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Um estudo divulgado em março deste ano trouxe surpresa na comunidade científica: segundo a Elsevier, o Brasil, ao lado de Portugal, é o país líder em igualdade de gênero no ambiente das pesquisas. Sob o recorte do relatório, mulheres publicam artigos praticamente tanto quanto homens e representam 49% dos profissionais de pesquisa no Brasil. Esta é uma entre algumas notícias animadoras sobre as mulheres cientistas brasileiras; também sabemos que Celina Turchi, uma das responsáveis pela comprovação da relação entre zika e microcefalia, foi indicada pela Nature como uma das 10 cientistas mais importantes de 2016 (entre homens e mulheres); também podemos falar sobre Nadia Ayad, engenheira negra que venceu um desafio científico mundial por conta de suas pesquisas sobre a utilização do grafeno, um material à base de carbono.

Isso quer dizer que a comunidade científica é um lugar seguro e perfeito para as mulheres? Que todos os desafios foram conquistados e todas nós seremos recebidas de braços abertos em todos os laboratórios e salas de aulas que desejarmos entrar? Infelizmente, não. E ainda estamos bastante longe dessa realidade.

Por mais que os números sejam animadores, eles representam apenas um pequeno recorte do que é ser uma mulher na ciência. O estudo também revela grande disparidade da presença de mulheres em certas áreas do conhecimento – muitas delas exclusivamente “masculinas”, como as engenharias – e não contempla a cultura de publicação de artigos científicos no Brasil – nas ciências exatas, em especial, é exigido que pesquisadores e pesquisadoras publiquem muito para permanecerem relevantes no mercado. Além disso, a pesquisa não contempla em profundidade as questões de gênero e as microagressões diárias que mulheres na ciência, em todo lugar do mundo, enfrentam diariamente.

A verdade é que é duro ser mulher no espaço científico. Vera Rubin, uma das astrônomas mais importantes do século passado, responsável pela descoberta da existência da matéria escura, foi zombada pelos seus colegas e desestimulada a estudar física. Ada Lovelace, que pode tranqüilamente ser considerada a primeira programadora de computadores do mundo, volta e meia tem suas descobertas questionadas e atribuídas a seu colega de trabalho, Charles Babbage. Marie Curie, talvez a cientista mais famosa do mundo, ganhadora de dois prêmios Nobel em áreas diferentes, era proibida de entrar na universidade na Polônia, seu país de origem, simplesmente por ser mulher. No Brasil, o direito da mulher a entrar na universidade tem 120 anos. Isso sem falar que a história da ciência está polvilhada de casos de mulheres que, para serem aceitas no ambiente científico, assinavam seus trabalhos com nomes masculinos – e outros tantos casos de homens que simplesmente roubaram descobertas de grandes inventoras e pesquisadoras.

Há quem possa argumentar que os tempos mudaram. Nem tanto. O site Speak Your Story encoraja mulheres das áreas de exatas a denunciarem casos de assédio, abuso e até violência sexual no ambiente de trabalho. Universidades renomadas no mundo todo possuem centros de pesquisa que visam aumentar a representatividade nas áreas científicas, que ainda surgem como ambientes hostis para muitas mulheres. Infelizmente, o mesmo ambiente onde o trabalho de pesquisadoras é encorajado pode ser palco para dor e muito silêncio, já que muitas cientistas preferem ocultar seus casos de agressão para evitar conflitos com orientadores e outros alunos e colocar toda a carreira a perder. Vale dizer que as universidades brasileiras fazem de tudo para ocultar esses casos, inclusive encorajar esse medo do futuro acadêmico.

Não podemos acreditar que o Brasil seja perfeitamente igualitário no campo da ciência quando questões  de gênero tão urgentes são silenciadas no ambiente acadêmico.

Para auxiliar no debate desse tema tão importante – e por vezes esquecido, silenciado e fora do escopo de debate do mundo acadêmico -, estaremos mediando uma mesa com três cientistas brasileiras no lançamento do livro “As Cientistas”, de Rachel Ignotofsky, que traz a história de 50 cientistas mulheres que mudaram o mundo com sua genialidade. O evento acontece no dia 06 de maio, próximo sábado, a partir das 16h, no Shopping Pátio Paulista, em São Paulo. Para mais informações, visite a página do evento!

Arte: Katherine Johnson por Rachel Ignotofsky para o livro As Cientistas.

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Quando recebi o convite para escrever um texto apresentando o livro Mulher, raça e classe da professora, pesquisadora e militante Angela Davis, senti um frio na barriga.

Esse livro é uma das principais referências para pesquisadoras e ativistas do feminismo negro no mundo inteiro. O que dizer sobre uma obra com essa importância histórica para tantas mulheres?

Acho que eu gostaria, então, de usar esse espaço para trazer algumas questões importantes para pensarmos juntas.

Primeira delas: feminismo não é espaço de disputa de saberes ou etnias. Feminismo é espaço de análise, reflexão e enfrentamento à opressão. E sim, é preciso racializar a discussão nesse campo, porque realidades diferentes exigem enfrentamentos diferentes.

Sabe qual é o ponto de partida para pensar essa realidade? A escravidão no Brasil. Sim, a escravidão moldou efetivamente a forma como indivíduos brancos e negros se percebem na sociedade brasileira. Mesmo que o mito da democracia racial diga que não, vivemos permanentemente uma tensão racial que se expressa em índices horríveis sobre a população negra, onde o pior dos piores índices retrata o cotidiano das mulheres negras.

O processo de luta para enfrentamento da opressão está ligado a dois fatores: 1. Empatia com a causa a partir de demandas reais e subjetivas, e 2. Compreensão que é preciso mudar essa realidade.

Nesse sentido, Mulher, raça e classe é um livro que parte das questões que Davis também vivencia, por ser uma mulher negra, ao mesmo tempo que ela potencializa essa experiência num método de análise da realidade da mulher negra, latina e indígena norte-americana.

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Esse é um livro obrigatório para qualquer mulher que se acredite feminista. Seja porque ele é rico em elementos para compreendermos a dimensão de raça e classe no debate feminista, seja porque ele foi escrito por uma das maiores intelectuais negras (senão a única) da filosofia política na modernidade, e que está viva e atuando nas trincheiras do feminismo e dos direitos humanos.

Se você é uma mulher negra, que pode ter acesso ao livro, leia, dê de presente, faça rodas de debate e discussão. Para nós, mulheres negras, compartilhar conhecimento entre nós é um gesto de amor.

Se você é uma mulher branca, que pode ter acesso ao livro, leia, dê de presente para outras mulheres brancas, faça rodas de conversa sobre os livros, procure compreender, por meio da genialidade de Davis, porque em alguns momentos gênero nos une e raça nos divide.

Sabe, a Angela Davis sempre diz que nossa missão revolucionária e feminista é romper com toda e qualquer forma de cisão, seja de gênero, de raça ou de classe. Na minha opinião, sabe como vamos fazer isso? Quando entendermos que a história tem dois lados e a realidade é um mosaico.

Que nada nos defina, a não ser a liberdade.

Awetu!

Jaqueline Conceição foi indicada em 2016 na lista de Mulheres Inspiradoras da ONG Think Olga, é graduada em Pedagogia (2009) pelo Centro Universitário São Camilo e Mestre em Educação: História, Política, Sociedade (2014) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC). Articuladora do Coletivo Di Jejê, pesquisa à luz da Teoria Crítica da Sociedade, especialmente as contribuições de Herbert Marcuse, Theodor W. Adorno e Angela Y. Davis. Possui publicações sobre gênero, funk, juventude, racismo, sistema prisional e políticas sociais (artigos autorais e traduções) em revistas científicas e revistas de circulação não acadêmica.

Para saber mais:

Leia: Mulher, raça e classe. Angela Davis. 1ª edição brasileira. São Paulo: Boitempo: 2016.Curso On Line O pensamento de Clique aqui para mais informações sobre o curso “Pensamento de Angela Davis”, do Coletivo Di Jejê

Arte: Dicionário Aurélia.

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Em um ano marcado pela mudança na tradicional lista de Mulheres do Ano da revista Glamour americana somente para que fosse possível nomear um homem; pela persistência do prêmio Nobel em ignorar mulheres brilhantes; e por retrocessos na política a ponto de haver cada vez mais espaço para o conservadorismo e elitismo, a motivação para desenvolver a lista de Mulheres Inspiradoras 2016 só não continua a mesma pois é ainda maior. Publicamos o primeiro documento em 2013 com o objetivo de combater a falta de reconhecimento de trabalhos protagonizados e desenvolvidos por mulheres e, ainda hoje, cada novo projeto, cada nova conquista, cada novo grito de luta e resistência nas ruas são necessários e merecem méritos.

Nossa lista não premia ou classifica o trabalho das mulheres selecionadas, tampouco consegue nomear todas que merecem ser lembradas. Contudo, estamos felizes por reunir mais de 200 mulheres, grupos e coletivos cujas contribuições em 2016 merecem ser reconhecidas, valorizadas e incentivadas a continuar. A lista contou com uma vasta pesquisa da jornalista da Think Olga, Karoline Gomes, indicações de parceiras da Olga, além da colaboração super especial da blogueira e ativista Jéssica Ipólito.

A todas essas mulheres, o nosso muito obrigada e votos de ainda mais sucesso! Desejamos que, com essa singela homenagem, vocês possam inspirar ainda mais mulheres. E a você, leitora da Think Olga, a principal inspiração para nosso trabalho diário, um convite para participar desta celebração, compartilhando esta lista e citando outros nomes de mulheres que a inspirou em 2016.

ATIVISMO & CIDADANIA

Bruna Antunes – Em Porto Alegre (RS), organiza o curso Bordado Empoderado, onde ensina ponto cruz e técnica livre de bordado para se chegar a símbolos e frases que significam força e união entre as mulheres. A preços acessíveis, os encontros ocupam vários pontos da cidade. É possível acompanhar a agenda das aulas na fanpage.

Camila Carvalho – Para estimular a sustentabilidade e melhor convívio entre as pessoas, a advogada pela PUC-RJ criou a Tem açúcar?, plataforma que estimula economia colaborativa, redução de gastos, desperdícios e empréstimo de diversos utensílios. Desde agosto deste ano a rede também está disponível como um aplicativo.   

Coletivo Hera Bárbara – Passou a promover o Oficina de Mulher, projeto com oficinas de defesa pessoal, teatro, fotografia e produção musical ministradas por mulheres e para mulheres, criando um espaço de troca e compartilhamento de experiências, na cidade de João Pessoa.

Fernanda Vicente – A jornalista criou o projeto Mães no ENEM, que conecta mães em preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) com mulheres que se voluntariam a cuidar de seus filhos para que elas tenham tempo de estudar. A plataforma on-line já conta com mais de 150 voluntárias em 19 estados do Brasil, e Fernanda deseja expandir o alcance do projeto para todos os estados do país, a fim de atender mães que vão prestar também vestibulares e processos seletivos de empresas.

Jaque Conceição – Pedagoga e mestre em História, Política e Sociedade, fundou o Coletivo Di Jejê, um espaço de formação e produção de conhecimento para mulheres negras. O coletivo oferece cursos de temas de aspectos políticos, econômicos, filosóficos e identitários ligados a questões raciais com recorte de gênero, que são pertinentes às mulheres negras no Brasil.

Laina CrisóstomoA advogada baiana é criadora do coletivo TamosJuntas, que surgiu após o lançamento da campanha #MaisAmorEntreNós, para divulgar o atendimento jurídico gratuito de mulheres vítimas de violência de gênero, que é uma advocacia voluntária prevista no Estatuto da OAB. As advogadas Aline Nascimento, Carolina Rola e Natasha Barreto se uniram a ela e criaram uma página no Facebook, expandindo a divulgação do projeto, que busca também sanar dúvidas, orientar e atender as mulheres de Salvador (BA) em diferentes situações de risco.

La Frida Bike – Um projeto de cicloativistas negras que une bicicleta a arte de rua e estimula a representatividade feminina na mobilidade urbana em Salvador (BA). Iniciou uma campanha de financiamento coletivo na Benfeitoria, a fim de arrecadar verba para a criação de uma escola de bike itinerante e instalação de 40 bicicletários em universidades e escolas públicas da capital baiana.

Maria Clara de Sena É a primeira mulher trans a assumir um cargo no Mecanismo de Prevenção e Combate à Tortura do Governo do Estado de Pernambuco, que atua em parceria com a ONU e busca coibir e denunciar violências nas cadeias. Foi vencedora do Prêmio Cláudia 2016 na categoria Políticas Públicas por sua atuação no projeto Fortalecer para Superar Preconceitos, da ONG de direitos humanos Grupo de Trabalhos em Prevenção (GTP), onde ajuda mulheres trans detentas, chegando até a conseguir uma ala exclusiva em um dos presídios em que atua, evitando que estas mulheres ficassem vulneráveis a detentos homens.

Patrícia de Oliveira – É uma das fundadoras da Rede de Comunidades e Movimento Contra a Violência. Organizou um evento na Casa Pública, Rio de Janeiro, para falar sobre a alta taxa de violência policial contra a população negra e a diferença da cobertura da imprensa realizada nos Estados Unidos e Brasil sobre o assunto. O debate foi realizado em julho, mesmo mês em que a Chacina da Candelária completou 23 anos, quando policiais mataram crianças de rua da capital carioca e um dos sobreviventes foi Wagner dos Santos, irmão de Patrícia. O evento contou com representantes de outros movimentos, como o Black Lives Matter e Liz Martin, fundadora do Brazil Police Watch, que coordena a campanha Kill For Me: Safe Games for All por aqui, desde 2007, todos com o objetivo em comum de combater a violência policial.

#PrecisamosFalarSobreAborto 24hrA virada feminista a favor da legalização do aborto no Brasil, organizada por Jéssica Ipólito (Gorda & Sapatão), Joice Berth (Justificando) e Thaís Martins (Ativismo de Sofá) em parceria com a Think Olga, foi concentrada no Facebook, movendo coletivos, especialistas e militantes feministas a falar sobre questões de saúde pública, jurídicas e de autonomia feminina nas 24 horas do dia 28 de setembro, Dia Latino-Americano e Caribenho pela Descriminalização do Aborto. Para isso, todos utilizaram a ferramenta de transmissão ao vivo Facebook Live.

Samira Soares, Milla Carol, Ivy Guedes, Naira Gomes, Andrea Souza, Lorena Lacerda, Nadja Santos, Vanessa Santos – Ao lado de João Vieira, elas integram a organização da Marcha do Empoderamento Crespo da Bahia que aborda assuntos da estética negra. Em sua segunda edição, a Marcha reuniu mais de mil pessoas no centro de Salvador.

Tabata Contri e Carolina Ignarra – Pela Talento Incluir, as consultoras de inclusão de profissionais com deficiência no mercado de trabalho aplicam treinamento de conscientização em organizações, junto com equipe capacitada neste tema. No segundo semestre, a empresa realizou uma pesquisa com o portal Vagas.com, na qual 38% das pessoas entrevistadas alegaram a falta de um plano de carreira.

Vilma Reis – A socióloga recebeu a Medalha Zumbi dos Palmares, honraria na Câmara Municipal de Salvador, em reconhecimento de sua luta antirracista. Atualmente, Vilma Reis é ouvidora da Defensoria Pública do Estado da Bahia e uma referência na luta contra o genocídio da população negra. É uma potente contribuidora para transformação social em Salvador e no Brasil, inspirando jovens no engajamento na luta antirracista por onde passa.

Internacional:

Patricia Torres Linares, Norma Aidé Jiménez Osorio, Georgina Edith Rosales Gutiérrez, Maria Patricia Romero Hernández – 10 anos após sofrerem violência e abuso sexual de policiais ao serem presas por estarem em protesto na cidade de Atenco, no Estado do México (MEX), Patricia, Norma, Aidé, Georgia, Maria e mais sete mulheres se reúnem e apresentam seus casos à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que seguirá com investigação.

Wahida Mohamed – Líder de grupo com dezenas de homens, em combate ao Estado Islâmico (EI). Em Shirqat, no Iraque, é conhecida como Um Hanadi, considerada um dos principais inimigos dos jihadistas do EI. Despertou para esta função quando trabalhou nas forças de segurança iraquiana, em 2004.

ARTE & ENTRETENIMENTO

Aíssa Mattos e Ana Carla Oliveira – Criadoras do projeto fotográfico ParÁFRICA, cujo objetivo é mostrar o Povo Negro do Pará, evidenciando a sua beleza dentro dos seus contextos diários e ressaltando a diversidade cultural.

Beatriz Vieira – Estudante de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), teve sua proposta de roteiro selecionada entre as 20 pelo Edital Curtas Universitários 2016/2017. Assim, Beatriz começará a produzir um documentário retratando a vida de Lélia Gonzales: mulher negra, professora e antropóloga brasileira que é referência quando se fala de feminismo negro brasileiro.

Cau Gonçalves e Josy Garcia – São criadoras do ÂNIMA – Ações Nutrindo Inquietações de Mulheres Artistas, em Salvador, na Bahia, que surge com o pensamento de abrir um espaço que una e fortaleça a sororidade, debates, questionamentos e, acima de tudo, a voz das mulheres. O ÂNIMA tem reunido exposições, intervenções, arte urbana, música, teatro, poesia, artes visuais, artes plásticas, cinema, moda, cultura popular e artesanato, promovendo a presença feminina através da arte.

Coletivo Gaia – Criado em maio por alunas e ex-alunas da Escola Técnica de Teatro Martins Penna, localizada no centro do Rio de Janeiro, durante uma ocupação estudantil, teve, como primeiro trabalho o curta Irmã, que fala sobre o estupro coletivo sofrido por uma jovem de 16 anos na mesma cidade. O trabalho é premiado como melhor trilha sonora no Festival de Cinema 72 horas, além da segunda colocação como melhor curta.

Denise Fraga Na tradicional A Vida de Galileu, peça de Bertolt Brecht, a atriz quebrou barreiras de gênero ao se tornar a primeira mulher a assumir o papel-título, interpretando o físico, matemático, astrônomo e filósofo italiano Galileu Galilei.

Julyana Terto e Kalyane Lima, Camila Rocha e Preta Lange, Priscila Lima e Giordana Leite –  Juntas, criaram a Sinta A Liga CREW, com o objetivo de fortalecer a cena e potencializar a visibilidade da produção feminina no hip-hop na Paraíba, promovendo shows e encontros para inspirar mulheres que amam esta arte.

Mônica Santana – A atriz criou o projeto multilinguagens Isto Não é Uma Mulata, com o objetivo de questionar as formas com que a mulher negra é representada na mídia e na cultura brasileira. No mês de novembro, em que se comemora, no dia 20, o Dia da Consciência Negra, Mônica expôs, no Teatro Gamboa Nova, em Salvador, Bahia, seus desenhos, poemas e ensaio visual para o projeto, além de uma performance solo.

Letícia Sabatella – Com a produção da companhia de teatro Os Satyros e em parceria com outros atores, a bailarina, atriz e cantora ministrou oficinas para preparar haitianos refugiados na capital paulista para atuar na peça Haiti Somos Nós. Sem experiência anterior com a linguagem teatral, os participantes protagonizaram a peça apresentada na Galeria Olido, centro da capital de São Paulo, mostrando os desafios que enfrentam no Brasil, entre eles, a xenofobia e o desemprego, além de retomar fatos históricos do país caribenho, como o terremoto de 2010.

Priscila Ferrari – Ilustradora e autora do blog Cadê Meu Café?, lançou, por meio de financiamento coletivo, o livro infantil Coisa de Menina, com ilustrações e mensagens que retratam meninas exercendo diversas profissões mostrando que “tudo” pode ser “coisa de menina”.

Internacional:

Cate Blanchett e Rooney Mara – As atrizes interpretaram um casal no filme Carol, que mostra as dificuldades, angústias e conquistas para manter um relacionamento afetivo entre mulheres, ainda mais nos anos 1950. Adaptado do livro The Price of Salt, de Patricia Highsmith, o longa-metragem traz a questão lésbica que ainda é pouco retratada no cinema.

Júlia Rebouças (Brasil), Gabi Ngcobo (África do Sul) e Sofia Olascoaga (México) – Elas formam a curadoria da 32ª Bienal de Arte de São Paulo, que também contou com o curador Jochen Volz e co-curador Lars Bang Larsen, aberta até dezembro no Pavilhão do Parque do Ibirapuera com obras de 81 artistas – sendo 47 delas mulheres de vários países. Entre as artistas, estão a mineira Lais Myrrha, a paulistana Ana Mazzei, a africana Tracey Rose, a britânica Carolina Caycedo, a kuwaitiana Maarad Trablous, a portuguesa Carla Filipe, a peruana Rita Ponce de León e a finlandesa Pia Lindman. Com o tema Incerteza Viva, a mostra reúne trabalhos que conversam entre si, com mensagens relacionadas às condições atuais de vida e de que a incerteza pode direcionar ao invés de ser só evitada.  

Millie Bobby Brown – Como Eleven de Stranger Things, a atriz de 12 anos se destacou pela interpretação no seriado. Ela também divulgou um vídeo em apoio ao Malala Fund, fundação liderada por Malala Yousafzai e voltada à inserção das garotas do Oriente Médio na escola, para aumentar o direito à educação dessas jovens.

Noma Dumezweni – Neste ano a atriz suazilandesa e negra chamou atenção por ser escalada para interpretar Hermione Granger no musical Harry Potter and the Cursed Child, que estreou em julho no Reino Unido. Noma recebeu alguns comentários preconceituosos nas redes sociais, mas não se abalou. Antes mesmo da estreia, a autora J.K. Rowling já tinha demonstrado no Twitter que esta personagem nunca teve a cor de pele anunciada nos livros que originaram a história e que escalou a atriz pelo ótimo trabalho desempenhado por ela em outros projetos.

Queen Latifah e Uzo Aduba Após o discurso engajado e emocionante da atriz Viola Davis como primeira atriz negra a ganhar o Emmy, em 2015, no início deste ano o Screen Actors Guild Awards (SAG) premiou outras atrizes negras. Queen Latifah levou como Melhor Performance Feminina ao interpretar a cantora de blues Bessie Smith no telefilme Bessie, da HBO. E Uzo Aduba ganhou como melhor atriz de série de comédia pela atuação em Orange Is the New Black, da Netflix. O seriado também ganhou, na mesma categoria, como melhor elenco, afirmando a diversidade como ponto forte da história que vem conquistando cada vez mais fãs.

Tatiana Maslany – No Emmy 2016, ela ganhou como melhor atriz de série dramática pela interpretação de 11 personagens diferentes em Orphan Black, seriado sobre uma conspiração de clones e que tem o patriarcado e representatividade feminina como pontos fortes dos episódios. Era uma das favoritas da audiência para ganhar a premiação, conquistada após três anos no elenco da produção.

Yara Shahidi – A atriz norte-americana de 16 anos tem forte envolvimento no ativismo contra racismo e a favor da educação. Neste ano, a atriz de Blackish palestrou contra os estereótipos da indústria hollywoodiana e do entretenimento, levando sua fala para uma campanha da DoSomething.Org, cujo objetivo era arrecadar fundos para equipamentos de ciência em tecnologias para escolas em Minnesota e St.Louis, nos Estados Unidos. Também lançou recentemente o Yara’s Club, onde, uma vez por mês, jovens se reúnem com ela para falar sobre educação e problemas sociais, por meio de transmissão no site da instituição The Young Women’s Leadership Schools (TYWLS).

INTERNET & MÍDIAS SOCIAIS

Beatriz Oliveira, Carol Silvanno, Samantha Cristina e Stella Yeshua – Depois de sofrer racismo em um shopping na cidade de São Paulo, o grupo gravou um vídeo com um desabafo bem humorado que viralizou na internet. Usando o bordão Estaremos Lá, elas iniciaram um canal no Youtube para continuar a conversa sobre racismo e hoje têm mais de 3 mil seguidores.  

Cida Nicolau, Maria Clara Vieira e Júlia Vieira – De São Bernardo do Campo (SP), mãe e filhas, respectivamente, criaram o site Cabeça e Coração, para sensibilizar e arrecadar doações às mães de bebês com microcefalia decorrente da epidemia relacionada ao vírus Zika. Começou no fim de 2015 e hoje a fanpage conta com quase 6 mil curtidas.

Gabi Oliveira – Inspirada pela própria monografia “Papel das redes sociais na valorização da estética negra”, que desenvolveu para a conclusão do curso de Relações Públicas, pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Gabriela Oliveira criou um canal no Youtube, o DePretas, para falar de militância a dicas de beleza com o objetivo de informar outras mulheres negras.

Comum.vc – A plataforma criada pela advogada Anna Haddad, pela jornalista Carol Patrocínio e a gerente de comunidade Giovana Camargo, reúne conteúdo em texto e vídeos, além de espaços de fóruns e debates exclusivamente para mulheres. O objetivo é manter um espaço seguro para mulheres terem conversas profundas, longe dos haters de internet.

Helen RamosComo o canal Hel Mother, a jornalista e mãe divulga vídeos para esclarecer e mostrar os desafios da maternidade. Com abordagem bem-humorada, ela fala das dificuldades da gestação até a criação solo, além de questões vistas como obstáculos, como o sexo casual e as mudanças nas amizades nessa nova fase da vida. Lançado no Dia das Mães deste ano, o canal já conta com mais de 23 mil inscritos.

Jackeline Salomão, Nina Dutra e Mariana Zatz – Diretora, produtora e roteirista, respectivamente, do canal DR de humor, em que abordam diversos temas do universo feminino como menstruação, orgasmo, tpm. O canal já conta com mais de 180 mil inscritos.

