com respeito”, diz Lia. Foto: Carla Raiter

Logo após a união de forças das duas irmãs Oliva, foi anunciado o projeto Mulheres de Impacto, uma parceria entre a Benfeitoria, a Think Olga e a ONU Mulheres para financiar através de crowdfunding 11 projetos voltados para o empoderamento das mulheres. Para as irmãs Oliva, o timing foi perfeito. “A Comparto essencialmente é feminina, lógico que não excluimos pais e médicos, mas é algo nosso, parir e gestar é exclusividade nossa. A gente sabe o que está fazendo, a gente é mulher, esse lugar é nosso, respeita as mina e deixa a gente parir com respeito”, afirma Lia.

A partir de agosto e até 15 de setembro a Comparto está em campanha de crowdfunding com uma meta mínima de R$ 32.550,00 para a realização do projeto. A primeira meta garantirá a transformação do site da Comparto em um portal com informação de qualidade e rede de apoio, além de um canal no YouTube com os primeiros 10 vídeos. Se a segunda meta for alcançada, soma-se a isso seis meses de conteúdo com artigos, pesquisas, calendário de eventos e 10 vídeos a mais, além da primeira conferência online de doulas do Brasil. Caso a terceira meta se concretize, a ideia é expandir o portal e criar um ranking de profissionais que apoiam partos humanizados, suporte para ferramentas de cursos online, espaço de networking, área restrita para doulas com programação exclusiva e um ano garantido de conteúdo do portal. Gostou da proposta? Então a apoie financeiramente ou compartilhe com seus amigos.

Confira abaixo os vídeos da campanha #cadanascimentoimporta, feito pela Comparto e com apoio da Benfeitoria:

Arte: Rafael Prado

Compartilhar
Captura de Tela 2016-06-14 às 20.09.35

No dia 7 de junho, caminhei 200 metros por uma das avenidas centrais de Fortaleza carregando a Tocha Olímpica Rio 2016. Ao chegar no calçadão à beira mar, avistei Maria da Penha, ativista que batiza a lei que protege mulheres da violência doméstica. Fiz uma reverência cheia de admiração e, em volta de milhares de pessoas que acompanhavam o evento euforicamente, selei o beijo da chama com ela. Maria seguiu para atear a pira olímpica, num palco montado na praia, onde falou com firmeza sobre sua história e a necessidade urgente de combater a violência contra a mulher.

13416751_1239511052748352_6485469865571303992_o

Créditos: Rio 2016/ Fernando Soutello

Emocionante!!!

Mas… como foi que cheguei até aqui?

VIDA CORRIDA

Em março do ano passado, conheci uma mulher cuja história de vida me tocou profundamente.

Neide Santos, fundadora da ONG Vida Corrida, é uma corredora profissional que decidiu estreitar a relação das mulheres e das crianças com o esporte no Capão Redondo, um dos bairros com maiores taxas de criminalidade de São Paulo. A comunidade retoma a autoestima, aprende a conquistar espaços públicos e entende o valor que cada um dos seus corpos têm – principalmente as mulheres, que se viam destinadas a uma vida de serventia aos maridos e filhos, sem hobbies, sem interação uma com as outras, sem independência.

Neide, uma sobrevivente da violência em geral (de gênero, policial e urbana, que a marcou como mulher e levou seu marido e filho), teve ceifado o sonho de ser, ela mesma, uma atleta olímpica. Mas, pelo seu projeto, já estão saindo promessas brasileiras no atletismo. Ela é uma pessoa cheia de energia, está sempre de bom humor e muito disciplinada. Todo dia, às sete da manhã em ponto, está no parque do Capão dando início a mais uma aula, mesmo durante os anos em que fazia malabarismo com treinos e outros trabalhos para manter a ONG funcionando. Você pode vê-la contanto sobre sua própria história nesse vídeo que fizemos!

Em uma conversa descontraída, durante um dos nossos encontros, perguntaram à Neide qual era seu maior sonho no momento. “Carregar a tocha olímpica”, disse sem nem pensar.

“E seu eu puder realizar esse sonho com todas as crianças correndo atrás de mim, vou me considerar uma mulher realizada em tudo. Não me importo com o mundo vendo isso, e sim que as crianças entendam que tudo é capaz”.

Dois dias depois, a seleção para as equipes de revezamento da Tocha Olímpica Rio 2016 foram abertas. O Bradesco, um dos patrocinadores do evento, convidou a Think Olga para indicar um nome para fazer parte da sua equipe de condutores. Havia o entendimento, por parte deles, de que, apesar de ser um espetáculo esportivo, os Jogos Olímpicos deveriam ter um impacto que vai além das quadras. A indicação de uma organização feminista teria grande importância para o debate das causas das mulheres.

Indicamos a Neide.

Foi uma faísca para um novo olhar sobre o mundo do esporte como ferramenta de empoderamento.

20160521_160441

Neide ao centro, com uma réplica da tocha, nos preparativos para o revezamento. 

OLGA ESPORTE CLUBE

Eu gostava muito de esportes durante minha adolescência. Vários fatores me afastaram da prática conforme fui envelhecendo. E descobri rapidamente que não era a única a estar parada. Mais de 50% das brasileiras são sedentárias, segundo pesquisa publicada pelo Ministério dos Esportes, no ano passado.

A Maíra Liguori, diretora da Think Olga, tinha uma visão sobre esse cenário: a pouca prática esportiva pelas mulheres encontra no machismo inúmeras razões de existir. Uma delas, por exemplo, é o acesso reticente aos espaços públicos pelas mulheres. Há um paralelo muito grande com o debate instigado pela nossa campanha Chega de Fiu Fiu, que fala sobre assédio sexual em locais públicos, e a ideia de que a mulher não pertence às ruas e sim ao ambiente doméstico. No esporte, essa visão se perpetua.

Outra questão é a insegurança com o corpo. Bombardeadas com mensagens sobre fitness, dietas e corpos perfeitos, a sensação é que precisamos estar torneadas e já cheias de fôlego e de condicionamento para começarmos a nos mexer, em um ciclo bizarro que mais uma vez não nos permite enxergar por onde começar.

Por fim, nos fechamos em esportes solitários, como yoga e pilates (que adoro!), mas que têm foco grande no bem estar e no corpo. Nos falta interações com outras pessoas, praticar a força, suar, exercitar a inteligência emocional, rir e comemorar loucamente um ponto, um gol, uma cesta, uma vitória – assim como os homens fazem naquele futebolzinho de todo sábado.

Maíra entendeu então o esporte como um caminho muito divertido para o fortalecimento da mulher, o estímulo à sororidade e a desconstrução do machismo na sociedade. Lançamos a campanha Olga Esporte Clube, cujo objetivo é transformar a relação das mulheres com o movimento e as libertar das pressões sociais que as afastam do mundo esportivo. A OEC também luta para abrir novos espaços e possibilidades para a prática feminina nas mais diversas modalidades.

12715572_561400914027596_1560383236253565193_n

Fizemos uma pesquisa online sobre a relação da mulher com o esporte, e as respostas foram muito elucidativas.

  • Na infância, 69% das entrevistadas disseram que praticavam esportes por diversão. A partir dos 18 anos, 53% acha outra motivação: o emagrecimento.
  • Quase 25% das mulheres afirmam que já foram vítimas de preconceito ao tentarem se exercitar de alguma forma. Uma em cada quatro. E esse número fica ainda mais alto nas periferias (29%).
  • O racismo também ficou explícito nesse nosso estudo. A tenista Maria Sharapova (branca), por exemplo, tem menos títulos que Serena Williams (negra), mas ganha quase o dobro em patrocínio.

12874602_10154147318355815_111720862_o

Maíra Liguori, na apresentação da pesquisa da OEC, no Museu do Futebol, em SP

Foi uma grande mudança em toda a organização Think Olga! Não só passamos a olhar com mais cuidado e conhecimento sobre uma área que parecia não ser nossa, como mudamos também nossas vidas pessoais. Nana, outra diretora da ONG, começou a praticar futebol com um grupo de mulheres. Maíra e eu criamos um pequeno, mas muito animado, time de basquete (alou, beijos para as basqueteiras Nay, Bia, Joana, Nina, Vivi, Cris, Dani). Entendemos que, além de ser gostoso de praticar e de nos aproximarmos cada vez mais de mulheres interessantes, também estávamos retomando o poder sobre nosso próprio corpo.

A #CHAMAQUETRANSFORMA

Foi nesse cenário que fomos informadas com toda a alegria do mundo que Neide Santos, da Vida Corrida, havia sido selecionada como parte da equipe de revezamento da Tocha Olímpica Rio 2016 do Bradesco. A surpresa veio logo a seguir: eu também havia sido indicada, selecionada e conduziria a tocha.

Ao nosso lado no revezamento, estiveram várias outras mulheres inspiradoras conduziram a Tocha Olímpica Rio 2016 em diferentes cidades: Janeth Arcain, Monique Evelle (Desabafo Social), Nadine Gasman (ONU Mulheres), Magá Moura…

Fui então para Fortaleza, onde pude, ao lado de Maria da Penha, levar não só a tocha, mas a bandeira dos direitos das mulheres. Foi um posicionamento importante, pois, apesar de se tratar de um grande evento sobre esporte, cujo foco é competição, diversão e o que for, a violência contra as mulheres ainda é tópico. Ela está em todos os lugares, em todas as áreas, e precisamos iluminá-la sempre.

Neste vídeo, de forma bem humorada, Neide e eu nos preparamos para esses dias tão especiais e surreais.

O dia dela está chegando! Será em São Bernardo, em SP, e cinco ônibus cheios de crianças do Capão vão acompanha-la no percurso. Você pode saber mais aqui.

#ElasAbraçam

Captura de Tela 2016-06-14 às 20.09.35

Ju e Neide

13336088_794650357337154_1373613966629708654_n

Maria da Penha e Ju

Compartilhar
mulheres1

Elas nem sempre estão nas principais manchetes dos jornais, mas o fato é que muitas mulheres brilharam em 2014 de um jeito ou de outro. Seja com projetos elaborados dentro de uma grande corporação ou na sala de casa, com apoio de investidores ou dinheiro do próprio bolso, em piscinas ou, literalmente, no topo do mundo, elas atingiram muitas das conquistas mais impressionantes do ano. Esta lista vem para mostrar as ações incríveis que algumas delas – são quase 150 nomes! – vem criando em suas respectivas áreas. Não é, nem pretende ser, uma seleção definitiva, mas é uma boa amostra do poder das mulheres em 2014. Quando você pensar no que aconteceu ao longo do ano, fizer uma retrospectiva ou mesmo a própria lista de fatos relevantes, não esqueça de incluir essas mulheres tão importantes.

 

mulheres1
Por Suzana Maria

ARTE

Arquitetas Invisíveis – É um projeto iniciado por alunas da UnB que busca dar visibilidade a arquitetas importantes do mundo todo que foram esquecidas pela história e ficaram a sombra dos homens com quem trabalharam. Os resultados positivos já começaram a ser percebidos pelas alunas nas aulas do curso de arquitetura da Universidade, com alguns professores passando a abordar o trabalho de mulheres que antes não eram mencionadas.

Carol Rossetti – Designer e ilustradora mineira criadora de uma série de desenhos que retratam de forma poderosa restrições cotidianas e preconceitos enfrentados pelas mulheres, estimulando a empatia e a sororidade. O trabalho foi traduzido para outras línguas, ganhou o mundo e foi mostrado por diversos jornais internacionais.

Coletivo Agulha – Coletivo de tricô e crochê que se reúne frequentemente com voluntárias para criar mantas, gorros e sapatinhos para pacientes do Hospital Pérola Byington.

Coletivo Capulanas Cia de Arte Negra –  Grupo composto por jovens negras de movimentos artístico políticos de São Paulo que encenam sobre as dores que o racismo e a exclusão social causa. Em 2014, trouxeram belíssimos espetáculos gratuitos como o Sangoma, cujo tema é a saúde da mulher negra e foi inspirado em práticas medicinais de sociedades da África do Sul.

Francis Divina – Lançou, em agosto, o projeto artístico Representativid’arte, para onde cria ilustrações que valorizam a diversidade corporal feminina. Mulheres com curvas, dobras, diferenças e imperfeições são as musas de Francis, que as retrata em nanquim.

Jéssica Ipólito – É ativista e dona do blog Gorda e Sapatão, onde escreve sobre feminismo, sexualidade e bodypositive. Em 2014 promoveu o empoderador Desafio Arte Gorda, que recebe colaborações de diversas pessoas. A única regra é que seja representado o corpo de uma mulher gorda.

Julia Morgan – Foi a primeira mulher a receber a medalha de ouro do AIA (American Institute of Architects), 57 anos depois de sua morte. Também foi a primeira arquiteta certificada pela L’École des Beaux-Arts de Paris e a primeira profissional licenciada para o exercício da profissão na Califórnia. Seu legado, construído ao longo de quase 50 anos de carreira, inclui mais de 700 edifícios, entre eles o Hearst Castle.

Lovelove6 – Quadrinista feminista, criadora da personagem Garota Siririca. Seu trabalho nos faz repensar bastante sobre os padrões estereotipados da sexualidade feminina representados nos quadrinhos. Fala sobre o autoconhecimento e ajuda a desestigmatizar a masturbação feminina.

Mariamma Fonseca, Samanta Coan e Samara Horta – São criadoras da Lady’s Comics, página que discute a representação feminina – ou a falta dela – nos quadrinhos. Em 2014 aconteceu em BH o “1° encontro Lady’s Comics: Transgredindo a representação feminina nos quadrinhos” , com debates, exposições, oficinas, venda de quadrinhos e painéis.

Raquel Trindade – Fundadora do Teatro Popular Solano Trindade, da Nação Kambinda de Maracatu, e uma das criadoras do movimento de Artes da Praça da República. Também é fundadora de um curso de extensão sobre folclore, teatro negro e sincretismo religioso na Unicamp.

Suzana Maria (ou SHOSH) – Criou o Selfless Portraits das Minas, grupo de arte formado por mulheres trans e cis, artistas profissionais ou não, no qual toda semana são sorteadas duplas de meninas com o objetivo de desenharem umas às outras, sem definição de prazos ou maneiras. O grupo se tornou um ambiente de encontros, trocas e sororidade entre mulheres.

Thaiz Leão – Ela é autora do ótimo Mãe Solo,  um diário de bordo em quadrinhos da maternidade de uma mãe solteira.

Vanessa Israel, Renata Dania, Lais de Souza, Amanda Zacarkim, Camila Lopes e Marina Dini – Criadoras do Clube do Bordado, que subverte a noção dócil e inocente da técnica para bordar cenas da sexualidade feminina.

  • INTERNACIONAL

Cheryl Strayed – Escritora e romancista americana, é a autora do bestseller “Wild” – memoir sobre sua solitária jornada de recuperação após seu divórcio e a morte de sua mãe. Em 2014, seu livro recebeu uma adaptação cinematográfica aclamada pela crítica.

Ilana Glazer e Abbi JacobsonSão atrizes nova-iorquinas e criadoras do seriado Broad City. A comédia, que começou como uma série de vídeos no Youtube, conta a história de duas amigas navegando pela cidade de Nova Iorque. O seriado foi chamado de “ataque feminista disfarçado” pelo Wall Street Journal.

Keke Palmer – Aos 21 anos, é a primeira atriz negra a interpretar a Cinderella na Broadway. Ela também já atuou em filmes, séries de televisão e tem seu próprio programa, o “Just Keke“, exibido no canal BET.

Lupita Nyong’o – Em 2014 só se falou em Lupita: ela recebeu Oscar de melhor atriz por 12 Anos de Escravidão, foi escolhida pela People como a mulher mais bonita do mundo, estampou editoriais de moda, centenas de capas. Lupita é um exemplo de representatividade  na mídia.

 

ATIVISMO & CIDADANIA

Adriana Padula Jannuzzi – Coordenadora do programa de Acessibilidade da Câmara dos Deputados em Brasília (DF). Entre as ações realizadas este ano estão a produção de audiolivros e tradução para Libras e também a reforma do plenário em julho de 2014 para que pessoas com mobilidade reduzida pudessem chegar até à Mesa Diretora.

Ana Claudia Vitoriano – Técnica em desenvolvimento de pesquisas, monitoramento e avaliação e mediadora sobre políticas públicas para mulheres e combate à violência no município de Barueri (SP). Este ano realizou mais de 25 rodas de discussões em regiões vulneráveis de sua cidade conscientizando as mulheres sobre a questão de gênero.

Amanda Kamanchek Lemos – Jornalista realizou em 2014 o projeto “Cartografia dos Direitos Humanos”, em que mapeou locais importantes na cidade de São Paulo para o a luta dos Direitos Humanos. É responsável pela campanha “O Valente Não é Violento” da ONU Mulheres no Brasil.

Associação das Advogadas, Estagiárias e Acadêmicas do Direito de SP (Asas) – Em uma ação contra o assédio sexual e a violência contra a mulher, o grupo distribuiu milhares de apitos para mulheres usuárias de transporte público.

Beatriz Silva – Professora, começou em janeiro deste ano um trabalho de proteção animal no lixão de Itapevi (SP). Contando apenas com recursos próprios, ela castrou todas as fêmeas do local e conseguiu lares para mais de 30 animais durante o período.

Bianca Santana Além de professora, assessora de projetos e jornalista, Bianca desenvolve projetos na ONG Casa de Lua. Em 2014, realizou o Círculos de Mulheres Negras, cujo objetivo é empoderar mulheres negras, fortalecer sua autoimagem e autoestima e criar redes de networking entre elas.

Carolina Ferrés – Lançou o projeto Viva Rio Pinheiros, que pretende ocupar as margens do Rio Pinheiros, em SP, com artes visuais e arte de rua. A proposta é resgata-lo e transformá-lo, de novo, em um lugar pra pessoas.

