Mulheres Inspiradoras de 2014

Elas nem sempre estão nas principais manchetes dos jornais, mas o fato é que muitas mulheres brilharam em 2014 de um jeito ou de outro. Seja com projetos elaborados dentro de uma grande corporação ou na sala de casa, com apoio de investidores ou dinheiro do próprio bolso, em piscinas ou, literalmente, no topo do mundo, elas atingiram muitas das conquistas mais impressionantes do ano. Esta lista vem para mostrar as ações incríveis que algumas delas – são quase 150 nomes! – vem criando em suas respectivas áreas. Não é, nem pretende ser, uma seleção definitiva, mas é uma boa amostra do poder das mulheres em 2014. Quando você pensar no que aconteceu ao longo do ano, fizer uma retrospectiva ou mesmo a própria lista de fatos relevantes, não esqueça de incluir essas mulheres tão importantes.

 

mulheres1
Por Suzana Maria

ARTE

Arquitetas Invisíveis – É um projeto iniciado por alunas da UnB que busca dar visibilidade a arquitetas importantes do mundo todo que foram esquecidas pela história e ficaram a sombra dos homens com quem trabalharam. Os resultados positivos já começaram a ser percebidos pelas alunas nas aulas do curso de arquitetura da Universidade, com alguns professores passando a abordar o trabalho de mulheres que antes não eram mencionadas.

Carol Rossetti – Designer e ilustradora mineira criadora de uma série de desenhos que retratam de forma poderosa restrições cotidianas e preconceitos enfrentados pelas mulheres, estimulando a empatia e a sororidade. O trabalho foi traduzido para outras línguas, ganhou o mundo e foi mostrado por diversos jornais internacionais.

Coletivo Agulha – Coletivo de tricô e crochê que se reúne frequentemente com voluntárias para criar mantas, gorros e sapatinhos para pacientes do Hospital Pérola Byington.

Coletivo Capulanas Cia de Arte Negra –  Grupo composto por jovens negras de movimentos artístico políticos de São Paulo que encenam sobre as dores que o racismo e a exclusão social causa. Em 2014, trouxeram belíssimos espetáculos gratuitos como o Sangoma, cujo tema é a saúde da mulher negra e foi inspirado em práticas medicinais de sociedades da África do Sul.

Francis Divina – Lançou, em agosto, o projeto artístico Representativid’arte, para onde cria ilustrações que valorizam a diversidade corporal feminina. Mulheres com curvas, dobras, diferenças e imperfeições são as musas de Francis, que as retrata em nanquim.

Jéssica Ipólito – É ativista e dona do blog Gorda e Sapatão, onde escreve sobre feminismo, sexualidade e bodypositive. Em 2014 promoveu o empoderador Desafio Arte Gorda, que recebe colaborações de diversas pessoas. A única regra é que seja representado o corpo de uma mulher gorda.

Julia Morgan – Foi a primeira mulher a receber a medalha de ouro do AIA (American Institute of Architects), 57 anos depois de sua morte. Também foi a primeira arquiteta certificada pela L’École des Beaux-Arts de Paris e a primeira profissional licenciada para o exercício da profissão na Califórnia. Seu legado, construído ao longo de quase 50 anos de carreira, inclui mais de 700 edifícios, entre eles o Hearst Castle.

Lovelove6 – Quadrinista feminista, criadora da personagem Garota Siririca. Seu trabalho nos faz repensar bastante sobre os padrões estereotipados da sexualidade feminina representados nos quadrinhos. Fala sobre o autoconhecimento e ajuda a desestigmatizar a masturbação feminina.

Mariamma Fonseca, Samanta Coan e Samara Horta – São criadoras da Lady’s Comics, página que discute a representação feminina – ou a falta dela – nos quadrinhos. Em 2014 aconteceu em BH o “1° encontro Lady’s Comics: Transgredindo a representação feminina nos quadrinhos” , com debates, exposições, oficinas, venda de quadrinhos e painéis.

Raquel Trindade – Fundadora do Teatro Popular Solano Trindade, da Nação Kambinda de Maracatu, e uma das criadoras do movimento de Artes da Praça da República. Também é fundadora de um curso de extensão sobre folclore, teatro negro e sincretismo religioso na Unicamp.

Suzana Maria (ou SHOSH) – Criou o Selfless Portraits das Minas, grupo de arte formado por mulheres trans e cis, artistas profissionais ou não, no qual toda semana são sorteadas duplas de meninas com o objetivo de desenharem umas às outras, sem definição de prazos ou maneiras. O grupo se tornou um ambiente de encontros, trocas e sororidade entre mulheres.

Thaiz Leão – Ela é autora do ótimo Mãe Solo,  um diário de bordo em quadrinhos da maternidade de uma mãe solteira.

Vanessa Israel, Renata Dania, Lais de Souza, Amanda Zacarkim, Camila Lopes e Marina Dini – Criadoras do Clube do Bordado, que subverte a noção dócil e inocente da técnica para bordar cenas da sexualidade feminina.

  • INTERNACIONAL

Cheryl Strayed – Escritora e romancista americana, é a autora do bestseller “Wild” – memoir sobre sua solitária jornada de recuperação após seu divórcio e a morte de sua mãe. Em 2014, seu livro recebeu uma adaptação cinematográfica aclamada pela crítica.

Ilana Glazer e Abbi JacobsonSão atrizes nova-iorquinas e criadoras do seriado Broad City. A comédia, que começou como uma série de vídeos no Youtube, conta a história de duas amigas navegando pela cidade de Nova Iorque. O seriado foi chamado de “ataque feminista disfarçado” pelo Wall Street Journal.

Keke Palmer – Aos 21 anos, é a primeira atriz negra a interpretar a Cinderella na Broadway. Ela também já atuou em filmes, séries de televisão e tem seu próprio programa, o “Just Keke“, exibido no canal BET.

Lupita Nyong’o – Em 2014 só se falou em Lupita: ela recebeu Oscar de melhor atriz por 12 Anos de Escravidão, foi escolhida pela People como a mulher mais bonita do mundo, estampou editoriais de moda, centenas de capas. Lupita é um exemplo de representatividade  na mídia.