Jéssica Tauane e Débora Baldin – As idealizadoras do popular Canal das Bee, que combate o preconceito em todas as formas e conta com o apoio da comunidade LGBT. Por meio da campanha de crowdfunding Bee Ajuda, elas arrecadaram fundos para garantir acolhimento psicológico aos jovens LGBTs que sofrem opressão por causa da orientação sexual, remunerando um profissional especialista neste trabalho. O projeto surgiu após o aumento dos pedidos de ajuda do público que sofre com esta exclusão e elas resolveram expandir o trabalho voluntário, que já acolheu mais de 2 mil pessoas com ajuda de uma psicóloga voluntária. Parte da renda angariada será direcionada para a realização de um curta-metragem sobre a vivência lésbica.

Joyce Fernandes – Ex-empregada doméstica, Joyce Fernandes, também conhecida pelas rimas como Preta-Rara, criou a fanpage Eu Empregada Doméstica, onde contou uma história pessoal de racismo e abuso trabalhista. Com a hashtag #EuEmpregadaDomestica, outras mulheres contaram suas próprias histórias e ajudaram a expor este cenário de desigualdade social. Atualmente, o projeto está em campanha de financiamento coletivo para que Joyce consiga lançar o livro #EuEmpregadaDomestica – Nossa Voz Ecoa, que reunirá histórias relatadas por meio da hashtag.  

Joyce Gervaes – A estudante de Rádio e TV lançou o canal Joyce Gervaes Show no YouTube, em abril, onde apresenta questões que ela e outras pessoas negras enfrentam no mercado de trabalho, principalmente no setor audiovisual e meios de comunicação. É um espaço no qual ela  exercita a reflexão social e étnica.

Juliana Ricci – A professora de inglês Juliana Ricci é a criadora do grupo Indique uma Mina, que divulga vagas de emprego exclusivamente para mulheres, além de apoiar este público que costuma lidar com diferentes abusos onde trabalha. Atualmente a iniciativa tem mais de 85 mil participantes, apoiando também mulheres trans e fortalecendo a redução da desigualdade de gênero no mercado de trabalho.

Luiza Junqueira – Criadora do canal Tá, Querida?, que acumulou mais de 23 mil seguidores em pouco mais de um ano, dirigiu o documentário GORDA, como seu trabalho de conclusão de curso na ECO – UFRJ. O filme reúne mulheres gordas para falar sobre como é viver em uma sociedade gordofóbica.   

Mandy Candy – A primeira youtuber transexual do Brasil lançou este ano o livro Meu Nome é Amanda na 24ª Bienal Internacional do Livro, em São Paulo (SP). Na biografia, aborda o preconceito que sofreu, a sensação péssima de se olhar ao espelho e não se reconhecer até o momento da cirurgia para mudança de sexo. No YouTube, ela mostra diferentes perspectivas em torno das pessoas trans e do tema LGBT.

Mônica Sousa – Diretora executiva da Mauricio de Sousa Produções, empresa que realizou, no dia Internacional da Mulher deste ano, o projeto #DonasdaRua, cujo objetivo é mostrar a força das meninas utilizando personagens da Turma da Mônica como imagem de representatividade. Conta, ainda, com eventos e um site colaborativo que reúne histórias reais de leitoras que se sentem empoderadas.

Sueide Kintê – É jornalista e idealizadora do projeto #MaisAmorEntreNós, uma corrente feminista de apoio e ajuda entre mulheres. Por meio da plataforma da campanha, que funciona como uma rede social, as participantes podem trocar serviços e afetos.

Thaynara OG – A jovem maranhense se tornou uma influência digital após atrair milhões de seguidores com um jeito único de gerar conteúdo usando o aplicativo de vídeos e fotos Snapchat. Neste ano, ela ganhou o Prêmio Jovem Brasileiro na categoria melhor Snapchat.

Internacional:  

Issa Rae – Depois de bombar no YouTube com vídeos de produções independentes, a comediante americana agora atua e assina o roteiro da nova série da HBO, Insecure, que fala sobre relacionamentos e vida adulta do ponto de vista de uma mulher negra.

Jiang Yilei – A youtuber chinesa viralizou com vídeos cheios de sátiras publicados com o pseudônimo de Papi Jiang. Jian fala principalmente sobre solteirice depois dos 30, e sobre como lida com a pressão social em seu país para que mulheres se casem.

Stephanie Sarley – Artista plástica americana que publicou vídeo no Instagram em que “masturbava” frutas, como uma forma de falar da sexualidade feminina. Começou em janeiro, quando tinha 10 mil seguidores, e hoje tem mais de 170 mil fãs.

ARQUITETURA & URBANISMO

Ana Bazzo, Ana Bigi, Ana Zabotti, Angela Marschall, Daniela Lopes, Mariana Rocha, Paula Cury – As arquitetas catarinenses são fundadoras do #estarnarua, projeto que identifica o potencial de lugares de Florianópolis (SC) que podem ser melhor aproveitados e ocupados pela população. Duas vezes por mês, elas procuram por esses pontos, propõem mudanças e aplicam soluções rápidas aproveitando o que o local já oferece. As ideias projetadas no ateliê URBE, como sugestões para os espaços públicos, são divulgadas no site, além de oferecer espaço do ateliê para cursos, oficinas e exposições.

Raquel Rolnik Arquiteta e Urbanista, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, valoriza uma cidade mais inclusiva e mantém um blog homônimo onde publica artigos que explicam, em linguagem acessível, temas atuais como a proposta do futuro prefeito de São Paulo (SP), João Dória, de privatizar locais como o Parque do Ibirapuera. Ela ainda apresenta seminários sobre novos espaços em grandes metrópoles como forma de reduzir impacto no meio ambiente e nas comunidades. Lançou também o livro A Guerra dos Lugares: A Colonização da Terra e da Moradia na Era das Finanças, obra que analisa as transformações nas políticas habitacionais e fundiárias em vários países. Entre as atividades que já exerceu, foi relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU para o Direito à Moradia Adequada por dois mandatos, e secretária nacional de Programas Urbanos do Ministério das Cidades (2003-2007).  

Internacional:

Linda Cox – A urbanista norte-americana se volta à recuperação de rios de grandes metrópoles e neste ano foi palestrante no seminário A cidade e a água, em setembro, no Insper São Paulo (SP). É diretora executiva da Bronx River Alliance, que recupera o rio Bronx em Nova Iorque, integrando comunidades do bairro com alta taxa de criminalidade. Em outubro, o jornal Folha de São Paulo a entrevistou sobre as semelhanças entre os problemas dos rios poluídos em São Paulo (SP) e Nova Iorque (EUA).

Marwa al-Sabouni Arquiteta síria que tenta reerguer cidades e faz um diagnóstico da infraestrutura, apontando que a arquitetura vigente pode ter facilitado os ataques que as destruíram. Recentemente lançou o livro Battle for Home: The Vision of a Young Architect in Syria sobre o tema.  

CIÊNCIA

Ana Amélia Machado – A Professora e Doutora em Física da Universidade Federal do ABC (SP) está desenvolvendo a chamada Arapuca, um sensor para identificar neutrinos, com financiamento da FAPESP. Ela também participa de pesquisa coordenada pelo Fermilab, Estados Unidos, que resultará em um instrumento chamado Dune para identificar os neutrinos, partículas livres de carga elétrica, que interagem por meio da gravidade e de difícil identificação.

Ciência & Mulher – Site de divulgação científica da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), lançado em julho deste ano, para expandir divulgação das pesquisas e projetos de mulheres cientistas feitos para mulheres. O espaço também está aberto para discutir questões de gênero no Brasil.

Letícia Camargo Padilha e Samantha Karpe – Estudantes de Engenharia, elas levaram o Prêmio Claudia 2016 na categoria Revelação pelo desenvolvimento do Poliway, asfalto ecológico feito a partir de um tipo de plástico reciclável. Com forte tom na consciência ambiental, o produto é mais resistente e cerca de 15% mais barato do que o convencional. Com o projeto, elas já participaram de feiras de ciências, como a Mostratec e a DOESEF, esta na Turquia. Também foram finalistas do BraskemLab, que fomenta startups que usam o plástico como fator de mudança na vida dos cidadãos. A dupla conta com outras láureas, entre eles, o Prêmio Jovem Brasileiro, na área Meio Ambiente.

Lorrayne Isidoro – A estudante do Ensino Médio do Colégio Estadual Pedro II (RJ), participou da Olimpíada Internacional de Neurociências contando com a ajuda de pessoas nas redes sociais que fizeram com que o seu passaporte fosse emitido com mais agilidade, após atraso na liberação. Ela ficou em 2º lugar na prova de clínica geral para diagnóstico de doenças e em 18º lugar na competição geral.

Maria Vitória Valoto – A estudante de 16 anos do Colégio Interativa, em Londrina (PR), foi a primeira brasileira a ficar entre os finalistas do Google Science Fair 2016. Ela criou cápsulas reutilizáveis que tornam os alimentos com lactose viáveis para pessoas com intolerância ao componente.  

Patricia Medici Para diminuir o número de antas atropeladas nas rodovias do Mato Grosso do Sul, a conservacionista, junto a uma equipe, desenvolveu coleiras com GPS e refletores para os animais. Ela se dedica a pesquisas para a conservação dessa espécie no país há duas décadas como líder da Iniciativa Nacional de Conservação da Anta Brasileira (Incab), mamífero que ajuda a dispersar sementes e, assim, colabora com a manutenção das matas. Patricia é Engenheira Florestal pela ESALQ-USP, além de Doutora e Mestre em Ecologia e conservação de animais silvestres, e uma das fundadoras do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ).

Internacional:

Shu Lam – A Microbiologista malaia e PhD da Universidade de Melbourne (AUS) está pesquisando uma forma para combater as superbactérias resistentes a todos os antibióticos que existem, já consideradas como ameaça global pelas Nações Unidas. A solução pode estar nas cadeias de proteínas com moléculas criadas por ela, chamadas de polímeros peptídeos.

COMUNICAÇÃO & AUDIOVISUAL

Alane Reis – Jornalista, editora e criadora da Revista Afirmativa, com temas mensais que trazem conteúdo voltado para a comunidade negra de forma independente, trazendo tendências literárias em seu formato.

Ana Aranha – Jornalista e documentarista, recentemente conquistou, pela Repórter Brasil, o Prêmio Gabriel García Márquez com o filme Jaci – Sete Pecados de uma Obra Amazônica, dividindo a direção e autoria com Caio Cavechini, Carlos Juliano Barros, Caue Angeli, Marcelo Min e Leonardo Sakamoto. Atualmente é coordenadora de Jornalismo na Repórter Brasil, e desde 2011 ela trabalha com jornalismo independente, colaborando em veículos como Agência Pública, Rolling Stone, The Guardian e Marie Claire, além de ter outros 11 prêmios de Jornalismo, entre eles, dois GPs Ayrton Senna e uma menção honrosa no Vladimir Herzog.

Anita Rocha da Silveira – Com o primeiro longa Mate-me Por Favor, a diretora carioca mostra as diferentes reações de um grupo de amigas sobre uma série de mortes de garotas na Barra da Tijuca (RJ), com a protagonista indo em busca de seus desejos sem limitar o corpo. Ainda retrata como a cultura do estupro influência na vivência, um dos temas presentes na obra ao lado dos pilares morte, desejo e impulso. O filme ganhou premiações como melhor Direção de Ficção no Festival do Rio e antes teve estreia mundial no Festival de Veneza (ITA), conquistando o prêmio independente Bisatto D’Oro de atuação pelas atrizes Valentina Herszage, Julia Roliz, Mariana Oliveira e Dora Freind.

Cristina Tardáguila – A jornalista criou e lançou a Agência Lupa, considerada a primeira agência de fact-checking do Brasil, empresa que fechou contrato com a GloboNews no começo de 2016, ampliando este modo de checagem jornalística para a TV. A Agência Lupa se destacou pela ampla cobertura da Eleição 2016, contrapondo dados reais e informações falsas apresentadas pelos candidatos. Tudo isso é resultado do que Cristina já vinha planejando desde o trabalho no blog Preto no Branco, do jornal O Globo, onde checava as declarações de políticos. No início deste ano, Cristina também lançou o livro A Arte do Descaso, sobre o maior roubo a museu do Brasil, que incluiu cinco obras – de Salvador Dalí, dois do Picasso, Monet e Matisse – que ficavam no Museu da Chácara do Céu (RJ).  

Dea Ferraz – No documentário Câmera de Espelhos, a cineasta mostra como a cultura do estupro ainda impera entre os homens de diversas idades e culturas. O filme conta com os depoimentos deles, sobre como veem as mulheres, com o objetivo de mostrar um espelho social de uma sociedade ainda fortemente machista. A obra também conta com recortes de imagens de mulheres em diferentes situações e teve importante repercussão ao ser lançado no festival de Brasília do Cinema Brasileiro, em setembro.

Débora Prado – Editora executiva e pesquisadora, coordenou, por meio da Agência Patrícia Galvão (do Instituto Patrícia Galvão), a criação do Dossiê Feminicídio, plataforma que reúne dados, pesquisas e todo tipo de conteúdo sobre assassinato de mulheres no Brasil, disponibilizando o conteúdo para pesquisadores e jornalistas.

Giulliana Bianconi, Maria Lutterbach e Natalia Mazotte – São Diretoras de Conteúdo da Gênero e Número – Narrativas pela equidade, portal de jornalismo independente que surgiu para detalhar as questões de gênero por conteúdos em diferentes formatos e com dados interativos como diferencial de checagem.

Jamile Menezes – Mulher negra, jornalista e produtora baiana, é a idealizadora do Portal Soteropreta, o primeiro portal de notícias voltado, prioritariamente, para a produção cultural (Artes, Música, Teatro, Audiovisual, Memória, Dança, Formação, Literatura, Religião, Gastronomia, Moda, Políticas Culturais etc.) soteropolitana construída, formada, mobilizada e destinada à comunidade negra de Salvador. Também abarca a produção de outros municípios baianos que tenham alcance em Salvador (BA), para o mesmo público.

Lili Fialho e Kátia Lund – As diretoras dividem a direção de cinco documentários que ficaram em cartaz no Festival Reimagine Rio, na capital carioca, entre agosto e setembro. Como ação encomendada pela ONG Rise Up & Care, cada um se volta às histórias de pessoas que mudaram a própria perspectiva de vida a partir de cinco projetos sociais oferecidos na cidade, focados na arte e no esporte.

Marina Maciel, Mônica Nunes e Suzana Camargo – As jornalistas idealizadoras do Conexão Planeta, um dos sites presentes no Mapa do Jornalismo Independente da Agência Pública. O portal apresenta matérias sobre consumo consciente, igualdade socioeconômica e preservação da natureza.

Marizilda Cruppe – Fotojornalista ganhou o Greenpeace Photo Award 2016 com o projeto Viver e morrer pela floresta, sobre mulheres ativistas brasileiras que lutam pela preservação da Floresta Amazônica, parte de grupos indígenas e comunidades ribeirinhas. A conquista deu a ela uma bolsa do Greenpeace para colocar em prática seu plano, de tornar este trabalho multimídia. A fotógrafa colabora em diferentes locais, como New York Times, The Guardian, Greenpeace, Cruz Vermelha Internacional, cobrindo aspectos como desigualdade social e direitos humanos.  

Michelle Trombelli – A repórter ganhou no 38º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos pela série Especial 10 anos – Lei Maria da Penha na categoria Rádio e veiculada na Rádio BandNews FM. Nas reportagens, Michelle apresenta os principais avanços dessa legislação, a violência psicológica, o atendimento, o silêncio rompido e outras iniciativas paralelas que ajudam a combater a violência contra a mulher.

Naiara Leite e Ana Paula Rosário – Ambas jovens do programa de comunicação do Odara Instituto da Mulher Negra, são criadoras do Projeto Yalodês, que atua com a formação de  jovens negras em situação de abrigamento em novas linguagens e tecnologias de comunicação, possibilitando o acesso às informações e manipulação de instrumentos tecnológicos que as habilite para o manuseio desses recursos, a fim de comunicar e difundir os conceitos, visão política, suas estratégias, da comunidade e das organizações de mulheres negras, formando novas multiplicadoras. O projeto formou, ao longo de um ano e meio, cerca de 30 jovens. Atualmente, a equipe do projeto formada pelas jovens que participaram do processo de formação têm se debruçado para a criação da primeira Agência de Negras Jovens Comunicadoras.

Nana Soares – Jornalista pela ECA-USP, com blog homônimo no Estadão, onde escreve sobre questões de gênero, violência e sociedade, além de mostrar que feminismo é mais do que necessário para uma igualdade plena.

Natacha Cortêz – Repórter da Revista TPM, brilhou ao lado de entrevistadas como Fafá de Belém, Debora Diniz, Kenarik Boujikian, além da reportagem A pele que habito, onde falou com a atriz Vanessa Giacomo, a paratleta Cláudia Santos, a blogueira Jéssica Ipólito e as cantoras Xênia e Tiê, sobre suas relações individuais com o corpo. Destaque ainda para a matéria Ainda precisamos falar sobre aborto, uma atualização para a forte #PrecisamosFalarSobreAborto, de 2014.

Rebecca Miller – Diretora do filme Maggie’s Plan, que narra histórias de mulheres que não querem se casar, com olhar guiado pela atriz Greta Gerwig. Exibido na Mostra de Cinema de São Paulo (SP), em outubro, o longa mostra como mulher e homem se relacionam atualmente, já que padrões de casal, de procriação e de família já não são impostos em vários lugares.

Renata Falzoni – A cicloativista, videorrepórter e arquiteta conduziu a Tocha Olímpica dos Jogos Rio 2016 em bicicleta, pedalando na cidade de São Paulo (SP). Ela incentiva a bike como meio de transporte há anos. Fundou o Night Bikers Club do Brasil no final dos anos 1980, já pedalou por mais de 20 países para o programa de TV Aventuras com Renata Falzoni e é idealizadora do portal Bike é Legal, voltado ao ciclismo, sustentabilidade e mobilidade urbana.

Renata Tupinambá – Foi indicada em matéria da Revista AzMina como uma das mulheres indígenas para seguir nas redes. A jornalista, roteirista, poeta e produtora é uma das fundadoras da Rádio Yandê, primeira rádio on-line indígena do Brasil, que divulga temas culturais e sociais, com músicas de artistas indígenas que saem do comum, desde rap, heavy metal e o tradicional. Ela atua com etnojornalismo e ciberativismo indígena desde 2008 e na Yandê conta com colunistas como Daiara Tukano militante feminista e que fez parte da criação de movimentos como Marcha das vadias em Brasília (DF). Em resposta à indicação  na lista d’AzMina, Renata e Daiara listaram 100 mulheres indígenas a seguir na vida, pela forte defesa ao meio ambiente, cultura, saúde, educação, espiritualidade e cidadania.

Sabrina Fidalgo – Escreveu e dirigiu o media-metragem Rainha, que conta a história da personagem Rita e sua trajetória para tornar-se rainha de bateria da escola de samba de sua comunidade. O filme foi vencedor, por júri popular, do prêmio Panorama Carioca (Competição Nacional do Curta Cinema – Festival Nacional de Curtas do Rio de Janeiro).

Séries por elas – O site surgiu para atender a falta de conteúdos a respeito de seriados sobre e produzidos por mulheres, e com um diferencial: sob a ótica delas. Foi fundado pela jornalista Carolina Maria que atua como editora juntamente com a jornalista Fernanda P. Garcia. Em seu expediente contam com mais de 30 colaboradoras entre jornalistas, advogadas, publicitárias, roteiristas, historiadoras e produtoras audiovisuais.

Tamo Junta – Ação da Women in Film and Television (WIFT Brasil) lançada em outubro, com evento na biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo (SP), e tema Produção de Elenco. O objetivo é promover encontros de mulheres que atuam em diversas áreas do audiovisual – cinema, TV e novas mídias – e, ainda mais, colaborar com suporte e profissionalização feminina neste setor. Este é o lema central da instituição, que no Brasil conta com Ana Cláudia Martin, Camila Pinho, Marília Nogueira, Maristela Bizarro, Nágila Guimarães e Tatiana Groff.

Yasmin Tayná – A roteirista fundou em janeiro a Afroflix, onde é Diretora Geral da plataforma colaborativa que reúne produções feitas por negros ou com pelo menos uma pessoa negra envolvida na concepção técnica ou atuação artística. Sob avaliação de uma curadoria, o intuito é mostrar a representatividade e contribuição dessa raça na indústria audiovisual, com títulos de ficção, experimentais, séries, videoclipes, documentários e vlogs. Yasmin tem outros trabalhos de destaque que englobam a questão étnica racial, como a direção e roteiro do filme KBELA, sobre ser mulher e processo para se enxergar negra, se apresentou no TEDx Talks nesse ano e escreve no Brasil Post.

Internacional:

Ava DuVernay – Consagrada por dirigir Selma, filme que conta a história do ativista Martin Luther King, em 2016 lançou, em parceria com a Netflix, o documentário 13ª Emenda, que correlaciona a criminalização da população negra dos Estados Unidos com a superlotação no sistema carcerário do país.

Diaa Hadid Correspondente do New York Times, na sucursal de Jerusalém, é de origem muçulmana e está retratando em matérias sua peregrinação à Meca (Arábia Saudita), observando o comportamento das mulheres e das contradições que enfrentam neste ambiente.

Noor Tagouri – Jornalista americana e de origem turca posou para Playboy (edição de outubro) com hijab, traje típico da mulher muçulmana. Na revista, que não publica mais apenas mulheres nuas, seu objetivo foi se opor à objetificação das mulheres, e na matéria ela fala do preconceito dos EUA pela população islâmica.

We Do It Together – Diante da baixa representatividade feminina no cinema e em premiações do segmento, como só 22% delas indicadas às diferentes categorias do Oscar deste ano, de acordo com o estudo do Women’s Media Center, as mulheres da indústria cinematográfica agora contam com a We Do It Together. Fundada por profissionais como as atrizes Queen Latifah, Jessica Chastain, Freida Pinto e Juliette Binoche, a diretora Catherine Hardwicke e a roteirista brasileira Kátia Lund, que foi codiretora de trabalhos como Cidade de Deus e Notícias de Uma Guerra Particular, a ONG busca a igualdade de gênero como regra e produzir obras audiovisuais que promovam as mulheres que trabalham no cinema, TV e outras mídias.  

EDUCAÇÃO

Abraço Cultural – A plataforma que promove cursos de idiomas ministrados por professores refugiados de diferentes países latino-americanos, africanos e árabes, em bases físicas em São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), conta com coordenadoras educacionais à frente das disciplinas de francês, espanhol, árabe e inglês. São elas: Ligia Magalhães, Relações Internacionais pela USP e coordenadora pedagógica de espanhol; Karina Noçais, Letras pela PUC-SP e coordenadora pedagógica de francês; Carolina Teixeira, Relações Internacionais pela PUC-SP e coordenadora geral, Joana Fontana, Letras pela USP e coordenadora pedagógica de inglês e Mari Garbelini, formada em Direito pela USP e Relações Internacionais pela PUC-SP é coordenadora geral e administrativa, todas colaborando com a promoção dos Direitos Humanos e integração de imigrantes. Essas profissionais ajudam a potencializar oportunidades de trabalho para pessoas refugiadas, aprimorando capacitação para que deem aulas e ao mesmo tempo se integrem por meio de experiências e intervenções culturais.

Ariane Senna – É uma das mais novas Psicólogas de Salvador (BA) e a primeira transexual a se formar nesta especialidade na cidade, pela Unime Salvador. Ela celebrou sua formação com família e companheiro, mostrando que o preconceito não impediu mais uma de suas conquistas. Neste ano, ainda estrelou a campanha da 15ª Parada do Orgulho LGBT da Bahia com o marido Anderson Barbosa, ajudando na mensagem de direito aos travestis e transexuais.

Coletivo Feminista Geni – Para enfrentar a violência de gênero no ambiente universitário, este grupo da Faculdade de Medicina da USP liderou e conseguiu aproximadamente 4 mil assinaturas que cancelou a festa Fantasias no Bosque, fazendo com que os organizadores mudassem o formato e o nome, agora intitulada como A Primeira. Este evento anual chegou a ser investigado pelo Ministério Público por casos de estupro e outros tipos de abuso. Percebendo a falta da sexualidade feminina aprofundada durante as aulas, na primeira Semana da Diversidade na FMUSP, o coletivo ainda promoveu a Oficina de Siririca para debater a masturbação feminina, ato ainda julgado e considerado tabu.  Geni é um dos quase 20 coletivos da Universidade de São Paulo que se centralizam pela Frente Feminista USP.

Carla Akotirene, Viecha Vinhático e Laura Augusta – Idealizadoras do Opará Saberes, iniciativa que oferece apoio e instrumentos de pesquisas para mulheres e homens negros interessados em elaborar projetos de pesquisas de mestrado e doutorado voltado para os temas: racismo institucional, violências de gênero e saúde da mulher, dando segmento mais elaborado a estas linhas de pesquisas dentro da acadêmia.

Coletivo Zaha – O coletivo feminista das faculdades de Arquitetura e Urbanismo e de Design do Mackenzie se movimentou e divulgou opiniões de professores que tratam o gênero feminino como inferior, além de piadas contra as minorias, acompanhadas pela hashtag #esseémeuprofessor.

