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Mulheres de Impacto: exaltação do feminino através do samba reggae

A banda Cores de Aidê se apresenta nas ruas de Florianópolis
A banda Cores de Aidê se apresenta nas ruas de Florianópolis

Do Rock n’ Roll nos Estados Unidos à capoeira no Brasil colônia, a música mostra sua força política: expressa emoções, transmite mensagens, cativa e envolve. Inspiradas pelo Samba Reggae, ritmo afro-brasileiro que surgiu em Salvador na década de 1980 com letras de protesto, 16 mulheres se uniram em Florianópolis e criaram uma banda para denunciar opressões de gênero, a Cores de Aidê. Com suas roupas coloridas, seus tambores e variados instrumentos de percussão, elas falam sobre mulheres de diferentes cores e classes e exaltam a mulheridade. Depois de um ano e meio atuando na capital catarinense, elas comporam mais de dez canções, criaram um bloco de rua que conta com dezenas de mulheres e se preparam para gravar um CD via financiamento coletivo através do projeto Mulheres de Impacto, uma parceria da Benfeitoria com a Think Olga e a ONU Mulheres.

A banda conta com mulheres de diferentes etnias, idades e vivências
A banda conta com mulheres de diferentes etnias, idades e vivências

Tudo começou em 2015 no Morro do Quilombo, em Florianópolis. Sarah Massignan, regenta da banda, reuniu um grupo de mulheres para mergulhar no universo percussivo do Samba Reggae. Cada uma contribuiu de uma forma, algumas com a voz, outras com os braços para tocar os tambores, uma com a composição de músicas, outra com o logo… Em pouco tempo surgiram músicas próprias, arranjos, coreografias e uma conexão forte de mulheres com base na liberdade e no respeito à união de etnias. “Há uma diversidade enorme de mulheres no grupo em termos de idade, regiões, de etnia, então aprendemos muito umas com as outras. E falamos sobre a mulher, sobre vários tipos de mulheres. São mulheres falando de nós pra nós”, diz Dandara Manoela, cantora da Cores do Aidê.

O nome é inspirado na personagem Aidê, uma escrava africana que recebeu uma proposta de casamento do seu senhor em troca de “liberdade”. Em vez de se submeter ao homem, Aidê negou a proposta e fugiu para o quilombo. “Pensamos que Aidê representa as mulheres de formas diversas, essa questão da força, de não aceitar, não se submeter, do empoderamento mesmo. Cores de Aidê é no sentido de mostrar que somos várias, somos muitas”, diz Dandara.

Nas letras, a banda denuncia opressões de gênero e exalta as mulheres
Nas letras, a banda denuncia opressões de gênero e exalta as mulheres

As integrantes da Cores de Aidê começaram se apresentando na rua e passaram a ser convidadas para tocar em vários lugares de Florianópolis. A cada apresentação, dezenas de mulheres pediam para participar da banda, por isso a criação de um bloco de rua que pudesse agregar todas as interessadas. No último final de semana, o bloco foi às ruas com 92 integrantes. A popularidade da banda já causou um impacto em Florianópolis e através das letras elas espalham mensagens sobre desigualdades. “Nas nossas letras falamos de diferentes mulheres, há letras especificamente sobre mulheres negras, outras sobre mulheres indígenas, outras de mulheres de forma geral. Usamos o Samba Reggae, que é uma expressão política, só que através da arte, e com foco em gênero e algumas pautas específicas, mas não só. Acreditamos que só o movimento por si só, o fato de nos encontrarmos todos os finais e semana para tocar percussão e fazer nossas letras, já é político no sentido de mulheres unidas e fazendo coisas por elas mesmas”, explica Dandara.

A Cores de Aidê também criou coreografias próprias
A Cores de Aidê também criou coreografias próprias

A campanha de crowdfunding está aberta no site da Benfeitoria até dia 16 de setembro. Se a primeira meta for atingida, o grupo conseguirá gravar seu primeiro CD com 12 músicas autorais. Caso a segunda meta seja alcançada, haverá também um show de lançamento. Você pode contribuir financeiramente com a campanha ou compartilhando o projeto com seus amigos.

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Sobre Gabriela Loureiro

Jornalista freelancer, mestre em Gênero e colaboradora da Olga. Trabalhou nas editoras Abril e Globo, fez mestrado no Reino Unido através do programa de liderança do governo britânico Chevening e escreve para a Think Olga desde 2013.