Casa de Lua – O projeto feminista completou um ano em novembro, com uma agenda de mais de 80 atividades, muitas gratuitas, voltadas para o empoderamento do público feminino. Tornou-se ONG em julho.

Haydée Svab – Engenheira civil, fundadora do Grupo de Estudos de Gênero da Escola Politécnica da USP (PoliGen), qualificou seu mestrado sobre a questão da mulher e o transporte em 2014. Uma de suas prioridades no ano foi discutir o “vagão rosa” no coletivo a partir da leitura de “O Segundo Sexo”, de Simone de Beauvoir, além de participar de reuniões sobre o assédio em transportes coletivos no Conselho Estadual de Condição Feminina.

Laura Mascaro – Coordenadora e pesquisadora do Centro de Estudos Hannah Arendt, promoveu em parceria com a Cátedra Unesco de Educação Para Paz, Direitos Humanos, Democracia e Tolerância oficinas de direitos humanos e escrita criativa no Centro Acadêmico Maria Antônia. O próximo passo é levar tais ações para as periferias de São Paulo.

Laura Sobral – É arquiteta e urbanista criadora do movimento A Batata Precisa de Você, que promove a ocupação do Largo da Batata em São Paulo todas as sextas-feiras no final do dia com atividades culturais e de lazer, como grupos musicais e conversas sobre temas urbanos, com a proposta de estimular o uso do espaço como local de convivência.

Luiza Carvalho – A brasileira foi nomeada diretora regional da ONU Mulheres para a América Latina e o Caribe. Ela também já foi representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) nas Filipinas.

Maria Clara Araújo – Estudante e colaboradora da revista online Capitolina e, com 18 anos, uma ativista assídua da causa trans*. Participa de palestras e debates sobre o assunto e é uma militante reconhecida no ativismo virtual. Foi uma das primeiras transexuais autorizadas a usarem seu nome social durante as provas do Enem este ano.

Mariana Ribeiro, Fernanda Cabral e Mariana Campanatti – Fundadoras do Imagina na Copa, um projeto que busca promover mudanças e transformações no país. Por meio de oficinas, jovens interessados eram capacitados a entender como poderiam atuar em diversas causas, trazendo melhorias nas cidades impactadas pela Copa. No começo do mês, a ação ganhou prêmio do Google pelo impacto social.

Nana Queiroz – É jornalista e em 2014 iniciou a campanha virtual #EuNãoMereçoSerEstuprada – postando nas redes uma foto seminua com o congresso ao fundo, utilizando a hashtag como mensagem central – , que teve início quando o IPEA divulgou uma pesquisa que tratava da violência contra as mulheres. No documento, um dos dados mais polêmicos foi o de que 65% dos entrevistados concordavam que mulheres que vestem pouca roupa estão mais sujeitas a ataques. Apesar do instituto ter corrigido o número para 26%, o tema continuou em evidência e mantém a discussão até hoje.

Nós, Mulheres da Periferia – O projeto, formado em 2014 por oito jornalistas e uma designer, todas moradoras de bairros da periferia de São Paulo, se propõe a combater a falta de representatividade das comunidades na imprensa, buscando mais protagonismo e visibilidade.

Sônia Guajajara – É porta-voz do movimento indígena brasileiro. Coordenadora Executiva da Articulação dos Povos Indígenas (APIB) é reconhecida internacionalmente como uma forte liderança dos direitos humanos. Em ano de eleição, foi fundamental para a movimentação do debate político em torno da causa, se posicionando principalmente no embate em torno da PEC 215.

Stephanie Ribeiro – Militante do movimento negro e feminista, é a única mulher, negra e bolsista da PUC-Campinas no curso de Arquitetura e Urbanismo entre 200 alunos. Em maio, denunciou perseguições e ofensas racistas dentro da universidade.

 

  • INTERNACIONAL

Anita Sarkeesian – A crítica de games e autora do blog Feminist Frequency, recebeu esse ano o prêmio Ambassador Award, no Game Developers Choice Award, dado a pessoas que ajudam a promover e a melhorar a indústria de games. Por sua atuação crítica em relação a representação feminina e ao machismo na cultura pop, principalmente nos jogos de videogame, Anita foi vitima de uma ameaça terrorista em 2014 que fez com que sua palestra na Utah State University.

Emily May – Diretora da ONG Hollaback!, criada em 2005 para lutar contra o assédio a mulheres nas ruas e conta com ativistas em 26 países, onde promovem conversas a respeito do tema. Emily reacendeu o debate mundial sobre cantadas de rua com o vídeo “10 Hours of Walking in NYC as a Woman” (10 horas caminhando por Nova Iorque como uma mulher, em tradução livre). A gravação tem mais de 37 milhões de visualizações no YouTube.

 

BLOGS & MÍDIAS SOCIAIS

Ariane Freitas e Jessica Grecco – Cansadas de comentários com cutucadas maldosas no Facebook, resolveram criar a página Indiretas do Bem para espalhar mensagens mais positivas. Foi um sucesso e, em um ano, a página chegou a mais de 7 milhões de curtidas. As autoras acabaram de lançar o Livro do Bem, com sugestões de atividades para deixar a vida mais feliz. No blog e na página, divulgam campanhas importantes, como Teleton, Dia Mundial de Combate à AIDS, Dia Mundial da Doação de Sangue, entre outros.

Bia Granja – A fundadora do site YouPix, o “manual” brasileiro da internet, lançou neste ano o curso Espalhe!, que destrincha a ciência por trás do conteúdo online e viral das redes sociais.

Carol Moré  – É criadora do Follow the Colours, blog que fala sobre vários tipos de artes – de decoração a prints em tecidos, de letterings a tatuagens. Em 2014, a página cresceu muito, ganhando novo layout e categorias, e abriu ainda mais espaço para divulgar e valorizar o trabalho de novos artistas. Iniciou também o projeto Gotas de Cor, em que traz, em forma de post, curiosidade e informações sobre as infinitas tonalidades existentes.

Débora Cassolatto – É autora de de dois blogs-referência sobre música, o Música de Menina, no qual desmistifica essa expressão e discute o sexismo existente na área, e o Ouvindo Antes de Morrer, em parceria com a MTV.

Gizelli Sousa – Criadora do ótimo #ValorizeAsMinas, post semanal no blog Maior Digressão que reúne casos, histórias e projetos de mulheres.

Sharon Caleffi – Criou a página Vote numa feminista para destacar candidatas feministas nas eleições de 2014. A proposta é demonstrar como a participação feminista no poder legislativo é importante e dar visibilidade à candidatas que possam ajudar a ampliar a voz das mulheres na política. Além disso, divulga ações e propõe discussões políticas relacionadas aos direitos das mulheres.

Sofia F. Ricardo – Estudante de psicologia, mulher trans* e  dona da página Travesti Reflexiva, que critica com bom humor diversos tipos de opressões.

 

CIÊNCIA

Georgia Gabriela da Silva Sampaio e Raíssa Müller – São estudantes brasileiras de 19 anos que desenvolveram projetos e foram vencedoras de concurso de inovação promovido pela Universidade de Harvard. Georgia Gabriela propôs a criação de um métodos mais econômico e menos invasivo para o diagnóstico da endometriose, através de exames de sangue. Raíssa criou uma esponja que absorve óleo e repele água – ela poderia ser usada em casos de derramamento de óleo no mar, por exemplo.

Livia Eberlin – Graduada pela Unicamp, foi premiada este ano como autora da melhor tese em química dos Estados Unidos. Com um espectrômetro de massas, ela desenvolveu uma técnica para identificar moléculas da doença nos fragmentos do tecido, contribuindo enormemente para a precisão da cirurgia de retirada de tumor cerebral. Ela foi a primeira pesquisadora brasileira a receber o chamado Nobel Laureate Signature Award 2014.

Marcelle Soares-Santos – Física brasileira pós-doutoranda do Fermi National Accelerator Laboratory, em Illinois, foi premiada com o Alvin Tollestrup Award por sua pesquisa. Ela trabalha no projeto Dark Energy Survey, que busca compreender a energia escura a partir do mapeamento de 4 mil supernovas e 300 milhões de galáxias.

  • INTERNACIONAL

Jeri Ellsworth – Engenheira da computação autodidata que, após ser demitida pela Valve, criou com um sócio uma start up chamada Technical Illusions que já arrecadou coletivamente mais de 1 milhão de dólares no Kickstarter pra lançar um óculos revolucionário de realidade aumentada.

Mars Orbiter Mission (MOM) – A Índia lançou, em setembro, a Mars Orbiter Mission (MOM), a primeira missão ao planeta do país – e com muitas cientistas mulheres na equipe. E, enfrentando preconceitos da mídia internacional e com um orçamento menor do que o de qualquer outro país, foi a única missão espacial a Marte a acertar de primeira até hoje.

Maryam Mirzakhani – A iraniana tornou-se a primeira mulher a receber a medalha Fields, prêmio conhecido como o Nobel da Matemática.

COMUNICAÇÃO & AUDIOVISUAL

Alice Riff – Documentarista que realizou, junto ao Diário do Centro do Mundo em 2014, o documentário Dr. Melgaço, viabilizado pelos leitores via crowdfunding. A cineasta foi enviada a Melgaço, a cidade com menor IDH do país, para investigar o impacto do programa Mais Médicos sobre a população.

Andrea DipJornalista da Agência Pública, foi responsável por algumas das mais importantes matérias e denúncias sobre violência contra mulher, como a HQ sobre a teia de exploração sexual de meninas durante a Copa e a matéria sobre mães encarceradas.

Clara Averbuck, Mari Messias e Polly Barbi – Fundadoras do Lugar de Mulher, site feminista que aborda diversos temas do universo feminino, de política à moda, de gordofobia à seriados sempre de forma muito explicativa e bem-humorada.

Djamila Ribeiro – Feminista negra de grande influência e uma das fundadoras do Núcleo Interdisciplinar de Estudos de Gênero, Raça e Sexualidades da Unifesp, onde também é pesquisadora e mestranda.  É uma das Blogueiras Negras e escreve também para o Escritório Feminista da Carta Capital.

Fernanda Honorato – Entrou para o Rank Brasil por ser a primeira repórter com síndrome de down do país. Fernanda, de 34 anos, ocupa o cargo no Programa Especial da TV Brasil desde 2006.

Heloísa Rocha – Jornalista da Gazeta AM, Rádio Universitária da Faculdade Cásper Líbero, atua na orientação e produção de reportagens sobre inclusão e acessibilidade com os estudantes com o objetivo de propor a conscientização dos futuros comunicadores do Brasil. Em 2014 realizou uma das matérias de maior impacto da rádio ao produzir e veicular um especial sobre a gravidez de uma mãe com ossos de cristal. Primeiro caso no Brasil de uma mulher de Osteogênese Imperfeita do Tipo III. Também realizou especial sobre a acessibilidade para a Copa.

Joanna de Assis – Jornalista esportiva, lançou em 2014 o livro “Para-Heróis” sobre os atletas paráolimpícos e suas histórias de superação. Também palestrou sobre a presença das mulheres no jornalismo esportivo em diversas universidades do País.

Juliana Vicente – Diretora de cinema e fundadora da Preta Portê Filmes, produziu e dirigiu dois curta-metragens para o Canal Futura em 2014: “Meu Cabelo Não Nega”, sobre o cabelo de mulheres negras e “As Minas do Rap”, sobre a participação feminina no rap e no hip-hop.

Maria Julia Coutinho – É a primeira negra a apresentar a previsão metereológica da Rede Globo de Televisão. Ganhou a medalha “Medalha Theodosina Rosário Ribeiro”, conferida pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo às mulheres ou entidades de mulheres que se destacarem na sociedade em razão de sua contribuição ao enfrentamento da discriminação racial e na defesa dos direitos das mulheres no Estado de São Paulo.

Mauana Simas – Jornalista e fundadora da produtora ”Nós Todos Filmes” no Rio de Janeiro.  Coordenou o projeto de narração audiodescritiva durante a Copa do Mundo e levou mais de 400 deficientes para os jogos em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Produziu um documentário totalmente acessível para o Canal Futura chamado “A hora de deixar a quadra”. Em setembro, foi convidada a participar de um curso em Londres sobre acessibilidade em estádios de futebol que resultou em um projeto a ser realizado em 2015 no estádio do Morumbi, em São Paulo. Também produziu e dirigiu o clipe Zeit, da banda Schracho, todo em Libras.

Sofia Soter, Clara Browne e Lorena Piñeiro  – O trio criou a Revista Capitolina revista eletrônica adolescente com pegada feminista. Para nós da Olga, é o melhor conteúdo brasileiro para teens na internet!

Susanna Lira – Diretora da Modo Operante Produções no Rio de Janeiro, estreou em 2014 a série “Mulheres em Luta”, sobre presas políticas na ditadura militar para o canal GNT. Atualmente produz o longa metragem “A Torre das Donzelas”, que contará a história das mulheres torturadas no regime e que cumpriram pena no Presídio Tiradentes, em São Paulo. Também este ano lançou o documentário e série “Damas no Samba”, que retrata o papel das mulheres na construção do ritmo mais brasileiro e o longa metragem “Por Que Temos Esperança” sobre as mulheres que criam seus filhos sem ajuda dos pais em Pernambuco.

  • INTERNACIONAL

Pam Grossman – Editora da Getty Images, criou, ao lado de Sheryl Sandberg, a coleção Lean In de imagens de arquivo que lutam contra os estereótipos e o machismo ao representar mulheres de maneira poderosa.

 

EDUCAÇÃO

Anna Haddad, Camila Haddad e Giovana Camargo – Fundadoras do Cinese, plataforma de cursos criada pelo trio para unir pessoas e promover palestras, debates e cursos. Recentemente, elas tiraram a cobrança dos organizadores dos encontros e apostaram em um modelo de negócio muito mais humano e inovador.

Denna Hill, Lúcia Udemezue, Nina Vieira e Thays Quadros – Criaram o coletivo Manifesto Crespo, que atua na área educacional, provocando reflexões sobre o cabelo crespo, a história e cultura africana. Neste ano, levaram a iniciativa para comunidades negras e indígenas com lideranças femininas, como Quilombo da Caçandoca, em Ubatuba, e a aldeia Indígena Tenondé Porã, no bairro de Parelheiros.

Tamires Gomes Sampaio – Aos 20 anos, é a primeira aluna negra a dirigir o  Centro Acadêmico João Mendes Jr, da Faculdade  de Direito do Mackenzie.

  • INTERNACIONAL

Malala Yousafzai – Recebeu o Nobel da Paz este ano, tornando-se a pessoa mais jovem a ganhar o prêmio, aos 17, dividido com o indiano Kailash Satyarthi. Doou o valor recebido para a reconstrução de escolas em Gaza. Desde os 11 anos, a paquistanesa é uma ativista que defende os direitos humanos das mulheres e o acesso de meninas à educação no norte de seu país, onde muitas são proibidas pelos talibãs de estudar. Em 2012, comoveu o mundo ao sobreviver a uma tentativa de assassinato, quando foi baleada dentro de um ônibus escolar e discursar sobre sua experiência e a importância da educação das meninas na ONU.

 

EMPREENDEDORISMO

Ariane Cor e Marcella Chartier – Criaram a Iara, agência de empoderamento feminino onde ajudam as mulheres a se apropriarem de seus potenciais.

Bordadeiras de Passira – Conseguiram financiamento coletivo pelo Catarse para criar um e-commerce, produzindo bordados e vendendo seus trabalhos de forma autônoma para o mercado de moda nacional.

Fabi Secches – Co-fundadora da Confeitaria Mag, e organizadora de livros inspiradores como a coletânea de contos Amor | Pequenas Estórias, Fabi lançou este ano o e-commerce para impulsionar o trabalho de novos artistas. A Loja da Confeitaria vende livros, objetos de arte, papelaria, bijuteria e artigos de decoração.

Itali Pedroni Collini – Estudante de economia da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), é uma das fundadoras do GENERA (Grupo de Estudos de Gênero e Raça da FEA-USP), apresentou um trabalho inédito de conclusão de curso sobre a participação das mulheres no mercado financeiro.

Lorrana Scarpioni – É criadora do Bliive, plataforma digital que viabiliza uma rede colaborativa de troca de tempo e serviços. Funciona assim: o usuário oferece uma experiência/serviço; alguém “contrata”, o usuário recebe em Time Money (moeda de troca da rede), com o qual pode “contratar” serviços de terceiros. A rede, criada no finzinho de 2013, já reúne mais de 60 mil colaboradores e se expande internacionalmente. Este ano, Lorrana, aos 23 anos, foi uma das duas mulheres da lista dos dez brasileiros mais inovadores com menos de 35 anos da MIT (Massachusetts Institute of Technology).

Marina Gurgel Prado e Tatiana Pascowitch – Sócias da Bela do Dia, empresa que utiliza bicicletas para a entrega de flores em São Paulo. Inauguraram, em 2014, a floricultura ganhou ponto fixo, no bairro de Pinheiros, em SP.

Raquell Guimarães – Empresária de Juiz de Fora (MG), fundadora da marca Doisélles, criou o projeto Flor de Lótus aonde ensina tricot para homens que cumprem pena em uma penitenciária de segurança máxima. Seu trabalho teve amplo destaque na imprensa internacional em 2014, tendo sido noticiado por veículos como Le Monde (França) e The New York Times. As peças da Doisélles são comercializadas nos maiores centros de moda do mundo, como a Harrod´s, em Londres.

Talita Noguchi – Fundadora dos Las Magrelas, uma mescla de bar e bicicletaria onde, além de atividades baseadas no cicloativismo, rolam festivais de cunho feminista conhecidos como Desamélia com workshops, palestras e rodas de bate-papo.