 

ATIVISMO & CIDADANIA

Adriana Padula Jannuzzi – Coordenadora do programa de Acessibilidade da Câmara dos Deputados em Brasília (DF). Entre as ações realizadas este ano estão a produção de audiolivros e tradução para Libras e também a reforma do plenário em julho de 2014 para que pessoas com mobilidade reduzida pudessem chegar até à Mesa Diretora.

Ana Claudia Vitoriano – Técnica em desenvolvimento de pesquisas, monitoramento e avaliação e mediadora sobre políticas públicas para mulheres e combate à violência no município de Barueri (SP). Este ano realizou mais de 25 rodas de discussões em regiões vulneráveis de sua cidade conscientizando as mulheres sobre a questão de gênero.

Amanda Kamanchek Lemos – Jornalista realizou em 2014 o projeto “Cartografia dos Direitos Humanos”, em que mapeou locais importantes na cidade de São Paulo para o a luta dos Direitos Humanos. É responsável pela campanha “O Valente Não é Violento” da ONU Mulheres no Brasil.

Associação das Advogadas, Estagiárias e Acadêmicas do Direito de SP (Asas) – Em uma ação contra o assédio sexual e a violência contra a mulher, o grupo distribuiu milhares de apitos para mulheres usuárias de transporte público.

Beatriz Silva – Professora, começou em janeiro deste ano um trabalho de proteção animal no lixão de Itapevi (SP). Contando apenas com recursos próprios, ela castrou todas as fêmeas do local e conseguiu lares para mais de 30 animais durante o período.

Bianca Santana Além de professora, assessora de projetos e jornalista, Bianca desenvolve projetos na ONG Casa de Lua. Em 2014, realizou o Círculos de Mulheres Negras, cujo objetivo é empoderar mulheres negras, fortalecer sua autoimagem e autoestima e criar redes de networking entre elas.

Carolina Ferrés – Lançou o projeto Viva Rio Pinheiros, que pretende ocupar as margens do Rio Pinheiros, em SP, com artes visuais e arte de rua. A proposta é resgata-lo e transformá-lo, de novo, em um lugar pra pessoas.

Casa de Lua – O projeto feminista completou um ano em novembro, com uma agenda de mais de 80 atividades, muitas gratuitas, voltadas para o empoderamento do público feminino. Tornou-se ONG em julho.

Haydée Svab – Engenheira civil, fundadora do Grupo de Estudos de Gênero da Escola Politécnica da USP (PoliGen), qualificou seu mestrado sobre a questão da mulher e o transporte em 2014. Uma de suas prioridades no ano foi discutir o “vagão rosa” no coletivo a partir da leitura de “O Segundo Sexo”, de Simone de Beauvoir, além de participar de reuniões sobre o assédio em transportes coletivos no Conselho Estadual de Condição Feminina.

Laura Mascaro – Coordenadora e pesquisadora do Centro de Estudos Hannah Arendt, promoveu em parceria com a Cátedra Unesco de Educação Para Paz, Direitos Humanos, Democracia e Tolerância oficinas de direitos humanos e escrita criativa no Centro Acadêmico Maria Antônia. O próximo passo é levar tais ações para as periferias de São Paulo.

Laura Sobral – É arquiteta e urbanista criadora do movimento A Batata Precisa de Você, que promove a ocupação do Largo da Batata em São Paulo todas as sextas-feiras no final do dia com atividades culturais e de lazer, como grupos musicais e conversas sobre temas urbanos, com a proposta de estimular o uso do espaço como local de convivência.

Luiza Carvalho – A brasileira foi nomeada diretora regional da ONU Mulheres para a América Latina e o Caribe. Ela também já foi representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) nas Filipinas.

Maria Clara Araújo – Estudante e colaboradora da revista online Capitolina e, com 18 anos, uma ativista assídua da causa trans*. Participa de palestras e debates sobre o assunto e é uma militante reconhecida no ativismo virtual. Foi uma das primeiras transexuais autorizadas a usarem seu nome social durante as provas do Enem este ano.

Mariana Ribeiro, Fernanda Cabral e Mariana Campanatti – Fundadoras do Imagina na Copa, um projeto que busca promover mudanças e transformações no país. Por meio de oficinas, jovens interessados eram capacitados a entender como poderiam atuar em diversas causas, trazendo melhorias nas cidades impactadas pela Copa. No começo do mês, a ação ganhou prêmio do Google pelo impacto social.

Nana Queiroz – É jornalista e em 2014 iniciou a campanha virtual #EuNãoMereçoSerEstuprada – postando nas redes uma foto seminua com o congresso ao fundo, utilizando a hashtag como mensagem central – , que teve início quando o IPEA divulgou uma pesquisa que tratava da violência contra as mulheres. No documento, um dos dados mais polêmicos foi o de que 65% dos entrevistados concordavam que mulheres que vestem pouca roupa estão mais sujeitas a ataques. Apesar do instituto ter corrigido o número para 26%, o tema continuou em evidência e mantém a discussão até hoje.

Nós, Mulheres da Periferia – O projeto, formado em 2014 por oito jornalistas e uma designer, todas moradoras de bairros da periferia de São Paulo, se propõe a combater a falta de representatividade das comunidades na imprensa, buscando mais protagonismo e visibilidade.

Sônia Guajajara – É porta-voz do movimento indígena brasileiro. Coordenadora Executiva da Articulação dos Povos Indígenas (APIB) é reconhecida internacionalmente como uma forte liderança dos direitos humanos. Em ano de eleição, foi fundamental para a movimentação do debate político em torno da causa, se posicionando principalmente no embate em torno da PEC 215.

Stephanie Ribeiro – Militante do movimento negro e feminista, é a única mulher, negra e bolsista da PUC-Campinas no curso de Arquitetura e Urbanismo entre 200 alunos. Em maio, denunciou perseguições e ofensas racistas dentro da universidade.

