Na contramão da história

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Éramos poucas na esplanada, em breve seremos nenhuma. Um homem não apenas ocupará o lugar da primeira presidenta eleita no Brasil, como também exonerará as poucas ministras a liderar pastas no governo. Os novos ministros, chamados “Homens de Temer”, definitivamente não representam as mulheres brasileiras.

Para piorar, as Secretarias das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, já combalidas por terem sido amalgamadas, serão abarcadas por um certo Ministério da Justiça e da Cidadania – perdendo ainda mais espaço e poder.

Não há motivo para temer as mulheres. A equidade de gênero é uma tendência mundial. Segundo dados da ONU, o número de mulheres parlamentares praticamente dobrou nos últimos 10 anos – elas ainda representam apenas 22% dos parlamentares no mundo inteiro, mas o número segue aumentando rápido.

No Canadá, o primeiro-ministro Justin Trudeau não só apenas estabeleceu um número equivalente de homens e mulheres em seu gabinete, como abriu espaço também para negros, aborígenes pessoas com deficiência e outras minorias historicamente excluídas de espaços de poder. Nos EUA, a candidata Hillary Clinton já declarou que tomará medidas similares como promessa de campanha – ou seja, a presença igualitária de mulheres é tida como um aspecto positivo.

E é não apenas isso, mas uma aplicação de simples lógica: somos uma metade da população e parimos a outra metade. É impossível acreditar que não houvesse uma mulher capaz de assumir um ministério que fosse. Ainda que antes estivéssemos longe de uma situação ideal, havia espaço para algumas poucas de nós exercermos poder em áreas cruciais do governo. Hoje, nem isso.

Lamentamos o vexame, mas não seremos combatidas pelo machismo ou atropeladas pelo retrocesso. As mulheres ainda são o futuro da política brasileira e vamos mostrar nosso poder nas ruas, nas urnas, na luta.

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Arte: Shigeo Fukuda

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