  • INTERNACIONAL

Hilary Jones – É ativista de direitos animais e diretora de ética da Lush, marca britânica de cosméticos que não realiza testes com bichos. A companhia que preza pela sustentabilidade voltou este ano ao Brasil, onde planeja abrir 30 lojas inicialmente.

Martine Rothblatt – Trans* norte-americana fundadora e CEO da Silver Spring (empresa do ramo farmacêutico). Em setembro deste ano foi capa da New York Magazine sob o título da CEO mais bem paga dos Estados Unidos.

 

ESPORTE

Ana Boscarioli Em junho, chegou ao cume do Monte McKinley, no Alasca, e se tornou a primeira brasileira a escalar os “sete cumes” – o ponto mais alto de cada um dos sete continentes, considerado um dos maiores desafios do alpinismo. Em 2006, já havia se tornado a primeira brasileira a atingir o topo do Monte Everest, o local mais alto do mundo.

Etiene Medeiros – A nadadora de 23 anos bateu, no Campeonato Mundial de Piscinas Curtas, em Doha, o recorde mundial em 50m costas e conquistou a primeira medalha da natação feminina brasileira em Mundiais (é a nossa primeira campeã mundial!!!).

Seleção Brasileira Feminina de Handebol – Em 22 de dezembro de 2013, o Brasil ganhou o Campeonato Mundial de Handebol Feminino, realizado em Belgrado, na Sérvia. Não só é um título inédito nesse esporte no país, mas foi a segunda nação não-europeia (após a Coreia do Sul) e primeira da América conquistá-lo. Para completar, não perdeu uma partida sequer no torneio.

Terezinha Guilhermina – A velocista alcançou o 1º lugar do ranking mundial de 2014 nas provas de 100 e 200 metros na categoria T11, disputada por quem possui alguma deficiência visual. Neste ano, a atleta paralímpica brasileira também conquistou ouro nos torneios Grand Prix de Dubai, Open de Berlim e Open de São Paulo, todos em provas de 100 e 200 metros, além do 2º lugar geral no Meeting de Paris, nas mesmas provas. Uma das provas do Circuito de Corridas Instituto Sicoob, que acontece em Maringá (PR), leva o nome Terezinha Guilhermina em sua homenagem.

  • INTERNACIONAL

Corinne Diacre – Entra para a história por ser efetivamente a primeira treinadora mulher de uma equipe masculina de futebol profissional. O clube francês Clermont Foot havia anunciado Helena Costa como técnica, mas esta recusou o cargo de última hora, que acabou sendo assumido por Diacre. A atleta, além do feito, declara lindamente que, “salvo a sensibilidade”, não vê qualquer diferença entre treinadores e treinadoras.

Mo’ne Davis – A garota de 13 anos, que vive na Philadelphia, é estrela da Liga infantil (Little League) de baseball dos EUA. Ela, ao lado de outra colega, são as únicas meninas a disputar a liga em 2014 (elas jogam no time masculino). O arremesso de Mo’ne chega a 110km/h – a média de sua idade é 80km/h – e e garantiu a vitória de sua equipe este ano.  Ela foi a primeira atleta da Little League a aparecer na capa da Sports Illustrated, que a nomeou a atleta infantil do ano. Mo’ne se diz surpresa com o reconhecimento no baseball, quando na verdade o esporte preferido dela é o basquete.

 

INSPIRAÇÃO

Chames Salles Rolim – Se formou em Direito aos 97 anos de idade. O diploma de bacharel é da Faculdade de Direito de Ipatinga (Fadipa), em Minas Gerais. A senhora afirma que quer compartilhar o conhecimento adquirido a ajudar a sociedade.

  • INTERNACIONAL

Ellen Page – A atriz, protagonista de Juno e Hard Candy, fez, em fevereiro, um discurso contra a homofobia em que também se assumiu lésbica.

Emma Sulkowicz – Sobrevivente de um estupro na Universidade de Columbia, foi também vítima de descaso da administração da própria instituição. Como forma de protesto, carregou o colchão em que foi violentada pelo campus, pedindo que sua história fosse ouvida com o cuidado e respeito que merece e que seu agressor, punido.

Emma Watson – Como embaixadora da ONU Mulheres, lançou a campanha HeForShe, a favor dos direitos iguais e contra o machismo.

Jada – É uma adolescente negra norte-americana de 16 anos que sofreu estupro coletivo após ser vítima de um “boa noite Cinderela”. Fotos do crime foram divulgadas nas redes sociais junto com a hashtag #jadapose, agravando ainda mais a violência do ato. Jada não se intimidou e, com o apoio da mãe, postou uma foto de seu rosto com a hashtag #iamjada, afim de mostrar a pessoa por trás do meme. Ela também denunciou o fato à polícia, além de relatar a história aos veículos de imprensa.

Laverne Cox – Atriz transexual da série Orange is the New Black, é um importante ícone na luta contra a transfobia e em 2014 recebeu diversos prêmios por seu ativismo. Foi escolhida “Woman of the Year” pela revista Glamour, foi incluída no Root 100, uma lista anual que honra líderes inovadores e criadores de cultura negros que se destacam com menos de 45 anos, ficou em primeiro lugar na “Wolrd Pride Power List”, do jornal britânico The Guardian, que reúne as pessoas LGBTs mais influentes do mundo, e recebeu o Stephen F. Kolzak Award na categoria GLAAD (Gay & Lesbian Alliance Against Defamation).

 

LITERATURA

Jarid Arraes – Lançou uma série de cordéis feministas abordando temáticas de gênero, raça e sexualidade. A escritora também mantém a coluna Questão de Gênero na Revista Fórum e publica textos no Blogueiras Negras.

Jenyffer Nascimento – A poeta pernambucana lançou o livro Terra Fértil, onde fala sobre amor, cidade, diferenças sociais e orgulho da própria origem. A obra integra o Projeto Mjiba: Espalhando Sementes, que visa o fortalecimento da escrita negra e feminina.

Julia Bussius e Sofia Mariutti – Editoras na Companhia das Letras, a dupla têm conseguido trazer cada vez mais publicações feministas para o grande público. Sofia batalho para lançar gratuitamente o e-book de Chimamanda Ngozie Adichie, baseado no TED Sejamos todas feministas. Já Julia trouxe o Lean In (Faça Acontecer), de Sheryl Sandberg, e disponibilizou o e-book Meu corpo não é seu – Desvendando a violência contra a mulher em parceria aqui com o Think Olga.

Laura Folgueira e Marcella Chartier – A dupla é fundou a Kayá, editora cujo objetivo é publicar o feminino – seja apresentando novas autoras ou trazendo temas ou livros que tenham as mulheres como público-alvo – e ampliar a noção do que é ser mulher na literatura, nos estudos de gênero ou nas histórias infantojuvenis.

Marina Colasanti – É a autora de “Breve História de um Pequeno Amor” (Editora FTD), vencedor do prêmio Jabuti como melhor livro infantil de 2014.

Martha Lopes – Criadora do projeto KD Mulheres, que discute a participação e representatividade da mulher nas artes, com foco principal na literatura.

Pelas Mulheres Indígenas – O livro acaba de ser lançado por autoras de oito etnias da região Nordeste. Foi desenvolvido em oficinas de literatura que fazem parte de um projeto de formação continuada sobre o direito das mulheres indígenas. A publicação apresenta relatos de suas vidas, dificuldades, sonhos e expectativas além de informações sobre como prevenir e lidar com casos de violência conjugal.

Lady Sybylla e Aline ValekSão criadoras da primeira coletânea de ficção científica feminista do Brasil, a Universo Desconstruído, lançada em 2013. Neste ano, traduziram e colocaram à disposição o conto feminista Sultana’s Dream, o primeiro do gênero na história.

  • INTERNACIONAL

Margaret AtwoodEscritora canadense especialista em gênero de ficção científica/distópica e reconhecida por inúmeros prêmios literários internacionais importantes, tais como o  Arthur C. Clarke. Sua obra mais recente, a trilogia MaddAddam está sendo adaptada pela HBO, para uma série de tv e contará com a direção do Darren Aronofsky.

Sophia Amoruso – CEO da marca de moda americana Nasty Girl. A marca, fundada e presidida por ela, foi considerada uma das empresas com crescimento mais espantoso nos últimos anos. Em 2014, Sophia lançou o memoir #GirlBoss, sucesso de vendas, que conta um pouco da sua jornada errante e revela muito mais do que uma mulher virtuosa e de escolhas assertivas.

 

MODA

Flávia Durante – É criadora e produtora do Bazar POP Plus Size, que garimpa marcas de roupas de diversos estilos com numerações acima de 46. Tem roupa retrô, básica, praia, lingerie e fitness e a entrada custa somente R$ 5,00.

Luciane Barros – Fundadora do África Plus Size Fashion Week Brasil, evento de moda cuja missão é aumentar a visibilidade da moda afro-contemporânea, além de valorizar a a beleza, o talento e a auto-estima das mulheres negras plus size. O evento, lançado em 2013, ganhou força total neste ano, multiplicando o número de desfiles e participações em eventos de moda.

Nina Weingrill, Claudia Weingrill e Camila Silveira – Sócias da marca Velô, de roupas para ciclistas urbanos, lançada neste ano. As vestimentas são feitas com materiais tecnológicos, com proteção UV e tratamento bacteriostático, por exemplo. Ou seja, não pegam o cheiro do corpo, protegem do sol. Além disso, os tecidos usados não amassam e possuem secagem rápida.

Mulheres do Por Mais Turbantes Nas Ruas –  O grupo, criado em 2014, tem uma atuação bem local, em Sergipe, onde vendem alguns turbantes e oferecem oficinas e workshops em escolas para trabalhar questões de identidade, dialogando sobre cultura negra, auto-aceitação e racismo.

 

MÚSICA

Bárbara SweetÉ representante feminista no cenário do rap nacional, sobretudo nas batalhas de MCs, sempre batendo de frente com todo o machismo enraizado nas ruas.

Brisa De La Cordillera – Também conhecida como Brisaflow, é cantora, instrumentista, compositora e MC e tem levado a discussão feminista para dentro do universo do rap. A mineira de Belo Horizonte relata em suas letras as dificuldades em ser mulher e faz provocações inteligentes aos estereótipos de classe, de raça e de gênero.

Flora Matos – É cantora de rap e considerada um dos grandes nomes do rap na atualidade. Um dos destaques de 2014 foi sua presença na Maratona de Cartas Escreva por Direitos, evento de Direitos Humanos promovido pela Anistia Internacional.

Luana HansenÉ DJ, MC, produtora e usa sua palavra pra falar sobre assuntos do movimento feminista como aborto. Luana também é ativista pela maior participação das mulheres no universo do rap.

  • INTERNACIONAL

Anita Tijoux – A MC franco-chilena vem rimando os temas da vida das mulheres desde os anos noventa, em grupos como Makiza ou em carreira solo. Este ano, elevou seu discurso feminista a um novo patamar com o disco Vengo, ainda mais revolucionário.

Corin Tucker, Carrie Brownstein e Janet WeissElas formam o Sleater-Kinney banda que integrou o movimento riot grrrl, de grande influência nos anos 1990/2000. Se separaram em 2006, mas em 2014 anunciaram sua volta, lançando um novo álbum e turnê. Suas letras e atitudes sempre carregaram um viés feminista e de protesto.

POLÍTICA & ESTADO

Ana Paula Meirelles Lewin e Ana Rita Prata –  Coordenadoras do NUDEM – Nucleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher. Defensoras públicas que com o seu trabalho estão pautando para a população e o poder judiciário tema delicados e antes invisíveis da violência contra a mulher, como a violência obstétrica e o assédio sexual, contribuindo para o esclarecimento da população sobre todos os tipos de violência contra a mulher.

Amarilis Busch Tavares – Diretora da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Em 2014, coordenou importantes projetos na área da reparação moral, simbólica, coletiva e psicológica aos atingidos por atos de exceção durante a ditadura, e à sociedade brasileira como um todo, tais como as Caravanas da Anistia, o Projeto Marcas da Memória, o Memorial da Anistia Política do Brasil e as Clínicas do Testemunho. Também atuou diretamente em trabalhos da comissão sobre os 50 anos do golpe militar, como o “Cinema Pela Verdade” e o congresso Internacional “Memória- Alicerce de da Justiça de Transição e dos Direitos Humanos”, além de escrever artigos sobre o fortalecimento da democracia no Brasil e a dependência do pleno (re) conhecimento do nosso passado de violações e da efetivação da Justiça de Transição.

Cristiana de Castro Moraes – Em abril, tornou-se a primeira mulher a presidir uma sessão do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, em 90 anos da história da instituição.

Fernanda Alves dos Anjos – Advogada mineira. Primeira mulher a assumir o Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça. Foi a única brasileira convidada pela relatora da ONU como um dos cinco exemplos mundiais em governança de política de tráfico de pessoas.

Isa Penna – Feminista, foi candidata a deputada estadual pelo PSOL. Denunciou o machismo no período eleitoral ao escrever uma carta-aberta ao UOL, portal que publicou uma lista com “as mais belas candidatas” da eleição de 2014.

Karina Kufa – Advogada e presidente do Instituto Paulista de Direito Eleitoral (IPADE) organizou o primeiro congresso sobre o tema em São Paulo. Em 2014, colaborou com artigos sobre a participação política da mulher e defendendo a maior representatividade feminina no Executivo e no Legislativo brasileiros.

Laís de Figueiredo Lopes – Advogada maranhense e assessora especial da Secretaria Geral da Presidência da República. Este ano se dedicou à articulação e diálogo com o parlamento e a sociedade em nome do Governo Federal para a aprovação da Lei13.019/14, que institui um novo Marco Regulatório das organizações da sociedade civil nas relações de parceria com o estado.

Luciana Genro – Durante as eleições para presidência de 2014, mesmo fazendo parte dos partidos “nanicos”, destacou-se nos debates televisivos em horário nobre por discutir abertamente temas como aborto, violência contra mulher, direitos civis LGBT, sem ser caricata.

Lucimara Passos – A vereadora ganhou destaque por seu discurso na Câmara dos Vereadores de Aracaju no Dia Internacional de Combate à Violência Contra Mulher, quando confrontou os discursos machistas de seus colegas, principalmente do vereador Agamenon Sobra, que havia criticado uma noiva por ter se casado sem calcinha. Na ocasião, Lucimara levou sua calcinha no bolso à Câmara e falou sobre o fim da opressão às mulheres enquanto segurava a peça.

Margarete Coelho – É deputada estadual do Piauí e, em 2014, foi eleita vice-governadora do estado. Conselheira Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), participou ativamente do movimento que instituiu a cota de 30% de advogadas paras as chapas da instituição e apoia diversas causas feministas, como a maior participação política da mulher e o parto humanizado

Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha – Pela primeira vez na história, uma mulher ocupou o cargo máximo de um Supremo Tribunal Militar. A ministra Maria Elizabeth assumiu a posição e se comprometeu a lutar contra a desigualdade de gênero e a homofobia nas Forças Armadas.

Telma de Souza – É deputada estadual em São Paulo e, Procuradora Especial da Mulher da Assembleia Legislativa. Em 2014, promoveu a criação do curso online “Gênero e Atuação Legislativa” em parceria com a Procuradoria da Mulher da Câmara dos Deputados e o Banco Mundial para qualificar as servidoras do legislativo de todo o país sobre a questão da mulher.

 

SAÚDE

Ana Lúcia Dias da Silva Keunecke, Raquel de Almeida Marques e Patrícia Hernandez – Pelo trabalho na Ong Artemis e pelas muitas conquistas no campo da saúde da gestante e na luta contra a violência obstétrica. Em 2014, conquistaram, via financiamento coletivo, os recursos para rodar a segunda parte do documentário O Renascimento do Parto.

Deisy Ventura – Professora de Direito Internacional da Universidade de São Paulo, debruçou-se sobre o tema da saúde global e suas relações com o Direito. Em 2014, foi uma das grandes vozes nacionais a abordar as questões jurídicas relativas ao ebola, denunciando a rede Globo de violar lei ao publicar dados de paciente suspeito de contágio.

Paola Altheia – Nutricionista e autora do blog Não Sou Exposição. Tornou-se referência em 2014 ao abordar temas relacionados a saúde, alimentação, imagem corporal, amor próprio e bem estar de uma perspectiva contrária à ditadura da magreza e da vilanização da comida. Deu uma entrevista maravilhosa e definitiva à Olga sobre nutrição, que você pode conferir aqui.

Rosana Beni – Jornalista e mãe de Anita e Raphael por processo de inseminação artificial aos 50 anos, está lutando na Câmara dos Deputados junto ao deputado Arnaldo Faria de Sá que a resolução do Conselho Federal de Medicina que proíbe fertilização após os 45 anos seja aprovada. Também concedeu inúmeras entrevistas esclarecedoras sobre o tema.

 

TECNOLOGIA

Ana Ribeiro – Seu projeto foi um dos selecionados do Hackathon Gênero e Cidadania – Câmara dos Deputados deste ano. Ana tem 18 anos, estuda Ciência da Computação na Universidade Federal de Campina Grande, na Paraíba, é feminista e programadora. Seu projeto, o Grrls Hacks, se propõe a reunir as pouquíssimas mulheres que trabalham no universo da Ciências da Computação e Tecnologia da Informação, para que elas se encontrem, troquem ideias, fomentem o debate e ajudem a aumentar a participação feminina na tecnologia.

Camila Achutti – É Diretora Nacional do Technovation Challenge Brasil, uma competição que busca empoderar meninas por meio da tecnologia. Em 2014, foi responsável por uma série de workshops pra ensinar garotas a programar.