 

  • INTERNACIONAL

Anita Sarkeesian – A crítica de games e autora do blog Feminist Frequency, recebeu esse ano o prêmio Ambassador Award, no Game Developers Choice Award, dado a pessoas que ajudam a promover e a melhorar a indústria de games. Por sua atuação crítica em relação a representação feminina e ao machismo na cultura pop, principalmente nos jogos de videogame, Anita foi vitima de uma ameaça terrorista em 2014 que fez com que sua palestra na Utah State University.

Emily May – Diretora da ONG Hollaback!, criada em 2005 para lutar contra o assédio a mulheres nas ruas e conta com ativistas em 26 países, onde promovem conversas a respeito do tema. Emily reacendeu o debate mundial sobre cantadas de rua com o vídeo “10 Hours of Walking in NYC as a Woman” (10 horas caminhando por Nova Iorque como uma mulher, em tradução livre). A gravação tem mais de 37 milhões de visualizações no YouTube.

 

BLOGS & MÍDIAS SOCIAIS

Ariane Freitas e Jessica Grecco – Cansadas de comentários com cutucadas maldosas no Facebook, resolveram criar a página Indiretas do Bem para espalhar mensagens mais positivas. Foi um sucesso e, em um ano, a página chegou a mais de 7 milhões de curtidas. As autoras acabaram de lançar o Livro do Bem, com sugestões de atividades para deixar a vida mais feliz. No blog e na página, divulgam campanhas importantes, como Teleton, Dia Mundial de Combate à AIDS, Dia Mundial da Doação de Sangue, entre outros.

Bia Granja – A fundadora do site YouPix, o “manual” brasileiro da internet, lançou neste ano o curso Espalhe!, que destrincha a ciência por trás do conteúdo online e viral das redes sociais.

Carol Moré  – É criadora do Follow the Colours, blog que fala sobre vários tipos de artes – de decoração a prints em tecidos, de letterings a tatuagens. Em 2014, a página cresceu muito, ganhando novo layout e categorias, e abriu ainda mais espaço para divulgar e valorizar o trabalho de novos artistas. Iniciou também o projeto Gotas de Cor, em que traz, em forma de post, curiosidade e informações sobre as infinitas tonalidades existentes.

Débora Cassolatto – É autora de de dois blogs-referência sobre música, o Música de Menina, no qual desmistifica essa expressão e discute o sexismo existente na área, e o Ouvindo Antes de Morrer, em parceria com a MTV.

Gizelli Sousa – Criadora do ótimo #ValorizeAsMinas, post semanal no blog Maior Digressão que reúne casos, histórias e projetos de mulheres.

Sharon Caleffi – Criou a página Vote numa feminista para destacar candidatas feministas nas eleições de 2014. A proposta é demonstrar como a participação feminista no poder legislativo é importante e dar visibilidade à candidatas que possam ajudar a ampliar a voz das mulheres na política. Além disso, divulga ações e propõe discussões políticas relacionadas aos direitos das mulheres.

Sofia F. Ricardo – Estudante de psicologia, mulher trans* e  dona da página Travesti Reflexiva, que critica com bom humor diversos tipos de opressões.

 

CIÊNCIA

Georgia Gabriela da Silva Sampaio e Raíssa Müller – São estudantes brasileiras de 19 anos que desenvolveram projetos e foram vencedoras de concurso de inovação promovido pela Universidade de Harvard. Georgia Gabriela propôs a criação de um métodos mais econômico e menos invasivo para o diagnóstico da endometriose, através de exames de sangue. Raíssa criou uma esponja que absorve óleo e repele água – ela poderia ser usada em casos de derramamento de óleo no mar, por exemplo.

Livia Eberlin – Graduada pela Unicamp, foi premiada este ano como autora da melhor tese em química dos Estados Unidos. Com um espectrômetro de massas, ela desenvolveu uma técnica para identificar moléculas da doença nos fragmentos do tecido, contribuindo enormemente para a precisão da cirurgia de retirada de tumor cerebral. Ela foi a primeira pesquisadora brasileira a receber o chamado Nobel Laureate Signature Award 2014.

Marcelle Soares-Santos – Física brasileira pós-doutoranda do Fermi National Accelerator Laboratory, em Illinois, foi premiada com o Alvin Tollestrup Award por sua pesquisa. Ela trabalha no projeto Dark Energy Survey, que busca compreender a energia escura a partir do mapeamento de 4 mil supernovas e 300 milhões de galáxias.

  • INTERNACIONAL

Jeri Ellsworth – Engenheira da computação autodidata que, após ser demitida pela Valve, criou com um sócio uma start up chamada Technical Illusions que já arrecadou coletivamente mais de 1 milhão de dólares no Kickstarter pra lançar um óculos revolucionário de realidade aumentada.

Mars Orbiter Mission (MOM) – A Índia lançou, em setembro, a Mars Orbiter Mission (MOM), a primeira missão ao planeta do país – e com muitas cientistas mulheres na equipe. E, enfrentando preconceitos da mídia internacional e com um orçamento menor do que o de qualquer outro país, foi a única missão espacial a Marte a acertar de primeira até hoje.

Maryam Mirzakhani – A iraniana tornou-se a primeira mulher a receber a medalha Fields, prêmio conhecido como o Nobel da Matemática.

COMUNICAÇÃO & AUDIOVISUAL

Alice Riff – Documentarista que realizou, junto ao Diário do Centro do Mundo em 2014, o documentário Dr. Melgaço, viabilizado pelos leitores via crowdfunding. A cineasta foi enviada a Melgaço, a cidade com menor IDH do país, para investigar o impacto do programa Mais Médicos sobre a população.

Andrea DipJornalista da Agência Pública, foi responsável por algumas das mais importantes matérias e denúncias sobre violência contra mulher, como a HQ sobre a teia de exploração sexual de meninas durante a Copa e a matéria sobre mães encarceradas.

Clara Averbuck, Mari Messias e Polly Barbi – Fundadoras do Lugar de Mulher, site feminista que aborda diversos temas do universo feminino, de política à moda, de gordofobia à seriados sempre de forma muito explicativa e bem-humorada.