#elevaiserpsicólogo – Com propósito semelhante das campanhas acima, o Coletivo Feminista Aurora Furtado, do Instituto de Psicologia da USP, adotou a hashtag para mostrar as frases preconceituosas de pessoas que, no futuro, poderão atender o público no setor da saúde.

Laura Segurado Estudante do terceiro ano e do movimento secundarista, participa de grupos que movimentaram as ocupações das escolas estaduais contra o fechamento das unidades pelo governo do Geraldo Alckmin (SP). Neste ano, foi fonte entrevistada em matéria sobre a resolução do governo federal sobre o corte  das disciplinas de Artes e Educação Física no Ensino Médio, posicionando-se contra a medida.

Midiã Noelle Santana – Jornalista e mestranda em Cultura e Sociedade na UFBA (BA). Com vasta experiência na área de Comunicação para promoção de Direitos Humanos, é responsável pelo site Lista Negra, que inverte o significado negativo da expressão título e registra histórias de vida de empreendedores negros como forma de visibilizar o trabalho que a população negra tem feito. Além disso, ela escreve no blog Preticess, onde mais uma vez ressignifica termos e estabelece novas narrativas.

Politécnicas.R.existem – Para mostrar apoio mútuo entre elas e reivindicar por melhores comportamentos em um ambiente predominantemente masculino e machista, esta fanpage foi criada por universitárias dos cursos de Engenharia da Poli-USP. O grupo começou a publicar comentários de professores e colegas de classe opressores acompanhados pelas #MeuQueridoPolitécnico e #MeuQueridoProfessor. Os relatos passaram para o espaço físico, em cartazes espalhados pelas faculdades. Os depoimentos são obtidos por formulários on-line e sem a necessidade de se identificar.

EMPREENDEDORISMO

Ana Luisa Correard – Desconfortável com abordagem de um entregador de gás, perguntando se ela estava sozinha em casa, a cineasta resolveu formalizar os consertos domésticos que já vinha realizando para algumas amigas, criando, em parceria com a sócia Katherine Pavloski, a M’Ana – Mulher conserta pra mulherprestadora de serviços de manutenção residencial e comercial que, em 2016, passou a promover cursos de manutenção doméstica básica para mulheres.

Coletivo Cabeças – Artistas e cabeleireiras paulistanas que cortam cabelo e fazem outros serviços, como manicure e barba, através de intervenções cênicas e audiovisuais. Exploram o experimental e quebra de padrão, além de um brechó que não está separado por gênero. Camila Machado, figurinista, e as artistas Juliana Carvalho, as irmãs Bruna e Tetê Sartini e Ana Elisa Cunha mantêm esse espaço na Bela Vista, região central da cidade de São Paulo (SP).

Denise Leme – Começando com a venda de mini ramalhetes hidratados nas ruas da Vila Madalena e Jardins (SP), a estilista e florista começou o Charme no Detalhe, que fornece arranjos florais para diferentes ocasiões, desde presentes, para festas, eventos empresariais e ações sociais. Estende esse talento para ações sociais de forma voluntária, como festas beneficentes e o Flores na Rua. Por esta atividade, ajudou a entregar 100 bolsas kits para mulheres em situação de rua, contendo itens de higiene, agasalhos, alimentos e um botão de rosa no Dia Internacional da Mulher.

Mulheres de Impacto –  No canal de financiamento coletivo da Benfeitoria, desenvolvido em parceria com a Think Olga e a ONU Mulheres, dez empreendimentos liderados por mulheres inspiradoras. São elas: Thaiz Leão Gouveia (Mãe Solo), Élida Aquino, Bárbara Vieira, Graucianna Santos (Afrôbox), Raquel Oliva, Lia Oliva (Comparto), Manuela Galindo, Joana Pires (#DeixaElaEmPaz), Emily Blyza, Aline Silveira, Lhaís Rodrigues, Renata Albertim, Thaísa Queiroz, Carol Cani (Mete a Colher), Cris Lustosa (Desabafa), Teresa Rocha (Bonita Também), Cristiane Brosso, Vanessa Bertelli (Longarina), Coletivo Feminicidade e banda Cores de Aidê. Foram R$ 235.377,00 arrecadados para os oito projetos financiados, que colocarão em prática seus planos de ação mais urgentes. Se contarmos as quatro iniciativas que não atingiram a meta, mas que continuam merecedoras de apoio e admiração, são somados R$ 253.227,00.

Nina ValentiniCom o movimento Arredondar, onde é diretora-executiva e cofundadora, é uma das finalistas no Empreendedor Social de Futuro, prêmio a ser entregue voltado para líderes de até 35 anos. O projeto funciona como uma ponte entre instituições, doadores e varejistas, que ajuda no custeio de ONGs, voltadas às causas socioambientais, por meio de um sistema inovador de coleta de doações na boca do caixa, onde o consumidor pode optar por arredondar a compra em benefício das instituições.

Sampa Tattoo – Primeiro estúdio só com tatuadoras de São Paulo (SP). Neste ano, junto com a HPEt, realizaram o 1º Pet Day Tattoo, evento que arrecadou doações e fundos para compra de ração, remédios e produtos de limpeza para diversas entidades que resgatam animais abandonados ou fazem adoção.

Vania Ferrari – Neste ano a proprietária e consultora da Pensamentos Transformadores, empresa que realiza palestras, seminários, workshops e stand ups corporativos para clientes como Itaú, Telefônica | VIVO, Shell, Trifill e HSM, lançou o segundo livro, Crônicas do Bizarro Mundinho Corporativo. No exemplar apresenta as próprias experiências, mais de 25 anos de carreira em grandes empresas nacionais e multinacionais, destacando métodos antigos aplicados em negócios, que, na verdade, precisam ser reinventados. Por causa de alguns feedbacks que recebeu ao apresentar o livro anterior Manual de um Gerente a Beira de um Ataque de Nervos, como o assédio moral no local de trabalho e não saber como se posicionar,  ela reuniu novas narrativas no título atual.

ESPORTES

Amanda Nunes –  A baiana se tornou a primeira atleta feminina brasileira campeã UFC (Ultimate Fighting Championship), principal torneio de MMA do mundo, ao derrotar Miesha Tate e conquistar o cinturão da categoria peso-galo. Amanda é também  a primeira atleta assumidamente homossexual a ser dona de um cinturão na competição. Ela agora se prepara para defender o cinturão contra Ronda Rousey, numa luta que acontece ainda em dezembro de 2016.

Edneusa Costa – Em sua primeira participação em Paralimpíadas (na Rio 2016) e também sua primeira maratona internacional, a paratleta conquistou o bronze e se tornou a primeira brasileira a ter medalha nesta prova, seja em Olimpíadas ou em Paralimpíadas.

Emily Lima – Vice campeã da Copa do Brasil no comando do São José (SP), Emily agora é técnica, à convite pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), da Seleção Brasileira de Futebol Feminino. A primeira mulher a exercer esta função na história

Futebol Feminino – Após sair das Olímpiadas Rio 2016 sem medalhas, os noticiários repercutiram que a Seleção brasileira de futebol feminino corria risco de ser extinta pela CBF. Dirigentes da Confederação justificaram a medida alegando terem investido na equipe que não retornou com o resultado desejado, mesmo sendo um problema antigo: a camada feminina recebe menos investimento e incentivo. Mas a esperança aumentou quando a Conmebol (Confederação Sul-americana de Futebol) aprovou regulamento que, a partir de 2019, os clubes de futebol só poderão participar da Libertadores e da Copa Sul-americana se mantiverem times femininos, os ajudando no desenvolvimento das jogadoras. Além disso, as equipes femininas poderão se inscrever em competições organizadas pelas federações de cada país.

Isadora Cerullo – O rúgbi se destacou não só em campo com a seleção brasileira, que ficou na 9ª colocação da Rio 2016, considerado bom resultado já que este esporte ainda não é tão popular por aqui. A jogadora Isadora Cerullo foi pedida em casamento pela namorada Marjorie Enya e o acontecimento repercutiu na imprensa e redes sociais. Em uma entrevista a Época, a jogadora afirmou que considera importante as pessoas verem manifestações de amor como essa de modo normal, com admiração e respeito.

Lúcia Teixeira – Prata na categoria até 57kg do judô para pessoas cegas, foi a primeira mulher a conquistar uma medalha para o Brasil nesta edição dos Jogos Paralímpicos Rio 2016 e também a primeira medalha brasileira para a modalidade na história da competição.

Marineide Silva – Criadora do Projeto Vida Corrida, que muda vida de crianças e famílias no Capão Redondo, em São Paulo (SP), por meio do atletismo, a maratonista participou do revezamento da tocha Olímpica para os Jogos Rio 2016 e ganhou o Prêmio Cláudia na categoria trabalho social.

Rafaela Silva A judoca conquistou o ouro para o nosso país durante as Olímpiadas 2016. Foi durante a Rio 2016 que Rafaela teve trajetória de luta e conquistas mais conhecidas pelo público, como mulher negra, periférica e lésbica. Sua vitória representou também a superação dos ataques preconceituosos que recebeu ao longo dos anos. Recentemente ela passou a integrar a equipe de embaixadores dos Jogos Olímpicos Escolares da Juventude, que incentiva a prática esportiva entre jovens de 12 a 17 anos.

Verônica Hipólito –  Além de superar o seu próprio tempo no atletismo, a corredora também estabeleceu o novo recorde paralímpico durante uma prova eliminatória para a final das Paralimpíadas. Aos 20 anos, Verônica encerrou sua participação no evento com duas medalhas, uma de prata e outra de bronze.

Internacional:

Fu Yuanhui  – Medalhista de bronze nos 100 metros costas na Rio 2016, a nadadora conquistou o público com seu entusiasmo. Depois dos Jogos, ela levantou uma discussão importante, ao falar abertamente sobre como sua menstruação atrapalhou seu desempenho durante uma competição na China, país onde o assunto é considerado um grande tabú.

Melissa Stockwell – Ex-militar do exército americano, Melissa foi designada para a Guerra do Iraque, depois dos atentados de 11 de setembro, onde perdeu uma perna em combate. Quinze anos depois, ela se firma como triatleta, conquistando sua primeira medalha paralímpica, de bronze, na Rio 2016, no dia 11 de setembro.

Oksana Chusovitina – Ginasta uzbequistanesa foi a mais velha dessa modalidade a competir nas Olimpíadas 2016. Aos 41 anos, esta foi sua última participação em eventos esportivos. Mostrou para as gerações mais jovens como é possível manter-se ativa e que talento não tem prazo de validade.

Serena Williams – A tenista norte-americana conquistou sua sétima vitória no tradicional Torneio de Wimbledon, na Inglaterra, e se firmou como a atleta mais bem paga de 2016.

Yusra Mardini – Exemplo de superação e garra, a nadadora síria participou dos Jogos Rio 2016 pela Equipe Olímpica de Atletas Refugiados. Com o seu país em guerra há anos, a atleta fugiu do conflito nadando e ajudou a salvar 19 pessoas de um barco encalhado que tentavam o mesmo. Ela pretende continuar treinando para participar das próximas Olimpíadas.

Zulfiya Gabidullina – Aos 50 anos, a nadadora do Cazaquistão conquistou ouro paralímpico e quebrou um recorde mundial na piscina da Rio 2016.

INSPIRAÇÃO

Beatriz Franco Um post da jornalista sobre a profissão de balconista foi compartilhado por mais de 54 mil pessoas, repercutiu na imprensa e a fez enxergar outras possibilidades. Tanto que desenvolveu o blog Posso Ajudar?, com diferentes reflexões sobre atitude, trabalho, religião, amor e família, além de diferentes fatos que estão em pauta.

Bela Gil – A chef de cozinha e apresentadora também transmite seu estilo de vida saudável no Canal da Bela, disponível no YouTube, onde tira dúvidas e apresenta alternativas de exercícios físicos e alimentação, com quadros como Lancheira da Flor. Lá ainda esclarece pontos do parto humanizado, outro assunto que a fez ser alvo de críticas e elogios na internet, todas levantando o poder de escolha das mulheres como principal ponto. 

Dalvina Borges Ramos – Diarista de São Paulo (SP), economizou R$ 150 mil e contratou profissionais da Terra e Tuma Arquitetos Associados para reformar sua casa na Vila Matilde. O resultado final resultou em uma obra que foi vencedora como melhor construção no prêmio Building of the Year 2016, realizado pelo site internacional ArchDaily.

Daniele Toledo – Lançou o livro Tristezas em Pó, onde conta sua história de superação. Presa injustamente sob a acusação de matar a própria filha recém-nascida, Daniele fala sobre o estupro que sofreu no hospital onde a bebê foi internada e sobre as torturas que sofreu na cadeia.

Lea T – A estilista e modelo se destacou ao ser a primeira mulher trans a conduzir o Time Brasil na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016 desde que o evento foi criado, em 1896, carregando o nome do país em frente aos atletas. Em entrevista ao programa Estúdio i da Globo News, ela aproveitou a oportunidade para destacar a luta de todas as mulheres trans no Brasil, que lutam para viver em uma sociedade transfóbica sem os mesmos privilégios que ela teve ao longo da vida.

Neon Cunha – A designer de 44 anos é a primeira mulher trans no Brasil a conseguir na Justiça o direito de mudar de gênero e de nome sem passar por avaliação médica. A decisão foi assinada pelo juiz Celso Lourenço Morgado da 6ª Vara Cível de São Bernardo do Campo (Grande SP), em novembro, depois de muita persistência por parte de Neon, que também lutou pelo direito à morte assistida, caso não conseguisse vencer a briga com a Justiça.

Raissa Santana – Representando o estado do Paraná, é a primeira Miss Brasil negra eleita desde Deise Nunes, em 1986. A edição de 2016 do concurso ficou marcada pelo recorde de concorrentes negras, contando com Raissa, foram 5: Victoria Esteves (BA), Deise D’Anne (MA), Mariana Theol (RO) e Sabrina Paiva (SP).

Xanaxou – Coletivo musical feminista que tem se apresentado no Rio de Janeiro pela sororidade – a mulher e seu lugar social – com teatro, poesia e misticismo. O grupo é integrado por Ana Cláudia Lomelino, Bel Baroni, Camila Costa, Clara Cosentino, Giulia Drummond Battesini, Ju Storino, Laura Lavieri, Mari Romano, Paola Alfamor, Poliana Pieratti, Larissa Conforto e Rafaela Prestes.

Internacional:

Fati Abubakar – No Instagram Bits of Borno, a fotógrafa nigeriana e muçulmana deixa o registro de um outro lado de Maiduguri, capital de Borno, onde nasceu. O estado de Borno está ocupado pelo grupo extremista islâmico Boko Haram, que oprime por vários tipos de violência, como assassinato de civis e o sequestro de meninas para torná-las escravas sexuais. Mas Fati fotografa a vida que ainda persiste na região, como comércios, crianças brincando e jovens experimentando os diferentes estilos de se expressar, de se vestir. Atualmente a conta tem mais de sete mil seguidores.

Paola Carosella – Nascida na argentina, a chef de cozinha tem trabalho fixo no Brasil, incentivando a agroecologia e o consumo dos alimentos orgânicos, colaborando com grupos como os associados da Cooperapas, ao comprar esses produtos para suas receitas no restaurante Arturito. Outro apoio foi para os estudantes de São Paulo (SP), cozinhando para os que estavam na escola Fernão Dias Paes durante ocupação das escolas públicas estaduais contra o fechamento e reorganização anunciados pelo governador Geraldo Alckmin, no fim de 2015.

Zianna Oliphant  – A garota norte-americana de nove anos fez discurso emocionado sobre o racismo e a alta taxa de violência policial que vem destruindo a população negra dos Estados Unidos e viralizou na internet.

Mulheres polonesas vencem parte da descriminalização do aborto – No início de outubro, várias mulheres vestidas de preto e de diferentes idades foram às ruas de 60 cidades da Polônia, como uma greve geral, para protestar contra medida do governo que queria proibir completamente o aborto legal. Se fosse aprovado, o regulamento também poderia prender mães e médicos, que recorrem pela forma clandestina, por até cinco anos. Os participantes do protesto se organizaram pelas redes sociais e informativos de megafones, fazendo o governo não seguir com nova legislação. Assim, a Polônia continua com o aborto em casos de gravidez de risco para a vida da mãe, estupro ou incesto e má formação do feto.

Mulheres que participaram do ato #NiUnaMenos – O movimento nasceu na Argentina para lutar contra o feminicídio. Este ano, reacendeu uma onda de protestos que reuniu milhares de mulheres nas ruas de países da América Latina, depois do assassinato da jovem Lucía Pérez, que foi drogada, estuprada e empalada na cidade Mar del Plata, situada 400 quilômetros da capital Buenos Aires.

ESCRITA E LITERATURA

Amara Moira – A escritora trans lançou E se eu fosse puta, seu primeiro livro. Autobiográfica, a obra conta a transição pela qual passou e a experiência com prostituição. Maria Valéria Rezende, escritora, religiosa e autora do famoso Quarenta Dias que resultou no Prêmio Jabuti, assina o prefácio da obra de Amara.

Bárbara Bulhosa – A editora e diretora editorial da Editora Tinta da China fez parte da comissão em defesa dos ativistas angolanos que foram condenados à prisão por realizarem encontro coletivo para a leitura do livro Da ditadura à democracia, de Gene Sharp. O apoio é pelo grupo angolano, pela liberdade de expressão e debate plural.

Bianca Santana – A jornalista lançou o livro Quando me descobri negra, onde reúne relatos pessoais e de pessoas negras sobre como descobriram sua identidade e ancestralidade, a maioria, por meio de situações de discriminação racial.

Claudia Rankine – A poeta ativista é autora da reconhecida coleção de poemas Citizen, sobre racismo sofrido por afro-americanos nos EUA. Com esta obra ganhou a bolsa para gênios da fundação MacArthur, ao lado de outras 23 pessoas que receberam a doação de US$ 625 mil. Com isso, ela planeja investir em um instituto cultural para refletir sobre questão racial.

Clara Averbuck e Eva Uviedo – Por meio de financiamento coletivo, lançaram o livro Toureando o Diabo, romance cuja narrativa, escrita por Clara, conta a história de Camila, uma mulher que decide revirar seus antigos diários e cadernos de anotações. Por isso, o texto está diretamente ligado com os desenhos, rabiscos e bilhetes feitos à mão por Eva. Clara Averbuck é uma das criadoras do site Lugar de Mulher e autora de, entre outros livros, Máquina de Pinball (2002); Das Coisas Esquecidas Atrás da Estante (2003) e Eu Quero Ser Eu (2014). Eva Uviedo é ilustradora e responsável por, entre outros títulos, Queria ter ficado mais (2015), Felinos: a luta pela sobrevivência (2015) e Como Viver em São Paulo Sem Carro (2012). A primeira parceria das duas aconteceu em 2008, quando lançaram, em coautoria, o livro Nossa Senhora da Pequena Morte e participaram da Mostra SESC de Artes com o projeto Poesia de Elevador.

Elaine Ramos, Florencia Ferrari e Gisela Gasparian – As ex-diretoras da extinta Cosac Naify se uniram e lançaram nova editora, a Ubu, com livro de literatura, arte, arquitetura, cinema e teatro, ciências humanas, fotografia, entre outros segmentos. O espaço fica no Largo do Arouche, em São Paulo (SP), com uma equipe formada por mulheres com o comando de Elaine, diretora de arte, Florencia, diretora editorial, e Gisela, diretora de operações.  

Eva Furnari – A escritora e ilustradora lançou na Bienal do Livro de São Paulo o livro Drufs para crianças, mostrando a variedade de 16 famílias com o intuito de desconstruir os estereótipos impostos.  Os personagens que ilustram o título ganham vida com objetivos nas pontas dos dedos de Eva, possibilitando que os pequenos se inspirem e recriem em casa.

Gabriela Wiener – Escritora e jornalista peruana lançou Sexografias no Brasil, livro sobre liberdade sexual e por onde ela relata as experiências com o próprio corpo (“jornalismo gonzo”), desde poligamia até indústria pornô. Ela participou da FLIP deste ano, em mesa que recebeu o nome da obra e contou com outros convidados, como a escritora Juliana Frank.

Josélia Aguiar – A jornalista e historiadora baiana será curadora da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) 2017, onde tentará incluir mais questões de movimentos sociais. No próximo ano também está previsto o lançamento de seu novo livro – Jorge Amado – uma biografia.

Marcia Tiburi  – A escritora e filósofa lançou o livro Uma fuga perfeita é sem volta, onde apresenta a história de Klaus, um brasileiro radicado na Alemanha que enfrenta a dificuldade de se expressar, conflito com o próprio corpo, a distância com as pessoas e a solidão.  No livro, sua narrativa conversa com os tópicos gênero, classe social, religião, raça, globalização, preconceito e opressão.

Mel Duarte – A poeta paulistana venceu o Rio Poetry Slam, campeonato de poesia falada que aconteceu na Flupp (Festa Literária das Periferias). Ela é a primeira mulher a vencer esta competição internacional, que também é a primeira do gênero na América do Sul. Antes do prêmio, Mel viralizou na internet com o vídeo de sua apresentação na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) deste ano.

Paula Gabriela, Evelyn Sacramento, e Adriele Regine Todas são mestrandas em Estudos Étnicos e Africanos no Programa Interdisciplinar de Pós-graduação da Universidade Federal da Bahia (BA) e criadoras do projeto Lendo Mulheres Negra. Com a ajuda de outras colaboradoras negras, promovem encontros literários para debater e conhecer obras de escritoras negras, proporcionando um espaço de trocas de ideias a partir das leituras. Os encontros mensais acontecem no CEAO, Centro de Estudos Afro-orientais de Salvador (BA).

Rita Lee – Oficialmente aposentada dos palcos, a cantora conta sua própria história em Rita Lee – uma autobiografia, livro que começa narrando um abuso que Rita sofreu aos seis anos de idade e vai até sua carreira de sucesso, passando, é claro, pelo início na música com a banda Os Mutantes.

Teresa de la Parra (1889-1936) – O livro Ifigênia da escritora franco-venezuelana chega ao Brasil, apresentando a história da jovem personagem Maria Eugenia Alonso que escreveu por estar entediada no começo do século XX. Com forte linha feminista, a narrativa mostra a protagonista venezuelana se sentindo limitada no padrão que querem lhe impor, a de mulher voltada apenas aos filhos e casamento, além de argumentos ainda recorrentes nos dias atuais.

Internacional:

Angela Davis – Filósofa norte-americana e militante pelos direitos civis, teve seu livro Mulheres, Raça e Classe traduzido no Brasil, após 35 anos do primeiro lançamento. Na obra, a ativista aponta a relação entre racismo, patriarcado e capitalismo, além do estupro e a luta das mulheres, temas ainda presentes e com debates cada vez mais necessários. Presa em 1970, quando integrava o movimento Pantera Negra, Angela é grande representante da emancipação da mulher negra.

Jessica Bennett – A jornalista norte-americana lança o livro Feminist Fight Club – An Office Survival Manual For a Sexist Workplace (Clube da Luta Feminista – Manual de Sobrevivência no Escritório para Ambientes de Trabalho Sexistas), no Brasil. Com bom-humor, ela mostra as próprias experiências diante de atitudes machistas no trabalho, como os colegas apontarem TPM como causa de uma reação mais assertiva, e dá conselhos para as mulheres que passam por situações semelhantes.

Roxane Gay – blogueira e escritora norte-americana que ficou conhecida pelo livro Má Feminista, se tornou a primeira mulher negra roteirista de quadrinhos da Marvel, passando a ser responsável pelas histórias do herói Pantera Negra.  

MÚSICA

Alcione Neste ano a cantora lançou o projeto Boteco da Marrom, no bairro Barra da Tijuca (RJ), como uma vitrine de novidades que estão surgindo no samba.

Alt Niss, Drik Barbosa, Karol de Souza, Mayra Maldjian, Stefanie, Tássia Reis, Tatiana Bispo – Juntas comandam o Projeto Rimas & Melodias, music session no estilo de encontro entre rimadoras, cantoras, DJs e produtoras. O coletivo propõe desconstruir modelos para expandir a presença da mulher, especialmente a negra, não só meio do rap, R&B e soul, como também na sociedade. Realizaram a primeira apresentação no início deste ano, na Casa Brasilis, e vem encantando com shows em outros lugares, como Sesc Interlagos e na 9ª Mostra Cultural da Cooperifa, na cidade de São Paulo (SP).

Ângela do Amaral, Camila Silva Inocêncio, Carla Verônica Pronsato, Cibele Palopoli e Gabrela Silveira de Andrade – Formam “Elas no Choro”, projeto do clube do choro de São Paulo, com músicas de Lina Pasce, Chiquinha Gonzaga e outras compositoras deste estilo musical que defenderam os direitos das mulheres. Apresentaram-se a partir do Dia da Mulher, com encontros durante o primeiro semestre.

Assucena Assucena e Raquel Virgínia – Mulheres trans e vocalistas da banda As Bahias e a Cozinha Mineira, que busca passar pelas músicas as expressões das mulheres, das trans e, como os próprios integrantes pregam, “de ser o que é”, com o disco Mulher. O grupo, formado por amigos que se conheceram no curso de História da USP, tem influências musicais da Tropicália, xote e Clube da Esquina.

BlubellEm 2016 lançou o quinto disco de sua carreira, Confissões de Camarim, misturando jazz, ska, bolero e rock, disponível em plataformas digitais e versão física. Paralelamente, a artista apresenta o show Blubell canta Madonna, fazendo uma releitura acústica e teatral de hits da cantora pop.