Camila Ziron, Estela Machado, Hadassa Mussi, Larissa Rodrigues e Letícia Santos – As estudantes de 16 anos criaram o aplicativo App For You para ajudar meninas que tiveram fotos íntimas expostas na internet ou que sofreram algum tipo de assédio virtual. Por meio dos app, as vítimas poderão conversar entre si e aprendem como a legislação às protege.

Diana Assenato Botelho e Natasha Madov – Criadoras do portal Ada.vc, especializado em tecnologia e cujo objetivo é incentivar uma maior participação feminina na área. Diana também é uma das fundadoras do Arco,  startup que inovou a experiência de e-commerce ao desenvolver um sistema de compras pelo Instagram.

Salete Farias – É professora do Instituto Federal do Maranhão e desde janeiro coordena o curso técnico de informática da instituição, aonde também ministra aulas como “Linguagem de Programação Python”, “Estruturas de Dados” e “Banco de Dados”. Foi curadora da área de software livre da Campus Party Brasil de 2014 e mediou uma mesa redonda sobre mulheres, tecnologia e software livre.

Tatiana Capitanio – É criadora do Data4Good, projeto que busca incentivar o uso de dados como instrumento de mudança e solução de problemas sociais. Em 2014, ano inicial oficial do projeto, já impactou mais de duas milhões de pessoas com uma ferramenta bem “simples”: informação.

  • INTERNACIONAL

Whitney Wolfe – Uma das fundadoras do Tinder. Ela denunciou o assédio sexual e a discriminação no trabalho que sofreu do também cofundador Justin Mateen e do CEO Sean Rad. Os abusos fizeram com que ela tivesse que pedir demissão. Em novembro, Whitney lançou o Bumble App, concorrente do Tinder com um diferencial: o controle da paquera fica nas mãos da mulher. É ela quem precisa iniciar a conversa, caso contrário a conexão desaparece em 24 horas.

 

EM MEMÓRIA

Cláudia Silva Ferreira – Auxiliar de serviços gerais, moradora do Morro da Congonha, foi alvejada ao sair de casa para comprar pão e teve seu corpo arrastado pela Polícia Militar no Rio de Janeiro. Ela deixou marido, quatro filhos e muita saudade.

Jandira Magdalena dos Santos Cruz e Elisângela Barbosa – Mortas pela ilegalidade do aborto. Jandira era auxiliar administrativa e tinha duas filhas. Elisângela era casada e tinha três filhos. Ambas procuraram clínicas ilegais para interromper gravidezes indesejadas e pagaram com a vida por um direito garantido somente às classes altas do Brasil.

Maya Angelou – Intelectual de grande importância por suas diversas contribuições literárias e pioneirismo. Entre seus muitos feitos, foi a primeira roteirista e diretora negra em Hollywood. Ativista dos direitos civis, atriz, dançarina, professora. Foi nomeada para o Pulitzer Prize em poesia e porta-voz dos direitos dos negros e das mulheres.

Rose Marie Muraro – A intelectual e uma das pioneiras da luta feminista no Brasil faleceu em junho, em decorrência de um câncer na medula óssea.

Tuğçe Albayrak – Jovem que perdeu a vida após defender duas mulheres de assédio, na Alemanha.  Ela não resistiu aos ferimentos e teve os aparelhos que a mantinham viva desligados no dia de seu aniversário de 23 anos. Milhares de pessoas compareceram ao seu funeral

Vange LeonelEscritora, cantora, compositora, feminista, ativista LGBT e Lupulina, sendo uma das autoras do blog de cerveja artesanal homônimo. Faleceu em julho, vítima de um câncer no ovário.

 

MENÇÃO HONROSA

Leitoras da OLGA – Que ano incrível, dolorido, sofrido, bem-sucedido, complexo e rico que foi 2014. E se chegamos ao fim dele sãs (quase!) e salvas foi graças ao apoio de vocês. Obrigada por todos os e-mails, debates no Talk Olga, tweets, mensagens via Facebook, depoimentos enviados, denúncias feitas no Mapa Chega de Fiu Fiu, doação feita ao nosso documentário Chega de Fiu Fiu e apoio moral. Agradecemos, inclusive, às meninas que nos ajudaram a montar essa lista. De coração, obrigada. Vocês são as nossas mulheres inspiradoras!

Compartilhar
olga leah goren publicidade
,

olga leah goren publicidade

Falar com as mulheres ainda é um desafio para muitas marcas. Infelizmente, é mais fácil encontrar anúncios que retratem as mulheres de maneira equivocada do que aqueles que buscam fazê-lo com cuidado e profundidade.

O número de marcas que precisam repensar sua comunicação com o público feminino supera com folga o daquelas que já encontraram uma abordagem mais direta e honesta com suas consumidoras. Em um mercado de ideias fossilizadas sobre como se dirigir a esse target, inovações podem significar riscos que a maioria dos anunciantes não está pronta para encarar.

Entretanto, aqueles que decidem repensar sua comunicação com as mulheres para além dos estereótipos se colocam na vanguarda de uma mudança de um mercado ainda muito atrasado: o revolucionário entendimento de que mulheres também são pessoas.

Sendo assim, enquanto algumas marcas ainda tropeçam com flopadas gigantescas na hora de falar com elas, outras nos inspiram com campanhas super bacanas que fogem da mesmice. Conheça oito delas:

 

*

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=l1xxx4NYYUQ]

Volkswagen Passat – Meninas na banca de limonada

A Volkswagen do Canadá veiculou esse anúncio para divulgar o novo Passat em agosto de 2013. Sua proposta é simples: duas meninas (e vale ressaltar que uma delas é negra) estão trabalhando em uma banca de limonadas na calçada quando um carro se aproxima. Ao verem que se trata de um veículo caro, elas viram a placa de preço ao contrário, exibindo um valor mais alto, a ser praticado com clientes ricos. A ideia é simples, mas a grande sacada, que garantiu ao anúncio uma posição em nossa lista, é o uso aparentemente displicente de duas meninas como protagonistas de um anúncio de carros. Ao vermos o anúncio, essa escolha parece tão natural quanto deveria ser a presença feminina protagonizando cenas inteligentes nos comerciais – e não apenas adornando-os, como acontece na maioria dos anúncios.

*

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=XP3cyRRAfX0]

Verizon – Inspirando meninas a amar exatas

Esse anúncio da Verizon mostra como muitas vezes os pais acabam desencorajando suas filhas a se interessar por ciências ao afastá-las de sujeira ou bagunça e as incentivar a estar sempre bonitas. Ele apresenta Samantha, que é uma menina que, em diversos momentos da infância, é reprimida por seus pais ao brincar na terra ou ao desarrumar o quarto enquanto trabalha em um projeto de ciências. “Cuidado pra não sujar o vestido”, “Deixa seu irmão fazer isso” e “Quem é a minha lindinha?” são algumas das frases que levam ao desfecho em que ela, um pouco mais velha, aparentemente ignora um cartaz sobre uma feira de ciências para passar gloss nos lábios. A mensagem é clara: é preciso incentivar e valorizar a inteligência das meninas, não só a beleza. O vídeo serve como um alerta para os pais e é encerrado com um dado preocupante: nos EUA, 66% das meninas até a 4ª série afirmam gostar de matemática, mas somente 18% dos estudantes de todas as engenharias são mulheres.

*

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=IIGyVa5Xftw]

GoldieBlox – Para futuras engenheiras

E é para incentivar meninas a gostar mais de engenharia que nasceu a marca GoldieBlox. Criada pela Debbie Sterling, uma engenheira formada em Stanford que não se conformava com o número pequeno de mulheres no seu curso e que cresceu insatisfeita com as poucas opções de brinquedos criativamente instigantes  para meninas. Com um anúncio veiculado no Super Bowl desse ano, a GoldieBlox oferece kits para meninas criarem as máquinas e resolverem os problemas propostos pela personagem Goldie e seus amigos. O vídeo apresenta três meninas entediadas ao assistir uma propaganda de bonecas na tevê que resolvem criar elas mesmas um enorme mecanismo para desligar o aparelho.

*

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=FRf35wCmzWw]

Kotex – Fazendo graça em cima do clichê

A marca de absorventes Kotex lançou esse anúncio em 2010. Nele, a protagonista descreve de maneira irônica todas as situações lúdicas em que as mulheres são representadas em anúncios de absorventes, tais como caminhadas na praia, usar roupas brancas e sair para dançar – como se ficar menstruada fosse uma grande curtição. Divertido, o anúncio não subestima o senso de humor feminino e ainda gera cumplicidade entre as consumidoras e a marca.

*

enhanced-buzz-16124-1390325961-41

Aerie – Xô, Photoshop!

A marca de lingerie Aerie lançou no ano passado a campanha #AerieREAL, na qual nenhuma das fotos do catálogo sofreu qualquer retoque de imagem. Ao escolher modelos cujos corpos fogem do padrão imposto pela indústria da moda e eliminar o uso de Photoshop, a Aerie aposta em uma comunicação mais simples e honesta que, por si só, já é super bacana, mas que ainda gerou uma repercussão incrível com a viralização da iniciativa. Além disso, é que qualquer usuária da marca pode enviar fotos utilizando peças da Aerie para o site da loja, criando um catálogo incrível que torna toda mulher uma modelo da marca.

*

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=KmmGClZb8Mg]

Cover Girl – Garotas podem, sim!

As marcas de cosmético gringas fazem esforço para mostrar como a maquiagem deve ser utilizada como uma maneira de expressar a personalidade feminina, e não para atrair o sexo oposto como se essa fosse a única preocupação da mulher. Em 2012, Revlon fez uma campanha com a Halle Berry e a Emma Thompson falando sobre câncer de mama. No ano seguinte, a campanha #ShineStrong, da Pantene, falou sobre como as mulheres são rotuladas de maneira mais crítica que os homens ao adotar os mesmos comportamentos que eles. A Dove, pioneira em retratar “mulheres reais”, continua seus esforços em ajudar mulheres a encontrar sua real beleza e lançou um vídeo de três minutos sobre a importância das selfies para a autoestima feminina.

O vídeo em destaque, porém, é da Cover Girl, que convidou famosas que arrasam em áreas em que as mulheres costumam ser convencidas de que não têm acesso. Com a hashtag #GirlsCan, elas partilham suas experiências como comediantes, esportistas e roqueiras de sucesso em um mundo no qual é comum ouvir que mulheres não são engraçadas, nem fortes, etc. Elas aconselham as espectadoras a ter coragem e encarar cada “não” como uma chance de provar que elas podem, sim, fazer o que quiserem! Outro ponto positivo da Cover Girl é a diversidade na escolha das garotas-propaganda. Entre elas, estão Queen Latifah, Ellen Degeneres, Janelle Monae, Pink, Becky G e Talia Joy Castellano (uma menina de 13 anos que lutou contra o câncer).

*

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=XjJQBjWYDTs]

Always – Fazendo coisas como uma garota

A marca de absorventes Always resolveu mostrar como a expressão “como uma garota” é utilizada de maneira pejorativa. Ela convidou voluntários que deveriam simular a execução de tarefas simples como correr, mas com a ordem de fazê-las “como uma garota faria”. Participantes de ambos os sexos adotavam trejeitos desengonçados e fúteis, mas em seguida são questionados sobre por que agiram assim. A reflexão gerada os leva a repensar como essa atitude ofende as mulheres e que fazer as coisas como uma garota não é um sinal de incapacidade.

*

18259692500235308212_0866

Duloren – Pelo direito de amar a si mesma

A Duloren é conhecida por suas campanhas de conteúdo picante. Neste ano, resolveu mostrar que é possível uma mulher ser feliz sozinha em pleno dia dos namorados. Com peças com o título “Eu me amo” e imagens sugestivas, faziam referência à masturbação feminina. Conceito ousado que gerou polêmica e uma notificação do CONAR, mas cuja repercussão, em geral, foi positiva ao incentivar as mulheres a conhecer o próprio corpo.

*

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=NEcZmT0fiNM]

HelloFlo – Menstruação com humor

Dá para fazer propaganda de absorvente sem líquido azul, roupa branca colada, mulher feliz pulando ondinhas e outros clichês que tratam da menstruação como algo misterioso que não pode ser nomeado? Dá. A HelloFlo, com um approach leve e bem-humorado, mostra a história da menina que finge menstruar pela primeira vez. Sua mãe, sabendo da mentira, faz uma festona para celebrar a menarca e tirar sarro da filha.


Arte: Leah Goren

Compartilhar
mae

thais

Ninguém nasce machista, racista, homofóbicos. Os preconceitos são aprendidos já logo na infância. Precisamos ensinar tolerância não só por meio de exemplos e ações no próprio ambiente familiar, mas também através do conteúdo cultural oferecido aos pequenos, ainda mais na internet. Se essa é uma preocupação que você tem com as crianças que cercam sua vida – seja filho, sobrinho, irmão – saiba que tem gente criando com carinho um ambiente saudável, estimulante e respeitoso para elas e também para os adultos. Quem? Thais Caramico, que é uma das criadoras do  Garatujas Fantásticas, um oásis de arte e literatura de qualidade para crianças em meio a tanto ruído direcionado a elas hoje em dia. “Nossa ideia é apresentar conteúdos que sejam interessantes para as famílias, que promovam ou tratem os assuntos de forma leve e profunda ao mesmo tempo, que de alguma forma faça parte da rotina deles de um jeito gostoso”, conta ela. Jornalista, a Thais trabalha com o público infantil desde 2009, foi repórter e redatora do suplemento infantil do jornal O Estado de S.Paulo, faz mestrado em Literatura Infantojuvenil na Universidade Autônoma de Barcelona e é uma inspiração para nós. Leia a entrevista abaixo.


 

mae

De onde surgiu a ideia para o Garatujas?

Garatujas Fantásticas veio da vontade de dividir o que me inspirava no universo infantil e da preocupação em promover, com olhar crítico, um conteúdo que não tinha (nem tem) muito espaço nos blogs de conteúdo para as famílias. Voltando um pouquinho no tempo, foi como repórter do Estadinho, ex-suplemento do O Estado de S.Paulo, que descobri essa paixão em trabalhar com e para crianças. Quando deixei o jornal para ser freelancer e me mudar para Londres, tive tempo de pensar e construir na minha cabeça algo que fosse possível de realizar.

A coisa só aconteceu porque duas amigas e meu marido toparam a ideia na hora. Em uma semana, eu, Roberto Almeida, Tatiana Arcolini e Tartaruga Feliz nos desdobramos para desenvolver esse canal, de verdade, até lançá-lo como um blog, com diversas seções, além de ilustrações, textos e animações autorais. Nesse momento, foi muito importante contar com a ajuda de amigos, que também se apaixonaram pela ideia e até hoje são nossos colunistas. Isso de misturar linguagens e referências, mas sempre tendo a criança como foco, abriu um leque de coisas bonitas e inspiradoras que vivenciamos ali.

O que é mais inspirador em produzir conteúdo para crianças?

A criança é um ser curioso e aberto a muitos estímulos. Para produzir conteúdo para elas, é preciso estar bem atenta e cuidar com os detalhes, pois elas notam tudo e fazem leituras das coisas que nós, adultos, não esperamos. Um dia antes desta entrevista, li na Revista Emília uma definição sobre “ser criança”, feita pela autora italiana Luisa Mattia, que antes de se dedicar à literatura era professora. Ela tem um trabalho lindo de biografias de crianças, feito a partir de diários. E vou reproduzir um trecho para que a gente possa refletir sobre como é inspirador produzir conteúdo para crianças.

As crianças são pessoas muito interessantes. São complexas, leves e profundas ao mesmo tempo, seguem vias originais de comunicação consigo mesmas e com o mundo, “fabulando” a vida, são tendencialmente anárquicas. A escola, que as acolhe, tem uma função predefinida de regularização e normatização. A escola organiza antes de conhecer, estabelece standards de aprendizagem e modalidades de conhecimento predefinidas com base em estruturas de aprendizagem. Um menino ou uma menina que vai à escola tem a tarefa de entrar neste “cenário”, em um ambiente de aprendizagem que é predisposto, e consequentemente, bem pouco … disposto a sustentar a criatividade e as pulsões para praticar um conhecimento “desobediente”. Em síntese, faço meu um conceito de Fernando Savater, filósofo espanhol, que define a escola como o lugar em que se fazem perguntas sabendo já as respostas. A escola busca o que já sabe.

As crianças procuram, fazem-se perguntas, vão em busca de respostas não sempre previsíveis nem previstas. Neste sentido, cada criança é incompatível com a escolarização e continua sendo uma desconhecida para a escola. Conhecer uma criança é colocar-se em jogo como pessoa, entrar em uma dinâmica que não avalia, que não tem obrigação de ensinar mas dá prioridade ao encontro, ao conhecimento, à liberdade de expressão e, principalmente, à busca de um “alfabeto afetivo e comunicativo” que não acontece a priori, mas deve ser composto e reconhecido mutuamente, no âmbito de uma dinâmica educativa caracterizada pela reciprocidade. Em poucas palavras: pode-se entrar em contato com uma criança se não se pretende ensinar-lhe alguma coisa, mas antes aprender juntos o “quem somos”.

Bom, o Garatujas funciona assim. O mais gostoso nesse trabalho é conseguir, de alguma forma, nos colocarmos no lugar delas, deixando de lado valores e costumes ou manias que acabaram nos encontrando conforme vamos crescendo. Existe uma empolgação que toma conta de nós quando estamos criando algo. É uma alegria que vem por vários caminhos, mas principalmente porque buscamos o que existe de positivo na infância, de leve e profundo, mas que também tenha uma função para além do entretenimento – uma forma de explorar, reconhecer sentimentos, dar autonomia para que a criança dê sentido às emoções e valorize essa liberdade. Aprendemos juntos tentando enxergar o mundo com menos amarras, de forma mais anárquica mesmo.