Djamila Ribeiro – Feminista negra de grande influência e uma das fundadoras do Núcleo Interdisciplinar de Estudos de Gênero, Raça e Sexualidades da Unifesp, onde também é pesquisadora e mestranda.  É uma das Blogueiras Negras e escreve também para o Escritório Feminista da Carta Capital.

Fernanda Honorato – Entrou para o Rank Brasil por ser a primeira repórter com síndrome de down do país. Fernanda, de 34 anos, ocupa o cargo no Programa Especial da TV Brasil desde 2006.

Heloísa Rocha – Jornalista da Gazeta AM, Rádio Universitária da Faculdade Cásper Líbero, atua na orientação e produção de reportagens sobre inclusão e acessibilidade com os estudantes com o objetivo de propor a conscientização dos futuros comunicadores do Brasil. Em 2014 realizou uma das matérias de maior impacto da rádio ao produzir e veicular um especial sobre a gravidez de uma mãe com ossos de cristal. Primeiro caso no Brasil de uma mulher de Osteogênese Imperfeita do Tipo III. Também realizou especial sobre a acessibilidade para a Copa.

Joanna de Assis – Jornalista esportiva, lançou em 2014 o livro “Para-Heróis” sobre os atletas paráolimpícos e suas histórias de superação. Também palestrou sobre a presença das mulheres no jornalismo esportivo em diversas universidades do País.

Juliana Vicente – Diretora de cinema e fundadora da Preta Portê Filmes, produziu e dirigiu dois curta-metragens para o Canal Futura em 2014: “Meu Cabelo Não Nega”, sobre o cabelo de mulheres negras e “As Minas do Rap”, sobre a participação feminina no rap e no hip-hop.

Maria Julia Coutinho – É a primeira negra a apresentar a previsão metereológica da Rede Globo de Televisão. Ganhou a medalha “Medalha Theodosina Rosário Ribeiro”, conferida pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo às mulheres ou entidades de mulheres que se destacarem na sociedade em razão de sua contribuição ao enfrentamento da discriminação racial e na defesa dos direitos das mulheres no Estado de São Paulo.

Mauana Simas – Jornalista e fundadora da produtora ”Nós Todos Filmes” no Rio de Janeiro.  Coordenou o projeto de narração audiodescritiva durante a Copa do Mundo e levou mais de 400 deficientes para os jogos em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Produziu um documentário totalmente acessível para o Canal Futura chamado “A hora de deixar a quadra”. Em setembro, foi convidada a participar de um curso em Londres sobre acessibilidade em estádios de futebol que resultou em um projeto a ser realizado em 2015 no estádio do Morumbi, em São Paulo. Também produziu e dirigiu o clipe Zeit, da banda Schracho, todo em Libras.

Sofia Soter, Clara Browne e Lorena Piñeiro  – O trio criou a Revista Capitolina revista eletrônica adolescente com pegada feminista. Para nós da Olga, é o melhor conteúdo brasileiro para teens na internet!

Susanna Lira – Diretora da Modo Operante Produções no Rio de Janeiro, estreou em 2014 a série “Mulheres em Luta”, sobre presas políticas na ditadura militar para o canal GNT. Atualmente produz o longa metragem “A Torre das Donzelas”, que contará a história das mulheres torturadas no regime e que cumpriram pena no Presídio Tiradentes, em São Paulo. Também este ano lançou o documentário e série “Damas no Samba”, que retrata o papel das mulheres na construção do ritmo mais brasileiro e o longa metragem “Por Que Temos Esperança” sobre as mulheres que criam seus filhos sem ajuda dos pais em Pernambuco.

  • INTERNACIONAL

Pam Grossman – Editora da Getty Images, criou, ao lado de Sheryl Sandberg, a coleção Lean In de imagens de arquivo que lutam contra os estereótipos e o machismo ao representar mulheres de maneira poderosa.

 

EDUCAÇÃO

Anna Haddad, Camila Haddad e Giovana Camargo – Fundadoras do Cinese, plataforma de cursos criada pelo trio para unir pessoas e promover palestras, debates e cursos. Recentemente, elas tiraram a cobrança dos organizadores dos encontros e apostaram em um modelo de negócio muito mais humano e inovador.

Denna Hill, Lúcia Udemezue, Nina Vieira e Thays Quadros – Criaram o coletivo Manifesto Crespo, que atua na área educacional, provocando reflexões sobre o cabelo crespo, a história e cultura africana. Neste ano, levaram a iniciativa para comunidades negras e indígenas com lideranças femininas, como Quilombo da Caçandoca, em Ubatuba, e a aldeia Indígena Tenondé Porã, no bairro de Parelheiros.

Tamires Gomes Sampaio – Aos 20 anos, é a primeira aluna negra a dirigir o  Centro Acadêmico João Mendes Jr, da Faculdade  de Direito do Mackenzie.

  • INTERNACIONAL

Malala Yousafzai – Recebeu o Nobel da Paz este ano, tornando-se a pessoa mais jovem a ganhar o prêmio, aos 17, dividido com o indiano Kailash Satyarthi. Doou o valor recebido para a reconstrução de escolas em Gaza. Desde os 11 anos, a paquistanesa é uma ativista que defende os direitos humanos das mulheres e o acesso de meninas à educação no norte de seu país, onde muitas são proibidas pelos talibãs de estudar. Em 2012, comoveu o mundo ao sobreviver a uma tentativa de assassinato, quando foi baleada dentro de um ônibus escolar e discursar sobre sua experiência e a importância da educação das meninas na ONU.

 

EMPREENDEDORISMO

Ariane Cor e Marcella Chartier – Criaram a Iara, agência de empoderamento feminino onde ajudam as mulheres a se apropriarem de seus potenciais.

Bordadeiras de Passira – Conseguiram financiamento coletivo pelo Catarse para criar um e-commerce, produzindo bordados e vendendo seus trabalhos de forma autônoma para o mercado de moda nacional.

Fabi Secches – Co-fundadora da Confeitaria Mag, e organizadora de livros inspiradores como a coletânea de contos Amor | Pequenas Estórias, Fabi lançou este ano o e-commerce para impulsionar o trabalho de novos artistas. A Loja da Confeitaria vende livros, objetos de arte, papelaria, bijuteria e artigos de decoração.