Dona Onete – Cantora, compositora e poetisa paraense, 77 anos, que retornou ao cenário musical com o disco Banzeiro (2016) pelo selo Natura Musical. Carimbó, samba de cacete e a vida ribeirinha estão presentes no álbum, ritmos e culturas que ela divulga pelo Brasil por meio das novas canções, e todas autorais. Sua carreira deslanchou ao se aposentar, com músicas reconhecidas por aqui e em outros países. Antes, era professora de História em escolas do Pará. Ela é símbolo de que não tem limite para atuar e se destacar em novas áreas.

Ellen Oléria – A cantora lançou seu quarto e mais recente disco, chamado Afrofuturista, que fala sobre identidade e ancestralidade negra, em um ritmo que resulta da mistura de rap e funk. Afrofuturista foi um sucesso no iTunes e, superando as expectativas de um mercado em declínio, vendeu 15 mil cópias físicas em alguns meses de venda.

Elza Soares – Com o álbum A Mulher do Fim do Mundo, lançado no fim de 2015, a cantora levou o prêmio de melhor álbum de música popular brasileira no Grammy Latino 2016 e de melhor álbum pela Academia Paulista de Críticos de Artes (APCA) e pelo Prêmio da Música Brasileira. Para além da música e focando em seu engajamento contra o racismo, a cantora recebeu também o prêmio Raça Negra.

Esperanza Spalding – A cantora e contrabaixista que já tem prêmios como Grammy, lançou o disco Emily’s D+Evolution. No recente álbum, ao invés de se concentrar no jazz, ela explora o R&B, rock progressivo e sintetizadores , sendo co-produtora e contou com o Tony Visconti, responsável pela produção de alguns discos de David Bowie.

Isis Carolina Vergílio – Produtora musical, trabalhou, ao longo do ano, ao lado de artistas como Tássia Reis. É ativista pelas mulheres negras empreendedoras com a Afro Creators

Karina Buhr – Além da compositora baiana se apresentar com Selvática, disco com forte mensagem feminista e identidade visual que simboliza força e liberdade, ela mantém um fanzine feminista intitulado Sexo Ágil para que o machismo não cale mais questões tão importantes a serem divulgadas e esclarecidas. Neste ano o aborto foi o tema, lançado na internet e contou com colaboração de ativistas como a blogueira Jéssica Ipólito e a ilustradora Camila Fudissaku.

Karol Conka – A rapper curitibana ganha mais espaço não só pelo talento na música e rimas. Além do videoclipe Poder, com referências ao Candomblé e lançado este ano como uma prévia do que tem no próximo disco, ela participou de grandes eventos e ganhou destaque no cenário nacional. Ultimamente também se destacou com a música 100% feminista, composta em parceria com MC Carol, que prima pela independência da mulher, citando personalidades fortes como Dandara dos Palmares, Elza Soares e Frida Kahlo.

Lay – Rapper negra de São Paulo (SP) lançou este ano o EP 129129, carregado de letras feministas e de combate ao racismo.  

Mahmundi – Nome artístico da cantora e multi-instrumentista carioca Marcela Vale, que produziu o próprio CD – Mahmundi (2016) – explorando o pop e sintetizadores que vêm chamando atenção na cena indie. O álbum já foi indicado ao Prêmio APCA como um dos melhores de 2016, concorrendo ao lado de discos como Tropix, da Céu.

Maiara & Maraísa – Para driblar o universo masculino que domina na música sertaneja, a dupla busca falar da realidade da mulher e tem composições gravadas por artistas como Jorge & Mateus. No segundo semestre estão focadas na gravação de novo disco e DVD.

MC Carol – A rapper e funkeira lançou o álbum Bandida, com uma forte mensagem já passada nos singles Delação Premiada e 100% feminista, composta em parceria com Karol Conká. Na primeira, também autoral, ela canta a desigualdade social e repressão policial sofrida pelas comunidades, mostrando a diferença de tratamento dada a criminosos apontados pela Operação Lava Jato. Na segunda música, prima pela independência da mulher citando personalidades fortes como Dandara dos Palmares, Elza Soares e Frida Kahlo.

MC Linn da Quebrada – Funkeira em defesa da comunidade LGBT, se denomina negra, trans e periférica, com forte presença de palco durante suas apresentações.  Ao lançar o videoclipe para o novo single, Enviadecer, apresenta a opressão que também existe dos gays discretos contra as “escandalosas”, e que a expressão que dá nome a música se trata mais de atitude do que se classificar como gay. Também mantém seu ativismo em ações como quando ajudou a formar a Associação de Travestis de Santo André – ATRAVESSA.

MC Mayara – Para a semana do Orgulho LGBT, em junho, a funkeira lançou a música Close Certo, com trechos como “pra curar preconceito, eu  prego a desconstrução” e “não adianta reclamar nem criar regra pra mim”.

Naiara Azevedo – Cantora sertaneja estourou com as músicas Coitado e Parceira de Copo, além de lançar o DVD Totalmente Diferente. Escreve letras de “sofrência”, trazendo a visão da mulher e valorizando o amor próprio.

Nina Oliveira A voz doce da jovem cantora de 19 anos apresenta o lugar da mulher negra, violência sexual, pobreza e escravidão, entre outros temas. Este ano, se destacou com as músicas como Disque Denúncia (composta em parceria com Gabrielle Rainer e Gabriella Nunes). Ela agora se prepara para lançar seu primeiro disco, Ciranda de Dandara, no primeiro semestre de 2017.  

MC Sara Donato e MC Issa Paz – As duas formam uma dupla de hip-hop e lançaram o álbum RAP Plus Size, carregado de letras contra o machismo, gordofobia, anti-padrões estéticos. Além do álbum, se destacaram, ao lado de Souto Mc e Luana Hansen, pela música Machocídio.

Simone & Simaria – As irmãs formam a dupla sertaneja em um estilo musical onde a mulher ainda é colocada como objeto muitas vezes. A música Ele Bate Nela, por exemplo, retrata a violência contra o gênero feminino. Misturando sertanejo com forró, o trabalho mais recente é o DVD Simone e Simaria Live e Convidados, lançado este ano.

Verónica Decide Morrer – De estilo post-punk e new wave, a banda de Fortaleza lançou disco homônimo este ano, o primeiro da banda liderada pela vocalista (e mulher trans) Verônica Valentino. O grupo ficou conhecido por protestar pela diversidade sexual nas letras acompanhadas de apresentações performáticas. 

Yzalú – Com letras poéticas e, ao mesmo tempo, que combatem o racismo, machismo e preconceito direcionado às pessoas com deficiência, a rapper de São Bernardo do Campo (SP) lançou o primeiro disco, Minha Bossa é Treta, misturando o rap com reggae, MPB e samba. O lançamento virtual foi no Dia Internacional da Mulher.

Internacional:

Akua Naru – Com influências do afrobeat e R&B, a compositora norte-americana veio a São Paulo (SP) em outubro para apresentar seu hip hop misturado ao jazz do disco The Miner’s Canary Já colaborou com grandes nomes, como Angelique Kidjo (The Roots) e o brasileiro Lamau, e tem em suas rimas forte engajamento social.

Alicia Keys – A cantora divulgou carta aberta, publicada no site Lenny Letter da roteirista e atriz Lena Dunham, onde explica porque não usará mais maquiagem. Um dos motivos foi cansar dos padrões de beleza impostos às mulheres. Lançou em novembro o álbum Here, com composições como In Common, e com identidade visual que já traz a nova Alicia.

Beyoncé – Nesse ano lançou o CD Lemonade com todas as músicas de própria autoria e co-produzidas por ela. Racismo, empoderamento negro, independência da mulher, direito civil e violência policial estão entre os temas tratados no disco, que leva esse nome pela crença de escravos norte-americanos que beber limonada poderia clarear a pele.  

M.I.A. – Ativista pelos movimentos sociais e contra opressão governamental, lançou em 2016 o álbum AIM, com o clipe para o single Borders, retratando a questão dos refugiados.

Solange Knowles – A cantora lançou o disco A Seat at the Table, com músicas que abordam o racismo, misoginia e questões da identidade negra. Na canção Don’t Touch My Hair ela enfatiza os traços afros, que ainda são pouco valorizados.

MODA

Ana Paula Xongani – A estilista negra veste famosas como Sheron Menezes e Taís Araújo e tem um projeto onde produz vestidos de noiva de inspiração africana. Neste ano, ganhou destaque no YouTube, falando sobre representatividade e racismo.

Angela Luna – A estilista desenvolveu roupas adaptáveis que viram abrigo, ou se tornam flutuantes para refugiados, como sacos e tendas. Com esta coleção foi considerada estilista do ano na Design Parsons School, de Nova Iorque (EUA).

Bouchra Jarrar e Maria Grazia Chiuri – Estilistas da Lanvin e Christian Dior, respectivamente, que comandaram coleções na Semana de Moda de Paris, que este ano abriu mais espaço para as mulheres. A primeira misturou cortes masculinos e femininos nas peças, enquanto que a segunda trouxe mensagens feministas estampadas nas roupas.

Nátaly Neri – A youtuber negra se tornou influenciadora digital com o Afro e Afins, atualmente com mais de 110 mil inscritos e por onde dá dicas de moda e beleza para a mulher negra envaidecer o que tem de melhor e sem gastar muito. Autonomia intelectual e econômica para maior empoderamento da mulher são outros assuntos discutidos no canal.  É estudante de Ciências Sociais na UNIFESP, concentrando estudo no recorte étnico-racial. Foi uma das convidadas do evento Teia, realizado pela GNT e voltado à importância da empatia, da coletividade e sororidade.

POLÍTICA

Ana Paula Braga e Marina Ruzzi – Criadoras do Braga & Ruzzi – Advocacia para mulheres, as advogadas feministas são especializadas nos direitos das mulheres e desigualdade de gênero, oferecendo assistência jurídica, consultiva e contenciosa. As advogadas vem rebatendo o Projeto de Lei no Congresso Nacional (PL 07/16), que pretende alterar Lei Maria da Penha, colocando mulher como vítima, além de não prever orçamento para delegacias especializadas no atendimento à mulher ficarem disponíveis por 24 horas. Ana Paula e Marina defendem o termo “mulheres em situação de violência” já utilizado no texto original da lei.

Áurea Carolina – Mestre em Ciência Política pela UFMG (MG), especialista em gênero e igualdade pela Universidade Autônoma de Barcelona, a candidata do PSOL foi eleita a vereadora de Belo Horizonte com maior número de votos (17.420). Negra e feminista, apoia as causas das mulheres, dos negros e da juventude. Durante a eleição deste ano, a cientista política e outros candidatos ao posto de vereador do estado mineiro se uniram pelo site somosmuitas.com.br, onde é possível conhecer as propostas dos candidatos trans, indígenas, entre outros, que se importam com os direitos humanos, questões LGBTQ+ e inclusão de todos para uma vivência cada vez melhor.

Carol Protesto – Com 19 anos, a estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (SP), integrou não só o movimento dos secundaristas durante ocupação das escolas estaduais em 2015, como também se candidatou a vereadora na capital paulista pelo PT. Com propostas focadas na população jovem, mulheres, indígenas, negros, LGBTs, população em situação de rua, profissionais da cultura, pessoas com religião de matriz africana, entre outras, ela conseguiu 516 votos. Não o suficiente para se eleger, mas pretende continuar colaborando com a política da cidade.

Cristiana Bento – Quando passou a comandar equipe de investigação do estupro coletivo à garota de 16 anos do Rio de Janeiro, em maio, a delegada da Polícia Civil mostrou evidências que, de fato, ocorreu o crime, considerou a denúncia da adolescente e não adotou aquela abordagem costumeira de culpar a vítima. Ela ajudou na agilidade da prisão preventiva dos suspeitos identificados no vídeo, enfrentando colegas de trabalho contrários à medida e parte da comunidade aliada ao tráfico. Sua trajetória profissional passou por locais como a Delegacia de Mulheres de Duque de Caxias (RJ) e atualmente é delegada titular da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima.  

Djamila Ribeiro – Filósofa e fundadora do Núcleo de Estudos de Gênero, Raça e Sexualidades, atuou também como secretária-adjunta da Secretaria de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo. Sua gestão ajudou a pautar a mídia sobre questões raciais e de direitos humanos, além de aproximar militantes das ações da administração.   

Margarida Maxacali e Diva Maxakali – A cidade de Santa Helena de Minas (MG) elegeu representantes mulheres indígenas. As duas são candidatas do PRB, sendo Margarida como a segunda vereadora mais votada e Diva como vice-prefeita. As duas também são trabalhadoras rurais.

Maria da Penha Maia Fernandes – A farmacêutica bioquímica formada pela Universidade Federal do Ceará e mestre em parasitologia pela USP, dá nome a Lei Maria da Penha, que completou 10 anos em agosto. Em outubro ela recebeu premiação Hors-Concours no 21º Prêmio Claudia, pela sua contribuição ao combate da violência doméstica, que começou quando foi quase assassinada pelo ex-marido nos anos 1980. Maria também pode ser uma das pessoas cotadas para o Prêmio Nobel da Paz 2017, com confirmação a ser divulgada em fevereiro do próximo ano. A possibilidade foi anunciada durante sessão solene do Congresso Nacional e que pode ser uma indicação conjunta entre Senado e Governo do Distrito Federal.

Marielle Franco – Candidata do PSOL, se elegeu vereadora no Rio de Janeiro, com propostas feministas e para a periferia. Negra e criada na favela da Maré (RJ), é formada em Sociologia pela PUC-RJ e Mestre em Administração Pública pela UFF-RJ.

MeRepresenta – Lançada em setembro, a ferramenta foi constituída pelas campanhas #VoteLGBT, #AgoraéQueSãoElas, a Rede Feminista de Juristas (#DeFEMde), a Rede Nossas Cidades (Meu Rio, Minha Sampa, Minha Porto Alegre e Meu Recife), a organização não governamental CFEMEA e o grupo LGBT Brasil, e tem como principal porta-voz Evorah Cardoso. A #MeRepresenta ajudou eleitores a localizar candidatas e candidatos às Câmaras Municipais que defendem os direitos humanos, igualdade de gênero, questões raciais e de orientação sexual e agora está com uma campanha de financiamento coletivo a fim de coletar verba para prosseguir com o projeto.

Sâmia Bomfim – Membro do coletivo feminista Juntas, é a primeira vereadora do PSOL a ser eleita em São Paulo. A militante de 27 anos faz parte do movimento Bancada Ativista, recebeu mais de 12.400 votos e se voltará às discussões de gênero, apoio para o funcionamento 24h das delegacias da mulher, direito à cidade, igualdade salarial e outras causas. Formada em Letras pela USP, também é funcionária pública nesta universidade e faz parte do Sintusp (Sindicato dos trabalhadores da Universidade de São Paulo). Ela fez parte da organização de diversas mobilizações, uma delas contra a PL5069, proposto pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, que limita o atendimento à mulher que passou por violência sexual.

Internacional:

Virgínia Raggi – A advogada e candidata do partido antissistema Movimento 5 Estrelas foi eleita em junho, com 67% dos votos, como primeira prefeita de Roma. Noticiários mostraram que a população buscou nela como uma alternativa às gestões corruptas de anos anteriores. Mas ela vem sendo criticada ao anunciar que a cidade não tem interesse em sediar Olimpíadas de 2024 por não ter verba o suficiente para investir. Tal comportamento é visto como impopular pela parcela conservadora da cidade.

Yuriko Koike – A Socióloga pela Universidade do Cairo (EGT), ex-ministra do Meio Ambiente e da Defesa é a primeira mulher eleita governadora de Tóquio (partido Liberal Democrata), com 62% dos votos, anunciada em julho. Ela já tem em mãos o desafio de acompanhar os preparos dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos 2020 e está fazendo mudança trabalhistas na capital japonesa. Determinou que nenhum funcionário do governo deve trabalhar após as 20h, principalmente mulheres com filhos e busca ampliar participação feminina no mercado de trabalho. Quando ministra do Meio Ambiente, ficou conhecida pela campanha cool biz, para os homens do ministério deixarem de lado a gravata durante o verão para economizar o ar-condicionado, virando hábito nas empresas privadas.   

SAÚDE

Debora Diniz – Pesquisadora sobre saúde, feminismo e direitos humanos, a antropóloga, pela UnB, e professora de Bioética na mesma universidade lançou o livro Zika, do sertão nordestino à ameaça global. Além de lembrar o início, em 2014, como doença indecifrável, a obra é fruto da imersão que a autora fez no nordeste, no 1º semestre de 2016, acompanhando as mães de bebês com microcefalia, relatos de médicos, de pesquisadores e a desavença entre eles ao longo dos estudos sobre o surto do vírus.

Elcylene Leocádio – A médica especializada em Saúde Pública, militante e feminista lançou o livro Outubro Rosa – Do muito que há por ser dito como forma de desmistificar o câncer de mama, doença com a qual foi diagnosticada em 2014. Pela narrativa, ela lembra que é importante não se culpar, não tratar o tumor como inimigo e que a feminilidade vai além dos seios e cabelos. E está com um crowdfunding para viabilizar o projeto Nu Espelho, que vai se tornar um site e formação de voluntárias para grupos terapêuticos para mulheres com câncer de mama e seus acompanhantes (família/amigos) de baixa condição socioeconômica.

Eliana Abdelhay A biofísica, coordenadora e fundadora da Divisão de Laboratórios do Centro de Transplantes do Instituto Nacional do Câncer (Inca) desenvolveu uma forma menos invasiva e mais rápida para diagnosticar o câncer de mama, por meio de amostras de sangue. Ela busca comprovar eficácia para que daqui três anos possa substituir a mamografia, e tornando-se cada vez mais exame de rotina entre as mulheres. Sua pesquisa mostra que os biomarcadores do câncer podem ser identificados no sangue periférico, possibilitando análise não invasiva. A OMS aponta o câncer de mama o mais comum entre as mulheres. Eliana fundou o primeiro laboratório de organismo geneticamente modificado do Brasil, na UFRJ.

Érica Lourenço, Raquel Nantes e Márcia Furlanetto – As doulas estão à frente da concepção da Casa Materna, lançada em Santo André (SP) para assistência humanizada ao parto, buscando o empoderamento da maternidade e paternidade. Além de rodas de conversa gratuitas para esclarecer vários assuntos em torno do parto humanizado, o local vai oferecer serviços de especialistas a custos acessíveis, como médicos, ioga, musicalização e teatro infantil. Raquel Nantes também integra a MaternaMente, grupo que promove debates sobre políticas públicas voltadas a autonomia da gestante.

Graziela Kunsch – A artista plástica propôs a Clínica pública de Psicanálise na Vila Itororó, junto com os psicanalistas Tales Ab’Sáber e Daniel Guimarães. Desde julho, psicanalistas atendem gratuitamente pacientes nos plantões aos sábados. Ela também é responsável pela formação de público da Vila Itororó e militante do Movimento Passe Livre-SP.

Maria Julia Wotzik – Coordenadora da plataforma Mapa do Acolhimento, que viabiliza terapias gratuitas às vítimas de estupro e outras violências sexuais em mais de 10 cidades do Brasil, um mapa colaborativo com avaliação de serviços públicos que oferecem atendimento humanizado, informações sobre legislações voltadas ao assunto e formulário online às mulheres que buscam esse suporte. Criada pela ONG Meu Rio, o coletivo #AgoraÉQueSãoElas e a organização Nossas Cidades, o projeto tem mais de 2500 voluntárias e 450 terapeutas. Foi lançado em julho, diante dos altos números deste abuso no país e após uma garota de 16 anos ser estuprada por 30 homens no Rio de Janeiro.

Internacional:

Alicia Raimundo contra estigma direcionado às pessoas que sofrem com depressão, já se apresentou no TedxWaterloo e conferências pelo Canadá, seu país de origem. Outra forma que encontrou para falar sobre saúde mental foi escrevendo o livro Red Carnations, relatando a própria história com a doença. No blog Mental Health Superhero esclarece o tema com o objetivo de incentivar jovens a demonstrarem opiniões sobre a própria saúde mental. Neste ano apresentou palestra no One Young World, no Canadá, evento que convida jovens a aprenderem sobre empreendedorismo e liderança. Tem mais tem mais de 600 palestras apresentadas e é formada em Artes e negócios pela University of Waterloo.

TECNOLOGIA

Aline Silveira, Carol Dani, Emily Blyza, Lhaís Rodrigues, Renata Albertim, Thaísa Queiroz Criadoras da Mete a Colher, rede colaborativa que surgiu em Recife (PE) a partir da Startup Weekend Women, voltada a sororidade para as mulheres que estão em algum relacionamento abusivo. Pela fanpage atendem pedidos de ajuda e relatos de quem já passou por esta situação. Em breve a rede se torna um app gratuito, em iOS e Android, a nível nacional para conectar mulheres de forma rápida e segura, com geolocalização e com auxílios em quatro categorias: apoio emocional, ajuda jurídica, abrigo temporário e oportunidades de trabalho.    

Búh D’Angelo – Depois de alguns anos sem conseguir emprego, concentrou a expertise em Tecnologia da Informação no InfoPreta. Com serviços de informática, reciclagem e descarte correto de equipamentos eletrônicos, consultoria, cursos de TI e inclusão digital para moradoras da periferia paulistana, ela e equipe fortalecem esta área que ainda conta com poucas mulheres, principalmente negras. Com o projeto Notes Solidários da Preta, o empreendimento social também recebe notebooks que são doados para mulheres de baixa renda matriculadas no ensino superior, colaborando com a formação universitária. Neste ano o InfoPreta lançou canal no YouTube com dicas desde como fazer para localizar o HD até orientação para quem quer começar a programar.

Camilla Gomes – Com o coletivo MariaLab, promove oficinas de capacitação profissional em tecnologia e das ciências exatas para mulheres, para reunir as interessadas pela cultura hacker e incentivar participação feminina nessas áreas. Há oficinas de vários tipos, como a de jogos digitais e de WordPress+CSS+HTML. Neste ano, Camilla apresentou a palestra Procura-se um DvOps na Campus Party Brasil, exercitando ainda mais o Cyberativismo feminista. Maria, parte do nome do coletivo, é justamente para popularizar a divulgação do grupo e remete às cientistas com este nome, como a física Maria Goeppert Maye e a cientista Marie Curie.

Claudia Melo – PhD em Ciência da Computação pelo Instituto de Matemática e Estatística da USP, professora adjunta na UnB e Conselheira do Mulheres na Tecnologia, é uma das principais palestrantes da Conferência Webbr com o tema A Web das Inovações de Gênero, analisando como as inovações de gênero resultam em soluções mais inclusivas e criativas para todos. Atualmente investiga padrões da língua portuguesa que podem distorcer colocações de gênero em conteúdos na web, em pesquisa para desenvolver tecnologias que detectam textos sexistas nos sites do Brasil, para em seguida sugerir correções. E no próprio site vem publicando uma série de artigos sobre a relação entre as mulheres e o universo da Computação, nomeada como O ideal feminino e a computação, onde apresenta experiências profissionais, pessoais, visões das comunidades, perspectiva filosófica e pesquisa científica.

Cristina Junqueira – A cofundadora do Nubank, cartão de crédito sem anuidade, sem um banco como intermediário e com todas as transações administradas por meio de um app no celular, ganhou o Prêmio Claudia 2016 na categoria Negócios com este feito. A Engenheira de Produção pela USP, criou o Nubank com o CEO David Veléz, um cartão livre de tarifas, de juros e que conta com mais de 5,5 milhões pedidos brasileiros.

Girls in Tech Brazil – A ONG promove palestras e engaja mulheres que trabalham com as novas tecnologias. Realizou, em São Paulo, a 1ª edição do Lady Pitch Night (LPN) da América Latina, competição de negócios em fase inicial focada em startups fundadas ou co-fundadas por mulheres. A vencedora foi a startup Brand Lovers, Market place de beleza, e o evento recebeu em torno de 80 inscritas de todo o país.  A ONG conta com várias representantes na direção executiva e como membros do conselho consultivo: Beatriz Meirelles, Estelle Rinaudo, Juliana Sampaio, Loana Felix Santos, Mariana Fonseca, Monique Almeida, Nayara Moia, Renata Frade e Soraia Andrade.

EM MEMÓRIA

Carmem Silva (1945 – 2016) – Nos anos 60, Carmen foi vencedora do concurso Um Cantor por um Milhão, um Milhão por uma Canção, na TV Record. Premiada com os troféus Roquete Pinho e Chico Viola, Carmen ficou conhecida pelos sucessos Espinho na Cama, Meu Velho Pai, Amor com Amor se Paga e Fofurinha, além do apelido de pérola negra. Aos 71 anos, a cantora faleceu em decorrência de uma parada cardíaca.

Luiza Helena de Bairros (1953 – 2016) – ex-ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, lutava contra um câncer de pulmão e faleceu no dia 12 de julho, em Porto Alegre.

Serena Assumpção (1977 – 2016) – O álbum póstumo Ascensão reúne 12 orixás do candomblé, cada um em uma faixa musical. Filha do cantor e compositor Itamar Assumpção e irmã de Anelis, Serena morreu em março em função de complicações causadas pelo câncer de intestino. O disco conta com várias participações, como Karina Buhr e Tulipa Ruiz.

Internacional:

Lucía Pérez (2000 – 2016) – Estudante de 16 anos assassinada de forma brutal na cidade costeira de Mar del Plata, situada 400 quilômetros ao sul de Buenos Aires. Sua morte despertou mais uma onda de protestos do movimento (e de mulheres a favor do movimento) #NiUnaMenos pela América Latina.