Esse exercício, de sair da caixinha e olhar tudo como se fosse a primeira vez, quase que intuitivamente, é bom demais. Mas durante esse processo de criação, também refletimos sobre o que estamos fazendo a partir de experiências próprias e perguntas fixas, cujas respostas são muitas: Por que é importante tocar neste assunto? / O texto, sem julgamento, pode ser afetuoso? / Isso é relevante para as famílias? / Como fugir dos rótulos? De que forma isso toca o mundo da criança e do adulto, para se aproximem no brincar? Essas e outras perguntas acabam nos guiando para uma linha editorial. Nossa ideia é divulgar temas e ideias para que as famílias se divirtam e analisem o que estão consumindo (culturalmente e até mesmo em termos de tempo) com as crianças. Essa proposta está cravada no fato de que acreditamos ser possível apresentar conteúdos, ainda que timidamente, que não tenham uma vocação marqueteira e que não seja mais do mesmo. Isso nos inspira.

A relação entre a publicidade e a infância pode ser um motivo de preocupação? Quais efeitos que o marketing especializado em crianças pode ter?

Penso que sim. Diferente do adulto, a criança não tem muita escolha (ou discernimento) diante de bombardeio sedutor de um brinquedo ou guloseima na televisão. A propaganda dirigida às crianças é danosa e apelativa, muitas vezes. Isso porque, na maior parte dos casos, o produto é trabalhado e oferecido como um objeto de desejo que a relacione com os demais.

Enquanto crescemos, queremos pertencer a algo ou a um grupo de pessoas. Para isso, buscamos referências, costumes, marcas de roupa, objetos, entre outros itens e caminhos, porque simplesmente não queremos estar fora ou ser diferente. Quando uma empresa vende essa ideia em canais dirigidos às crianças, durante o intervalo de seus programas favoritos, por exemplo, elas estão ali abertas para acreditar no que veem. E muitas vezes podem até mesmo confundir o programa com a propaganda. De repente, o consumo vira uma consequência do que precisamos para crescer, e o ter vem na frente do entender as próprias emoções.

Em Criança, a Alma do Negócio, da Maria Farinha Filmes, as crianças, em textos voltados diretamente para elas, são superestimuladas a consumir. Tem uma parte bem triste, inclusive, que elas estão num papo de roda e assumem que preferem ir ao shopping a brincar, entre outros exemplos que podem ser vistos neste link. Da mesma produtora, um outro documentário chamado Muito além do peso alerta para os altos índices de diabetes infantil e o problema do consumo na alimentação. É triste ver o posicionamento das marcas, principalmente porque é tudo muito agressivo e dirigido às crianças.

Com tantos estímulos de consumo voltados para elas, como incentivar compras conscientes?

Acho que se alguém tivesse essa resposta, ela já estaria por aí, mas acho que a criança reflete muito o que vê nos pais. É o que costumo dizer para quem me pergunta como fazer para o filho gostar de ler. Eu sempre respondo: Ele vê você lendo?

Na verdade, acredito que levar uma vida menos competitiva, em todos os sentidos, pode ajudar na questão do consumo consciente. Tenho exemplos práticos que vejo e admiro, mas acho sempre muito complicado entrar neste tema porque ainda não sou mãe, e porque (sendo ou mãe ou não) acho injusto e errado dizer para os pais como a gente acha que eles devem criar seus filhos – um pouco arrogante você achar que sabe mais do que o outro se tratando da própria vida dele, não? Afinal, estamos falando de pessoas, ou seja, de algo muito particular e baseado não somente no hoje, mas nas experiências e na própria criação desses pais, de valores e do que consideram importante, de sentimentos, emoções, do maior amor do mundo e tanto mais.

Agora, falando não apenas das crianças, mas dos adultos também, me lembro de ter lido uma entrevista com a Monja Cohen em que ela dizia que não precisamos abrir mão de todas as nossas vontades, mas que para viver mais tranquilamente a gente precisa aprender que não tem de realizá-las o tempo todo. É isso, talvez seja (para algumas famílias) uma opção. Esses dias, uma amiga comentava sobre as festas infantis feitas em bufês nota mil, onde as crianças brincam sem parar com monitores e os adultos conseguem, enfim, conversar com calma. E ela indagava: “Vendo aquilo, pensei em que momento os mundos se tocavam. E era tanto estímulo que chegava a ser agressivo.” Fiquei com isso na cabeça, não em relação à escolha da festa (porque não podemos generalizar e já fui a festas assim em que todos brincavam e se divertiam juntos e separados), mas com a formação da frase: “tanta coisa que chega a ser agressivo”.

Não só entre famílias, mas com amigos também, sinto que estamos correndo o tempo todo, cansados ou obrigados a sentir tudo incrivelmente. E essa oferta maluca de coisas, que chega a ser agressiva e maravilhosa ao mesmo tempo, também traz uma baita ansiedade. Os adultos sofrem por ter de aproveitar tudo. Por outro lado, muitas crianças não conseguem ficar “sem nada” pra fazer, porque estão acostumadas a estar sempre ocupadas. Isso é consumo pouco consciente? Gosto da ideia do tempo livre, de perceber o tédio. Penso que isso é importante na infância também.

Brinquedos ainda possuem distinção de gênero. E por isso, é comum crianças sofrerem bullying por usarem itens destinados ao outro sexo. Recentemente, Michael Morones, de 11 anos, tentou suicídio por ser maltratado pelos colegas por gostar de um personagem cor de rosa. Como o GF aborda essas questões?

Acho lamentável uma notícia dessa e cada comentário ou piadinha a respeito. Conheço mães e pais que não gostam que os meninos tenham uma queda pelo rosa ou mencionem, por exemplo, brincar de boneca ou dançar balé. E escuto muito a frase “ah, menininha”, como sendo quase ingênua, mas sem refletir sobre o que isso quer dizer hoje e no futuro dessa criança. Somos formados pelos acontecimentos da nossa infância e esse tipo de registro pode trazer duras consequências, por mais bobocas ou sem maldade que pareçam.

Me emocionei com o discurso da Ellen Page, ao se declarar gay, dizendo que o mundo poderia ser um lugar bem melhor se fôssemos menos horrorosos com os outros. E, na sequência, uma amiga fez um comentário lindo no Facebook: “Seria tão bom se, a cada vez que alguém sentisse vontade de fazer uma gracinha idiota, um comentário maldoso, ou, pior, agredir uma pessoa por quem ela simplesmente é que pensasse nisso: por que eu não posso ser menos horrível com os outros?” A questão sexo e gênero é algo que falamos algumas vezes no Garatujas Fantásticas, e que queremos dedicar mais atenção. Nos preocupa por toda violência psicológica e física que crianças e jovens sofrem. E também porque, de alguma forma, nosso papel é trazer conteúdo que ajude as pessoas a pensar mais livremente, com amor e respeito igualitários.

Os brinquedos, e os pais têm de entender isso, não têm gênero, são de meninas e meninos. São as crianças que têm de ter a liberdade de escolher como querem brincar, isso jamais pode ser imposto ou interrompido por qualquer padrão social ou preconceito do adulto, uma recriminação. Até porque o brincar é a coisa mais importante no desenvolvimento de uma criança, é quando ela ativa o cérebro por meio da imaginação para poder se concentrar.

Existe dificuldade em encontrar opções de entretenimento para as crianças?

Depende do que estamos falando e onde. O que vejo é falta de sentir-se seguro para brincar nas ruas com as crianças, por uma série de razões, incluindo violência, falta de uma calçada larga e praças, um monte de carros nas ruas. Mas tudo depende de onde estamos falando e de quem e como essas pessoas vivem ou encaram situações. Até porque em São Paulo, por exemplo, vejo um movimento bom de utilizar melhor as praças. Quando completou um ano, Garatujas Fantásticas realizou um piquenique na Praça das Corujas. Foi tudo colaborativo! Kelly Orasi topou contar uma história e a dupla de palhaços Fulana e Melão fez uma apresentação linda sobre reaproveitamento de materiais. Divulgamos no site e pedimos para os convidados levarem o que comer e beber. Reunimos cerca de 250 pessoas durante uma manhã incrível, livre, alegre e simples.

Não sei se é uma questão de falta de opção, porque a gente vê peças de teatro, museus, oficinas de arte e contação de histórias gratuitas em livrarias, tudo especialmente para crianças. Falta mesmo é sentir a cidade, cruzar espontaneamente com as pessoas e se desenvolver através dessa troca tão importante, bater uma bolinha na esquina ou dar uma volta de bicicleta no quarteirão sem preocupação. Fico feliz, aliás, quando vejo as famílias aproveitando as ciclofaixas no fim de semana, e sinto que todo mundo se anima muito com isso.

Em cidades menores, podemos ver que muitas formas de brincar de antigamente correm lindamente. O projeto Infâncias, por exemplo, trata de registrar a vida de crianças em diferentes cantos do Brasil. No site deles, dá para ver fotos, vídeos, textos e também buscar pelo curta Disque Quilombola, uma maravilha feita em forma de brincadeira, o telefone de lata. Foi assim que crianças do morro São Benedito, em Vitória, conversaram com outras da comunidade quilombola São Cristóvão, na região do Sapê do Norte – uma grande brincadeira. Acho, de verdade, que conhecemos muito pouco as infâncias do Brasil. Não sei dizer se falta entretenimento por aí, pois como diz Adélia Prado, a gente tem nossos limites – dois “quadradinhos” apenas pra olhar o mundo.

Em um mundo cada vez mais digital, como é a relação das crianças com a tecnologia? Como ela ajuda na inovação da educação?

Acho que se bem utilizada, a tecnologia pode ser muito importante no desenvolvimento e formação das crianças. Há muita coisa que podemos conhecer e aprender com isso, além da troca que se pode ter e de onde podemos chegar com a internet. Recentemente, li sobre duas escolas, uma nos Estados Unidos e outra no México, que por hangout brincavam de adivinhar informações geográficas e culturais sobre o país do outro. Havia informação, uma mediação interessante e crianças se olhando e criando algum contato cheio de curiosidade. Falamos de uma geração que intuitivamente sabe como mexer com tecnologia. Por isso, há suportes e ferramentas que explodem em estímulos audiovisuais, que conquistam as crianças. Mas ainda acho que tanto elas como os adultos estão em processo de aprendizagem. E é importante nesse processo questionar o que está sendo entregue à criança.

A tecnologia é ótima, mas quem sabe como isso será aplicado em salas de aula, por exemplo? Há um enorme interesse de empresas que cada vez mais estão investindo em tecnologia e educação, quem garante que o que está sendo pensado é positivo a partir do desenvolvimento, do conhecimento cognitivo e social e não apenas do comercial? Sou uma desconfiada muitas vezes. Outro dia, vi um vídeo do professor espanhol Jorge Larrosa Bondia, da Universidade de Barcelona, muito bom para refletir. Ao falar de educação, ele disse como os pais estão entregando seus filhos e filhas à escola mais cara já pensando em um retorno futuro, sucesso. E ainda emendava que hoje, com a sala de aula se transformando em grandes centros de conexões, o espaço físico está mudando, as relações espontâneas também. O que vai ser disso? O que queremos? Quem sabe?

Agora, acredito que programar pode se tornar no futuro uma disciplina do currículo escolar. E vou achar ótimo, se for para que as crianças sejam mais independentes e entendam essa linguagem tão presente hoje. Só vou achar chato se isso acontecer não porque estamos pensando em hackear a escola, no sentido de questionar métodos, alterar normas e ser criativo com aquilo que descobrimos e gostamos, mas porque “vai ser bom para o futuro profissional dessas crianças”.

GF é uma plataforma que pode ser acessada pelas crianças, pelos pais, por educadores… Por que decidiu investir nessa intersecção?

Falamos com os pais, que podem ser educadores, porque acreditamos que eles são os grandes mediadores nessa relação. São eles, muitas vezes e falando principalmente das crianças menores, que escolhem o livro, qual música ouvir, que programa fazer. Nossa ideia é apresentar conteúdos que sejam interessantes para as famílias, que promovam ou tratem os assuntos de forma leve e profunda ao mesmo, que de alguma forma faça parte da rotina deles de um jeito gostoso. Ao mesmo tempo em que falamos para esses selecionadores, que entram no Garatujas para buscar dicas e ideias, mantemos uma linguagem simples e um visual infantil porque queremos que não haja barreira nessa troca de informações. Se a criança estiver ao lado dos pais nesse momento em que navegam pelo site, ótimo, eles podem conversar sobre o que estão vendo e até mesmo deixar que a criança leia o texto sem problemas.

Embora não seja escrito para ela, tudo que está ali pode ser seguido. Se tiver uma palavra que ela não conheça, talvez no contexto funcione, ou isso vira uma chance para aumentar o vocabulário, perguntando aos pais. Se o texto estiver muito longo, ela não precisa ler até o final e tudo bem. Com um pouco de tempo e muita vontade, o que está ali pode ser devorado tranquilamente por todos. Até mesmo em sala de aula, pois temos depoimentos de quem enxerga no Garatujas muita inspiração não para trabalhar uma forma (e nem queremos que seja assim), mas para abrir ideias.

Quais foram os seus maiores desafios na liderança desse projeto?

O projeto começou sem qualquer pretensão, pois o que queríamos mesmo era colecionar e dividir com as famílias as coisas legais que víamos. Se pensar que criamos isso moramos em países diferentes (eu em Londres, Tartaruga Feliz em Paris e Tati em São Paulo, a maior dificuldade foi e é o fato de passamos muita vontade de estar mais perto, de resolver no mundo offline o que fazemos no nosso quintal virtual. Claro é ótimo ter essa possibilidade de seguir pela internet, mas qualquer hora vamos dar um jeito de criar “Residências Garatujas” para, ao longo do ano, ter uma semana de inspiração conjunta e ao vivo. Esse é o maior desafio: conciliar horários, tentar não mandar cinco emails por dia pra não ficar chato, manter o ritmo, a qualidade do trabalho e a empolgação, afinal, ele só existe se for gostoso pra todo mundo. E por ter jornada dupla, às vezes estamos exaustas.

É importante dizer que pra poder se dedicar ao Garatujas, nós três sempre mantivemos um outro trabalho meio período, de que gostamos muito. Garatujas nunca recebeu qualquer investimento, é um projeto levado com muito carinho e dedicação por seus criadores e amigos. E dividir nosso dia entre um trabalho remunerável e um projeto pessoal é o segredo para que sejamos felizes fazendo as duas coisas.

Com o Garatujas, acabamos conhecendo e nos aproximando de algumas pessoas que admiram o nosso trabalho. E percebemos que, se podíamos passar tantas horas por dia pesquisando e produzindo conteúdo autoral para nós mesmas, poderíamos trabalhar também como um estúdio que desenvolve ideias similares para clientes – porque precisávamos em algum momento tornar essa atividade rentável e porque não queríamos colocar publicidade no Garatujas. Foi assim que nasceu o Estúdio Voador e o Garatujas acabou virando um projeto do Voador. Com o estúdio, estamos trabalhando em dois modelos: criando projetos para clientes e tendo novas ideias para o Garatujas. O desafio? Entender que a brincadeira virou trabalho, um trabalho que criamos e que consideramos ideal, portanto gostamos muito, mas que com ele, do modo formal, entram todas as burocracias que serão, pra sempre, nosso maior desafio. Mas tudo bem: já estamos bem melhor do que antes e o contador nem nos odeia porque teve de explicar tudo umas cinco vezes – brincadeira, foi umas 10.

Arte: Kat Hannah

Compartilhar
ada
,

 

ada

 

Diana Assennato é uma das fundadoras do Arco,  startup que inovou a experiência de e-commerce ao desenvolver um sistema de compras pelo Instagram. Jornalista e mestre em mídias digitais pela Goldsmiths University of London, ela conta que, durante a criação da empresa, viu na prática o preconceito de gênero que ainda existe nesta área. “Eu só fui acreditar que essa era uma verdade do mundo tech quando comecei a frequentar eventos e perceber que o universo é esmagadoramente masculino e muitas vezes misógino.”  Por isso, criou ao lado de Natasha Madov a Ada, um portal de tecnologia que incentivar a participação feminina na área (o nome é uma homenagem à Ada Lovelace, mãe da programação). “Ainda vai demorar muito para a proporção de mulheres e homens se equalizar na indústria da tecnologia, mas o que eu tenho feito é ser um pouco menos humilde e um pouco mais assertiva.” A seguir, nosso papo com Diana:

Como você acha que o Arco pode impactar no formato de compras na internet? 

Basta olhar um pouquinho só para frente (e para trás) para entender que o futuro do e-commerce DEVE contemplar o poder do mobile e a tração das redes. Não acho exagero afirmar que as redes sociais são um contexto e uma condição da internet e não uma tendência situacional. Nesse sentido, qualquer produto ou serviço que queira ser à prova de futuro deve olhar para esse contexto antes de qualquer coisa. Cada vez é mais difícil atrair tráfego para os nossos sites, mas ao mesmo tempo estamos cada vez mais inseridos em todo tipo de mídias sociais. Desde o inevitável Facebook até as que atendem nichos muito específicos; é lá onde passamos grande parte do nosso tempo, exatamente por elas condensarem vários estratos da nossa vida on e offline. O Arco nasceu e tem crescido com isso em mente, criar pontes mais transparentes para que ofertas e demandas conversem livremente sem a força opressora da publicidade. A nossa ideia não é transformar a sua timeline em um shopping, aliás, é justo o contrário: queremos que cada um escolha quando e como usar a nossa ferramenta na sua rede social preferida. Não sabemos se o Arco pode mudar o formato do e-commerce no Brasil, mas com certeza está apontando em uma direção para a qual muitas empresas deveriam estar olhando.