Itali Pedroni Collini – Estudante de economia da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), é uma das fundadoras do GENERA (Grupo de Estudos de Gênero e Raça da FEA-USP), apresentou um trabalho inédito de conclusão de curso sobre a participação das mulheres no mercado financeiro.

Lorrana Scarpioni – É criadora do Bliive, plataforma digital que viabiliza uma rede colaborativa de troca de tempo e serviços. Funciona assim: o usuário oferece uma experiência/serviço; alguém “contrata”, o usuário recebe em Time Money (moeda de troca da rede), com o qual pode “contratar” serviços de terceiros. A rede, criada no finzinho de 2013, já reúne mais de 60 mil colaboradores e se expande internacionalmente. Este ano, Lorrana, aos 23 anos, foi uma das duas mulheres da lista dos dez brasileiros mais inovadores com menos de 35 anos da MIT (Massachusetts Institute of Technology).

Marina Gurgel Prado e Tatiana Pascowitch – Sócias da Bela do Dia, empresa que utiliza bicicletas para a entrega de flores em São Paulo. Inauguraram, em 2014, a floricultura ganhou ponto fixo, no bairro de Pinheiros, em SP.

Raquell Guimarães – Empresária de Juiz de Fora (MG), fundadora da marca Doisélles, criou o projeto Flor de Lótus aonde ensina tricot para homens que cumprem pena em uma penitenciária de segurança máxima. Seu trabalho teve amplo destaque na imprensa internacional em 2014, tendo sido noticiado por veículos como Le Monde (França) e The New York Times. As peças da Doisélles são comercializadas nos maiores centros de moda do mundo, como a Harrod´s, em Londres.

Talita Noguchi – Fundadora dos Las Magrelas, uma mescla de bar e bicicletaria onde, além de atividades baseadas no cicloativismo, rolam festivais de cunho feminista conhecidos como Desamélia com workshops, palestras e rodas de bate-papo.

  • INTERNACIONAL

Hilary Jones – É ativista de direitos animais e diretora de ética da Lush, marca britânica de cosméticos que não realiza testes com bichos. A companhia que preza pela sustentabilidade voltou este ano ao Brasil, onde planeja abrir 30 lojas inicialmente.

Martine Rothblatt – Trans* norte-americana fundadora e CEO da Silver Spring (empresa do ramo farmacêutico). Em setembro deste ano foi capa da New York Magazine sob o título da CEO mais bem paga dos Estados Unidos.

 

ESPORTE

Ana Boscarioli Em junho, chegou ao cume do Monte McKinley, no Alasca, e se tornou a primeira brasileira a escalar os “sete cumes” – o ponto mais alto de cada um dos sete continentes, considerado um dos maiores desafios do alpinismo. Em 2006, já havia se tornado a primeira brasileira a atingir o topo do Monte Everest, o local mais alto do mundo.

Etiene Medeiros – A nadadora de 23 anos bateu, no Campeonato Mundial de Piscinas Curtas, em Doha, o recorde mundial em 50m costas e conquistou a primeira medalha da natação feminina brasileira em Mundiais (é a nossa primeira campeã mundial!!!).

Seleção Brasileira Feminina de Handebol – Em 22 de dezembro de 2013, o Brasil ganhou o Campeonato Mundial de Handebol Feminino, realizado em Belgrado, na Sérvia. Não só é um título inédito nesse esporte no país, mas foi a segunda nação não-europeia (após a Coreia do Sul) e primeira da América conquistá-lo. Para completar, não perdeu uma partida sequer no torneio.

Terezinha Guilhermina – A velocista alcançou o 1º lugar do ranking mundial de 2014 nas provas de 100 e 200 metros na categoria T11, disputada por quem possui alguma deficiência visual. Neste ano, a atleta paralímpica brasileira também conquistou ouro nos torneios Grand Prix de Dubai, Open de Berlim e Open de São Paulo, todos em provas de 100 e 200 metros, além do 2º lugar geral no Meeting de Paris, nas mesmas provas. Uma das provas do Circuito de Corridas Instituto Sicoob, que acontece em Maringá (PR), leva o nome Terezinha Guilhermina em sua homenagem.

  • INTERNACIONAL

Corinne Diacre – Entra para a história por ser efetivamente a primeira treinadora mulher de uma equipe masculina de futebol profissional. O clube francês Clermont Foot havia anunciado Helena Costa como técnica, mas esta recusou o cargo de última hora, que acabou sendo assumido por Diacre. A atleta, além do feito, declara lindamente que, “salvo a sensibilidade”, não vê qualquer diferença entre treinadores e treinadoras.

Mo’ne Davis – A garota de 13 anos, que vive na Philadelphia, é estrela da Liga infantil (Little League) de baseball dos EUA. Ela, ao lado de outra colega, são as únicas meninas a disputar a liga em 2014 (elas jogam no time masculino). O arremesso de Mo’ne chega a 110km/h – a média de sua idade é 80km/h – e e garantiu a vitória de sua equipe este ano.  Ela foi a primeira atleta da Little League a aparecer na capa da Sports Illustrated, que a nomeou a atleta infantil do ano. Mo’ne se diz surpresa com o reconhecimento no baseball, quando na verdade o esporte preferido dela é o basquete.

 

INSPIRAÇÃO

Chames Salles Rolim – Se formou em Direito aos 97 anos de idade. O diploma de bacharel é da Faculdade de Direito de Ipatinga (Fadipa), em Minas Gerais. A senhora afirma que quer compartilhar o conhecimento adquirido a ajudar a sociedade.

  • INTERNACIONAL

Ellen Page – A atriz, protagonista de Juno e Hard Candy, fez, em fevereiro, um discurso contra a homofobia em que também se assumiu lésbica.

Emma Sulkowicz – Sobrevivente de um estupro na Universidade de Columbia, foi também vítima de descaso da administração da própria instituição. Como forma de protesto, carregou o colchão em que foi violentada pelo campus, pedindo que sua história fosse ouvida com o cuidado e respeito que merece e que seu agressor, punido.

