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Mulheres de Impacto: a realidade sobre ser mãe em tirinhas

O objetivo principal da Mãe Solo é desromantizar a maternidade
O objetivo principal da Mãe Solo é desromantizar a maternidade

“Ser mãe é padecer no paraíso”, “mãe dá conta de tudo”, “mãe guerreira”… Os mitos sobre a maternidade estão por todos os cantos reforçando a ideia de que é normal abrir mão de absolutamente tudo para ter um filho. Sem o apoio total da pessoa com quem a mãe gerou a criança isso pode ser solitário demais. Para ajudar outras mulheres — casadas ou não — que vivem a solidão de criar um filho ou uma filha, a designer Thaiz Leão criou a Mãe Solo, uma página no Facebook que questiona a romantização da maternidade com muito bom humor e em tirinhas. A Mãe Solo é um dos projetos do canal Mulheres de Impacto, uma parceria entre Benfeitoria, Think Olga e ONU Mulheres, e está atualmente em campanha de financiamento coletivo para espalhar o conteúdo produzido por Thaiz a várias partes do país.

A Mãe Solo começou quando Thaiz resolveu usar sua experiência como desginer e ilustradora e sua paixão por HQ para desabafar sobre os desafios da maternidade. Postou uma tirinha despretenciosa em seu Facebook e acabou arrecadando várias curtidas e pedidos de “quero mais”. A fim de centralizar o conteúdo em um lugar só, criou uma página no Facebook que dois anos mais tarde virou uma comunidade de mais de 57 mil pessoas. “Era tanta hipocrisia que eu via em relação à maternidade, tanta ironia em relação aos comerciais, àquela ideia que a gente tem de criança bem comportadinha e que o amor de um filho paga tudo que no final da noite eu ficava pensando ‘não é possível’. Há muita imagem errada que a gente compra na vida e a da maternidade eu já estava vacinada”, conta Thaiz.

Thaiz Leão, criadora do Mãe Solo, e seu filho Vicente
Thaiz Leão, criadora do Mãe Solo, e seu filho Vicente

Em suas tirinhas, Thaiz questiona a romantização da maternidade e estimula reflexões sobre os papéis de mãe, pai e família. “Eu primo por construir um conteúdo independente, sempre crítico, sempre renovando essa visão problematizadora de fantasias que criam para a gente sobre a existência tanto em relação a padrão de beleza para mulher quanto padrão de comportamento de criança”, conta. Alguns de seus diferenciais é que ela faz isso com muito bom humor e através da arte, com suas ilustrações próprias. Mesmo com desenhos fofos e uma política de empatia que promove o diálogo e se dispõe a criar conexões entre as pessoas, a Mãe Solo também briga quando precisa e sabe falar sério. “A minha política é de quebra. Quero que todo mundo entenda que cada um vive sua individualidade e deve ser respeitado dentro dela, a convivência só é possível quando existir empatia em relação uns aos outros”, diz Thaiz.

Thaiz precisa se dividir em cinco turnos diários para conseguir pagar as contas, cuidar do filho e tocar o projeto, mas diz que os comentários de outras mães agradecendo pelo conteúdo e dizendo que aquilo lhes deu força são o que a mantém trabalhando. Para ela, o importante é questionar a romantização da maternidade e fazer as pessoas pensarem a respeito da sobrecarga de mães que sozinhas ou acompanhadas precisam dar conta não só de sobreviver e criar um filho mas corresponder a padrões impossíveis da sociedade. “Existir como mãe do jeito que nos cobram existir hoje é muito difícil, é um papel inalcançável. Chega de falar que mãe é multitarefa, que mãe dá conta de tudo, eu só vejo mulher ficando louca nessa pressão. Toda supermãe é uma mulher sobrecarregada que poderia estar investindo a energia que tem enquanto ser humano em muitas coisas”, diz Thaiz.

A Mãe Solo acabou de atingir a primeira meta do crowdfunding, garantindo a impressão de 2 mil exemplares do livro Chora Lombar e a construção do portal do projeto. Mesmo assim a arrecadação continua até dia 16 de setembro rumo às próximas metas. Se a segunda meta for batida, a ideia é comprar equipamento para mais produção de conteúdo e fazer uma tiragem especial de mil livros extras para doação em maternidades, casas de parto públicas e em ONGs. Se você gostou do projeto, pode ajudá-lo financeiramente ou compartilhando a ideia com seus amigos.

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Sobre Gabriela Loureiro

Jornalista freelancer, mestre em Gênero e colaboradora da Olga. Trabalhou nas editoras Abril e Globo, fez mestrado no Reino Unido através do programa de liderança do governo britânico Chevening e escreve para a Think Olga desde 2013.