O projeto encontrou algum tipo de resistência? E o que tem sido feito para contorná-la?

Trabalhar com inovação já cria uma resistência extremamente desafiadora. Como prever o que desperta o desejo nas pessoas? Como provar que o seu negócio tem futuro se não tem ninguém fazendo o que você faz? O que deve ser considerado sucesso quando o seu modelo de negócio é único? Eu tenho certeza que me faço muito mais perguntas do que conseguirei responder nesta vida, mas esse é o meu grande motor. Ao mesmo tempo, a inovação abre espaços, cria caminhos muito inesperados e funciona como um pretexto incrível para testar, experimentar e também falhar sem medo e sem culpa.

Sobre a questão da desigualdade de gêneros, eu só fui acreditar que essa era uma verdade do mundo tech quando comecei a frequentar eventos e perceber que o universo é esmagadoramente masculino e muitas vezes misógino. Fiquei triste, queria que fosse diferente para poder contar para as pessoas que basta a gente dar as caras, mas não é bem assim. Quando você vai a um evento, workshop, palestra e diz que trabalha com internet, logo te perguntam qual é o seu blog. “É de moda?”, como se a nossa expertise se resumisse à curadoria de looks do dia ou tutoriais de maquiagem.

Posso dizer sem culpa que desde que criamos o Arco eu passei por duas experiências extremamente desagradáveis nesse sentido, por isso mesmo hoje eu estou escolada. Não adianta chorar ou espernear: ainda vai demorar muito para a proporção de mulheres e homens se equalizar no universo da tecnologia, mas o que eu tenho feito é ser um pouco menos humilde e um pouco mais assertiva. Eu tenho essa característica de “play it down”, mas quando se está lá no meio da selva a gente precisa ter, sim, um aperto de mão firme e olhar certeiro. O importante é convencer as pessoas de que você sabe exatamente do que está falando (por incrível que pareça às vezes esse benefício nos é tirado por sermos mulheres).

ada lovelace olga 01

 

Como você avalia a participação feminina nas compras online?

Massiva! Já representamos 50,2% das compras feitas online com um ticket médio bem elevado. É engraçado porque, semanticamente, a mulher não se sente partícipe do mundo da tecnologia ou da internet, mas é ela que escolhe o seu smartphone, ela é fiel às marcas e a empresas digitais e é responsável pela compra de 85% dos gadgets que entram em uma casa. Além disso, eu vejo que o perfil da internauta brasileira é surpreendentemente aberto a novas ideias, experimentos e tentativas. O aspecto social também influi muito para a geração de leads nas vendas: se uma mulher gosta do que você vende, ela não só vai recomendar o seu produto para uma amiga, mas também vai mandar o link já com cupom de desconto. A mulher é viral por natureza!

Quais são as principais mudanças necessárias no cenário tecnológico atual? E como você quer contribuir para elas?

Hoje eu defendo apenas uma grande mudança: precisamos incluir a reflexão humanizada sobre o uso da tecnologia no desenvolvimento da própria tecnologia. Chega de reflexão de mercado. E isso não pode acontecer de cima para baixo, mas ao contrário. É o nosso uso e a nossa experiência de uso que deve ajudar a criar os caminhos do futuro, e não o que grandes empresas querem nos fazer comprar como um item de sobrevivência básico. É claro que muitas vezes nós não temos acesso a tudo que está sendo desenvolvido, mas prestar atenção na direção desses avanços, tentar conectar alguns pontos, discutir entre amigos e ouvir opiniões é extremamente importante para que a tecnologia e a internet sejam uma esfera prazerosa nas nossas vidas, e não opressora. As mudanças e inovações continuarão acontecendo porque (ainda bem) esse universo é infinito, exponencial, lindo e poderosíssimo, mas se conseguirmos cobrir esse bolo com uma grossa camada de reflexão humanista podemos criar um novo fluxo de desenvolvimento tecnológico, menos mercadológico e mais antropológico e social.

Sabemos que mulheres e tecnologia têm tudo a ver, mas qual é o caminho para retomarmos esse espaço?

Ter pessoas falando conosco. Na minha opinião a retomada do espaço só vai acontecer quando nos sentirmos parte dele, e para isso precisamos de pessoas falando com a gente, na nossa linguagem. Grandes jornais reduzem a editoria de tecnologia a meio caderno uma vez por semana ou a manchetes de compras e vendas milionárias de empresas. Para as revistas femininas o assunto sequer entra na pauta. Só que alguém tem que avisar esse povo que hoje, em alguns países, a mulher já gasta mais por ano em artigos tecnológicos do que em maquiagem. A mídia especializada é técnica demais: siglas, abreviações e números que não fazem o menor sentido e acabam nos afastando… Além disso: exemplos! Queremos ver exemplos de mulheres que usam, fazem, curtem, quebram, jogam, pensam e vivem a tecnologia de forma natural. Onde estão essas pessoas? Ah, sim, aqui mesmo! Só não nas capas de revistas nem nos altos escalões de grandes empresas de tech.

ada lovelace olga 03

O que é o Ada e o que o projeto tem a oferecer?

O Ada nasceu para ser o principal site acessado por mulheres que querem tirar as suas dúvidas, entender melhor ou simplesmente aprofundar seus conhecimentos sobre tecnologia, internet, comportamento digital e vida online. De uma forma ou de outra (e independente da gente gostar ou não), esses assuntos permeiam todas as esferas da nossa vida, seja através dos nossos smartphones ou da nossa dificuldade velada em entender a real diferença entre o Google Drive e o Dropbox. O ritmo das mudanças tecnológicas é rápido demais pra gente presumir que todo mundo está atualizado com tudo, por isso queremos oferecer um lugar para conversar sobre tudo isso com calma, sem pressa e com espaço para reflexão.

Que conselho você daria para uma menina que deseja trabalhar com tecnologia?

1) Leia, leia, leia! Leia os velhos, leia os novos, leia o Gizmodo, leia as entrelinhas do seu feed. Tente entender o cenário maior, e não apenas a ferramenta. Lembre-se que fogo também é tecnologia.

2) Não tenha medo de cursos técnicos, mas, principalmente, faça com que matérias “de humanas” acompanhem o seu trajeto. Estude antropologia, história, psicologia. É inacreditável como as mulheres conseguem subjetivar assuntos mecânicos e abrir diálogos novos e surpreendentes.

3) Comece logo. O mercado está gritando por profissionais qualificados, paga bem e a possibilidade de crescimento é incomparável com outras áreas.

 


[IMAGENS]

1) McTurgeon

2) The Reconstructionists

3) Women Rock Science 

Compartilhar
05

Com 24 horas de vida, o projeto artístico 100 VEZES CLÁUDIA chegou a 100 homenagens. É muito especial a sensação de pedir carinho pela internet e de fato recebê-lo. Como as artes não param de chegar, criamos mais uma página para publicá-las. São mais de 200 e-mails na caixa, então peço paciência a todos. Vamos postá-las devagarinho. No mais, obrigada, obrigada, obrigada por dividirem seu amor e respeito à Cláudia Silva Ferreira. 100 VEZES OBRIGADA. E MAIS 100 VEZES CLÁUDIA.

200) MAYARA FREITAS

78

199) PAULO FERREIRA

77

198) HAROLDO ELIAS

75

197) DOLORES BAHIA

74

196) EVANDRO SILVA

73

195) JULIANA SERRA

55

194) ARIENE JORDY

72

193) PUPILLAS

71

 

192) DANIELLA BRAZ

70

 

191) TOMAS GUZMAN

69

190) JANAINA FALEIRO

54

 

189) RAQUEL LOPES

68

188) LARA DAMIANE

53

187) MARIA ANTÔNIA, 7 Anos

67

186) MAÍRA GM 

52

185) WILSON MELO

66

184) TICIANO ALVES

65

183) PAULA SILVA FERREIRA

64

182) FÁBIO FIORENTINO e MIRELLI FERNANDES ROSA

63

181) ALISON KENNEDY

62
180) BRUNNER MACEDO 51

179) APOLLO MAGNO

61

178) KELLY DE FARIAS

60

177) LUCIANA MARIANO 59

176) ALYSSA VOLPINI E JULIANNA MOTTER

 

58

175) ANA CRISTINA MACIEL

57

174) BRUNA SOUZA
claudia 173) ROBERTO BERLINER

56

172) MÁRCIO MILMAN

55

 171) KÊNIA ALVES

54

170) JULIANA BARRETTO

53

169) RUTH LIMA

52
  168) ISABEL SVOBODA

51

167) DANIELA DIAS

50

166) BEATRIZ NADAI

50

165) MARCELA WEIGERT  49

164) NATHALIA SÁ CAVALCANTE

48
  163) DANY STENZEL

47 Sou Dany Stenzel, atriz, mãe de dois filhos. Sou Claudia. Não sei pintar, mas quis contribuir com a minha homenagem. Fiz uma Claudia Boneca. Com amor.

162) SANDRO MENEZES

01claudia

161) CAROL ROCHA

00claudia

160) EMÍLIA ULHÔA

08

159) THAIS BARROS

46

158) FERNANDO CAMPOS 45

157) MARINA LEVY  44

156) JULIANA RODRIGUES 43

155) COLETIVO PINTE E LUTE 42

154) JUNIÃO 41   153) JU CASTELO

ilustra_Claudia4

152) BÁRBARA, DANIEL e LEANDRO  40

151) MAURÍCIO KIFFER  39

150) JÚLIA DOLCE

38

  149) CATENZARO

37

148) ISAAC GABRIEL

07

  147) SARA CERIZ 36 De Portugal, com carinho e revolta.

146) MARÍLIA CABRAL 35

145) CÍNTIA CORONA 34

144) DÉBORA OLIVEIRA 33

143) CECÍLIA SILVEIRA 31

142) LEONARDO LESTRADE 30
141) VINÍCIUS SAVRON 29   140) GUI MOHALLEM 06

139) RAFAELLA NEPOMUCENO 28

138) RAMON CAVALCANTE 27

137) PJ 26

136) SABRINA SANDBERG

25

135) JONAS MAIKON

24

134) AMANDA GOTSFRITZ 23

133) NELMA GUIMARÃES 22

132) MUHAMMAD BAZILA 21

131) BELA BORDEAUX 05 130) ALESSANDRA CASTAÑEDA
20

129) JÚNIOR HOLANDA 19

128) ALINE SCHONS 04

127) ANDRÉIA TOLAINI 18   126) JOÃO BACELLAR  17

125) CHRYSIPPO AGUIAR  16

124) KK FRANÇA 14

123) REYBERTO 13

122) EDVAN LOVATO 12

121) JOANA SOARES 11

120) ANA LIVIA GOMES 10

119) ISLANDIA VIDA BRASIL 09

118) RACH 03

117) ELSON LUIZ 08

116) LUIZA GIMENEZ DE MELLO

06

115) MARIA AUXILIADORA FARIAS 05

114) RENAN SILVEIRA 02

113) ALINE TRENTINI

01

112) KARINA PÜTZ

Homenagem Cláudia (1)

111) ANA HELENA TOKUTAKE

claudia

Encarar os olhos de Cláudia é encarar a tristeza e a indignação, mas ao mesmo tempo me enche de força para agir e tentar criar uma sociedade um pouco mais sensível e menos indiferente.

Compartilhar
claudia02

A mulher arrastada pela Polícia Militar tinha nome – Cláudia Silva Ferreira. Cláudia também tinha família. E sonhos, coragem, dores e medos como qualquer ser humano. As denúncias da barbárie ocorrida são importantes e elas não devem cessar. Mas fugir do sensacionalismo e humanizar esse momento também é. Por isso, nos propusemos a retratar Cláudia com mais carinho do que o visto nos últimos dias.

A convite da OLGA, alguns artistas gentilmente criaram imagens sensíveis, que se dispõe a resgatar a dignidade roubada por criminosos. Este projeto se chama 100 VEZES CLÁUDIA e é aberto para que qualquer um possa enviar suas homenagens. Ou seja, esperamos publicar aqui novas artes com frequência. Quem sabe não chegamos a 100? Por fim, gostaríamos de imprimir algumas das ilustrações e enviar à família de Cláudia. Quer participar? Escreva para olga@thinkolga.com.

UPDATE

Em 24 horas de projeto, conseguimos 100 homenagens à Cláudia! É realmente muito especial essa sensação de pedir carinho pela internet e de fato recebê-lo. As homenagens não param de chegar, então vamos atualizar o post com mais algumas ilustrações. Obrigada a todos que toparam participar, dividindo amor e respeito à Cláudia Silva Ferreira e sua família.

UPDATE 2

Vamos fazer uma exposição gratuita com as imagens do projeto 100 VEZES CLÁUDIA? Quem quiser gentilmente apoiar essa ideia, por favor, entre em contato (olga@thinkolga.com).

UPDATE 3

As homenagens não param de chegar! Criamos uma segunda página para postá-las: MAIS 100 VEZES CLÁUDIA. <3

 

110) AMANDA SALAMANDA

claudia

109) GABRIELA BISCÁRO

Ilustracao_Claudia_Silva_Ferreira_Homenagem

Minha homenagem pra Cláudia é feliz. São meus votos de que ela esteja, agora, num lugar sem dor e sofrimento, mas sim feliz e em paz.

108) FERNANDA GUEDES

SOMOS-TODOS-CLAUDIA-FERNANDA-GUEDES

107) ANA BARCELLOS

papel de parede vintage chic Orlean

106) VANESSA CARVALHO

cláudia

105) PROFESSORA CRISTIANE SCHIFELBEIN E ALUNOS

patriciaTAINApamelaPAOLAgabriela

anderson

edvanMATEUSdiegoANA

lethycia

lindsayLUIZAluizaANDREevertonHELENAmarcio

paula

kelvin

marvin

senira

Minha turma de Composição Visual, composta por alunos dos cursos superiores de Design de Produto, Design de Moda, Design Gráfico e Produção Multimídia da  FTEC Faculdades de Caxias do Sul/RS, parou hoje para participar e somar no movimento 100 vezes Claudia que vocês propuseram.
Seguem alguns dos trabalhos dos brasileiros que não querem mais ver e nem viver preconceito de qualquer tipo e se unem para dizer basta!
 
Somos todos CLAUDIA: Ana Ariel, Anderson, Andre, Diego, Edvan, Everton, Francine, Gabriela, Helena, Jaqueline, Kelvin, Lethycia, Lindsay, Luiza, Luiza Q., Marcio, Marvin, Mateus, Matheus, Pamela, Paola, Patricia, Paula, Senira, Shirley, Tainá, Vanderlei.

104) MIKA TAKAHASHI

claudia_baixa

103) LUALLA ALVES

Scanner_20140320

102) LAURA ATHAYDE

todos somos claudia101) ITALO ROCHA

00Cláudia

100) GUI SOARES

claudia_w

99) FRED BOTTREL

0 claudia 02

98) HELENA CARRERAS CABEZAS 

Claudia-1

Eu sou espanhola, porém morando no Brasil. Eu expliquei a história para a minha mãe (ELENA CABEZAS), que mora na Espanha, e ela pintou o quadro  que adjunto. Esperamos poder ter contribuído de alguma maneira.

97) IARA CAPDEVILLE 

00 claudia01

96) EDUARDO BORSERO

cláudia

95) MOARA BRASIL

00 claudia 4

94) AUGUSTO MIRANDA

claudia_s2_thinkolga (1)

Um dia depois de eu ter completado mais um ano de vida a de Cláudia se dava por encerrado. 

A polícia fez o que faz constantemente: censurar espíritos, espancar necessidades, atropelar a sensibilidade humana (que já está com fratura exposta há tempos), defender quem tudo tem, e até o pouco de quem nada tem, lhe tomar.
 
Nós que ficamos por aqui, no império da truculência física, moral, espiritual só erguemos clamores nesse caso por que houve um “desfile” do terror que fosse fotografado, do contrário, seria apagada mais uma estrela que pouco brilha – mas que tem brilho e calor suficientes para criar quatro filhos e mais quatro sobrinhos – e isso seria o nada-fora-do-normal.
 
Quatro dias depois, o outono chegou e a Cláudia não viu.

93) H. ESTEVAM

c

92) LUISA LIMA

Sentimos muito, Claudia

91) MARIANA DE MATOS

Cláudia

90) JULIA BUCHHORN

jesus

89) JOSÉ CARLOS ANGELO (JOTA)

1511566_10202818262931618_397278446_n

88) PRC BARBOSA

00 claudia3

87) EZEQUIEL BELCHIOR

caludia ferreira

86) JORGE PENNY

00 claudia2

85) ADRIANO DE LUCA

00 claudia

84) WILSON DA SILVA VITORINO

images-cms-image-0003619

83) DIOGO PONTES

image

82) NANA MEDEIROS

ilustra_claudia

81) GUSTAVO LEAL

gustavo fotografia

80) SILAS MATOS

100 vezes Claudia

Me chamo Silas Matos, negro, pobre, homem de garra, homem, homossexual, que convive diariamente com preconceito, EU QUERO MUDAR essa história. Eu senti a sua perda. Eu estou com você e sua família.

79) FABIANA BATISTA SOUZA

claudia

78) GUSTAVO GONTIJO

Desenho Cláudia

77) RENATO BARROS

digitalizar0001 copy

76) FLORIDO LA

DSC_0280 (2)p

75) ANTONIO ZANON

00 claudia

74) ESTEVÃO RIBEIRO

claudia ferreira da silva

73) MAG BARBOSA

Scan0013

72) VITOR TEIXEIRA

Claudia (3)

Cláudia vive. Solidariedade à família, e paz para todas as comunidades pobres do Brasil. A luta segue.