Emma Watson – Como embaixadora da ONU Mulheres, lançou a campanha HeForShe, a favor dos direitos iguais e contra o machismo.

Jada – É uma adolescente negra norte-americana de 16 anos que sofreu estupro coletivo após ser vítima de um “boa noite Cinderela”. Fotos do crime foram divulgadas nas redes sociais junto com a hashtag #jadapose, agravando ainda mais a violência do ato. Jada não se intimidou e, com o apoio da mãe, postou uma foto de seu rosto com a hashtag #iamjada, afim de mostrar a pessoa por trás do meme. Ela também denunciou o fato à polícia, além de relatar a história aos veículos de imprensa.

Laverne Cox – Atriz transexual da série Orange is the New Black, é um importante ícone na luta contra a transfobia e em 2014 recebeu diversos prêmios por seu ativismo. Foi escolhida “Woman of the Year” pela revista Glamour, foi incluída no Root 100, uma lista anual que honra líderes inovadores e criadores de cultura negros que se destacam com menos de 45 anos, ficou em primeiro lugar na “Wolrd Pride Power List”, do jornal britânico The Guardian, que reúne as pessoas LGBTs mais influentes do mundo, e recebeu o Stephen F. Kolzak Award na categoria GLAAD (Gay & Lesbian Alliance Against Defamation).

 

LITERATURA

Jarid Arraes – Lançou uma série de cordéis feministas abordando temáticas de gênero, raça e sexualidade. A escritora também mantém a coluna Questão de Gênero na Revista Fórum e publica textos no Blogueiras Negras.

Jenyffer Nascimento – A poeta pernambucana lançou o livro Terra Fértil, onde fala sobre amor, cidade, diferenças sociais e orgulho da própria origem. A obra integra o Projeto Mjiba: Espalhando Sementes, que visa o fortalecimento da escrita negra e feminina.

Julia Bussius e Sofia Mariutti – Editoras na Companhia das Letras, a dupla têm conseguido trazer cada vez mais publicações feministas para o grande público. Sofia batalho para lançar gratuitamente o e-book de Chimamanda Ngozie Adichie, baseado no TED Sejamos todas feministas. Já Julia trouxe o Lean In (Faça Acontecer), de Sheryl Sandberg, e disponibilizou o e-book Meu corpo não é seu – Desvendando a violência contra a mulher em parceria aqui com o Think Olga.

Laura Folgueira e Marcella Chartier – A dupla é fundou a Kayá, editora cujo objetivo é publicar o feminino – seja apresentando novas autoras ou trazendo temas ou livros que tenham as mulheres como público-alvo – e ampliar a noção do que é ser mulher na literatura, nos estudos de gênero ou nas histórias infantojuvenis.

Marina Colasanti – É a autora de “Breve História de um Pequeno Amor” (Editora FTD), vencedor do prêmio Jabuti como melhor livro infantil de 2014.

Martha Lopes – Criadora do projeto KD Mulheres, que discute a participação e representatividade da mulher nas artes, com foco principal na literatura.

Pelas Mulheres Indígenas – O livro acaba de ser lançado por autoras de oito etnias da região Nordeste. Foi desenvolvido em oficinas de literatura que fazem parte de um projeto de formação continuada sobre o direito das mulheres indígenas. A publicação apresenta relatos de suas vidas, dificuldades, sonhos e expectativas além de informações sobre como prevenir e lidar com casos de violência conjugal.

Lady Sybylla e Aline ValekSão criadoras da primeira coletânea de ficção científica feminista do Brasil, a Universo Desconstruído, lançada em 2013. Neste ano, traduziram e colocaram à disposição o conto feminista Sultana’s Dream, o primeiro do gênero na história.

  • INTERNACIONAL

Margaret AtwoodEscritora canadense especialista em gênero de ficção científica/distópica e reconhecida por inúmeros prêmios literários internacionais importantes, tais como o  Arthur C. Clarke. Sua obra mais recente, a trilogia MaddAddam está sendo adaptada pela HBO, para uma série de tv e contará com a direção do Darren Aronofsky.

Sophia Amoruso – CEO da marca de moda americana Nasty Girl. A marca, fundada e presidida por ela, foi considerada uma das empresas com crescimento mais espantoso nos últimos anos. Em 2014, Sophia lançou o memoir #GirlBoss, sucesso de vendas, que conta um pouco da sua jornada errante e revela muito mais do que uma mulher virtuosa e de escolhas assertivas.

 

MODA

Flávia Durante – É criadora e produtora do Bazar POP Plus Size, que garimpa marcas de roupas de diversos estilos com numerações acima de 46. Tem roupa retrô, básica, praia, lingerie e fitness e a entrada custa somente R$ 5,00.

Luciane Barros – Fundadora do África Plus Size Fashion Week Brasil, evento de moda cuja missão é aumentar a visibilidade da moda afro-contemporânea, além de valorizar a a beleza, o talento e a auto-estima das mulheres negras plus size. O evento, lançado em 2013, ganhou força total neste ano, multiplicando o número de desfiles e participações em eventos de moda.

Nina Weingrill, Claudia Weingrill e Camila Silveira – Sócias da marca Velô, de roupas para ciclistas urbanos, lançada neste ano. As vestimentas são feitas com materiais tecnológicos, com proteção UV e tratamento bacteriostático, por exemplo. Ou seja, não pegam o cheiro do corpo, protegem do sol. Além disso, os tecidos usados não amassam e possuem secagem rápida.

Mulheres do Por Mais Turbantes Nas Ruas –  O grupo, criado em 2014, tem uma atuação bem local, em Sergipe, onde vendem alguns turbantes e oferecem oficinas e workshops em escolas para trabalhar questões de identidade, dialogando sobre cultura negra, auto-aceitação e racismo.

 

MÚSICA

Bárbara SweetÉ representante feminista no cenário do rap nacional, sobretudo nas batalhas de MCs, sempre batendo de frente com todo o machismo enraizado nas ruas.