Sheron Jones – Natural da Geórgia e criada em Nova York, nos Estados Unidos, a cantora de soul morreu em novembro, aos 60 anos, vítima de um câncer de pâncreas, cujo tratamento encerrou sua carreira quando diagnosticado em 2013. A cantora foi aclamada, principalmente, pelos álbuns I Learned the Hard Way e Give the People What They Want, feito em parceria com o grupo The Dap-Kings.

Zaha Hadid (1950 – 2016) – A arquiteta iraquiana-britânica foi a primeira mulher a vencer o Prêmio Pritzker, considerado o Nobel da arquitetura. Também foi pioneira ao ganhar a Medalha de Ouro do Instituto Real de Arquitetos Britânicos, em reconhecimento por seu trabalho. Zaha morreu em março deste ano em decorrência de um ataque cardíaco durante um tratamento contra bronquite.

Arte: Pri Ferrari.

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Por meio das campanhas Chega de Fiu Fiu, #MandaPrints e #PrimeiroAssedio, temos acompanhado uma evolução na discussão sobre assédio no Brasil. Seja compartilhando experiências pessoais ou em manifestos coletivos, as mulheres têm vencido o medo da culpabilização e deixando claro que cantada não é elogio, mas sim uma violência. Em mais um passo importante no combate ao assédio, a conversa começa a sair das redes sociais para chegar à justiça.

Sabemos que, para isso, é preciso combater um sistema ainda movido pela cultura do estupro – no Brasil, 40% da população acredita que mulheres precisam se dar o respeito para não serem estupradas, de acordo com o Datafolha. Contudo, alguns casos demonstram que a punição para assediadores é possível e tem acontecido.

Depois da injusta demissão da repórter do Portal iG que denunciou assédio por parte do cantor Biel, presenciamos a punição pelo ocorrido sendo direcionada ao único culpado: o agressor. Além de perder contratos para shows, campanhas e também espaço na mídia, ele foi condenado a pagar uma multa de R$ 4.400, estabelecida pelo Ministério Público para encerrar o processo. A quantia será doada para uma instituição de caridade.

Além de servir como exemplo para que estas violências não se repitam, as punições podem ajudar a manter as vítimas seguras, longe de seus agressores. Pensando nisso, a Universidade Estadual da Bahia (UNEB), afastou o professor de sociologia Alex Macedo por dois meses, enquanto as denúncias de assédio sexual de alunas do campus Eunápolis, no sul da Bahia, são investigadas.

A empresa americana de aviação Alaska Airlines expulsou um passageiro de um voo, pois todas as pessoas presentes no avião foram testemunhas do momento em que um sonoro “ooh, sexy” constrangeu uma comissária de bordo enquanto ela passava as instruções de segurança para a viagem. Uma das testemunhas, Amber Nelson, publicou a história no Facebook agradecendo à Alaska por ter levado o caso a sério e teve milhares de compartilhamentos.

Uma atitude esperada em um país que debate a cultura do estupro em função das acusações de assédio à Donald Trump, candidato à presidência dos Estados Unidos. Uma delas já está comprovada: um vídeo dos bastidores da participação de Trump no programa Access Hollywood em 2005, vazado na reta final da corrida eleitoral, mostra o empresário falando sobre como gosta de beijar ou agarrar mulheres sem consentimento – o mesmo vídeo também causou a suspensão do apresentador Billy Bush, que concorda e ri dos comentários de Trump na gravação.

Esta revelação fez Trump perder intenções de votos e até alianças dentro do próprio partido, que agora o pressiona para desistir da candidatura. Além disso, ele agora enfrenta outras acusações de assédio de mulheres que decidiram contar suas histórias motivadas pela possibilidade de ter suas vozes ouvidas.

Nunca antes na história vimos tantos homens sendo punidos profissional ou legalmente por atos de assédio. Por isso é tão importante contarmos nossas histórias e denunciarmos, pois assim colaboramos com a transformação de uma cultura de tolerância ao assédio, em busca de um entendimento de que este é um ato violento e inaceitável.

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"Respeita as mina e deixa a gente parir com respeito”, diz Lia. Foto: Carla Raiter
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A campanha #cadanascimentoimporta da Comparto quer democratizar o conhecimento sobre o parto
A campanha #cadanascimentoimporta da Comparto quer democratizar o conhecimento sobre o parto

“Para mudar a sociedade é preciso mudar a forma de nascer”, afirma o obstetra francês e referência em parto humanizado Michel Odent. Inspiradas por essa ideia de transformar a sociedade a partir do nascimento, as irmãs Raquel e Lia Oliva criaram a Comparto, uma empresa voltada para a defesa do parto humanizado como ferramenta de transformação social e do sujeito. A luta pelo parto humanizado se faz necessária ao considerar os números que dão ao Brasil o ingrato título de campeão mundial da cesárea: mais da metade dos bebês nasce por via cirúrgica na saúde pública brasileira, chegando a 88% dos partos na rede privada, de acordo com uma pesquisa realizada pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Em 53,5% dos casos, não há justificativa clínica adequada para a cesárea. A orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é que no máximo 15% dos partos sejam cesáreas.

De acordo com a pesquisa “Trajetória das mulheres na definição pelo parto cesáreo”, da Fiocruz, a alta taxa de cesáreas no Brasil está ligada à “baixa informação recebida pelas mulheres em relação às vantagens e desvantagens dos diferentes tipos de parto”. Tendo em vista esse cenário de desinformação, Raquel criou em 2012 a Comparto para acompanhar casais na preparação do nascimento dos filhos como Doula e Educadora Perinatal. Formada em Naturalogia, desde a graduação ela se questionava a partir de que momento era possível promover a saúde na vida de alguém e concluiu que era desde o ventre. Foi atrás de formação para trabalhar diretamente com isso e se tornou Doula, lutando pela causa do parto humanizado. “Com o excesso de cesáreas há mais custos na saúde pública, mais riscos de o bebê ficar na UTI, a mulher tem três vezes mais chances de morrer em uma cirurgia desnecessária por hemorragia… Não é uma questão de escolha ou de ideologia, é uma questão de saúde pública. É importante que as mulheres se dêem conta disso para ter condições mais saudáveis de parir seus bebês”, diz Raquel.

Raquel auxilia parto humanizado de Maíra Gadagnotto. Foto: Carla Raiter
Raquel auxilia parto humanizado de Maíra Gadagnotto. Foto: Carla Raiter

Depois de seis anos de experiência como doula e após acompanhar mais de 200 nascimentos – 85% deles partos normais ou naturais – Raquel quis expandir expandir seus serviços para um número maior de pessoas e para isso passou a contar em 2015 com a ajuda da irmã, Lia, com quem dividiu um útero e que traz dez anos de know how com projetos, para transformar a Comparto em um grande hub de troca de experiências e serviços relacionados ao nascimento. O assunto já tocava Lia por ter nascido em uma família de cinco filhas – as chamadas irmãs Oliva -, o que lhe proporcionou ao longo da vida uma discussão muito aberta e presente sobre os assuntos relacionados ao universo feminino. Além disso, a própria Lia nasceu em um parto com violência obstétrica. Quando sua mãe entrou em trabalho de parto, em 1981, não se usava ultrassom tanto quanto hoje e durante a auscultação o médico não ouviu batimentos e concluiu que o bebê era era um natimorto. Dez horas em trabalho de parto para “expelir” o bebê que havia nutrido por nove meses, a mãe acabou sendo submetida a uma cesárea, quando se descobriu que a pequena Lia estava viva e saudável. “A violência obstétrica não é só a maldade do médico, sabemos que muitos médicos são bem intencionados, mas violência não é só meter a mão na cara, às vezes é não deixar a mãe comer, não deixar esperar a filha mias velha chegar porque ele tem compromisso, é a enfermeira dizer ‘na hora de fazer você não gritou’. Basicamente, é tratar a mulher como infantil, como incapaz de entender e tirar-lhe a autonomia”, diz Lia. No Brasil, uma em cada quatro mulheres sofre algum tipo de violência durante o parto, segundo a pesquisa “Mulheres Brasileiras nos Espaços Público e Privado”, realizada em 2011 pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o SESC. Outras pesquisas relacionam a violência no parto com o nível de violência de uma sociedade em um processo que gera ao mesmo tempo em que reflete desigualdade de gênero.

"Respeita as mina e deixa a gente parir com respeito”, diz Lia. Foto: Carla Raiter
“Respeita as mina e deixa a gente parir com respeito”, diz Lia. Foto: Carla Raiter

Logo após a união de forças das duas irmãs Oliva, foi anunciado o projeto Mulheres de Impacto, uma parceria entre a Benfeitoria, a Think Olga e a ONU Mulheres para financiar através de crowdfunding 11 projetos voltados para o empoderamento das mulheres. Para as irmãs Oliva, o timing foi perfeito. “A Comparto essencialmente é feminina, lógico que não excluimos pais e médicos, mas é algo nosso, parir e gestar é exclusividade nossa. A gente sabe o que está fazendo, a gente é mulher, esse lugar é nosso, respeita as mina e deixa a gente parir com respeito”, afirma Lia.

A partir de agosto e até 15 de setembro a Comparto está em campanha de crowdfunding com uma meta mínima de R$ 32.550,00 para a realização do projeto. A primeira meta garantirá a transformação do site da Comparto em um portal com informação de qualidade e rede de apoio, além de um canal no YouTube com os primeiros 10 vídeos. Se a segunda meta for alcançada, soma-se a isso seis meses de conteúdo com artigos, pesquisas, calendário de eventos e 10 vídeos a mais, além da primeira conferência online de doulas do Brasil. Caso a terceira meta se concretize, a ideia é expandir o portal e criar um ranking de profissionais que apoiam partos humanizados, suporte para ferramentas de cursos online, espaço de networking, área restrita para doulas com programação exclusiva e um ano garantido de conteúdo do portal. Gostou da proposta? Então a apoie financeiramente ou compartilhe com seus amigos.

Confira abaixo os vídeos da campanha #cadanascimentoimporta, feito pela Comparto e com apoio da Benfeitoria:

Arte: Rafael Prado

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No dia 7 de junho, caminhei 200 metros por uma das avenidas centrais de Fortaleza carregando a Tocha Olímpica Rio 2016. Ao chegar no calçadão à beira mar, avistei Maria da Penha, ativista que batiza a lei que protege mulheres da violência doméstica. Fiz uma reverência cheia de admiração e, em volta de milhares de pessoas que acompanhavam o evento euforicamente, selei o beijo da chama com ela. Maria seguiu para atear a pira olímpica, num palco montado na praia, onde falou com firmeza sobre sua história e a necessidade urgente de combater a violência contra a mulher.

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Créditos: Rio 2016/ Fernando Soutello

Emocionante!!!

Mas… como foi que cheguei até aqui?

VIDA CORRIDA

Em março do ano passado, conheci uma mulher cuja história de vida me tocou profundamente.

Neide Santos, fundadora da ONG Vida Corrida, é uma corredora profissional que decidiu estreitar a relação das mulheres e das crianças com o esporte no Capão Redondo, um dos bairros com maiores taxas de criminalidade de São Paulo. A comunidade retoma a autoestima, aprende a conquistar espaços públicos e entende o valor que cada um dos seus corpos têm – principalmente as mulheres, que se viam destinadas a uma vida de serventia aos maridos e filhos, sem hobbies, sem interação uma com as outras, sem independência.

Neide, uma sobrevivente da violência em geral (de gênero, policial e urbana, que a marcou como mulher e levou seu marido e filho), teve ceifado o sonho de ser, ela mesma, uma atleta olímpica. Mas, pelo seu projeto, já estão saindo promessas brasileiras no atletismo. Ela é uma pessoa cheia de energia, está sempre de bom humor e muito disciplinada. Todo dia, às sete da manhã em ponto, está no parque do Capão dando início a mais uma aula, mesmo durante os anos em que fazia malabarismo com treinos e outros trabalhos para manter a ONG funcionando. Você pode vê-la contanto sobre sua própria história nesse vídeo que fizemos!

Em uma conversa descontraída, durante um dos nossos encontros, perguntaram à Neide qual era seu maior sonho no momento. “Carregar a tocha olímpica”, disse sem nem pensar.

“E seu eu puder realizar esse sonho com todas as crianças correndo atrás de mim, vou me considerar uma mulher realizada em tudo. Não me importo com o mundo vendo isso, e sim que as crianças entendam que tudo é capaz”.

Dois dias depois, a seleção para as equipes de revezamento da Tocha Olímpica Rio 2016 foram abertas. O Bradesco, um dos patrocinadores do evento, convidou a Think Olga para indicar um nome para fazer parte da sua equipe de condutores. Havia o entendimento, por parte deles, de que, apesar de ser um espetáculo esportivo, os Jogos Olímpicos deveriam ter um impacto que vai além das quadras. A indicação de uma organização feminista teria grande importância para o debate das causas das mulheres.

Indicamos a Neide.

Foi uma faísca para um novo olhar sobre o mundo do esporte como ferramenta de empoderamento.

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Neide ao centro, com uma réplica da tocha, nos preparativos para o revezamento. 

OLGA ESPORTE CLUBE

Eu gostava muito de esportes durante minha adolescência. Vários fatores me afastaram da prática conforme fui envelhecendo. E descobri rapidamente que não era a única a estar parada. Mais de 50% das brasileiras são sedentárias, segundo pesquisa publicada pelo Ministério dos Esportes, no ano passado.

A Maíra Liguori, diretora da Think Olga, tinha uma visão sobre esse cenário: a pouca prática esportiva pelas mulheres encontra no machismo inúmeras razões de existir. Uma delas, por exemplo, é o acesso reticente aos espaços públicos pelas mulheres. Há um paralelo muito grande com o debate instigado pela nossa campanha Chega de Fiu Fiu, que fala sobre assédio sexual em locais públicos, e a ideia de que a mulher não pertence às ruas e sim ao ambiente doméstico. No esporte, essa visão se perpetua.

Outra questão é a insegurança com o corpo. Bombardeadas com mensagens sobre fitness, dietas e corpos perfeitos, a sensação é que precisamos estar torneadas e já cheias de fôlego e de condicionamento para começarmos a nos mexer, em um ciclo bizarro que mais uma vez não nos permite enxergar por onde começar.

Por fim, nos fechamos em esportes solitários, como yoga e pilates (que adoro!), mas que têm foco grande no bem estar e no corpo. Nos falta interações com outras pessoas, praticar a força, suar, exercitar a inteligência emocional, rir e comemorar loucamente um ponto, um gol, uma cesta, uma vitória – assim como os homens fazem naquele futebolzinho de todo sábado.

Maíra entendeu então o esporte como um caminho muito divertido para o fortalecimento da mulher, o estímulo à sororidade e a desconstrução do machismo na sociedade. Lançamos a campanha Olga Esporte Clube, cujo objetivo é transformar a relação das mulheres com o movimento e as libertar das pressões sociais que as afastam do mundo esportivo. A OEC também luta para abrir novos espaços e possibilidades para a prática feminina nas mais diversas modalidades.

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Fizemos uma pesquisa online sobre a relação da mulher com o esporte, e as respostas foram muito elucidativas.

  • Na infância, 69% das entrevistadas disseram que praticavam esportes por diversão. A partir dos 18 anos, 53% acha outra motivação: o emagrecimento.
  • Quase 25% das mulheres afirmam que já foram vítimas de preconceito ao tentarem se exercitar de alguma forma. Uma em cada quatro. E esse número fica ainda mais alto nas periferias (29%).
  • O racismo também ficou explícito nesse nosso estudo. A tenista Maria Sharapova (branca), por exemplo, tem menos títulos que Serena Williams (negra), mas ganha quase o dobro em patrocínio.

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Maíra Liguori, na apresentação da pesquisa da OEC, no Museu do Futebol, em SP

Foi uma grande mudança em toda a organização Think Olga! Não só passamos a olhar com mais cuidado e conhecimento sobre uma área que parecia não ser nossa, como mudamos também nossas vidas pessoais. Nana, outra diretora da ONG, começou a praticar futebol com um grupo de mulheres. Maíra e eu criamos um pequeno, mas muito animado, time de basquete (alou, beijos para as basqueteiras Nay, Bia, Joana, Nina, Vivi, Cris, Dani). Entendemos que, além de ser gostoso de praticar e de nos aproximarmos cada vez mais de mulheres interessantes, também estávamos retomando o poder sobre nosso próprio corpo.

A #CHAMAQUETRANSFORMA

Foi nesse cenário que fomos informadas com toda a alegria do mundo que Neide Santos, da Vida Corrida, havia sido selecionada como parte da equipe de revezamento da Tocha Olímpica Rio 2016 do Bradesco. A surpresa veio logo a seguir: eu também havia sido indicada, selecionada e conduziria a tocha.

Ao nosso lado no revezamento, estiveram várias outras mulheres inspiradoras conduziram a Tocha Olímpica Rio 2016 em diferentes cidades: Janeth Arcain, Monique Evelle (Desabafo Social), Nadine Gasman (ONU Mulheres), Magá Moura…

Fui então para Fortaleza, onde pude, ao lado de Maria da Penha, levar não só a tocha, mas a bandeira dos direitos das mulheres. Foi um posicionamento importante, pois, apesar de se tratar de um grande evento sobre esporte, cujo foco é competição, diversão e o que for, a violência contra as mulheres ainda é tópico. Ela está em todos os lugares, em todas as áreas, e precisamos iluminá-la sempre.

Neste vídeo, de forma bem humorada, Neide e eu nos preparamos para esses dias tão especiais e surreais.

O dia dela está chegando! Será em São Bernardo, em SP, e cinco ônibus cheios de crianças do Capão vão acompanha-la no percurso. Você pode saber mais aqui.

#ElasAbraçam

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Ju e Neide

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Maria da Penha e Ju

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Elas nem sempre estão nas principais manchetes dos jornais, mas o fato é que muitas mulheres brilharam em 2014 de um jeito ou de outro. Seja com projetos elaborados dentro de uma grande corporação ou na sala de casa, com apoio de investidores ou dinheiro do próprio bolso, em piscinas ou, literalmente, no topo do mundo, elas atingiram muitas das conquistas mais impressionantes do ano. Esta lista vem para mostrar as ações incríveis que algumas delas – são quase 150 nomes! – vem criando em suas respectivas áreas. Não é, nem pretende ser, uma seleção definitiva, mas é uma boa amostra do poder das mulheres em 2014. Quando você pensar no que aconteceu ao longo do ano, fizer uma retrospectiva ou mesmo a própria lista de fatos relevantes, não esqueça de incluir essas mulheres tão importantes.

 

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Por Suzana Maria

ARTE

Arquitetas Invisíveis – É um projeto iniciado por alunas da UnB que busca dar visibilidade a arquitetas importantes do mundo todo que foram esquecidas pela história e ficaram a sombra dos homens com quem trabalharam. Os resultados positivos já começaram a ser percebidos pelas alunas nas aulas do curso de arquitetura da Universidade, com alguns professores passando a abordar o trabalho de mulheres que antes não eram mencionadas.

Carol Rossetti – Designer e ilustradora mineira criadora de uma série de desenhos que retratam de forma poderosa restrições cotidianas e preconceitos enfrentados pelas mulheres, estimulando a empatia e a sororidade. O trabalho foi traduzido para outras línguas, ganhou o mundo e foi mostrado por diversos jornais internacionais.

Coletivo Agulha – Coletivo de tricô e crochê que se reúne frequentemente com voluntárias para criar mantas, gorros e sapatinhos para pacientes do Hospital Pérola Byington.

Coletivo Capulanas Cia de Arte Negra –  Grupo composto por jovens negras de movimentos artístico políticos de São Paulo que encenam sobre as dores que o racismo e a exclusão social causa. Em 2014, trouxeram belíssimos espetáculos gratuitos como o Sangoma, cujo tema é a saúde da mulher negra e foi inspirado em práticas medicinais de sociedades da África do Sul.

Francis Divina – Lançou, em agosto, o projeto artístico Representativid’arte, para onde cria ilustrações que valorizam a diversidade corporal feminina. Mulheres com curvas, dobras, diferenças e imperfeições são as musas de Francis, que as retrata em nanquim.

Jéssica Ipólito – É ativista e dona do blog Gorda e Sapatão, onde escreve sobre feminismo, sexualidade e bodypositive. Em 2014 promoveu o empoderador Desafio Arte Gorda, que recebe colaborações de diversas pessoas. A única regra é que seja representado o corpo de uma mulher gorda.

Julia Morgan – Foi a primeira mulher a receber a medalha de ouro do AIA (American Institute of Architects), 57 anos depois de sua morte. Também foi a primeira arquiteta certificada pela L’École des Beaux-Arts de Paris e a primeira profissional licenciada para o exercício da profissão na Califórnia. Seu legado, construído ao longo de quase 50 anos de carreira, inclui mais de 700 edifícios, entre eles o Hearst Castle.

Lovelove6 – Quadrinista feminista, criadora da personagem Garota Siririca. Seu trabalho nos faz repensar bastante sobre os padrões estereotipados da sexualidade feminina representados nos quadrinhos. Fala sobre o autoconhecimento e ajuda a desestigmatizar a masturbação feminina.

Mariamma Fonseca, Samanta Coan e Samara Horta – São criadoras da Lady’s Comics, página que discute a representação feminina – ou a falta dela – nos quadrinhos. Em 2014 aconteceu em BH o “1° encontro Lady’s Comics: Transgredindo a representação feminina nos quadrinhos” , com debates, exposições, oficinas, venda de quadrinhos e painéis.

Raquel Trindade – Fundadora do Teatro Popular Solano Trindade, da Nação Kambinda de Maracatu, e uma das criadoras do movimento de Artes da Praça da República. Também é fundadora de um curso de extensão sobre folclore, teatro negro e sincretismo religioso na Unicamp.

Suzana Maria (ou SHOSH) – Criou o Selfless Portraits das Minas, grupo de arte formado por mulheres trans e cis, artistas profissionais ou não, no qual toda semana são sorteadas duplas de meninas com o objetivo de desenharem umas às outras, sem definição de prazos ou maneiras. O grupo se tornou um ambiente de encontros, trocas e sororidade entre mulheres.

Thaiz Leão – Ela é autora do ótimo Mãe Solo,  um diário de bordo em quadrinhos da maternidade de uma mãe solteira.

Vanessa Israel, Renata Dania, Lais de Souza, Amanda Zacarkim, Camila Lopes e Marina Dini – Criadoras do Clube do Bordado, que subverte a noção dócil e inocente da técnica para bordar cenas da sexualidade feminina.

  • INTERNACIONAL

Cheryl Strayed – Escritora e romancista americana, é a autora do bestseller “Wild” – memoir sobre sua solitária jornada de recuperação após seu divórcio e a morte de sua mãe. Em 2014, seu livro recebeu uma adaptação cinematográfica aclamada pela crítica.

Ilana Glazer e Abbi JacobsonSão atrizes nova-iorquinas e criadoras do seriado Broad City. A comédia, que começou como uma série de vídeos no Youtube, conta a história de duas amigas navegando pela cidade de Nova Iorque. O seriado foi chamado de “ataque feminista disfarçado” pelo Wall Street Journal.

Keke Palmer – Aos 21 anos, é a primeira atriz negra a interpretar a Cinderella na Broadway. Ela também já atuou em filmes, séries de televisão e tem seu próprio programa, o “Just Keke“, exibido no canal BET.

Lupita Nyong’o – Em 2014 só se falou em Lupita: ela recebeu Oscar de melhor atriz por 12 Anos de Escravidão, foi escolhida pela People como a mulher mais bonita do mundo, estampou editoriais de moda, centenas de capas. Lupita é um exemplo de representatividade  na mídia.

 

ATIVISMO & CIDADANIA

Adriana Padula Jannuzzi – Coordenadora do programa de Acessibilidade da Câmara dos Deputados em Brasília (DF). Entre as ações realizadas este ano estão a produção de audiolivros e tradução para Libras e também a reforma do plenário em julho de 2014 para que pessoas com mobilidade reduzida pudessem chegar até à Mesa Diretora.

Ana Claudia Vitoriano – Técnica em desenvolvimento de pesquisas, monitoramento e avaliação e mediadora sobre políticas públicas para mulheres e combate à violência no município de Barueri (SP). Este ano realizou mais de 25 rodas de discussões em regiões vulneráveis de sua cidade conscientizando as mulheres sobre a questão de gênero.

Amanda Kamanchek Lemos – Jornalista realizou em 2014 o projeto “Cartografia dos Direitos Humanos”, em que mapeou locais importantes na cidade de São Paulo para o a luta dos Direitos Humanos. É responsável pela campanha “O Valente Não é Violento” da ONU Mulheres no Brasil.

Associação das Advogadas, Estagiárias e Acadêmicas do Direito de SP (Asas) – Em uma ação contra o assédio sexual e a violência contra a mulher, o grupo distribuiu milhares de apitos para mulheres usuárias de transporte público.

Beatriz Silva – Professora, começou em janeiro deste ano um trabalho de proteção animal no lixão de Itapevi (SP). Contando apenas com recursos próprios, ela castrou todas as fêmeas do local e conseguiu lares para mais de 30 animais durante o período.

Bianca Santana Além de professora, assessora de projetos e jornalista, Bianca desenvolve projetos na ONG Casa de Lua. Em 2014, realizou o Círculos de Mulheres Negras, cujo objetivo é empoderar mulheres negras, fortalecer sua autoimagem e autoestima e criar redes de networking entre elas.