71) MARA OLIVEIRA

MARA-OLIVEIRA---CLAUDIA

70) CLARA GOMES

claudia-claragomes_web

69) TAYS VILLACA

CLAUDIA (2)

68) CARLOTAS

Claudia Silva Ferreira

67) ALEXANDRE REIS

Claudia_por_AlexandreReis

66) JÚLIA LIMA

claudia (1)

65) CATRACA LIVRE

claudia

64) JORDANA MIRANDA

claudia-silva

63) LUDA LIMA

Luda_para_Claudia001

A gente se indigna com isso tudo porque realmente deseja o bem. 
Na verdade o que ‘deveria ser’ vai além disso, pois não deveria existir nem tiroteios. 
Mas enfim, para a questão, fico sonhando em como os policiais deveriam ser, realmente, humanos. 
 
Vamos lá, silêncio quebrado e marcha para dias melhores!

62) DANI BRITO

digitalizar0110

61) ADRIANA RODRIGUES

image

60) SABRINA CRISTINE

wpid-mae_chora_rio

59) DIEGO GUERRA

01 claudia

58) ESTHER MARIA PASSOS

claudia 4 001-001

E eu que nem sei o que é ser Claudia Silva… E nem sei o que dizer…
Mas uma reverência tem de ser feita. Um não tem que ser dito. E a memória, cravada.

Claudia Silva Ferreira. Um dia ela volta com a força de um milhão.

57) KARLA NAZARETH 

Justica-Claudia-Karla-Nazareth

56) HARETE

Image-1 (1)

55) COLETIVO FEMINISTA  NON GRATXS

Claudia (12)

O coletivo NON GRATXS também vai estar até o fim com as nossas mulheres, irmãs, pretas e periféricas. 

54) DIDI HELENE

claudia

53) DANI SÁ

flyer-01

52) WILDE ARRUDA 

IMG_20140319_000122

Segue minha intervenção em São José do Rio Preto, terça-feira, dia 18. 

51) SAVANA LEÃO FACHONE

photo1

Somos melhores quando juntos.

50) HELDER OLIVEIRA

claudia11

49) TALINE SCHUBACH

CLAUDIA (10)

48) LEANDRO FRANCIS RIBEIRO

CLAUDIA (8)

47) ADRIANA DE AZEVEDO 

Novo Documento 6_1

46) ANDRÉA COSTA

claudia

45) INEZ WOORTMANN

2014-03-20 09.26.04

44) CACINHO JR.

Claudia (7)

43) SANDRA FARIAS 

DSC09596

42) GLAUCIA DE BARROS

LUTO

41) FERNANDA DALLES

foto

40) LUIZ TIMMAIA

Claudia (6)

39) BETO EIRAS

cláudiasilvaf

38) FABIELLY LANUSA

cacau

37) LARISSA RIBEIRO

claudia (5)

36) SOUEID

claudia (4)

35) GRUPO CRIOLOS

Homenagem_Claudia

34) CAIO VITOR

ClaudiaSilva

33) ALINE ALBUQUERQUE

image

Com toda a revolta e ternura. 


31) FERNANDA OZILAK

ClaudiaSilva-por-FernandaOzilak

30) DAIANY DANTAS

somos todas claudia

Também não sou artista. Sou apenas uma pessoa que busca lidar com esse sentimento de perda e de desesperança diante da irracionalidade desta execução. Meu desenho me ajudou a respirar e a abraçar Cláudia, que partiu inocente e despreocupada, rumo à fila do pão. 


29) CARINE SUDER FERNANDES 

Cláudia da Silva Ferreira 1


28) VANESSA PREZOTO

claudia (3)


27) MURILO ROMEIRO

100 CLAUDIA DA SILVA FERREIRA


26) PEDRO MAGALHÃES

image


25) LUISA AIDAR

Sketches

Oração

Não pode ser em vão
Toda essa violência, essa dor
Tantos bons que se vão
Não é justo ser em vão meu Deus, não!
E vão Cláudia, Amarildo, Severino, João…


24) LUCAS SOUTO

claudiasilva

Sempre que me deparo com situações como essas, que quebram nosso coração e que, infelizmente, são tão corriqueiros em nossos dias, só consigo me lembrar de uma das tantas verdades cantadas pelos menestréis da periferia do Facção Central: “Que porra de país é esse, que mata e prende as vítimas de seu desinteresse?”. Cláudia é a porta-bandeira dessa luta que não pode se calar! Em sua memória uma ilustração de um – também – não ilustrador.


23) ALESSANDRA MOURA

claudia da silva.aLESSANDRA


22) CLÁUDIO RODRIGUES

claudia2


21) PAULO GIL

Claudia, esse mundo nao te mereceu!

20) BIANCA BANZATO

CLAUDIA_


19) MICHELLE MORAES

Claudia da Silva Ferreira

Não sou artista e também não sei se o meu desenho será escolhido, mas isso pouco importa, porque sei que esse movimento é uma acalento e uma alerta.


18) NICE LOPES

Claudia_nice lopes

Envio minha singela homenagem à esta mulher, vítima do descaso, da falta de amor, da falta de respeito pela vida humana.


17) KEKS PUCCI

claudia08

Eu estou um pouco envergonhada de mandar meu desenho porque não sou artista e nunca desenho nada, mas a história de Cláudia me toca demais para não participar. Somos Cláudia da Silva Ferreira. PRECISAMOS ser Cláudia da Silva Ferreira para exigir que se faça justiça.


16) EUGÊNIA SOUZA

claudia07

15) MARCELO MESQUITA

claudia06

“Não se trata de saudade de alguma coisa que acabou ou pessoa que morreu. É saudade do que está aí vivo, solto e nunca deixou de existir. Se não temos acesso a isso, é por falta de uma batalha maior.” – Elis Regina


14) LUIZA OZILAK

claudia (2)

13) GABRIELA CAMPANER

claudia05

12) MARÍLIA NOBRE

claudia04

11) TÂNIA RIBEIRO SOARES

claudia03

Não sou artista. Sou arquiteta. Desenhar pessoas não é o meu forte. Mas quando vi o post achei importante enviar minha singela contribuição para homenagear Claudia da Silva Ferreira, mesmo que não se publique. Por razões tantas somos diferentes, mas temos o mais importante em comum. 
Somos pessoas. E a vida de uma pessoa é sempre preciosa.


10) LEILA RANGEL DA SILVA

claudia (1)

9) EMERSON DIAS

claudia02

8) JÚLIA BORGES

Brilhará


7) VERA LIRA

179789_194764274024843_825298927_n

Claúdia Flor Criola, serenidade e força.

6) ANDRÉ PERSECHINI

Claudia

5) SARA STORRER

ClaudiaSilvaFerreira

Nesse desenho, Cláudia é Iansã. Porque no fim das contas, é assim que ela tem que ser lembrada, como Guerreira. Como a força de tantas e tantas pessoas, de tantas mulheres, de quem o mundo parece ter esquecido.

4) TAILOR

Sem título-1


3) CONFEITARIA (criação de Fabiane Secches + Thiago Thomé)

claudia01 (1)

claudia02

claudia03

A gente gostaria de contribuir, ainda que de uma maneira simbólica e muito pequena, para que a Cláudia fosse enxergada e tratada como uma mulher. Como um ser humano. Com respeito. Não como uma coisa, para ser atingida num tiroteio e colocada em um porta-malas, do qual ela ficou dependurada e foi arrastada por 250m.
Embora a gente defenda que seja muito importante que a mídia divulgue essas imagens cruéis e violentas — a gravidade do crime não permite eufemismos, também gostaríamos que, ao menos aqui, neste espaço desta homenagem, Claudia fosse lembrada como a mulher que foi, e tratada com a humanidade que merecia. Gostaríamos que seus filhos se lembrassem sempre de que merecem nada menos do que este tratamento: o de seres humanos. Para isso, nossa inspiração foi o depoimento do seu marido em uma entrevista, que dizia: “Extrovertida, guerreira para caramba, determinada no que queria”.


2) ALINE VALEK

Claudia

Fiz algo bem simples, na verdade. Queria fazer algo que representasse a humanidade que não viram e continuam não vendo nela.


1) ANNA MANCINI

claudia_olga_1

Compartilhar
olga mulheres

mulheres

 

É quase uma tradição: todo final de ano, as grandes publicações do país fazem suas listas de pessoas mais influentes. E uma parte desse ritual é colocar poucas mulheres. Esse problema já foi destrinchado várias vezes, mas ainda há quem insista que essa ausência seja justificada – “não existem mesmo tantas mulheres influentes na área X”, é um dos argumentos mais usado. Para provar que isso não faz sentido, criamos essa lista das mulheres inspiradoras de 2013. Ela nasceu de maneira informal durante um debate no grupo de discussão da Olga, o Talk Olga, e não é, nem pretende ser, definitiva. Sabemos que ela é um recorte – seja da nossa classe social, da cidade em que vivemos, da cor da nossa pele e até mesmo dos nossos interesses pessoais. Por isso mesmo, ela não pode parar. Os leitores estão convidados a acrescentarem não apenas novos nomes nos comentários, mas também novas categorias. O importante é provarmos que existem muitos trabalhos relevantes feitos por mulheres, e que eles não merecem ser ignorados. Daí quem sabe as outras publicações não começam a lembrar mais das mulheres nas suas listas de 2014?


ARTE

Alexandra Moraes é autora de O Pintinho, tirinhas publicadas na página de Facebook homônima (com mais de 20 mil curtidas) e no jornal Folha de São Paulo. Em 2013, os quadrinhos que foram reunidos em uma coletânea publicada pela editora Lote 42.

Beatriz Lopes, de apenas 19 anos, criou o Zine XXX, exclusivo para quadrinistas mulheres, por meio de financiamento coletivo bem-sucedido em novembro. O lançamento está marcado para janeiro de 2014.

Cris Bertoluci é uma das fundadoras do Coletivo Feito à Mão, que revive a arte do tricô. Neste ano, foi ensinar seu experiência com as agulhas até nas salas da FAAP

Elisa Sassi é ilustradora, pintora e artista de muitos talentos, que em 2013 também fez o elogiado curta Once Upon a Time.

Evelyn Queiroz é criadora da Negahamburguer, personagem ícone da aceitação e do body positive. Em 2014, lançará um livro do seu projeto,o Beleza Real, fruto de um financiamento coletivo realizado em 2013.

Mariamma Fonseca, Samanta Coan e Samara Horta são criadoras do Lady’s Comic, que fala sobre a ainda pequena participação feminina no universo dos quadrinhos. Em 2013, deram uma bela resposta  à declaração equivocada de Maurício de Sousa, sobre a impossibilidade da entrada de mulheres no mundo das HQs, e jogaram luz num caso de assédio na mais recente edição da FIQ.

Rivane Neuenschwander, mineira e artista plástica que já expôs em três andares do New Museum, em Nova York (EUA), na Bienal de São Paulo e voltou a expor na capital paulista em 2013. Em outubro, ganhou o Yanghyun, prêmio coreano que contempla artistas com obra já reconhecida.

Sirlanney é a criadora do Magra de Ruim, página no Facebook que expressa, através de quadrinhos, a vida cotidiana, com enfoque no feminino.

ATIVISMO

Åsa Dahlström Heuser é a criadora da página Cantada de Rua – Conte seu caso, que incentiva mulheres a enviarem seus depoimentos de assédio para serem divulgados (com completo sigilo em relação à autora da denúncia) e encorajar outras mulheres que tenham passado por situações semelhantes a vencer a culpa e o medo. A página deve chegar ao seu primeiro milhar de depoimentos ainda em 2013.

Ana Cruz fundou o movimento Mulheres Negras Construindo Visibilidade em 2013, que divulga casos de racismo e também as conquistas dos movimentos sociais negros.

Bruna Provazi é criadora do Mulheres no Volante, que aborda em encontros em diversas capitais brasileiras temas como artes, música e cinema através de debates voltados à luta feminista.

Juliana Monteiro, Camila Ximenes, Babi Sonnewend e Majonéz Budafóki, ex-alunas da ESPM, criaram o Coletivo Chute, para discutir medidas e ideias pra inibir a violência sofrida pelas mulheres em ambientes sociais, principalmente nas festas da universidade. No Facebook, o grupo de discussão que já soma quase três mil membros.

Daniela Andrade, uma das mais importantes vozes na internet sobre a transexualidade, criou o Transemprego, site que faz a ligação entre empresas e transexuais e travestis que desejam ingressar no mercado de trabalho.

Débora Maria da Silva é a fundadora do movimento Mães de Maio, composto por mães e pais de jovens mortos em ações policiais duvidosas. Além de tentar extinguir os chamados autos de resistências das justificativas por mortes em abordagem policial, o movimento atua nos protestos que buscam a paz nas periferias.

Hailey Kaas é ativista transexual e transfeminista, criadora do site Transfeminismo, que tem se tornado referência no tema aqui no Brasil. Em 2013, Hailey foi uma das ativistas a conseguir que o congresso de feminismo “Fazendo Gênero” tivesse, finalmente, uma mesa sobre transgeneridade; ela também publicou um capítulo sobre transfeminismo no livro A Quem Pertence O Corpo da Mulher – Reportagens e Ensaios, organizado por Leonardo Sakamoto e Maíra Kubik Mano.

Maju Giorgi, ativista e mãe, é fundadora do Mães pela Igualdade, grupo voltado ao combate à homofobia, à lesbofobia e à transfobia. Apesar do nome, os pais pela igualdade são muito bem acolhidos pelo movimento.

Maria José Ricardo é presidenta do Católicas pelo Direito de Decidir, grupo de apoio aos movimentos pela descriminalização do aborto no Brasil, que foi uma frente de batalha contra o Estatuto do Nascituro, que visava diminuir ainda mais as possibilidades legais de aborto.

Marilia Moschkovich, socióloga e ativista, teve grande participação na onda de protestos de junho. Um mês depois, inspirou música de mesma temática do cantor Tom Zé.

Monique Prada é ativista ligada ao reconhecimento do exercício da prostituição e do combate à violência contra as prostitutas.

Renata Mol é a criadora do Questões Plurais, site pioneiro em falar de interseccionalidade, um conceito super importante para o feminismo. O site surgiu em fevereiro de 2013 e virou referência no tema.

CINEMA E TV

Fátima Toledo é preparadora de elenco e e tem em seu currículo filmes como PixoteCidade de Deus, no qual usou a dança para o preparo dos atores. Trabalhou junto com o diretor Diego Quemada Lopez no filme A Jaula de Ouro, consagrado na Mostra de SP e em todo o mundo.

Fernanda Montenegro ganhou o Emmy este ano por sua atuação em Doce de Mãe. A atriz agora, aos 85 anos, se prepara para fazer par romântico com Nathalia Timberg em uma novela ainda sem nome a ser exibida pela Rede Globo.

Laís Bodanzky é diretora e roteirista de cinema, sendo responsável pelo premiado Bicho de Sete Cabeças e pelo documentário Cine Mambembe – O Cinema Descobre o Brasil. Com seu marido, Luiz Bolognesi, mantém desde 2005 um projeto itinerante de exibição gratuita de filmes em cidades paulistas, fluminenses e paranaenses, intitulado Cine Tela Brasil. 

Lúcia Murat dirigiu o filme A Memória que me Contam sobre a ditadura militar, período em que foi presa e torturada. A protagonista do filme é interpretada por Simone Spoladore e é um alter-ego de Lúcia. Ganhou o prêmio da Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica (Fipresci) no Festival Internacional de Moscou.

Nathalia Timberg é uma consagrada atriz brasileira de 84 anos, que esse ano está no ar na novela Amor à Vida, da Rede Globo. Sua personagem, Bernarda, trouxe à tona o ainda tabu sexo na terceira idade. No seu próximo papel, fará par romântico com Fernanda Montenegro. Apesar do autor da novela afirmar que não haverá beijo entre ambas, os papéis de Nathalia vêm desmitificando questões que cercam o amor e o sexo na terceira idade.

Petra Costa, diretora e atriz do filme Elena, que conta a história do suicídio de sua irmã 13 anos mais velha, em Nova York. É forte, delicado, feminino e, acima de tudo, corajoso. Ganhou vários prêmios, entre eles o de melhor direção no Festival de Brasília.

Tata Amaral dirigiu o filme Hoje, que se passa na ditadura, tendo como protagonista uma mulher. Ganhou no Festival de Brasília os prêmios de melhor filme, melhor atriz (pra Denise Fraga), melhores roteiro, direção de arte e fotografia.

EMPREENDEDORISMO

Amanda Rahra e Nina Weingrill são fundadoras do É nóis, que trabalha com educação e cultura voltados a jovens de periferia.

Bel Pesce após conseguir ingressar no MIT, uma das melhores instituições de ensino superior do mundo, criou o aplicativo Lemon, em 2012, baixado milhões de vezes ao redor do mundo. Ao retornar ao Brasil, lançou o livro A Menina do Vale e, em 2013, abriu uma escola de empreendedorismo, a FazINOVA.

Barbara Soalheiro é fundadora do Mesa&Cadeira, empresa que inova a forma de educar por meio de workshops com os profissionais mais brilhantes de suas áreas. Foi elencada no ranking dos 50 mais inovadores em 2013 da Proxxima e ministrou palestra no South by SouthWest (SXSW), em Austin, Texas.

Dani Noce, chef do I Could Kill For Dessert, blog com mais de 100 mil curtidas no Facebook, que reúne vídeos receitas. Além disso, tem um programa semanal no canal VH1. 

Daniela Arrais é sócia da Contente, empresa criadora do Instamission e do Cinemission (lançado em 2013, que já está em sua décima quinta missão). Dani também tem o blog Don’t Touch My Moleskine, que aborda artes, músicas, fotografia e música, é considerado um dos mais influentes do Brasil.