Brisa De La Cordillera – Também conhecida como Brisaflow, é cantora, instrumentista, compositora e MC e tem levado a discussão feminista para dentro do universo do rap. A mineira de Belo Horizonte relata em suas letras as dificuldades em ser mulher e faz provocações inteligentes aos estereótipos de classe, de raça e de gênero.

Flora Matos – É cantora de rap e considerada um dos grandes nomes do rap na atualidade. Um dos destaques de 2014 foi sua presença na Maratona de Cartas Escreva por Direitos, evento de Direitos Humanos promovido pela Anistia Internacional.

Luana HansenÉ DJ, MC, produtora e usa sua palavra pra falar sobre assuntos do movimento feminista como aborto. Luana também é ativista pela maior participação das mulheres no universo do rap.

  • INTERNACIONAL

Anita Tijoux – A MC franco-chilena vem rimando os temas da vida das mulheres desde os anos noventa, em grupos como Makiza ou em carreira solo. Este ano, elevou seu discurso feminista a um novo patamar com o disco Vengo, ainda mais revolucionário.

Corin Tucker, Carrie Brownstein e Janet WeissElas formam o Sleater-Kinney banda que integrou o movimento riot grrrl, de grande influência nos anos 1990/2000. Se separaram em 2006, mas em 2014 anunciaram sua volta, lançando um novo álbum e turnê. Suas letras e atitudes sempre carregaram um viés feminista e de protesto.

POLÍTICA & ESTADO

Ana Paula Meirelles Lewin e Ana Rita Prata –  Coordenadoras do NUDEM – Nucleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher. Defensoras públicas que com o seu trabalho estão pautando para a população e o poder judiciário tema delicados e antes invisíveis da violência contra a mulher, como a violência obstétrica e o assédio sexual, contribuindo para o esclarecimento da população sobre todos os tipos de violência contra a mulher.

Amarilis Busch Tavares – Diretora da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Em 2014, coordenou importantes projetos na área da reparação moral, simbólica, coletiva e psicológica aos atingidos por atos de exceção durante a ditadura, e à sociedade brasileira como um todo, tais como as Caravanas da Anistia, o Projeto Marcas da Memória, o Memorial da Anistia Política do Brasil e as Clínicas do Testemunho. Também atuou diretamente em trabalhos da comissão sobre os 50 anos do golpe militar, como o “Cinema Pela Verdade” e o congresso Internacional “Memória- Alicerce de da Justiça de Transição e dos Direitos Humanos”, além de escrever artigos sobre o fortalecimento da democracia no Brasil e a dependência do pleno (re) conhecimento do nosso passado de violações e da efetivação da Justiça de Transição.

Cristiana de Castro Moraes – Em abril, tornou-se a primeira mulher a presidir uma sessão do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, em 90 anos da história da instituição.

Fernanda Alves dos Anjos – Advogada mineira. Primeira mulher a assumir o Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça. Foi a única brasileira convidada pela relatora da ONU como um dos cinco exemplos mundiais em governança de política de tráfico de pessoas.

Isa Penna – Feminista, foi candidata a deputada estadual pelo PSOL. Denunciou o machismo no período eleitoral ao escrever uma carta-aberta ao UOL, portal que publicou uma lista com “as mais belas candidatas” da eleição de 2014.

Karina Kufa – Advogada e presidente do Instituto Paulista de Direito Eleitoral (IPADE) organizou o primeiro congresso sobre o tema em São Paulo. Em 2014, colaborou com artigos sobre a participação política da mulher e defendendo a maior representatividade feminina no Executivo e no Legislativo brasileiros.

Laís de Figueiredo Lopes – Advogada maranhense e assessora especial da Secretaria Geral da Presidência da República. Este ano se dedicou à articulação e diálogo com o parlamento e a sociedade em nome do Governo Federal para a aprovação da Lei13.019/14, que institui um novo Marco Regulatório das organizações da sociedade civil nas relações de parceria com o estado.

Luciana Genro – Durante as eleições para presidência de 2014, mesmo fazendo parte dos partidos “nanicos”, destacou-se nos debates televisivos em horário nobre por discutir abertamente temas como aborto, violência contra mulher, direitos civis LGBT, sem ser caricata.

Lucimara Passos – A vereadora ganhou destaque por seu discurso na Câmara dos Vereadores de Aracaju no Dia Internacional de Combate à Violência Contra Mulher, quando confrontou os discursos machistas de seus colegas, principalmente do vereador Agamenon Sobra, que havia criticado uma noiva por ter se casado sem calcinha. Na ocasião, Lucimara levou sua calcinha no bolso à Câmara e falou sobre o fim da opressão às mulheres enquanto segurava a peça.

Margarete Coelho – É deputada estadual do Piauí e, em 2014, foi eleita vice-governadora do estado. Conselheira Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), participou ativamente do movimento que instituiu a cota de 30% de advogadas paras as chapas da instituição e apoia diversas causas feministas, como a maior participação política da mulher e o parto humanizado

Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha – Pela primeira vez na história, uma mulher ocupou o cargo máximo de um Supremo Tribunal Militar. A ministra Maria Elizabeth assumiu a posição e se comprometeu a lutar contra a desigualdade de gênero e a homofobia nas Forças Armadas.

Telma de Souza – É deputada estadual em São Paulo e, Procuradora Especial da Mulher da Assembleia Legislativa. Em 2014, promoveu a criação do curso online “Gênero e Atuação Legislativa” em parceria com a Procuradoria da Mulher da Câmara dos Deputados e o Banco Mundial para qualificar as servidoras do legislativo de todo o país sobre a questão da mulher.

 

SAÚDE

Ana Lúcia Dias da Silva Keunecke, Raquel de Almeida Marques e Patrícia Hernandez – Pelo trabalho na Ong Artemis e pelas muitas conquistas no campo da saúde da gestante e na luta contra a violência obstétrica. Em 2014, conquistaram, via financiamento coletivo, os recursos para rodar a segunda parte do documentário O Renascimento do Parto.

Deisy Ventura – Professora de Direito Internacional da Universidade de São Paulo, debruçou-se sobre o tema da saúde global e suas relações com o Direito. Em 2014, foi uma das grandes vozes nacionais a abordar as questões jurídicas relativas ao ebola, denunciando a rede Globo de violar lei ao publicar dados de paciente suspeito de contágio.