Carolina Ferrés – Lançou o projeto Viva Rio Pinheiros, que pretende ocupar as margens do Rio Pinheiros, em SP, com artes visuais e arte de rua. A proposta é resgata-lo e transformá-lo, de novo, em um lugar pra pessoas.

Casa de Lua – O projeto feminista completou um ano em novembro, com uma agenda de mais de 80 atividades, muitas gratuitas, voltadas para o empoderamento do público feminino. Tornou-se ONG em julho.

Haydée Svab – Engenheira civil, fundadora do Grupo de Estudos de Gênero da Escola Politécnica da USP (PoliGen), qualificou seu mestrado sobre a questão da mulher e o transporte em 2014. Uma de suas prioridades no ano foi discutir o “vagão rosa” no coletivo a partir da leitura de “O Segundo Sexo”, de Simone de Beauvoir, além de participar de reuniões sobre o assédio em transportes coletivos no Conselho Estadual de Condição Feminina.

Laura Mascaro – Coordenadora e pesquisadora do Centro de Estudos Hannah Arendt, promoveu em parceria com a Cátedra Unesco de Educação Para Paz, Direitos Humanos, Democracia e Tolerância oficinas de direitos humanos e escrita criativa no Centro Acadêmico Maria Antônia. O próximo passo é levar tais ações para as periferias de São Paulo.

Laura Sobral – É arquiteta e urbanista criadora do movimento A Batata Precisa de Você, que promove a ocupação do Largo da Batata em São Paulo todas as sextas-feiras no final do dia com atividades culturais e de lazer, como grupos musicais e conversas sobre temas urbanos, com a proposta de estimular o uso do espaço como local de convivência.

Luiza Carvalho – A brasileira foi nomeada diretora regional da ONU Mulheres para a América Latina e o Caribe. Ela também já foi representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) nas Filipinas.

Maria Clara Araújo – Estudante e colaboradora da revista online Capitolina e, com 18 anos, uma ativista assídua da causa trans*. Participa de palestras e debates sobre o assunto e é uma militante reconhecida no ativismo virtual. Foi uma das primeiras transexuais autorizadas a usarem seu nome social durante as provas do Enem este ano.

Mariana Ribeiro, Fernanda Cabral e Mariana Campanatti – Fundadoras do Imagina na Copa, um projeto que busca promover mudanças e transformações no país. Por meio de oficinas, jovens interessados eram capacitados a entender como poderiam atuar em diversas causas, trazendo melhorias nas cidades impactadas pela Copa. No começo do mês, a ação ganhou prêmio do Google pelo impacto social.

Nana Queiroz – É jornalista e em 2014 iniciou a campanha virtual #EuNãoMereçoSerEstuprada – postando nas redes uma foto seminua com o congresso ao fundo, utilizando a hashtag como mensagem central – , que teve início quando o IPEA divulgou uma pesquisa que tratava da violência contra as mulheres. No documento, um dos dados mais polêmicos foi o de que 65% dos entrevistados concordavam que mulheres que vestem pouca roupa estão mais sujeitas a ataques. Apesar do instituto ter corrigido o número para 26%, o tema continuou em evidência e mantém a discussão até hoje.

Nós, Mulheres da Periferia – O projeto, formado em 2014 por oito jornalistas e uma designer, todas moradoras de bairros da periferia de São Paulo, se propõe a combater a falta de representatividade das comunidades na imprensa, buscando mais protagonismo e visibilidade.

Sônia Guajajara – É porta-voz do movimento indígena brasileiro. Coordenadora Executiva da Articulação dos Povos Indígenas (APIB) é reconhecida internacionalmente como uma forte liderança dos direitos humanos. Em ano de eleição, foi fundamental para a movimentação do debate político em torno da causa, se posicionando principalmente no embate em torno da PEC 215.

Stephanie Ribeiro – Militante do movimento negro e feminista, é a única mulher, negra e bolsista da PUC-Campinas no curso de Arquitetura e Urbanismo entre 200 alunos. Em maio, denunciou perseguições e ofensas racistas dentro da universidade.

 

  • INTERNACIONAL

Anita Sarkeesian – A crítica de games e autora do blog Feminist Frequency, recebeu esse ano o prêmio Ambassador Award, no Game Developers Choice Award, dado a pessoas que ajudam a promover e a melhorar a indústria de games. Por sua atuação crítica em relação a representação feminina e ao machismo na cultura pop, principalmente nos jogos de videogame, Anita foi vitima de uma ameaça terrorista em 2014 que fez com que sua palestra na Utah State University.

Emily May – Diretora da ONG Hollaback!, criada em 2005 para lutar contra o assédio a mulheres nas ruas e conta com ativistas em 26 países, onde promovem conversas a respeito do tema. Emily reacendeu o debate mundial sobre cantadas de rua com o vídeo “10 Hours of Walking in NYC as a Woman” (10 horas caminhando por Nova Iorque como uma mulher, em tradução livre). A gravação tem mais de 37 milhões de visualizações no YouTube.

 

BLOGS & MÍDIAS SOCIAIS

Ariane Freitas e Jessica Grecco – Cansadas de comentários com cutucadas maldosas no Facebook, resolveram criar a página Indiretas do Bem para espalhar mensagens mais positivas. Foi um sucesso e, em um ano, a página chegou a mais de 7 milhões de curtidas. As autoras acabaram de lançar o Livro do Bem, com sugestões de atividades para deixar a vida mais feliz. No blog e na página, divulgam campanhas importantes, como Teleton, Dia Mundial de Combate à AIDS, Dia Mundial da Doação de Sangue, entre outros.

Bia Granja – A fundadora do site YouPix, o “manual” brasileiro da internet, lançou neste ano o curso Espalhe!, que destrincha a ciência por trás do conteúdo online e viral das redes sociais.

Carol Moré  – É criadora do Follow the Colours, blog que fala sobre vários tipos de artes – de decoração a prints em tecidos, de letterings a tatuagens. Em 2014, a página cresceu muito, ganhando novo layout e categorias, e abriu ainda mais espaço para divulgar e valorizar o trabalho de novos artistas. Iniciou também o projeto Gotas de Cor, em que traz, em forma de post, curiosidade e informações sobre as infinitas tonalidades existentes.

Débora Cassolatto – É autora de de dois blogs-referência sobre música, o Música de Menina, no qual desmistifica essa expressão e discute o sexismo existente na área, e o Ouvindo Antes de Morrer, em parceria com a MTV.

Gizelli Sousa – Criadora do ótimo #ValorizeAsMinas, post semanal no blog Maior Digressão que reúne casos, histórias e projetos de mulheres.

Sharon Caleffi – Criou a página Vote numa feminista para destacar candidatas feministas nas eleições de 2014. A proposta é demonstrar como a participação feminista no poder legislativo é importante e dar visibilidade à candidatas que possam ajudar a ampliar a voz das mulheres na política. Além disso, divulga ações e propõe discussões políticas relacionadas aos direitos das mulheres.

Sofia F. Ricardo – Estudante de psicologia, mulher trans* e  dona da página Travesti Reflexiva, que critica com bom humor diversos tipos de opressões.

 

CIÊNCIA

Georgia Gabriela da Silva Sampaio e Raíssa Müller – São estudantes brasileiras de 19 anos que desenvolveram projetos e foram vencedoras de concurso de inovação promovido pela Universidade de Harvard. Georgia Gabriela propôs a criação de um métodos mais econômico e menos invasivo para o diagnóstico da endometriose, através de exames de sangue. Raíssa criou uma esponja que absorve óleo e repele água – ela poderia ser usada em casos de derramamento de óleo no mar, por exemplo.

Livia Eberlin – Graduada pela Unicamp, foi premiada este ano como autora da melhor tese em química dos Estados Unidos. Com um espectrômetro de massas, ela desenvolveu uma técnica para identificar moléculas da doença nos fragmentos do tecido, contribuindo enormemente para a precisão da cirurgia de retirada de tumor cerebral. Ela foi a primeira pesquisadora brasileira a receber o chamado Nobel Laureate Signature Award 2014.

Marcelle Soares-Santos – Física brasileira pós-doutoranda do Fermi National Accelerator Laboratory, em Illinois, foi premiada com o Alvin Tollestrup Award por sua pesquisa. Ela trabalha no projeto Dark Energy Survey, que busca compreender a energia escura a partir do mapeamento de 4 mil supernovas e 300 milhões de galáxias.

  • INTERNACIONAL

Jeri Ellsworth – Engenheira da computação autodidata que, após ser demitida pela Valve, criou com um sócio uma start up chamada Technical Illusions que já arrecadou coletivamente mais de 1 milhão de dólares no Kickstarter pra lançar um óculos revolucionário de realidade aumentada.

Mars Orbiter Mission (MOM) – A Índia lançou, em setembro, a Mars Orbiter Mission (MOM), a primeira missão ao planeta do país – e com muitas cientistas mulheres na equipe. E, enfrentando preconceitos da mídia internacional e com um orçamento menor do que o de qualquer outro país, foi a única missão espacial a Marte a acertar de primeira até hoje.

Maryam Mirzakhani – A iraniana tornou-se a primeira mulher a receber a medalha Fields, prêmio conhecido como o Nobel da Matemática.

COMUNICAÇÃO & AUDIOVISUAL

Alice Riff – Documentarista que realizou, junto ao Diário do Centro do Mundo em 2014, o documentário Dr. Melgaço, viabilizado pelos leitores via crowdfunding. A cineasta foi enviada a Melgaço, a cidade com menor IDH do país, para investigar o impacto do programa Mais Médicos sobre a população.

Andrea DipJornalista da Agência Pública, foi responsável por algumas das mais importantes matérias e denúncias sobre violência contra mulher, como a HQ sobre a teia de exploração sexual de meninas durante a Copa e a matéria sobre mães encarceradas.

Clara Averbuck, Mari Messias e Polly Barbi – Fundadoras do Lugar de Mulher, site feminista que aborda diversos temas do universo feminino, de política à moda, de gordofobia à seriados sempre de forma muito explicativa e bem-humorada.

Djamila Ribeiro – Feminista negra de grande influência e uma das fundadoras do Núcleo Interdisciplinar de Estudos de Gênero, Raça e Sexualidades da Unifesp, onde também é pesquisadora e mestranda.  É uma das Blogueiras Negras e escreve também para o Escritório Feminista da Carta Capital.

Fernanda Honorato – Entrou para o Rank Brasil por ser a primeira repórter com síndrome de down do país. Fernanda, de 34 anos, ocupa o cargo no Programa Especial da TV Brasil desde 2006.

Heloísa Rocha – Jornalista da Gazeta AM, Rádio Universitária da Faculdade Cásper Líbero, atua na orientação e produção de reportagens sobre inclusão e acessibilidade com os estudantes com o objetivo de propor a conscientização dos futuros comunicadores do Brasil. Em 2014 realizou uma das matérias de maior impacto da rádio ao produzir e veicular um especial sobre a gravidez de uma mãe com ossos de cristal. Primeiro caso no Brasil de uma mulher de Osteogênese Imperfeita do Tipo III. Também realizou especial sobre a acessibilidade para a Copa.

Joanna de Assis – Jornalista esportiva, lançou em 2014 o livro “Para-Heróis” sobre os atletas paráolimpícos e suas histórias de superação. Também palestrou sobre a presença das mulheres no jornalismo esportivo em diversas universidades do País.

Juliana Vicente – Diretora de cinema e fundadora da Preta Portê Filmes, produziu e dirigiu dois curta-metragens para o Canal Futura em 2014: “Meu Cabelo Não Nega”, sobre o cabelo de mulheres negras e “As Minas do Rap”, sobre a participação feminina no rap e no hip-hop.

Maria Julia Coutinho – É a primeira negra a apresentar a previsão metereológica da Rede Globo de Televisão. Ganhou a medalha “Medalha Theodosina Rosário Ribeiro”, conferida pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo às mulheres ou entidades de mulheres que se destacarem na sociedade em razão de sua contribuição ao enfrentamento da discriminação racial e na defesa dos direitos das mulheres no Estado de São Paulo.

Mauana Simas – Jornalista e fundadora da produtora ”Nós Todos Filmes” no Rio de Janeiro.  Coordenou o projeto de narração audiodescritiva durante a Copa do Mundo e levou mais de 400 deficientes para os jogos em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Produziu um documentário totalmente acessível para o Canal Futura chamado “A hora de deixar a quadra”. Em setembro, foi convidada a participar de um curso em Londres sobre acessibilidade em estádios de futebol que resultou em um projeto a ser realizado em 2015 no estádio do Morumbi, em São Paulo. Também produziu e dirigiu o clipe Zeit, da banda Schracho, todo em Libras.

Sofia Soter, Clara Browne e Lorena Piñeiro  – O trio criou a Revista Capitolina revista eletrônica adolescente com pegada feminista. Para nós da Olga, é o melhor conteúdo brasileiro para teens na internet!

Susanna Lira – Diretora da Modo Operante Produções no Rio de Janeiro, estreou em 2014 a série “Mulheres em Luta”, sobre presas políticas na ditadura militar para o canal GNT. Atualmente produz o longa metragem “A Torre das Donzelas”, que contará a história das mulheres torturadas no regime e que cumpriram pena no Presídio Tiradentes, em São Paulo. Também este ano lançou o documentário e série “Damas no Samba”, que retrata o papel das mulheres na construção do ritmo mais brasileiro e o longa metragem “Por Que Temos Esperança” sobre as mulheres que criam seus filhos sem ajuda dos pais em Pernambuco.

  • INTERNACIONAL

Pam Grossman – Editora da Getty Images, criou, ao lado de Sheryl Sandberg, a coleção Lean In de imagens de arquivo que lutam contra os estereótipos e o machismo ao representar mulheres de maneira poderosa.

 

EDUCAÇÃO

Anna Haddad, Camila Haddad e Giovana Camargo – Fundadoras do Cinese, plataforma de cursos criada pelo trio para unir pessoas e promover palestras, debates e cursos. Recentemente, elas tiraram a cobrança dos organizadores dos encontros e apostaram em um modelo de negócio muito mais humano e inovador.

Denna Hill, Lúcia Udemezue, Nina Vieira e Thays Quadros – Criaram o coletivo Manifesto Crespo, que atua na área educacional, provocando reflexões sobre o cabelo crespo, a história e cultura africana. Neste ano, levaram a iniciativa para comunidades negras e indígenas com lideranças femininas, como Quilombo da Caçandoca, em Ubatuba, e a aldeia Indígena Tenondé Porã, no bairro de Parelheiros.

Tamires Gomes Sampaio – Aos 20 anos, é a primeira aluna negra a dirigir o  Centro Acadêmico João Mendes Jr, da Faculdade  de Direito do Mackenzie.

  • INTERNACIONAL

Malala Yousafzai – Recebeu o Nobel da Paz este ano, tornando-se a pessoa mais jovem a ganhar o prêmio, aos 17, dividido com o indiano Kailash Satyarthi. Doou o valor recebido para a reconstrução de escolas em Gaza. Desde os 11 anos, a paquistanesa é uma ativista que defende os direitos humanos das mulheres e o acesso de meninas à educação no norte de seu país, onde muitas são proibidas pelos talibãs de estudar. Em 2012, comoveu o mundo ao sobreviver a uma tentativa de assassinato, quando foi baleada dentro de um ônibus escolar e discursar sobre sua experiência e a importância da educação das meninas na ONU.

 

EMPREENDEDORISMO

Ariane Cor e Marcella Chartier – Criaram a Iara, agência de empoderamento feminino onde ajudam as mulheres a se apropriarem de seus potenciais.

Bordadeiras de Passira – Conseguiram financiamento coletivo pelo Catarse para criar um e-commerce, produzindo bordados e vendendo seus trabalhos de forma autônoma para o mercado de moda nacional.

Fabi Secches – Co-fundadora da Confeitaria Mag, e organizadora de livros inspiradores como a coletânea de contos Amor | Pequenas Estórias, Fabi lançou este ano o e-commerce para impulsionar o trabalho de novos artistas. A Loja da Confeitaria vende livros, objetos de arte, papelaria, bijuteria e artigos de decoração.

Itali Pedroni Collini – Estudante de economia da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), é uma das fundadoras do GENERA (Grupo de Estudos de Gênero e Raça da FEA-USP), apresentou um trabalho inédito de conclusão de curso sobre a participação das mulheres no mercado financeiro.

Lorrana Scarpioni – É criadora do Bliive, plataforma digital que viabiliza uma rede colaborativa de troca de tempo e serviços. Funciona assim: o usuário oferece uma experiência/serviço; alguém “contrata”, o usuário recebe em Time Money (moeda de troca da rede), com o qual pode “contratar” serviços de terceiros. A rede, criada no finzinho de 2013, já reúne mais de 60 mil colaboradores e se expande internacionalmente. Este ano, Lorrana, aos 23 anos, foi uma das duas mulheres da lista dos dez brasileiros mais inovadores com menos de 35 anos da MIT (Massachusetts Institute of Technology).

Marina Gurgel Prado e Tatiana Pascowitch – Sócias da Bela do Dia, empresa que utiliza bicicletas para a entrega de flores em São Paulo. Inauguraram, em 2014, a floricultura ganhou ponto fixo, no bairro de Pinheiros, em SP.

Raquell Guimarães – Empresária de Juiz de Fora (MG), fundadora da marca Doisélles, criou o projeto Flor de Lótus aonde ensina tricot para homens que cumprem pena em uma penitenciária de segurança máxima. Seu trabalho teve amplo destaque na imprensa internacional em 2014, tendo sido noticiado por veículos como Le Monde (França) e The New York Times. As peças da Doisélles são comercializadas nos maiores centros de moda do mundo, como a Harrod´s, em Londres.

Talita Noguchi – Fundadora dos Las Magrelas, uma mescla de bar e bicicletaria onde, além de atividades baseadas no cicloativismo, rolam festivais de cunho feminista conhecidos como Desamélia com workshops, palestras e rodas de bate-papo.

  • INTERNACIONAL

Hilary Jones – É ativista de direitos animais e diretora de ética da Lush, marca britânica de cosméticos que não realiza testes com bichos. A companhia que preza pela sustentabilidade voltou este ano ao Brasil, onde planeja abrir 30 lojas inicialmente.

Martine Rothblatt – Trans* norte-americana fundadora e CEO da Silver Spring (empresa do ramo farmacêutico). Em setembro deste ano foi capa da New York Magazine sob o título da CEO mais bem paga dos Estados Unidos.

 

ESPORTE

Ana Boscarioli Em junho, chegou ao cume do Monte McKinley, no Alasca, e se tornou a primeira brasileira a escalar os “sete cumes” – o ponto mais alto de cada um dos sete continentes, considerado um dos maiores desafios do alpinismo. Em 2006, já havia se tornado a primeira brasileira a atingir o topo do Monte Everest, o local mais alto do mundo.

Etiene Medeiros – A nadadora de 23 anos bateu, no Campeonato Mundial de Piscinas Curtas, em Doha, o recorde mundial em 50m costas e conquistou a primeira medalha da natação feminina brasileira em Mundiais (é a nossa primeira campeã mundial!!!).

Seleção Brasileira Feminina de Handebol – Em 22 de dezembro de 2013, o Brasil ganhou o Campeonato Mundial de Handebol Feminino, realizado em Belgrado, na Sérvia. Não só é um título inédito nesse esporte no país, mas foi a segunda nação não-europeia (após a Coreia do Sul) e primeira da América conquistá-lo. Para completar, não perdeu uma partida sequer no torneio.

Terezinha Guilhermina – A velocista alcançou o 1º lugar do ranking mundial de 2014 nas provas de 100 e 200 metros na categoria T11, disputada por quem possui alguma deficiência visual. Neste ano, a atleta paralímpica brasileira também conquistou ouro nos torneios Grand Prix de Dubai, Open de Berlim e Open de São Paulo, todos em provas de 100 e 200 metros, além do 2º lugar geral no Meeting de Paris, nas mesmas provas. Uma das provas do Circuito de Corridas Instituto Sicoob, que acontece em Maringá (PR), leva o nome Terezinha Guilhermina em sua homenagem.

  • INTERNACIONAL

Corinne Diacre – Entra para a história por ser efetivamente a primeira treinadora mulher de uma equipe masculina de futebol profissional. O clube francês Clermont Foot havia anunciado Helena Costa como técnica, mas esta recusou o cargo de última hora, que acabou sendo assumido por Diacre. A atleta, além do feito, declara lindamente que, “salvo a sensibilidade”, não vê qualquer diferença entre treinadores e treinadoras.

Mo’ne Davis – A garota de 13 anos, que vive na Philadelphia, é estrela da Liga infantil (Little League) de baseball dos EUA. Ela, ao lado de outra colega, são as únicas meninas a disputar a liga em 2014 (elas jogam no time masculino). O arremesso de Mo’ne chega a 110km/h – a média de sua idade é 80km/h – e e garantiu a vitória de sua equipe este ano.  Ela foi a primeira atleta da Little League a aparecer na capa da Sports Illustrated, que a nomeou a atleta infantil do ano. Mo’ne se diz surpresa com o reconhecimento no baseball, quando na verdade o esporte preferido dela é o basquete.

 

INSPIRAÇÃO

Chames Salles Rolim – Se formou em Direito aos 97 anos de idade. O diploma de bacharel é da Faculdade de Direito de Ipatinga (Fadipa), em Minas Gerais. A senhora afirma que quer compartilhar o conhecimento adquirido a ajudar a sociedade.

  • INTERNACIONAL

Ellen Page – A atriz, protagonista de Juno e Hard Candy, fez, em fevereiro, um discurso contra a homofobia em que também se assumiu lésbica.

Emma Sulkowicz – Sobrevivente de um estupro na Universidade de Columbia, foi também vítima de descaso da administração da própria instituição. Como forma de protesto, carregou o colchão em que foi violentada pelo campus, pedindo que sua história fosse ouvida com o cuidado e respeito que merece e que seu agressor, punido.

Emma Watson – Como embaixadora da ONU Mulheres, lançou a campanha HeForShe, a favor dos direitos iguais e contra o machismo.

Jada – É uma adolescente negra norte-americana de 16 anos que sofreu estupro coletivo após ser vítima de um “boa noite Cinderela”. Fotos do crime foram divulgadas nas redes sociais junto com a hashtag #jadapose, agravando ainda mais a violência do ato. Jada não se intimidou e, com o apoio da mãe, postou uma foto de seu rosto com a hashtag #iamjada, afim de mostrar a pessoa por trás do meme. Ela também denunciou o fato à polícia, além de relatar a história aos veículos de imprensa.

Laverne Cox – Atriz transexual da série Orange is the New Black, é um importante ícone na luta contra a transfobia e em 2014 recebeu diversos prêmios por seu ativismo. Foi escolhida “Woman of the Year” pela revista Glamour, foi incluída no Root 100, uma lista anual que honra líderes inovadores e criadores de cultura negros que se destacam com menos de 45 anos, ficou em primeiro lugar na “Wolrd Pride Power List”, do jornal britânico The Guardian, que reúne as pessoas LGBTs mais influentes do mundo, e recebeu o Stephen F. Kolzak Award na categoria GLAAD (Gay & Lesbian Alliance Against Defamation).

 

LITERATURA

Jarid Arraes – Lançou uma série de cordéis feministas abordando temáticas de gênero, raça e sexualidade. A escritora também mantém a coluna Questão de Gênero na Revista Fórum e publica textos no Blogueiras Negras.

Jenyffer Nascimento – A poeta pernambucana lançou o livro Terra Fértil, onde fala sobre amor, cidade, diferenças sociais e orgulho da própria origem. A obra integra o Projeto Mjiba: Espalhando Sementes, que visa o fortalecimento da escrita negra e feminina.

Julia Bussius e Sofia Mariutti – Editoras na Companhia das Letras, a dupla têm conseguido trazer cada vez mais publicações feministas para o grande público. Sofia batalho para lançar gratuitamente o e-book de Chimamanda Ngozie Adichie, baseado no TED Sejamos todas feministas. Já Julia trouxe o Lean In (Faça Acontecer), de Sheryl Sandberg, e disponibilizou o e-book Meu corpo não é seu – Desvendando a violência contra a mulher em parceria aqui com o Think Olga.

Laura Folgueira e Marcella Chartier – A dupla é fundou a Kayá, editora cujo objetivo é publicar o feminino – seja apresentando novas autoras ou trazendo temas ou livros que tenham as mulheres como público-alvo – e ampliar a noção do que é ser mulher na literatura, nos estudos de gênero ou nas histórias infantojuvenis.

Marina Colasanti – É a autora de “Breve História de um Pequeno Amor” (Editora FTD), vencedor do prêmio Jabuti como melhor livro infantil de 2014.

Martha Lopes – Criadora do projeto KD Mulheres, que discute a participação e representatividade da mulher nas artes, com foco principal na literatura.

Pelas Mulheres Indígenas – O livro acaba de ser lançado por autoras de oito etnias da região Nordeste. Foi desenvolvido em oficinas de literatura que fazem parte de um projeto de formação continuada sobre o direito das mulheres indígenas. A publicação apresenta relatos de suas vidas, dificuldades, sonhos e expectativas além de informações sobre como prevenir e lidar com casos de violência conjugal.

Lady Sybylla e Aline ValekSão criadoras da primeira coletânea de ficção científica feminista do Brasil, a Universo Desconstruído, lançada em 2013. Neste ano, traduziram e colocaram à disposição o conto feminista Sultana’s Dream, o primeiro do gênero na história.