Flávia Durante é jornalista e editora do site da Revista TPM e, em 2013, criou o bazar POP Plus Size.

Gabriela Hunnicut é uma das vencedoras do prêmio Winning Women Brasil 2013 com a agência da qual é sócio-fundadora e diretora geral, a Bold Conteúdo.

Helena Rizzo foi eleita a melhor chef mulher da América Latina em 2013 e é proprietária do Maní, eleito também este ano um dos 50 melhores restaurantes do mundo.

Maria Lutterbach é sócia-fundadora da Mínimasestúdio que produz pequenas tiragens de livros mais artesanais. Neste ano, se especializou em booktrailers e já tem a Cia das Letras como cliente.

Marina Gurgel Prado e Tatiana Pascowitch são criadoras do A Bela do Dia, floricultura que utiliza bicicletas para a entrega de flores em São Paulo.

Maristela Bizzaro é diretora executiva do braço brasileiro, fundado em abril de 2013, da WIFT (Women in Film and Televison) associação internacional de incentivo, educação e fomento às mulheres dentro e fora da telas do cinema, da TV e de novas mídias.

ESCRITA

Aline Valek e Sybylla organizaram uma coletânea de contos e criaram Universo Desconstruído, a primeira ficção científica feminista brasileira.

Ana Guadalupe, escritora de Maringá (PR), tem seus poemas republicados por jornais e revistas de todo o mundo.

Angélica Freitas, autora de Um Útero é do Tamanho de um Punho (CosacNaify), livros de poemas com temática feminista, foi finalista de diversos prêmios, como o Portugal Telecom.

Bruna Beber é autora do livro de poesia Rua da Padaria, terceiro mais vendido na edição de 2013 da Flip.

Dinha, uma das melhores escritoras da literatura que celebra a periferia, lançou, em novembro de 2013, seu segundo livro Onde Escondemos o Ouro. 

Elizandra Souza lançou no finalzinho de 2012 seu segundo livro, Águas da Cabaça, e foi uma das organizadoras de Pretextos de Mulheres Negras, antologia com 22 escritoras negras publicado em agosto de 2013. É ativista cultural, radialista, editora da agenda da periferia de São Paulo, locutora da Rádio Comunitário Heliópolis FM e moradora do distrito do Grajaú, extremo sul paulistano.

Fabi Secches e Flávia Stefani criaram a Confeitaria Mag, revista independente formada por um coletivo de autores, que também dá espaço a textos de convidados. Em 2013, a Confeitaria continuou a crescer e já conta com cerca de 70 autores publicados, em mais de 300 textos.

Fernanda Torres lançou em 2013 seu primeiro e elogiado livro, Fim (Companhia das Letras), ambientado no Rio de Janeiro de 1970.

Isabela Noronha é jornalista e escritora e, sem nenhum livro publicado, já ganhou dois prêmios de literatura. O primeiro foi em Londres, onde fez mestrado em criação literária, na Brunel University. Seu trabalho de fim de curso, um romance, foi premiado este ano pela agência literária Curtis Brown, uma das maiores do Reino Unido. Ainda em 2013 ela competiu com outros 1300 escritores e ganhou, aqui no Brasil, um dos mais prestigiados prêmios de literatura juvenil, o Barco a Vapor, da Fundação SM. Pelo livro “O Garoto que Engolia Palavras”, Isabela Noronha recebeu R$30 mil em dinheiro, como adiantamento, e garantiu a publicação.

Juliana Cunha é autora do blog Já Matei por Menos e do livro homônimo, coletânea publicada pela Lote 42 em 2013.

Juliana Frank lançou em 2013 o livro Meu Coração de Pedra-Pomes, pela Cia das Letras. Seu primeiro livro, Quenga de Plástico, repercutiu tanto que recebeu convite para escrever o roteiro baseado em Pornopopeia pelo próprio autor do livro, Reinaldo Moraes.

Paula Fábrio ganhou na categoria autor estreante com menos de 40 anos, com seu primeiro livro, Desnorteio (Patuá), o Prêmio São Paulo de Literatura, um dos mais prestigiados do país.

Vanessa Bárbara lançou este ano o romance Noites de Alface (Objetiva) e também foi elencada entre os 20 melhores escritores jovens brasileiros, pela Granta.

INSPIRAÇÃO

Élida Aquino é criadora do coletivo Meninas Black Power, grupo que celebra os cabelos crespos e o universo da mulher negra.

Ellen Oléria foi a ganhadora da primeira edição do The Voice Brasil, em 2012. Além do vozeirão, Ellen também recebeu atenção da mídia após seu casamento em agosto com Poliana Martins e tornou-se um ícone da luta de negras, gordas e lésbicas.

Luma Nogueira é a primeira (e por ora, a única) travesti a obter um título de doutorado no Brasil, pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Antes do título, Luma já atuava na área da educação, como concursada da rede estadual de ensino cearense.

Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres no Brasil, eleita em 8 de julho deste ano.

Nilma Lino é a primeira reitora negra de uma universidade federal brasileira. A conquista é um grande passo na democracia racial, ainda distante da realidade das universidades brasileiras.

JORNALISMO/ Mídia

– Mídia Impressa

Daniela Arbex é autora do premiado livro-reportagem Holocausto Brasileiro (Geração Editorial), que traz à tona um capítulo negro e esquecido que compreende quase todo o século XX. O Hospício de Barbacena, em Minas Gerais, foi cenário da morte de mais de sessenta mil pessoas, 70% sem qualquer distúrbio psicológico antes da entrada no local (o enlouquecimento gradual era parte da tortura), sendo a maioria epiléticos, homossexuais, prostitutas, alcoólatras e rebeldes aos sistemas políticas (entre 1903 e 1980 ocorreram dois períodos classificados como ditaduras no Brasil).

Jeanne Callegari é jornalista e editora da revista Vida Simples, onde criou a campanha Chega de Dieta, que promove a auto-aceitação.

Sabrina Duran criou o projeto Arquitetura de Gentrificação, em parceria com a Repórter Brasil e financiado pelo Catarse, para mapear a gentrificação e a especulação imobiliário em São Paulo. Sabrina também publicou esse ano o livro Mulheres Centrais, com perfis e fotos de mulheres que moram no centro paulistano. Além da área de moradia, também atua na área de mobilidade urbana.

– Digital

Andrea Dip é jornalista, especialista em direitos humanos, tendo inclusive escrito um livro há cinco anos sobre a aplicação prática da Declaração Universal dos Direitos Humanos no Brasil. Sendo colunista da Agência Pública, abordou as vergonhosas revistas pelas quais passam mulheres que fazem visitas em presídios.

Anna Beatriz Anjos, Gabriela Sá e Natacha Cortêz são estudantes de jornalismo que tiveram o terceiro projeto mais votado da Reportagem Pública, com uma investigação sobre o aborto no Brasil, mais especificamente no sistema público de saúde, em “Aborto Legal: do Direito ao Tabu”.

Bia Cardoso, Thayz Athayde, Liliane Gusmão e Iara Paiva fazem o Blogueiras Feministas, blog que traz notícias e reflexões sobre mulheres que a mídia tradicional muitas vezes ignora. 

Charô Nunes, Maria Rita Casagrande, Zaíra Pires, Larissa Santiago, Verônica Rocha, do Blogueiras Negras, blog sobre questões afins à negritude e ao feminismo. Toda mulher negra e afrodescendente que se identifique com a proposta pode participar de comunidade e escrever para a página.

Clara Averbuck e Nádia Lapa são autoras do blog Feminismo Pra Quê?, onde abordam temas como machismo e sexualidade.

Eliane Brum escreveu textos que viralizaram nas redes sociais em 2013. Colunista semanal da Época, abordou temas polêmicos, como o aborto.

Jarid Arraes se destacou com seus post para o blog Blogueiras Negras e artigos sobre gênero para a Revista Fórum.

Juliana Romano é jornalista e blogueira, escrevendo sobre moda com foco na diversidade no Entre Topetes e Vinis.

Nathália Viana é uma das fundadoras da Agência Pública, de jornalismo independente. A Pública ganhou diversos prêmios e viabilizou a publicação de várias reportagens sobre temáticas relevantes, como as revistas de agentes penitenciários a mulheres.

Tati Ivanovici é criadora do Rede do LadoDeCá, que aborda atividades culturais nas periferias de todo o país.

Thais Caramico é criadora do Garatujas Fantásticas, site com conteúdo sobre a infância que aborda de forma leve e fluida temas como identidade de gênero, papéis sociais por gênero e consumismo, arte. Parte do conteúdo é feito para as crianças.

POLÍTICA

Manuela d’Ávila (PCdoB-RS) é a única líder partidária mulher na Câmara dos Deputados e ganhou destaque recentemente por conta de um vídeo em que discursa no plenário contra o machismo, após um deputado responder, de forma machista, a uma pergunta da deputada de cunho político.

Mayara Vivian é uma das maiores vozes do Movimento Passe Livre, criado em 2004 em Santa Catarina mas que viveu seu auge em meados de 2013 com protestos simultâneos e diários em dezenas de cidades do Brasil.

Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) é a primeira mulher à frente da Procuradoria da Mulher do Senado, que lançou este ano o Mais Mulher na Política, em parceria com a Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados. 

PROJETOS SOCIAIS

Ana Carolina Rocha é a criadora da campanha Vaidoa, que divulga e incentiva a doação de sangue.

Casa de Lua é um espaço físico criado por 28 mulheres em São Paulo para receber debates sobre o universo feminino e workshops profissionalizantes.

Gal Martins leva às periferias do sul paulistano oficinas e apresentações de arte contemporânea, com ajuda da companhia de dança Sansacroma.

Giovanna Nader e Raquel Vitti Lino, dupla criadora do Projeto Gaveta, que, na contramão do consumismo, estimula a troca de roupas usadas entre pessoas em evento (as peças que não passam pela seleção delas são doadas para a ONG Filhos de Paraisópolis).

Juliana Bussab e Susan Yamamoto, criadoras da organização Adote um Gatinho, uma das pioneiras do Brasil em resgatar gatos abandonados, que continuou a se destacar em 2013 com um dos maiores bazares da história do grupo.

Juliana Russo e Natália Garcia são criadoras do Cidade para Pessoas, que espalha boas ideias de urbanismo de cidades de todo o mundo, visitadas através do financiamento coletivo.

Renata Quintella criou o projeto Nova Jornada, cujo objetivo é espalhar boas ações pelo Brasil, mesmo que por meio de pequenos gestos, como dar um abraço ou ajudar a carregar sacolas de mercado para alguém.

Simone Mozzilli, publicitária e empresária, voluntária do Hospital A.C.Camargo, fundou o Beaba em 2013 e foi eleita uma das 50 profissionais mais inovadoras do mercado digital pela ProXXima. O Beaba é uma entidade sem fins lucrativos para educação, suporte e apoio à criança com câncer.

TECNOLOGIA E INTERNET

Alessandra Nahra Leal é especialista em programação e sócia fundadora da Saiba+, consultoria de usabilidade e arquitetura de informação, que atende a grandes empresas brasileiras e foi destaque em TI em 2013.

Ana Haddad e Camila Haddad são fundadoras do Cinese, plataforma para divulgação e troca de conhecimentos e divulgação de eventos.

Ana Luiza Gomes e Mayra Fonseca são fundadoras do projeto O Brasil com S, projeto que divulga e valoriza a pluralidade da identidade brasileira.

Ariane Queiroz e Jessica Grecco administram a página do Facebook Indiretas do Bem, que já tem 1,2 milhões de curtidas e além de reconhecer boas ações, se engaja em lutas que estão em ampla divulgação na mídia.

Beatriz, Daniela e Débora Andreucci, da InspirationPage, que este ano lançaram novos projetos e um site novo, que promove e divulga boas ações de todo o mundo.

Bia Granja é a criadora do YouPix, site que virou referência no mundo geek e tem um festival próprio, o youPIX Festival, que cresce cada vez mais. 

Carol Moré criou o blog Follow the Colours, que fala diariamente de ideias, ações inspiradoras, artes e design, ao qual se dedicou em tempo integral este ano. Também foi considerada uma das mulheres mais interessantes para se seguir no Twitter. 

Daniela Silva é fundadora da rodAda hacker, um site que volta oficinas de programação às mulheres, normalmente excluídas num meio majoritariamente masculino.

Janara Lopes é a criadora do IdeaFixa, site de curadoria de arte, referência no meio criativo. O site acabou virando livro, Ideafixa’s: greatest hits (Arte e Letra). Com autoria de Janara e Alicia Ayala, a publicação reúne 11 edições da revista digital do site, com 86 artistas de todo o mundo.

Jaqueline Barbosa é diretora de conteúdo do Hypeness, que seleciona criações de todo o mundo, sempre direcionada a boas iniciativas que podem ser reproduzidas sem barreiras linguísticas ou culturais.

Márcia Olivia Granja é criadora do projeto Sonhos num Pontinho, que fez seu primeiro aniversário este ano.

INTERNACIONAL

Alice Munro, escritora canadense, venceu o Nobel de Literatura de 2013.

Amanda Palmer, cantora norte-americana, escreveu textos com viés feministas que viralizaram.

Amy Poehler, estadunidense, criadora do projeto “Smart Girls at the Party” que baseia na autodescoberta de jovens mulheres. Ao lado de Tina Fey, apresentou o Globo de Ouro – a dupla foi elogiadíssima. Além disso, no seu trabalho como atriz, foi indicada ao Emmy em 2013, por seu papel em Parks and Recreation.

Chelsea Manning, soldado transexual americana, condenada por vazar documentos ao Wikileaks. Poucos veículos noticiaram sua transição de gênero e sua preferência pelos pronomes e nome feminino.

Debbie Sterling, criadora do Goldie Blox, empresa norte-americana de brinquedos para montar com massiva campanha voltada às meninas. A proposta é incentivá-las a brincar com outras coisas além de bonecas.

Debora Spar, cientista política norte-americana, autora do livro Wonder Women, um dos destaques de 2013, com grande repercussão no meio feminista internacional.

Eileen Pollack, escritora e professora da Universidade de Michigan (EUA). Foi a segunda mulher a se formar em física pela Yale e, em 2013, está preparando um estudo interessante sobre mulheres nas ciências exatas, que vai lançar em forma de livro.

Ellen DeGeneres é uma importante apresentadora estadunidense de talk show voltado a mulheres. Um dos seus monólogos mais famosos de 2013, “Bic for Her”, foi visto quase 3 milhões de vezes em um só canal do YouTube, e satiriza a criação de objetos do dia-a-dia ditos “adaptados às mulheres”. É também uma importante figura da luta LGBT nos Estados Unidos.

Greta Gerwig é atriz e co-roteirista do ótimo filme Frances Ha, eleito por todas as listas de cinéfilos como um dos melhores do ano.

Jennifer Lawrence, ganhadora do Oscar 2013, questiona os padrões impostos às atrizes hollywoodianas e o reflexo deles na sociedade, se tornando referência também fora das telonas.

Kerry Washington, atriz norte-americana, foi a primeira mulher negra indicada ao Emmy desde Cicely Tyson, em 1995. 

Laverne Cox, atriz negra e transexual que rouba a cena no seriado Orange is The New Black, lançado em 2013. Seu personagem foi fundamental para mostrar que existem atrizes transexuais excelentes, e que não é preciso contratar mulheres cisgêneras para representar mulheres trans.

Lena Dunham, escritora e criadora da série “Girls”, estrelada por quatro atrizes e ganhador de dois globos de ouro em 2013, que também foi renovada este ano.

Lila Azam Zanganeh, escritora franco-iraniana, que teve destaque na Flip 2013 com seu livro O Encantador – Nabokov e a Felicidade.

Lorde, neozelandesa, é cantora teen feminista de apenas dezessete anos. Seu primeiro álbum conseguiu quatro indicações ao Grammy 2014.

Lupita Nyong’o, atriz nigeriana, faz o papel de uma escrava em 12 Years to Slave, filme que tem 7 indicações ao Globo. Ela está cotada para concorrer ao Oscar.

Mindy Kaling, primeira atriz com ascendência indiana a protagonizar um seriado norte-americano, The Mindy Project.

Miranda July é escritora, cineasta e artista performática, autora de O Escolhido foi Você e de projetos de sucesso em 2013, como We Think Alone.

Roxane Gay, blogueira e escritora norte-americana, é uma das vozes mais influentes do feminismo, com destaque em 2013.

Sheryl Sandberg, empresária norte-americana, conhecida pelo seu trabalho como chefe operacional do Facebook há quatro anos. Em 2013, lançou seu livro, Faça Acontecer, que retrata as questões de gênero no mundo do trabalho, mais especificamente à frente de grandes empresas.

Tina Fey, atriz, escritora e musa inspiradora, foi um dos destaques do Emmy deste ano por 30 Rock (indicada como atriz e vencedora como roteirista, pelo episódio Last Lauch, ao lado de Tracey Wigfield).

Wendy Davis, senadora norte-americana, ficou de pé e discursando por 11 horas, sem comer, beber água ou ir ao banheiro, para impedir o endurecimento da lei anti-aborto estadunidense.

ESPECIAL

Gabriela Leite dá nome a um Projeto de Lei que visa melhorar a vida das prostitutas, sua luta durante toda a vida. Faleceu em outubro de 2013.


Um obrigada especial às colaboradoras que tiveram participação massiva na formatação da lista: Fabi Secches*, Francielle Sads, Isabela Mena e Jeanne Callegari*. Muitas outras leitoras e leitores do Talk Olga também enviaram seus votos e sugestões.

* Fabi e Jeanne aparecem na lista, mas, obviamente, não puderam votar em si mesmas. Elas foram indicadas por outras pessoas.   

Compartilhar