Paola Altheia – Nutricionista e autora do blog Não Sou Exposição. Tornou-se referência em 2014 ao abordar temas relacionados a saúde, alimentação, imagem corporal, amor próprio e bem estar de uma perspectiva contrária à ditadura da magreza e da vilanização da comida. Deu uma entrevista maravilhosa e definitiva à Olga sobre nutrição, que você pode conferir aqui.

Rosana Beni – Jornalista e mãe de Anita e Raphael por processo de inseminação artificial aos 50 anos, está lutando na Câmara dos Deputados junto ao deputado Arnaldo Faria de Sá que a resolução do Conselho Federal de Medicina que proíbe fertilização após os 45 anos seja aprovada. Também concedeu inúmeras entrevistas esclarecedoras sobre o tema.

 

TECNOLOGIA

Ana Ribeiro – Seu projeto foi um dos selecionados do Hackathon Gênero e Cidadania – Câmara dos Deputados deste ano. Ana tem 18 anos, estuda Ciência da Computação na Universidade Federal de Campina Grande, na Paraíba, é feminista e programadora. Seu projeto, o Grrls Hacks, se propõe a reunir as pouquíssimas mulheres que trabalham no universo da Ciências da Computação e Tecnologia da Informação, para que elas se encontrem, troquem ideias, fomentem o debate e ajudem a aumentar a participação feminina na tecnologia.

Camila Achutti – É Diretora Nacional do Technovation Challenge Brasil, uma competição que busca empoderar meninas por meio da tecnologia. Em 2014, foi responsável por uma série de workshops pra ensinar garotas a programar.

Camila Ziron, Estela Machado, Hadassa Mussi, Larissa Rodrigues e Letícia Santos – As estudantes de 16 anos criaram o aplicativo App For You para ajudar meninas que tiveram fotos íntimas expostas na internet ou que sofreram algum tipo de assédio virtual. Por meio dos app, as vítimas poderão conversar entre si e aprendem como a legislação às protege.

Diana Assenato Botelho e Natasha Madov – Criadoras do portal Ada.vc, especializado em tecnologia e cujo objetivo é incentivar uma maior participação feminina na área. Diana também é uma das fundadoras do Arco,  startup que inovou a experiência de e-commerce ao desenvolver um sistema de compras pelo Instagram.

Salete Farias – É professora do Instituto Federal do Maranhão e desde janeiro coordena o curso técnico de informática da instituição, aonde também ministra aulas como “Linguagem de Programação Python”, “Estruturas de Dados” e “Banco de Dados”. Foi curadora da área de software livre da Campus Party Brasil de 2014 e mediou uma mesa redonda sobre mulheres, tecnologia e software livre.

Tatiana Capitanio – É criadora do Data4Good, projeto que busca incentivar o uso de dados como instrumento de mudança e solução de problemas sociais. Em 2014, ano inicial oficial do projeto, já impactou mais de duas milhões de pessoas com uma ferramenta bem “simples”: informação.

  • INTERNACIONAL

Whitney Wolfe – Uma das fundadoras do Tinder. Ela denunciou o assédio sexual e a discriminação no trabalho que sofreu do também cofundador Justin Mateen e do CEO Sean Rad. Os abusos fizeram com que ela tivesse que pedir demissão. Em novembro, Whitney lançou o Bumble App, concorrente do Tinder com um diferencial: o controle da paquera fica nas mãos da mulher. É ela quem precisa iniciar a conversa, caso contrário a conexão desaparece em 24 horas.

 

EM MEMÓRIA

Cláudia Silva Ferreira – Auxiliar de serviços gerais, moradora do Morro da Congonha, foi alvejada ao sair de casa para comprar pão e teve seu corpo arrastado pela Polícia Militar no Rio de Janeiro. Ela deixou marido, quatro filhos e muita saudade.

Jandira Magdalena dos Santos Cruz e Elisângela Barbosa – Mortas pela ilegalidade do aborto. Jandira era auxiliar administrativa e tinha duas filhas. Elisângela era casada e tinha três filhos. Ambas procuraram clínicas ilegais para interromper gravidezes indesejadas e pagaram com a vida por um direito garantido somente às classes altas do Brasil.

Maya Angelou – Intelectual de grande importância por suas diversas contribuições literárias e pioneirismo. Entre seus muitos feitos, foi a primeira roteirista e diretora negra em Hollywood. Ativista dos direitos civis, atriz, dançarina, professora. Foi nomeada para o Pulitzer Prize em poesia e porta-voz dos direitos dos negros e das mulheres.

Rose Marie Muraro – A intelectual e uma das pioneiras da luta feminista no Brasil faleceu em junho, em decorrência de um câncer na medula óssea.

Tuğçe Albayrak – Jovem que perdeu a vida após defender duas mulheres de assédio, na Alemanha.  Ela não resistiu aos ferimentos e teve os aparelhos que a mantinham viva desligados no dia de seu aniversário de 23 anos. Milhares de pessoas compareceram ao seu funeral

Vange LeonelEscritora, cantora, compositora, feminista, ativista LGBT e Lupulina, sendo uma das autoras do blog de cerveja artesanal homônimo. Faleceu em julho, vítima de um câncer no ovário.

 

MENÇÃO HONROSA

Leitoras da OLGA – Que ano incrível, dolorido, sofrido, bem-sucedido, complexo e rico que foi 2014. E se chegamos ao fim dele sãs (quase!) e salvas foi graças ao apoio de vocês. Obrigada por todos os e-mails, debates no Talk Olga, tweets, mensagens via Facebook, depoimentos enviados, denúncias feitas no Mapa Chega de Fiu Fiu, doação feita ao nosso documentário Chega de Fiu Fiu e apoio moral. Agradecemos, inclusive, às meninas que nos ajudaram a montar essa lista. De coração, obrigada. Vocês são as nossas mulheres inspiradoras!

Compartilhar

Sobre Think Olga

A OLGA é um projeto feminista criado em abril de 2013 cuja missão é empoderar mulheres por meio da informação.