  • INTERNACIONAL

Margaret AtwoodEscritora canadense especialista em gênero de ficção científica/distópica e reconhecida por inúmeros prêmios literários internacionais importantes, tais como o  Arthur C. Clarke. Sua obra mais recente, a trilogia MaddAddam está sendo adaptada pela HBO, para uma série de tv e contará com a direção do Darren Aronofsky.

Sophia Amoruso – CEO da marca de moda americana Nasty Girl. A marca, fundada e presidida por ela, foi considerada uma das empresas com crescimento mais espantoso nos últimos anos. Em 2014, Sophia lançou o memoir #GirlBoss, sucesso de vendas, que conta um pouco da sua jornada errante e revela muito mais do que uma mulher virtuosa e de escolhas assertivas.

 

MODA

Flávia Durante – É criadora e produtora do Bazar POP Plus Size, que garimpa marcas de roupas de diversos estilos com numerações acima de 46. Tem roupa retrô, básica, praia, lingerie e fitness e a entrada custa somente R$ 5,00.

Luciane Barros – Fundadora do África Plus Size Fashion Week Brasil, evento de moda cuja missão é aumentar a visibilidade da moda afro-contemporânea, além de valorizar a a beleza, o talento e a auto-estima das mulheres negras plus size. O evento, lançado em 2013, ganhou força total neste ano, multiplicando o número de desfiles e participações em eventos de moda.

Nina Weingrill, Claudia Weingrill e Camila Silveira – Sócias da marca Velô, de roupas para ciclistas urbanos, lançada neste ano. As vestimentas são feitas com materiais tecnológicos, com proteção UV e tratamento bacteriostático, por exemplo. Ou seja, não pegam o cheiro do corpo, protegem do sol. Além disso, os tecidos usados não amassam e possuem secagem rápida.

Mulheres do Por Mais Turbantes Nas Ruas –  O grupo, criado em 2014, tem uma atuação bem local, em Sergipe, onde vendem alguns turbantes e oferecem oficinas e workshops em escolas para trabalhar questões de identidade, dialogando sobre cultura negra, auto-aceitação e racismo.

 

MÚSICA

Bárbara SweetÉ representante feminista no cenário do rap nacional, sobretudo nas batalhas de MCs, sempre batendo de frente com todo o machismo enraizado nas ruas.

Brisa De La Cordillera – Também conhecida como Brisaflow, é cantora, instrumentista, compositora e MC e tem levado a discussão feminista para dentro do universo do rap. A mineira de Belo Horizonte relata em suas letras as dificuldades em ser mulher e faz provocações inteligentes aos estereótipos de classe, de raça e de gênero.

Flora Matos – É cantora de rap e considerada um dos grandes nomes do rap na atualidade. Um dos destaques de 2014 foi sua presença na Maratona de Cartas Escreva por Direitos, evento de Direitos Humanos promovido pela Anistia Internacional.

Luana HansenÉ DJ, MC, produtora e usa sua palavra pra falar sobre assuntos do movimento feminista como aborto. Luana também é ativista pela maior participação das mulheres no universo do rap.

  • INTERNACIONAL

Anita Tijoux – A MC franco-chilena vem rimando os temas da vida das mulheres desde os anos noventa, em grupos como Makiza ou em carreira solo. Este ano, elevou seu discurso feminista a um novo patamar com o disco Vengo, ainda mais revolucionário.

Corin Tucker, Carrie Brownstein e Janet WeissElas formam o Sleater-Kinney banda que integrou o movimento riot grrrl, de grande influência nos anos 1990/2000. Se separaram em 2006, mas em 2014 anunciaram sua volta, lançando um novo álbum e turnê. Suas letras e atitudes sempre carregaram um viés feminista e de protesto.

POLÍTICA & ESTADO

Ana Paula Meirelles Lewin e Ana Rita Prata –  Coordenadoras do NUDEM – Nucleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher. Defensoras públicas que com o seu trabalho estão pautando para a população e o poder judiciário tema delicados e antes invisíveis da violência contra a mulher, como a violência obstétrica e o assédio sexual, contribuindo para o esclarecimento da população sobre todos os tipos de violência contra a mulher.

Amarilis Busch Tavares – Diretora da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Em 2014, coordenou importantes projetos na área da reparação moral, simbólica, coletiva e psicológica aos atingidos por atos de exceção durante a ditadura, e à sociedade brasileira como um todo, tais como as Caravanas da Anistia, o Projeto Marcas da Memória, o Memorial da Anistia Política do Brasil e as Clínicas do Testemunho. Também atuou diretamente em trabalhos da comissão sobre os 50 anos do golpe militar, como o “Cinema Pela Verdade” e o congresso Internacional “Memória- Alicerce de da Justiça de Transição e dos Direitos Humanos”, além de escrever artigos sobre o fortalecimento da democracia no Brasil e a dependência do pleno (re) conhecimento do nosso passado de violações e da efetivação da Justiça de Transição.

Cristiana de Castro Moraes – Em abril, tornou-se a primeira mulher a presidir uma sessão do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, em 90 anos da história da instituição.

Fernanda Alves dos Anjos – Advogada mineira. Primeira mulher a assumir o Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça. Foi a única brasileira convidada pela relatora da ONU como um dos cinco exemplos mundiais em governança de política de tráfico de pessoas.

Isa Penna – Feminista, foi candidata a deputada estadual pelo PSOL. Denunciou o machismo no período eleitoral ao escrever uma carta-aberta ao UOL, portal que publicou uma lista com “as mais belas candidatas” da eleição de 2014.

Karina Kufa – Advogada e presidente do Instituto Paulista de Direito Eleitoral (IPADE) organizou o primeiro congresso sobre o tema em São Paulo. Em 2014, colaborou com artigos sobre a participação política da mulher e defendendo a maior representatividade feminina no Executivo e no Legislativo brasileiros.

Laís de Figueiredo Lopes – Advogada maranhense e assessora especial da Secretaria Geral da Presidência da República. Este ano se dedicou à articulação e diálogo com o parlamento e a sociedade em nome do Governo Federal para a aprovação da Lei13.019/14, que institui um novo Marco Regulatório das organizações da sociedade civil nas relações de parceria com o estado.

Luciana Genro – Durante as eleições para presidência de 2014, mesmo fazendo parte dos partidos “nanicos”, destacou-se nos debates televisivos em horário nobre por discutir abertamente temas como aborto, violência contra mulher, direitos civis LGBT, sem ser caricata.

Lucimara Passos – A vereadora ganhou destaque por seu discurso na Câmara dos Vereadores de Aracaju no Dia Internacional de Combate à Violência Contra Mulher, quando confrontou os discursos machistas de seus colegas, principalmente do vereador Agamenon Sobra, que havia criticado uma noiva por ter se casado sem calcinha. Na ocasião, Lucimara levou sua calcinha no bolso à Câmara e falou sobre o fim da opressão às mulheres enquanto segurava a peça.

Margarete Coelho – É deputada estadual do Piauí e, em 2014, foi eleita vice-governadora do estado. Conselheira Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), participou ativamente do movimento que instituiu a cota de 30% de advogadas paras as chapas da instituição e apoia diversas causas feministas, como a maior participação política da mulher e o parto humanizado

Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha – Pela primeira vez na história, uma mulher ocupou o cargo máximo de um Supremo Tribunal Militar. A ministra Maria Elizabeth assumiu a posição e se comprometeu a lutar contra a desigualdade de gênero e a homofobia nas Forças Armadas.

Telma de Souza – É deputada estadual em São Paulo e, Procuradora Especial da Mulher da Assembleia Legislativa. Em 2014, promoveu a criação do curso online “Gênero e Atuação Legislativa” em parceria com a Procuradoria da Mulher da Câmara dos Deputados e o Banco Mundial para qualificar as servidoras do legislativo de todo o país sobre a questão da mulher.

 

SAÚDE

Ana Lúcia Dias da Silva Keunecke, Raquel de Almeida Marques e Patrícia Hernandez – Pelo trabalho na Ong Artemis e pelas muitas conquistas no campo da saúde da gestante e na luta contra a violência obstétrica. Em 2014, conquistaram, via financiamento coletivo, os recursos para rodar a segunda parte do documentário O Renascimento do Parto.

Deisy Ventura – Professora de Direito Internacional da Universidade de São Paulo, debruçou-se sobre o tema da saúde global e suas relações com o Direito. Em 2014, foi uma das grandes vozes nacionais a abordar as questões jurídicas relativas ao ebola, denunciando a rede Globo de violar lei ao publicar dados de paciente suspeito de contágio.

Paola Altheia – Nutricionista e autora do blog Não Sou Exposição. Tornou-se referência em 2014 ao abordar temas relacionados a saúde, alimentação, imagem corporal, amor próprio e bem estar de uma perspectiva contrária à ditadura da magreza e da vilanização da comida. Deu uma entrevista maravilhosa e definitiva à Olga sobre nutrição, que você pode conferir aqui.

Rosana Beni – Jornalista e mãe de Anita e Raphael por processo de inseminação artificial aos 50 anos, está lutando na Câmara dos Deputados junto ao deputado Arnaldo Faria de Sá que a resolução do Conselho Federal de Medicina que proíbe fertilização após os 45 anos seja aprovada. Também concedeu inúmeras entrevistas esclarecedoras sobre o tema.

 

TECNOLOGIA

Ana Ribeiro – Seu projeto foi um dos selecionados do Hackathon Gênero e Cidadania – Câmara dos Deputados deste ano. Ana tem 18 anos, estuda Ciência da Computação na Universidade Federal de Campina Grande, na Paraíba, é feminista e programadora. Seu projeto, o Grrls Hacks, se propõe a reunir as pouquíssimas mulheres que trabalham no universo da Ciências da Computação e Tecnologia da Informação, para que elas se encontrem, troquem ideias, fomentem o debate e ajudem a aumentar a participação feminina na tecnologia.

Camila Achutti – É Diretora Nacional do Technovation Challenge Brasil, uma competição que busca empoderar meninas por meio da tecnologia. Em 2014, foi responsável por uma série de workshops pra ensinar garotas a programar.

Camila Ziron, Estela Machado, Hadassa Mussi, Larissa Rodrigues e Letícia Santos – As estudantes de 16 anos criaram o aplicativo App For You para ajudar meninas que tiveram fotos íntimas expostas na internet ou que sofreram algum tipo de assédio virtual. Por meio dos app, as vítimas poderão conversar entre si e aprendem como a legislação às protege.

Diana Assenato Botelho e Natasha Madov – Criadoras do portal Ada.vc, especializado em tecnologia e cujo objetivo é incentivar uma maior participação feminina na área. Diana também é uma das fundadoras do Arco,  startup que inovou a experiência de e-commerce ao desenvolver um sistema de compras pelo Instagram.

Salete Farias – É professora do Instituto Federal do Maranhão e desde janeiro coordena o curso técnico de informática da instituição, aonde também ministra aulas como “Linguagem de Programação Python”, “Estruturas de Dados” e “Banco de Dados”. Foi curadora da área de software livre da Campus Party Brasil de 2014 e mediou uma mesa redonda sobre mulheres, tecnologia e software livre.

Tatiana Capitanio – É criadora do Data4Good, projeto que busca incentivar o uso de dados como instrumento de mudança e solução de problemas sociais. Em 2014, ano inicial oficial do projeto, já impactou mais de duas milhões de pessoas com uma ferramenta bem “simples”: informação.

  • INTERNACIONAL

Whitney Wolfe – Uma das fundadoras do Tinder. Ela denunciou o assédio sexual e a discriminação no trabalho que sofreu do também cofundador Justin Mateen e do CEO Sean Rad. Os abusos fizeram com que ela tivesse que pedir demissão. Em novembro, Whitney lançou o Bumble App, concorrente do Tinder com um diferencial: o controle da paquera fica nas mãos da mulher. É ela quem precisa iniciar a conversa, caso contrário a conexão desaparece em 24 horas.

 

EM MEMÓRIA

Cláudia Silva Ferreira – Auxiliar de serviços gerais, moradora do Morro da Congonha, foi alvejada ao sair de casa para comprar pão e teve seu corpo arrastado pela Polícia Militar no Rio de Janeiro. Ela deixou marido, quatro filhos e muita saudade.

Jandira Magdalena dos Santos Cruz e Elisângela Barbosa – Mortas pela ilegalidade do aborto. Jandira era auxiliar administrativa e tinha duas filhas. Elisângela era casada e tinha três filhos. Ambas procuraram clínicas ilegais para interromper gravidezes indesejadas e pagaram com a vida por um direito garantido somente às classes altas do Brasil.

Maya Angelou – Intelectual de grande importância por suas diversas contribuições literárias e pioneirismo. Entre seus muitos feitos, foi a primeira roteirista e diretora negra em Hollywood. Ativista dos direitos civis, atriz, dançarina, professora. Foi nomeada para o Pulitzer Prize em poesia e porta-voz dos direitos dos negros e das mulheres.

Rose Marie Muraro – A intelectual e uma das pioneiras da luta feminista no Brasil faleceu em junho, em decorrência de um câncer na medula óssea.

Tuğçe Albayrak – Jovem que perdeu a vida após defender duas mulheres de assédio, na Alemanha.  Ela não resistiu aos ferimentos e teve os aparelhos que a mantinham viva desligados no dia de seu aniversário de 23 anos. Milhares de pessoas compareceram ao seu funeral

Vange LeonelEscritora, cantora, compositora, feminista, ativista LGBT e Lupulina, sendo uma das autoras do blog de cerveja artesanal homônimo. Faleceu em julho, vítima de um câncer no ovário.

 

MENÇÃO HONROSA

Leitoras da OLGA – Que ano incrível, dolorido, sofrido, bem-sucedido, complexo e rico que foi 2014. E se chegamos ao fim dele sãs (quase!) e salvas foi graças ao apoio de vocês. Obrigada por todos os e-mails, debates no Talk Olga, tweets, mensagens via Facebook, depoimentos enviados, denúncias feitas no Mapa Chega de Fiu Fiu, doação feita ao nosso documentário Chega de Fiu Fiu e apoio moral. Agradecemos, inclusive, às meninas que nos ajudaram a montar essa lista. De coração, obrigada. Vocês são as nossas mulheres inspiradoras!

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Falar com as mulheres ainda é um desafio para muitas marcas. Infelizmente, é mais fácil encontrar anúncios que retratem as mulheres de maneira equivocada do que aqueles que buscam fazê-lo com cuidado e profundidade.

O número de marcas que precisam repensar sua comunicação com o público feminino supera com folga o daquelas que já encontraram uma abordagem mais direta e honesta com suas consumidoras. Em um mercado de ideias fossilizadas sobre como se dirigir a esse target, inovações podem significar riscos que a maioria dos anunciantes não está pronta para encarar.

Entretanto, aqueles que decidem repensar sua comunicação com as mulheres para além dos estereótipos se colocam na vanguarda de uma mudança de um mercado ainda muito atrasado: o revolucionário entendimento de que mulheres também são pessoas.

Sendo assim, enquanto algumas marcas ainda tropeçam com flopadas gigantescas na hora de falar com elas, outras nos inspiram com campanhas super bacanas que fogem da mesmice. Conheça oito delas:

 

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Volkswagen Passat – Meninas na banca de limonada

A Volkswagen do Canadá veiculou esse anúncio para divulgar o novo Passat em agosto de 2013. Sua proposta é simples: duas meninas (e vale ressaltar que uma delas é negra) estão trabalhando em uma banca de limonadas na calçada quando um carro se aproxima. Ao verem que se trata de um veículo caro, elas viram a placa de preço ao contrário, exibindo um valor mais alto, a ser praticado com clientes ricos. A ideia é simples, mas a grande sacada, que garantiu ao anúncio uma posição em nossa lista, é o uso aparentemente displicente de duas meninas como protagonistas de um anúncio de carros. Ao vermos o anúncio, essa escolha parece tão natural quanto deveria ser a presença feminina protagonizando cenas inteligentes nos comerciais – e não apenas adornando-os, como acontece na maioria dos anúncios.

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Verizon – Inspirando meninas a amar exatas

Esse anúncio da Verizon mostra como muitas vezes os pais acabam desencorajando suas filhas a se interessar por ciências ao afastá-las de sujeira ou bagunça e as incentivar a estar sempre bonitas. Ele apresenta Samantha, que é uma menina que, em diversos momentos da infância, é reprimida por seus pais ao brincar na terra ou ao desarrumar o quarto enquanto trabalha em um projeto de ciências. “Cuidado pra não sujar o vestido”, “Deixa seu irmão fazer isso” e “Quem é a minha lindinha?” são algumas das frases que levam ao desfecho em que ela, um pouco mais velha, aparentemente ignora um cartaz sobre uma feira de ciências para passar gloss nos lábios. A mensagem é clara: é preciso incentivar e valorizar a inteligência das meninas, não só a beleza. O vídeo serve como um alerta para os pais e é encerrado com um dado preocupante: nos EUA, 66% das meninas até a 4ª série afirmam gostar de matemática, mas somente 18% dos estudantes de todas as engenharias são mulheres.

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GoldieBlox – Para futuras engenheiras

E é para incentivar meninas a gostar mais de engenharia que nasceu a marca GoldieBlox. Criada pela Debbie Sterling, uma engenheira formada em Stanford que não se conformava com o número pequeno de mulheres no seu curso e que cresceu insatisfeita com as poucas opções de brinquedos criativamente instigantes  para meninas. Com um anúncio veiculado no Super Bowl desse ano, a GoldieBlox oferece kits para meninas criarem as máquinas e resolverem os problemas propostos pela personagem Goldie e seus amigos. O vídeo apresenta três meninas entediadas ao assistir uma propaganda de bonecas na tevê que resolvem criar elas mesmas um enorme mecanismo para desligar o aparelho.

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Kotex – Fazendo graça em cima do clichê

A marca de absorventes Kotex lançou esse anúncio em 2010. Nele, a protagonista descreve de maneira irônica todas as situações lúdicas em que as mulheres são representadas em anúncios de absorventes, tais como caminhadas na praia, usar roupas brancas e sair para dançar – como se ficar menstruada fosse uma grande curtição. Divertido, o anúncio não subestima o senso de humor feminino e ainda gera cumplicidade entre as consumidoras e a marca.

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Aerie – Xô, Photoshop!

A marca de lingerie Aerie lançou no ano passado a campanha #AerieREAL, na qual nenhuma das fotos do catálogo sofreu qualquer retoque de imagem. Ao escolher modelos cujos corpos fogem do padrão imposto pela indústria da moda e eliminar o uso de Photoshop, a Aerie aposta em uma comunicação mais simples e honesta que, por si só, já é super bacana, mas que ainda gerou uma repercussão incrível com a viralização da iniciativa. Além disso, é que qualquer usuária da marca pode enviar fotos utilizando peças da Aerie para o site da loja, criando um catálogo incrível que torna toda mulher uma modelo da marca.

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Cover Girl – Garotas podem, sim!

As marcas de cosmético gringas fazem esforço para mostrar como a maquiagem deve ser utilizada como uma maneira de expressar a personalidade feminina, e não para atrair o sexo oposto como se essa fosse a única preocupação da mulher. Em 2012, Revlon fez uma campanha com a Halle Berry e a Emma Thompson falando sobre câncer de mama. No ano seguinte, a campanha #ShineStrong, da Pantene, falou sobre como as mulheres são rotuladas de maneira mais crítica que os homens ao adotar os mesmos comportamentos que eles. A Dove, pioneira em retratar “mulheres reais”, continua seus esforços em ajudar mulheres a encontrar sua real beleza e lançou um vídeo de três minutos sobre a importância das selfies para a autoestima feminina.

O vídeo em destaque, porém, é da Cover Girl, que convidou famosas que arrasam em áreas em que as mulheres costumam ser convencidas de que não têm acesso. Com a hashtag #GirlsCan, elas partilham suas experiências como comediantes, esportistas e roqueiras de sucesso em um mundo no qual é comum ouvir que mulheres não são engraçadas, nem fortes, etc. Elas aconselham as espectadoras a ter coragem e encarar cada “não” como uma chance de provar que elas podem, sim, fazer o que quiserem! Outro ponto positivo da Cover Girl é a diversidade na escolha das garotas-propaganda. Entre elas, estão Queen Latifah, Ellen Degeneres, Janelle Monae, Pink, Becky G e Talia Joy Castellano (uma menina de 13 anos que lutou contra o câncer).

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Always – Fazendo coisas como uma garota

A marca de absorventes Always resolveu mostrar como a expressão “como uma garota” é utilizada de maneira pejorativa. Ela convidou voluntários que deveriam simular a execução de tarefas simples como correr, mas com a ordem de fazê-las “como uma garota faria”. Participantes de ambos os sexos adotavam trejeitos desengonçados e fúteis, mas em seguida são questionados sobre por que agiram assim. A reflexão gerada os leva a repensar como essa atitude ofende as mulheres e que fazer as coisas como uma garota não é um sinal de incapacidade.

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Duloren – Pelo direito de amar a si mesma

A Duloren é conhecida por suas campanhas de conteúdo picante. Neste ano, resolveu mostrar que é possível uma mulher ser feliz sozinha em pleno dia dos namorados. Com peças com o título “Eu me amo” e imagens sugestivas, faziam referência à masturbação feminina. Conceito ousado que gerou polêmica e uma notificação do CONAR, mas cuja repercussão, em geral, foi positiva ao incentivar as mulheres a conhecer o próprio corpo.

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HelloFlo – Menstruação com humor

Dá para fazer propaganda de absorvente sem líquido azul, roupa branca colada, mulher feliz pulando ondinhas e outros clichês que tratam da menstruação como algo misterioso que não pode ser nomeado? Dá. A HelloFlo, com um approach leve e bem-humorado, mostra a história da menina que finge menstruar pela primeira vez. Sua mãe, sabendo da mentira, faz uma festona para celebrar a menarca e tirar sarro da filha.


Arte: Leah Goren

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Ninguém nasce machista, racista, homofóbicos. Os preconceitos são aprendidos já logo na infância. Precisamos ensinar tolerância não só por meio de exemplos e ações no próprio ambiente familiar, mas também através do conteúdo cultural oferecido aos pequenos, ainda mais na internet. Se essa é uma preocupação que você tem com as crianças que cercam sua vida – seja filho, sobrinho, irmão – saiba que tem gente criando com carinho um ambiente saudável, estimulante e respeitoso para elas e também para os adultos. Quem? Thais Caramico, que é uma das criadoras do  Garatujas Fantásticas, um oásis de arte e literatura de qualidade para crianças em meio a tanto ruído direcionado a elas hoje em dia. “Nossa ideia é apresentar conteúdos que sejam interessantes para as famílias, que promovam ou tratem os assuntos de forma leve e profunda ao mesmo tempo, que de alguma forma faça parte da rotina deles de um jeito gostoso”, conta ela. Jornalista, a Thais trabalha com o público infantil desde 2009, foi repórter e redatora do suplemento infantil do jornal O Estado de S.Paulo, faz mestrado em Literatura Infantojuvenil na Universidade Autônoma de Barcelona e é uma inspiração para nós. Leia a entrevista abaixo.


 

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De onde surgiu a ideia para o Garatujas?

Garatujas Fantásticas veio da vontade de dividir o que me inspirava no universo infantil e da preocupação em promover, com olhar crítico, um conteúdo que não tinha (nem tem) muito espaço nos blogs de conteúdo para as famílias. Voltando um pouquinho no tempo, foi como repórter do Estadinho, ex-suplemento do O Estado de S.Paulo, que descobri essa paixão em trabalhar com e para crianças. Quando deixei o jornal para ser freelancer e me mudar para Londres, tive tempo de pensar e construir na minha cabeça algo que fosse possível de realizar.

A coisa só aconteceu porque duas amigas e meu marido toparam a ideia na hora. Em uma semana, eu, Roberto Almeida, Tatiana Arcolini e Tartaruga Feliz nos desdobramos para desenvolver esse canal, de verdade, até lançá-lo como um blog, com diversas seções, além de ilustrações, textos e animações autorais. Nesse momento, foi muito importante contar com a ajuda de amigos, que também se apaixonaram pela ideia e até hoje são nossos colunistas. Isso de misturar linguagens e referências, mas sempre tendo a criança como foco, abriu um leque de coisas bonitas e inspiradoras que vivenciamos ali.

O que é mais inspirador em produzir conteúdo para crianças?

A criança é um ser curioso e aberto a muitos estímulos. Para produzir conteúdo para elas, é preciso estar bem atenta e cuidar com os detalhes, pois elas notam tudo e fazem leituras das coisas que nós, adultos, não esperamos. Um dia antes desta entrevista, li na Revista Emília uma definição sobre “ser criança”, feita pela autora italiana Luisa Mattia, que antes de se dedicar à literatura era professora. Ela tem um trabalho lindo de biografias de crianças, feito a partir de diários. E vou reproduzir um trecho para que a gente possa refletir sobre como é inspirador produzir conteúdo para crianças.

As crianças são pessoas muito interessantes. São complexas, leves e profundas ao mesmo tempo, seguem vias originais de comunicação consigo mesmas e com o mundo, “fabulando” a vida, são tendencialmente anárquicas. A escola, que as acolhe, tem uma função predefinida de regularização e normatização. A escola organiza antes de conhecer, estabelece standards de aprendizagem e modalidades de conhecimento predefinidas com base em estruturas de aprendizagem. Um menino ou uma menina que vai à escola tem a tarefa de entrar neste “cenário”, em um ambiente de aprendizagem que é predisposto, e consequentemente, bem pouco … disposto a sustentar a criatividade e as pulsões para praticar um conhecimento “desobediente”. Em síntese, faço meu um conceito de Fernando Savater, filósofo espanhol, que define a escola como o lugar em que se fazem perguntas sabendo já as respostas. A escola busca o que já sabe.

