Ela Faz História

#ElaFazAcontecer. Facebook. Data 08/06/2016. Foto: Zé Carlos Barretta/Divulgação Facebook.
#ElaFazAcontecer. Facebook. Data 08/06/2016. Foto: Zé Carlos Barretta/Divulgação Facebook.

Quando assistimos a filmes e desenhos bem antigos que retratam o futuro é comum ver roupas prateadas, carros voadores e casas autolimpantes. 16 anos após a virada do ano 2000 e, ainda longe de ver isso como uma realidade plena, ao sonhar outros sonhos para o futuro que nos espera, podemos ser mais realistas. Não imaginamos nada tão ousado quanto nossos antepassados, mas estaremos felizes se chegarmos, algum dia, a finalmente ter a tão sonhada equidade de gênero.

Seria muito ousado? Para a ONU, vamos chegar lá em 81 anos. Mas, no que depender das mulheres, ainda antes. Elas estão fazendo história e conquistando avanços muito importantes nesse caminho: são maioria no ingresso e na conclusão de cursos superiores e entre doutores formados no exterior, entre 2002 e 2013 o número de mulheres empregadoras aumentou 19% (para os homens o aumento foi de apenas 3%), etc.

Isso não acontece porque mulheres são mais especiais, mais guerreiras, mais resilientes. Ainda que muitas tenham mesmo essas qualidades, isso é o mínimo o que o mercado de trabalho exige delas, sempre. Criado, pensado e comandado por homens, maioria absoluta entre executivos e altos cargos de poder nas empresas e governos, incapazes de estabelecer políticas públicas e internas que sejam sensíveis ao fato de que a realidade de uma empregada é diferente da de um empregado.

Ainda que algumas leis estabeleçam certos direitos femininos, como a licença maternidade e a criminalização do assédio sexual, elas são impotentes para tirar da trajetória profissional das mulheres o machismo ainda arraigado na sociedade, tornando-se elas, também, obstáculos à nossa contratação, a sermos preteridas em promoções, perdermos projetos, ganhar menos que os homens, etc. Tudo isso enquanto continuamos sendo vistas como as únicas responsáveis pelos cuidados do lar e dos filhos. Ou seja, enfrentamos bem mais dificuldades que seus colegas homens em suas carreiras.

Isso sem falar nas barreiras internas construídas socialmente. Mulheres são levadas a acreditar que têm menos capacidade que os homens, precisam se esforçar mais que eles para alcançar o mesmo prestígio, sentem-se menos confortáveis para negociar salários e aumentos, etc. Nesse cenário, quem consegue ir mais longe: nós ou eles?

 

VIRANDO O JOGO E FAZENDO HISTÓRIA

Diante de tantos obstáculos na corrida para o sucesso, muitas estão simplesmente abandonando a pista e criando seu próprio jogo. O empreendedorismo surge e tem se mostrado uma solução possível para elas e seus resultados são revolucionários. Não é um caminho fácil, mas é uma ferramenta importante para atingir a equidade de gênero.

Ao abrir seu próprio negócio, uma mulher não apenas tem a oportunidade de lançar no mercado uma empresa na qual ela mesma gostaria de trabalhar, cujo olhar sobre seu papel e o de suas funcionárias é carregado por sua própria experiência, mas também ajuda a virar o jogo no número de empresas comandadas por elas.

Entretanto, pelo fato de muitas recorrerem a essa saída por pura necessidade, essas iniciativas costumam ser menos inovadoras e suas líderes menos preparadas para fazê-las crescer e prosperar. Quando tudo o que se quer é equilibrar sua rotina diária e/ou o cuidado com os filhos com uma carreira rentável, existem menos estímulos para ousar e ir além no seu negócio – outro privilégio dos homens, que têm o respaldo da sociedade para se preocupar apenas com suas próprias ambições.

Mas o fato é um só: elas são muitas e em cada vez maior número empreendendo e fazendo história. Ao apoiar e incentivar as mulheres líderes e empreendedoras, estamos apoiando uma sociedade mais justa. Na Think Olga, a Olga Mentoring – Escola de Líderes reuniu no ano passado, em São Paulo, oito mulheres com projetos incríveis e as preparou para levá-los adiante, com aulas de marketing, negócios e uma batalha de pitchs.

Outra boa novidade é que o Facebook – uma das empresas mais inovadoras do mundo e na qual Sheryl Sandberg, famosa pelo seu movimento a favor da liderança das mulheres em corporações e autora do movimento Lean In, é COO – lançou um programa chamado #ElaFazHistória, cuja missão é valorizar, divulgar e fortalecer o trabalho de mulheres líderes nas mais diferentes áreas, de todo o Brasil. E, sendo o empoderamento feminino nos negócios uma das bases da Olga, faz todo o sentido apoiarmos essa importante ação. O #ElaFazHistória tem três passos:

 

Conscientização
Trazer dados atualizados sobre o empreendedorismo feminino no Brasil e no mundo.

 

Celebração
Um portal para mulheres indicarem mulheres que as inspiram e cujas histórias merecem ser conhecidas.

 

Capacitação
Eventos nas cinco regiões do Brasil com oficinas e palestras para mulheres

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Assim, vamos abrindo cada vez mais espaço e jogando luz sobre mulheres que estão, literalmente, fazendo história. De grandes empresárias que já chegaram lá a pequenas empreendedoras com apenas um site na internet, elas são a chuva que vai erodir a montanha de machismo que há séculos nos impede de chegar no topo.

E é o nosso dever e trabalho dar a elas mais visibilidade, contar os seus feitos: hoje temos espaço para, nós mesmas, valorizarmos o trabalho umas das outras. Grandes empreendedoras, artistas e inventoras do passado tiveram os seus nomes esquecidos por uma história escrita por e para homens. Com #ElaFazHistória, nos inspiramos nas próprias mulheres para fazer algo novo e que acreditamos ser incrível. Nosso desejo é que isso inspire você também, mulher, a fazer o mesmo.

Deixamos aqui nossas indicações para #ElaFazHistória:

 

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Sobre Think Olga

A OLGA é um projeto feminista criado em abril de 2013 cuja missão é empoderar mulheres por meio da informação.