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Mulheres de impacto: valorização da beleza afro com carinho

A Afrô no canal Mulheres de Impacto
A Afrô no canal Mulheres de Impacto

Em uma sociedade em que a beleza da mulher negra é continuamente ignorada ou rejeitada, reconstruir a autoestima e aprender a se achar linda pode ser um desafio. A melhor forma que Élida Aquino, Bárbara Vieira e Graucianna Santos — as mulheres por trás da Afrô — encontraram foi em comunidade, trabalhando a autoestima em grupo e apoiando uma à outra. Por isso elas criaram a Afrô, uma startup com base no Rio de Janeiro que oferece um clube de assinaturas a mulheres negras e mulheres não negras com cabelo crespo ou cacheado. A cada edição, as assinantes recebem em suas casas produtos de beleza personalizados de acordo com o cadastro na plataforma da Afrô. A startup está em campanha de financiamento coletivo no canal Mulheres de Impacto, da Benfeitoria, Think Olga e ONU Mulheres até dia primeiro de outubro.

A ideia começou quando Élida Aquino cursou empreendedorismo na Universidade da Correria, uma iniciativa da Casa Dharma. Élida sabia que queria criar um negócio de estética voltado a mulheres negras, só não sabia como. Depois de trocar ideia com amigas que moram nos Estados Unidos e têm uma oferta mais ampla e direcionada de produtos de beleza para mulheres negras, teve a ideia de criar o Afrô. Funciona assim: a assinante cadastra seus dados na plataforma e a cada edição recebe uma caixa do clube de assinaturas, a Afrôbox, contendo de cinco a oito produtos, entre amostras, miniaturas e tamanhos reais. Os produtos serão selecionados de acordo com o perfil cadastrado, que traz dados como cor favorita, tipo de cabelo, tom de pele, etc. Assim, as assinantes poderão experimentar e evitar comprar um produto errado. “A Afrô, junto com curadores, seleciona marca, produto, verifica o perfil da assinante e coloca muito provavelmente o que ela vai curtir e testar dentro da casa dela. Além disso, a gente consegue colocá-la em contato com a marca pra ela dizer no pós-venda o que gostou e não gostou, um feedback que volta para a marca. Ela também pode pegar o que mais gostou e comprar com mais facilidade. Fazemos o contato entre quem não é interpelada pelo mercado e o mercado que está em constante desenvolvimento”, diz Élida, fundadora do Afrô.

Bárbara, Graucianna e Élida: as mulheres incríveis por trás da Afrô
Bárbara, Graucianna e Élida: as mulheres incríveis por trás da Afrô

A Afrô vem para preencher um gap no mercado de beleza: quando há produtos voltados para a mulher negra, a comunicação com essas mulheres é falha, e quando há comunicação, como em blogs ou páginas, não é oferecido o serviço de venda, seleção e/ou entrega de produtos. “Meninas com cabelos muito crespos, numa classificação comum do cabelo natural, ainda sentem dificuldade em se ver no rótulo porque esteticamente o mercado rejeita esse tipo de cabelo muito crespo que é socialmente reconhecido como duro, difícil, ruim. Sinto que as grandes marcas ainda têm dificuldade de quebrar com esse estereótipo. Da mesma forma as meninas com pigmentação muito escura, falando de maquiagem, não se veem no rótulo. Muitas raras vezes elas estão estampadas nas peças publicitárias ou nas ações de marketing das marcas”, afirma Élida.

Segundo uma pesquisa da revista Galileu do ano passado, em média, as marcas de beleza oferecem três vezes mais opções de maquiagem para pele branca do que para pele negra. E quando oferecem, muitas vezes não sabem como atingir o público, não sabem conversar com as mulheres negras. Foi o que aconteceu com uma amiga de Élida, que só usava uma base de uma marca específica que saiu de linha por falta de procura, segundo a própria marca. Mas a marca em questão não divulgava o produto para mulheres negras, mostrando despreparo e descaso do mercado em relação a essas mulheres. “A personalização, se preocupar minimamente em entregar o que interessa, o que é útil é o que a Afrô traz no DNA. Não estamos aqui pelo dinheiro, sabemos que há um potencial gigantesco e estamos prontas para assumir essa demanda, mas não estamos aqui para enriquecer, e sim servir porque é um dever, esse cuidado é quase inédito com as mulheres cujo grupo nós fazemos parte. Não queremos só entregar produtos, queremos também entregar carinho”, diz Élida. O Afrô continua em campanha de crowdfunding até outubro e você pode apoiar o projeto financeiramente ou compartilhando com seus amigos. Se você é uma mulher negra ou com cabelo afro e gostaria de compartilhar seus desejos ou frustrações em relação a produtos de beleza, a Afrô está de braços abertos e convida você a entrar em contato através da página ou site.

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Sobre Gabriela Loureiro

Jornalista freelancer, mestre em Gênero e colaboradora da Olga. Trabalhou nas editoras Abril e Globo, fez mestrado no Reino Unido através do programa de liderança do governo britânico Chevening e escreve para a Think Olga desde 2013.