As crianças procuram, fazem-se perguntas, vão em busca de respostas não sempre previsíveis nem previstas. Neste sentido, cada criança é incompatível com a escolarização e continua sendo uma desconhecida para a escola. Conhecer uma criança é colocar-se em jogo como pessoa, entrar em uma dinâmica que não avalia, que não tem obrigação de ensinar mas dá prioridade ao encontro, ao conhecimento, à liberdade de expressão e, principalmente, à busca de um “alfabeto afetivo e comunicativo” que não acontece a priori, mas deve ser composto e reconhecido mutuamente, no âmbito de uma dinâmica educativa caracterizada pela reciprocidade. Em poucas palavras: pode-se entrar em contato com uma criança se não se pretende ensinar-lhe alguma coisa, mas antes aprender juntos o “quem somos”.

Bom, o Garatujas funciona assim. O mais gostoso nesse trabalho é conseguir, de alguma forma, nos colocarmos no lugar delas, deixando de lado valores e costumes ou manias que acabaram nos encontrando conforme vamos crescendo. Existe uma empolgação que toma conta de nós quando estamos criando algo. É uma alegria que vem por vários caminhos, mas principalmente porque buscamos o que existe de positivo na infância, de leve e profundo, mas que também tenha uma função para além do entretenimento – uma forma de explorar, reconhecer sentimentos, dar autonomia para que a criança dê sentido às emoções e valorize essa liberdade. Aprendemos juntos tentando enxergar o mundo com menos amarras, de forma mais anárquica mesmo.

Esse exercício, de sair da caixinha e olhar tudo como se fosse a primeira vez, quase que intuitivamente, é bom demais. Mas durante esse processo de criação, também refletimos sobre o que estamos fazendo a partir de experiências próprias e perguntas fixas, cujas respostas são muitas: Por que é importante tocar neste assunto? / O texto, sem julgamento, pode ser afetuoso? / Isso é relevante para as famílias? / Como fugir dos rótulos? De que forma isso toca o mundo da criança e do adulto, para se aproximem no brincar? Essas e outras perguntas acabam nos guiando para uma linha editorial. Nossa ideia é divulgar temas e ideias para que as famílias se divirtam e analisem o que estão consumindo (culturalmente e até mesmo em termos de tempo) com as crianças. Essa proposta está cravada no fato de que acreditamos ser possível apresentar conteúdos, ainda que timidamente, que não tenham uma vocação marqueteira e que não seja mais do mesmo. Isso nos inspira.

A relação entre a publicidade e a infância pode ser um motivo de preocupação? Quais efeitos que o marketing especializado em crianças pode ter?

Penso que sim. Diferente do adulto, a criança não tem muita escolha (ou discernimento) diante de bombardeio sedutor de um brinquedo ou guloseima na televisão. A propaganda dirigida às crianças é danosa e apelativa, muitas vezes. Isso porque, na maior parte dos casos, o produto é trabalhado e oferecido como um objeto de desejo que a relacione com os demais.

Enquanto crescemos, queremos pertencer a algo ou a um grupo de pessoas. Para isso, buscamos referências, costumes, marcas de roupa, objetos, entre outros itens e caminhos, porque simplesmente não queremos estar fora ou ser diferente. Quando uma empresa vende essa ideia em canais dirigidos às crianças, durante o intervalo de seus programas favoritos, por exemplo, elas estão ali abertas para acreditar no que veem. E muitas vezes podem até mesmo confundir o programa com a propaganda. De repente, o consumo vira uma consequência do que precisamos para crescer, e o ter vem na frente do entender as próprias emoções.

Em Criança, a Alma do Negócio, da Maria Farinha Filmes, as crianças, em textos voltados diretamente para elas, são superestimuladas a consumir. Tem uma parte bem triste, inclusive, que elas estão num papo de roda e assumem que preferem ir ao shopping a brincar, entre outros exemplos que podem ser vistos neste link. Da mesma produtora, um outro documentário chamado Muito além do peso alerta para os altos índices de diabetes infantil e o problema do consumo na alimentação. É triste ver o posicionamento das marcas, principalmente porque é tudo muito agressivo e dirigido às crianças.

Com tantos estímulos de consumo voltados para elas, como incentivar compras conscientes?

Acho que se alguém tivesse essa resposta, ela já estaria por aí, mas acho que a criança reflete muito o que vê nos pais. É o que costumo dizer para quem me pergunta como fazer para o filho gostar de ler. Eu sempre respondo: Ele vê você lendo?

Na verdade, acredito que levar uma vida menos competitiva, em todos os sentidos, pode ajudar na questão do consumo consciente. Tenho exemplos práticos que vejo e admiro, mas acho sempre muito complicado entrar neste tema porque ainda não sou mãe, e porque (sendo ou mãe ou não) acho injusto e errado dizer para os pais como a gente acha que eles devem criar seus filhos – um pouco arrogante você achar que sabe mais do que o outro se tratando da própria vida dele, não? Afinal, estamos falando de pessoas, ou seja, de algo muito particular e baseado não somente no hoje, mas nas experiências e na própria criação desses pais, de valores e do que consideram importante, de sentimentos, emoções, do maior amor do mundo e tanto mais.

Agora, falando não apenas das crianças, mas dos adultos também, me lembro de ter lido uma entrevista com a Monja Cohen em que ela dizia que não precisamos abrir mão de todas as nossas vontades, mas que para viver mais tranquilamente a gente precisa aprender que não tem de realizá-las o tempo todo. É isso, talvez seja (para algumas famílias) uma opção. Esses dias, uma amiga comentava sobre as festas infantis feitas em bufês nota mil, onde as crianças brincam sem parar com monitores e os adultos conseguem, enfim, conversar com calma. E ela indagava: “Vendo aquilo, pensei em que momento os mundos se tocavam. E era tanto estímulo que chegava a ser agressivo.” Fiquei com isso na cabeça, não em relação à escolha da festa (porque não podemos generalizar e já fui a festas assim em que todos brincavam e se divertiam juntos e separados), mas com a formação da frase: “tanta coisa que chega a ser agressivo”.

Não só entre famílias, mas com amigos também, sinto que estamos correndo o tempo todo, cansados ou obrigados a sentir tudo incrivelmente. E essa oferta maluca de coisas, que chega a ser agressiva e maravilhosa ao mesmo tempo, também traz uma baita ansiedade. Os adultos sofrem por ter de aproveitar tudo. Por outro lado, muitas crianças não conseguem ficar “sem nada” pra fazer, porque estão acostumadas a estar sempre ocupadas. Isso é consumo pouco consciente? Gosto da ideia do tempo livre, de perceber o tédio. Penso que isso é importante na infância também.

Brinquedos ainda possuem distinção de gênero. E por isso, é comum crianças sofrerem bullying por usarem itens destinados ao outro sexo. Recentemente, Michael Morones, de 11 anos, tentou suicídio por ser maltratado pelos colegas por gostar de um personagem cor de rosa. Como o GF aborda essas questões?

Acho lamentável uma notícia dessa e cada comentário ou piadinha a respeito. Conheço mães e pais que não gostam que os meninos tenham uma queda pelo rosa ou mencionem, por exemplo, brincar de boneca ou dançar balé. E escuto muito a frase “ah, menininha”, como sendo quase ingênua, mas sem refletir sobre o que isso quer dizer hoje e no futuro dessa criança. Somos formados pelos acontecimentos da nossa infância e esse tipo de registro pode trazer duras consequências, por mais bobocas ou sem maldade que pareçam.

Me emocionei com o discurso da Ellen Page, ao se declarar gay, dizendo que o mundo poderia ser um lugar bem melhor se fôssemos menos horrorosos com os outros. E, na sequência, uma amiga fez um comentário lindo no Facebook: “Seria tão bom se, a cada vez que alguém sentisse vontade de fazer uma gracinha idiota, um comentário maldoso, ou, pior, agredir uma pessoa por quem ela simplesmente é que pensasse nisso: por que eu não posso ser menos horrível com os outros?” A questão sexo e gênero é algo que falamos algumas vezes no Garatujas Fantásticas, e que queremos dedicar mais atenção. Nos preocupa por toda violência psicológica e física que crianças e jovens sofrem. E também porque, de alguma forma, nosso papel é trazer conteúdo que ajude as pessoas a pensar mais livremente, com amor e respeito igualitários.

Os brinquedos, e os pais têm de entender isso, não têm gênero, são de meninas e meninos. São as crianças que têm de ter a liberdade de escolher como querem brincar, isso jamais pode ser imposto ou interrompido por qualquer padrão social ou preconceito do adulto, uma recriminação. Até porque o brincar é a coisa mais importante no desenvolvimento de uma criança, é quando ela ativa o cérebro por meio da imaginação para poder se concentrar.

Existe dificuldade em encontrar opções de entretenimento para as crianças?

Depende do que estamos falando e onde. O que vejo é falta de sentir-se seguro para brincar nas ruas com as crianças, por uma série de razões, incluindo violência, falta de uma calçada larga e praças, um monte de carros nas ruas. Mas tudo depende de onde estamos falando e de quem e como essas pessoas vivem ou encaram situações. Até porque em São Paulo, por exemplo, vejo um movimento bom de utilizar melhor as praças. Quando completou um ano, Garatujas Fantásticas realizou um piquenique na Praça das Corujas. Foi tudo colaborativo! Kelly Orasi topou contar uma história e a dupla de palhaços Fulana e Melão fez uma apresentação linda sobre reaproveitamento de materiais. Divulgamos no site e pedimos para os convidados levarem o que comer e beber. Reunimos cerca de 250 pessoas durante uma manhã incrível, livre, alegre e simples.

Não sei se é uma questão de falta de opção, porque a gente vê peças de teatro, museus, oficinas de arte e contação de histórias gratuitas em livrarias, tudo especialmente para crianças. Falta mesmo é sentir a cidade, cruzar espontaneamente com as pessoas e se desenvolver através dessa troca tão importante, bater uma bolinha na esquina ou dar uma volta de bicicleta no quarteirão sem preocupação. Fico feliz, aliás, quando vejo as famílias aproveitando as ciclofaixas no fim de semana, e sinto que todo mundo se anima muito com isso.

Em cidades menores, podemos ver que muitas formas de brincar de antigamente correm lindamente. O projeto Infâncias, por exemplo, trata de registrar a vida de crianças em diferentes cantos do Brasil. No site deles, dá para ver fotos, vídeos, textos e também buscar pelo curta Disque Quilombola, uma maravilha feita em forma de brincadeira, o telefone de lata. Foi assim que crianças do morro São Benedito, em Vitória, conversaram com outras da comunidade quilombola São Cristóvão, na região do Sapê do Norte – uma grande brincadeira. Acho, de verdade, que conhecemos muito pouco as infâncias do Brasil. Não sei dizer se falta entretenimento por aí, pois como diz Adélia Prado, a gente tem nossos limites – dois “quadradinhos” apenas pra olhar o mundo.

Em um mundo cada vez mais digital, como é a relação das crianças com a tecnologia? Como ela ajuda na inovação da educação?

Acho que se bem utilizada, a tecnologia pode ser muito importante no desenvolvimento e formação das crianças. Há muita coisa que podemos conhecer e aprender com isso, além da troca que se pode ter e de onde podemos chegar com a internet. Recentemente, li sobre duas escolas, uma nos Estados Unidos e outra no México, que por hangout brincavam de adivinhar informações geográficas e culturais sobre o país do outro. Havia informação, uma mediação interessante e crianças se olhando e criando algum contato cheio de curiosidade. Falamos de uma geração que intuitivamente sabe como mexer com tecnologia. Por isso, há suportes e ferramentas que explodem em estímulos audiovisuais, que conquistam as crianças. Mas ainda acho que tanto elas como os adultos estão em processo de aprendizagem. E é importante nesse processo questionar o que está sendo entregue à criança.

A tecnologia é ótima, mas quem sabe como isso será aplicado em salas de aula, por exemplo? Há um enorme interesse de empresas que cada vez mais estão investindo em tecnologia e educação, quem garante que o que está sendo pensado é positivo a partir do desenvolvimento, do conhecimento cognitivo e social e não apenas do comercial? Sou uma desconfiada muitas vezes. Outro dia, vi um vídeo do professor espanhol Jorge Larrosa Bondia, da Universidade de Barcelona, muito bom para refletir. Ao falar de educação, ele disse como os pais estão entregando seus filhos e filhas à escola mais cara já pensando em um retorno futuro, sucesso. E ainda emendava que hoje, com a sala de aula se transformando em grandes centros de conexões, o espaço físico está mudando, as relações espontâneas também. O que vai ser disso? O que queremos? Quem sabe?

Agora, acredito que programar pode se tornar no futuro uma disciplina do currículo escolar. E vou achar ótimo, se for para que as crianças sejam mais independentes e entendam essa linguagem tão presente hoje. Só vou achar chato se isso acontecer não porque estamos pensando em hackear a escola, no sentido de questionar métodos, alterar normas e ser criativo com aquilo que descobrimos e gostamos, mas porque “vai ser bom para o futuro profissional dessas crianças”.

GF é uma plataforma que pode ser acessada pelas crianças, pelos pais, por educadores… Por que decidiu investir nessa intersecção?

Falamos com os pais, que podem ser educadores, porque acreditamos que eles são os grandes mediadores nessa relação. São eles, muitas vezes e falando principalmente das crianças menores, que escolhem o livro, qual música ouvir, que programa fazer. Nossa ideia é apresentar conteúdos que sejam interessantes para as famílias, que promovam ou tratem os assuntos de forma leve e profunda ao mesmo, que de alguma forma faça parte da rotina deles de um jeito gostoso. Ao mesmo tempo em que falamos para esses selecionadores, que entram no Garatujas para buscar dicas e ideias, mantemos uma linguagem simples e um visual infantil porque queremos que não haja barreira nessa troca de informações. Se a criança estiver ao lado dos pais nesse momento em que navegam pelo site, ótimo, eles podem conversar sobre o que estão vendo e até mesmo deixar que a criança leia o texto sem problemas.

Embora não seja escrito para ela, tudo que está ali pode ser seguido. Se tiver uma palavra que ela não conheça, talvez no contexto funcione, ou isso vira uma chance para aumentar o vocabulário, perguntando aos pais. Se o texto estiver muito longo, ela não precisa ler até o final e tudo bem. Com um pouco de tempo e muita vontade, o que está ali pode ser devorado tranquilamente por todos. Até mesmo em sala de aula, pois temos depoimentos de quem enxerga no Garatujas muita inspiração não para trabalhar uma forma (e nem queremos que seja assim), mas para abrir ideias.

Quais foram os seus maiores desafios na liderança desse projeto?

O projeto começou sem qualquer pretensão, pois o que queríamos mesmo era colecionar e dividir com as famílias as coisas legais que víamos. Se pensar que criamos isso moramos em países diferentes (eu em Londres, Tartaruga Feliz em Paris e Tati em São Paulo, a maior dificuldade foi e é o fato de passamos muita vontade de estar mais perto, de resolver no mundo offline o que fazemos no nosso quintal virtual. Claro é ótimo ter essa possibilidade de seguir pela internet, mas qualquer hora vamos dar um jeito de criar “Residências Garatujas” para, ao longo do ano, ter uma semana de inspiração conjunta e ao vivo. Esse é o maior desafio: conciliar horários, tentar não mandar cinco emails por dia pra não ficar chato, manter o ritmo, a qualidade do trabalho e a empolgação, afinal, ele só existe se for gostoso pra todo mundo. E por ter jornada dupla, às vezes estamos exaustas.

É importante dizer que pra poder se dedicar ao Garatujas, nós três sempre mantivemos um outro trabalho meio período, de que gostamos muito. Garatujas nunca recebeu qualquer investimento, é um projeto levado com muito carinho e dedicação por seus criadores e amigos. E dividir nosso dia entre um trabalho remunerável e um projeto pessoal é o segredo para que sejamos felizes fazendo as duas coisas.

Com o Garatujas, acabamos conhecendo e nos aproximando de algumas pessoas que admiram o nosso trabalho. E percebemos que, se podíamos passar tantas horas por dia pesquisando e produzindo conteúdo autoral para nós mesmas, poderíamos trabalhar também como um estúdio que desenvolve ideias similares para clientes – porque precisávamos em algum momento tornar essa atividade rentável e porque não queríamos colocar publicidade no Garatujas. Foi assim que nasceu o Estúdio Voador e o Garatujas acabou virando um projeto do Voador. Com o estúdio, estamos trabalhando em dois modelos: criando projetos para clientes e tendo novas ideias para o Garatujas. O desafio? Entender que a brincadeira virou trabalho, um trabalho que criamos e que consideramos ideal, portanto gostamos muito, mas que com ele, do modo formal, entram todas as burocracias que serão, pra sempre, nosso maior desafio. Mas tudo bem: já estamos bem melhor do que antes e o contador nem nos odeia porque teve de explicar tudo umas cinco vezes – brincadeira, foi umas 10.

Arte: Kat Hannah

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Diana Assennato é uma das fundadoras do Arco,  startup que inovou a experiência de e-commerce ao desenvolver um sistema de compras pelo Instagram. Jornalista e mestre em mídias digitais pela Goldsmiths University of London, ela conta que, durante a criação da empresa, viu na prática o preconceito de gênero que ainda existe nesta área. “Eu só fui acreditar que essa era uma verdade do mundo tech quando comecei a frequentar eventos e perceber que o universo é esmagadoramente masculino e muitas vezes misógino.”  Por isso, criou ao lado de Natasha Madov a Ada, um portal de tecnologia que incentivar a participação feminina na área (o nome é uma homenagem à Ada Lovelace, mãe da programação). “Ainda vai demorar muito para a proporção de mulheres e homens se equalizar na indústria da tecnologia, mas o que eu tenho feito é ser um pouco menos humilde e um pouco mais assertiva.” A seguir, nosso papo com Diana:

Como você acha que o Arco pode impactar no formato de compras na internet? 

Basta olhar um pouquinho só para frente (e para trás) para entender que o futuro do e-commerce DEVE contemplar o poder do mobile e a tração das redes. Não acho exagero afirmar que as redes sociais são um contexto e uma condição da internet e não uma tendência situacional. Nesse sentido, qualquer produto ou serviço que queira ser à prova de futuro deve olhar para esse contexto antes de qualquer coisa. Cada vez é mais difícil atrair tráfego para os nossos sites, mas ao mesmo tempo estamos cada vez mais inseridos em todo tipo de mídias sociais. Desde o inevitável Facebook até as que atendem nichos muito específicos; é lá onde passamos grande parte do nosso tempo, exatamente por elas condensarem vários estratos da nossa vida on e offline. O Arco nasceu e tem crescido com isso em mente, criar pontes mais transparentes para que ofertas e demandas conversem livremente sem a força opressora da publicidade. A nossa ideia não é transformar a sua timeline em um shopping, aliás, é justo o contrário: queremos que cada um escolha quando e como usar a nossa ferramenta na sua rede social preferida. Não sabemos se o Arco pode mudar o formato do e-commerce no Brasil, mas com certeza está apontando em uma direção para a qual muitas empresas deveriam estar olhando.

O projeto encontrou algum tipo de resistência? E o que tem sido feito para contorná-la?

Trabalhar com inovação já cria uma resistência extremamente desafiadora. Como prever o que desperta o desejo nas pessoas? Como provar que o seu negócio tem futuro se não tem ninguém fazendo o que você faz? O que deve ser considerado sucesso quando o seu modelo de negócio é único? Eu tenho certeza que me faço muito mais perguntas do que conseguirei responder nesta vida, mas esse é o meu grande motor. Ao mesmo tempo, a inovação abre espaços, cria caminhos muito inesperados e funciona como um pretexto incrível para testar, experimentar e também falhar sem medo e sem culpa.

Sobre a questão da desigualdade de gêneros, eu só fui acreditar que essa era uma verdade do mundo tech quando comecei a frequentar eventos e perceber que o universo é esmagadoramente masculino e muitas vezes misógino. Fiquei triste, queria que fosse diferente para poder contar para as pessoas que basta a gente dar as caras, mas não é bem assim. Quando você vai a um evento, workshop, palestra e diz que trabalha com internet, logo te perguntam qual é o seu blog. “É de moda?”, como se a nossa expertise se resumisse à curadoria de looks do dia ou tutoriais de maquiagem.

Posso dizer sem culpa que desde que criamos o Arco eu passei por duas experiências extremamente desagradáveis nesse sentido, por isso mesmo hoje eu estou escolada. Não adianta chorar ou espernear: ainda vai demorar muito para a proporção de mulheres e homens se equalizar no universo da tecnologia, mas o que eu tenho feito é ser um pouco menos humilde e um pouco mais assertiva. Eu tenho essa característica de “play it down”, mas quando se está lá no meio da selva a gente precisa ter, sim, um aperto de mão firme e olhar certeiro. O importante é convencer as pessoas de que você sabe exatamente do que está falando (por incrível que pareça às vezes esse benefício nos é tirado por sermos mulheres).

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Como você avalia a participação feminina nas compras online?

Massiva! Já representamos 50,2% das compras feitas online com um ticket médio bem elevado. É engraçado porque, semanticamente, a mulher não se sente partícipe do mundo da tecnologia ou da internet, mas é ela que escolhe o seu smartphone, ela é fiel às marcas e a empresas digitais e é responsável pela compra de 85% dos gadgets que entram em uma casa. Além disso, eu vejo que o perfil da internauta brasileira é surpreendentemente aberto a novas ideias, experimentos e tentativas. O aspecto social também influi muito para a geração de leads nas vendas: se uma mulher gosta do que você vende, ela não só vai recomendar o seu produto para uma amiga, mas também vai mandar o link já com cupom de desconto. A mulher é viral por natureza!

Quais são as principais mudanças necessárias no cenário tecnológico atual? E como você quer contribuir para elas?

Hoje eu defendo apenas uma grande mudança: precisamos incluir a reflexão humanizada sobre o uso da tecnologia no desenvolvimento da própria tecnologia. Chega de reflexão de mercado. E isso não pode acontecer de cima para baixo, mas ao contrário. É o nosso uso e a nossa experiência de uso que deve ajudar a criar os caminhos do futuro, e não o que grandes empresas querem nos fazer comprar como um item de sobrevivência básico. É claro que muitas vezes nós não temos acesso a tudo que está sendo desenvolvido, mas prestar atenção na direção desses avanços, tentar conectar alguns pontos, discutir entre amigos e ouvir opiniões é extremamente importante para que a tecnologia e a internet sejam uma esfera prazerosa nas nossas vidas, e não opressora. As mudanças e inovações continuarão acontecendo porque (ainda bem) esse universo é infinito, exponencial, lindo e poderosíssimo, mas se conseguirmos cobrir esse bolo com uma grossa camada de reflexão humanista podemos criar um novo fluxo de desenvolvimento tecnológico, menos mercadológico e mais antropológico e social.

Sabemos que mulheres e tecnologia têm tudo a ver, mas qual é o caminho para retomarmos esse espaço?

Ter pessoas falando conosco. Na minha opinião a retomada do espaço só vai acontecer quando nos sentirmos parte dele, e para isso precisamos de pessoas falando com a gente, na nossa linguagem. Grandes jornais reduzem a editoria de tecnologia a meio caderno uma vez por semana ou a manchetes de compras e vendas milionárias de empresas. Para as revistas femininas o assunto sequer entra na pauta. Só que alguém tem que avisar esse povo que hoje, em alguns países, a mulher já gasta mais por ano em artigos tecnológicos do que em maquiagem. A mídia especializada é técnica demais: siglas, abreviações e números que não fazem o menor sentido e acabam nos afastando… Além disso: exemplos! Queremos ver exemplos de mulheres que usam, fazem, curtem, quebram, jogam, pensam e vivem a tecnologia de forma natural. Onde estão essas pessoas? Ah, sim, aqui mesmo! Só não nas capas de revistas nem nos altos escalões de grandes empresas de tech.

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O que é o Ada e o que o projeto tem a oferecer?

O Ada nasceu para ser o principal site acessado por mulheres que querem tirar as suas dúvidas, entender melhor ou simplesmente aprofundar seus conhecimentos sobre tecnologia, internet, comportamento digital e vida online. De uma forma ou de outra (e independente da gente gostar ou não), esses assuntos permeiam todas as esferas da nossa vida, seja através dos nossos smartphones ou da nossa dificuldade velada em entender a real diferença entre o Google Drive e o Dropbox. O ritmo das mudanças tecnológicas é rápido demais pra gente presumir que todo mundo está atualizado com tudo, por isso queremos oferecer um lugar para conversar sobre tudo isso com calma, sem pressa e com espaço para reflexão.

Que conselho você daria para uma menina que deseja trabalhar com tecnologia?

1) Leia, leia, leia! Leia os velhos, leia os novos, leia o Gizmodo, leia as entrelinhas do seu feed. Tente entender o cenário maior, e não apenas a ferramenta. Lembre-se que fogo também é tecnologia.

2) Não tenha medo de cursos técnicos, mas, principalmente, faça com que matérias “de humanas” acompanhem o seu trajeto. Estude antropologia, história, psicologia. É inacreditável como as mulheres conseguem subjetivar assuntos mecânicos e abrir diálogos novos e surpreendentes.

3) Comece logo. O mercado está gritando por profissionais qualificados, paga bem e a possibilidade de crescimento é incomparável com outras áreas.

 


[IMAGENS]

1) McTurgeon

2) The Reconstructionists

3) Women Rock Science 

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