Mulheres inspiradoras: Thais Caramico

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Ninguém nasce machista, racista, homofóbicos. Os preconceitos são aprendidos já logo na infância. Precisamos ensinar tolerância não só por meio de exemplos e ações no próprio ambiente familiar, mas também através do conteúdo cultural oferecido aos pequenos, ainda mais na internet. Se essa é uma preocupação que você tem com as crianças que cercam sua vida – seja filho, sobrinho, irmão – saiba que tem gente criando com carinho um ambiente saudável, estimulante e respeitoso para elas e também para os adultos. Quem? Thais Caramico, que é uma das criadoras do  Garatujas Fantásticas, um oásis de arte e literatura de qualidade para crianças em meio a tanto ruído direcionado a elas hoje em dia. “Nossa ideia é apresentar conteúdos que sejam interessantes para as famílias, que promovam ou tratem os assuntos de forma leve e profunda ao mesmo tempo, que de alguma forma faça parte da rotina deles de um jeito gostoso”, conta ela. Jornalista, a Thais trabalha com o público infantil desde 2009, foi repórter e redatora do suplemento infantil do jornal O Estado de S.Paulo, faz mestrado em Literatura Infantojuvenil na Universidade Autônoma de Barcelona e é uma inspiração para nós. Leia a entrevista abaixo.


 

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De onde surgiu a ideia para o Garatujas?

Garatujas Fantásticas veio da vontade de dividir o que me inspirava no universo infantil e da preocupação em promover, com olhar crítico, um conteúdo que não tinha (nem tem) muito espaço nos blogs de conteúdo para as famílias. Voltando um pouquinho no tempo, foi como repórter do Estadinho, ex-suplemento do O Estado de S.Paulo, que descobri essa paixão em trabalhar com e para crianças. Quando deixei o jornal para ser freelancer e me mudar para Londres, tive tempo de pensar e construir na minha cabeça algo que fosse possível de realizar.

A coisa só aconteceu porque duas amigas e meu marido toparam a ideia na hora. Em uma semana, eu, Roberto Almeida, Tatiana Arcolini e Tartaruga Feliz nos desdobramos para desenvolver esse canal, de verdade, até lançá-lo como um blog, com diversas seções, além de ilustrações, textos e animações autorais. Nesse momento, foi muito importante contar com a ajuda de amigos, que também se apaixonaram pela ideia e até hoje são nossos colunistas. Isso de misturar linguagens e referências, mas sempre tendo a criança como foco, abriu um leque de coisas bonitas e inspiradoras que vivenciamos ali.

O que é mais inspirador em produzir conteúdo para crianças?

A criança é um ser curioso e aberto a muitos estímulos. Para produzir conteúdo para elas, é preciso estar bem atenta e cuidar com os detalhes, pois elas notam tudo e fazem leituras das coisas que nós, adultos, não esperamos. Um dia antes desta entrevista, li na Revista Emília uma definição sobre “ser criança”, feita pela autora italiana Luisa Mattia, que antes de se dedicar à literatura era professora. Ela tem um trabalho lindo de biografias de crianças, feito a partir de diários. E vou reproduzir um trecho para que a gente possa refletir sobre como é inspirador produzir conteúdo para crianças.

As crianças são pessoas muito interessantes. São complexas, leves e profundas ao mesmo tempo, seguem vias originais de comunicação consigo mesmas e com o mundo, “fabulando” a vida, são tendencialmente anárquicas. A escola, que as acolhe, tem uma função predefinida de regularização e normatização. A escola organiza antes de conhecer, estabelece standards de aprendizagem e modalidades de conhecimento predefinidas com base em estruturas de aprendizagem. Um menino ou uma menina que vai à escola tem a tarefa de entrar neste “cenário”, em um ambiente de aprendizagem que é predisposto, e consequentemente, bem pouco … disposto a sustentar a criatividade e as pulsões para praticar um conhecimento “desobediente”. Em síntese, faço meu um conceito de Fernando Savater, filósofo espanhol, que define a escola como o lugar em que se fazem perguntas sabendo já as respostas. A escola busca o que já sabe.

As crianças procuram, fazem-se perguntas, vão em busca de respostas não sempre previsíveis nem previstas. Neste sentido, cada criança é incompatível com a escolarização e continua sendo uma desconhecida para a escola. Conhecer uma criança é colocar-se em jogo como pessoa, entrar em uma dinâmica que não avalia, que não tem obrigação de ensinar mas dá prioridade ao encontro, ao conhecimento, à liberdade de expressão e, principalmente, à busca de um “alfabeto afetivo e comunicativo” que não acontece a priori, mas deve ser composto e reconhecido mutuamente, no âmbito de uma dinâmica educativa caracterizada pela reciprocidade. Em poucas palavras: pode-se entrar em contato com uma criança se não se pretende ensinar-lhe alguma coisa, mas antes aprender juntos o “quem somos”.

Bom, o Garatujas funciona assim. O mais gostoso nesse trabalho é conseguir, de alguma forma, nos colocarmos no lugar delas, deixando de lado valores e costumes ou manias que acabaram nos encontrando conforme vamos crescendo. Existe uma empolgação que toma conta de nós quando estamos criando algo. É uma alegria que vem por vários caminhos, mas principalmente porque buscamos o que existe de positivo na infância, de leve e profundo, mas que também tenha uma função para além do entretenimento – uma forma de explorar, reconhecer sentimentos, dar autonomia para que a criança dê sentido às emoções e valorize essa liberdade. Aprendemos juntos tentando enxergar o mundo com menos amarras, de forma mais anárquica mesmo.

Esse exercício, de sair da caixinha e olhar tudo como se fosse a primeira vez, quase que intuitivamente, é bom demais. Mas durante esse processo de criação, também refletimos sobre o que estamos fazendo a partir de experiências próprias e perguntas fixas, cujas respostas são muitas: Por que é importante tocar neste assunto? / O texto, sem julgamento, pode ser afetuoso? / Isso é relevante para as famílias? / Como fugir dos rótulos? De que forma isso toca o mundo da criança e do adulto, para se aproximem no brincar? Essas e outras perguntas acabam nos guiando para uma linha editorial. Nossa ideia é divulgar temas e ideias para que as famílias se divirtam e analisem o que estão consumindo (culturalmente e até mesmo em termos de tempo) com as crianças. Essa proposta está cravada no fato de que acreditamos ser possível apresentar conteúdos, ainda que timidamente, que não tenham uma vocação marqueteira e que não seja mais do mesmo. Isso nos inspira.

A relação entre a publicidade e a infância pode ser um motivo de preocupação? Quais efeitos que o marketing especializado em crianças pode ter?

Penso que sim. Diferente do adulto, a criança não tem muita escolha (ou discernimento) diante de bombardeio sedutor de um brinquedo ou guloseima na televisão. A propaganda dirigida às crianças é danosa e apelativa, muitas vezes. Isso porque, na maior parte dos casos, o produto é trabalhado e oferecido como um objeto de desejo que a relacione com os demais.

Enquanto crescemos, queremos pertencer a algo ou a um grupo de pessoas. Para isso, buscamos referências, costumes, marcas de roupa, objetos, entre outros itens e caminhos, porque simplesmente não queremos estar fora ou ser diferente. Quando uma empresa vende essa ideia em canais dirigidos às crianças, durante o intervalo de seus programas favoritos, por exemplo, elas estão ali abertas para acreditar no que veem. E muitas vezes podem até mesmo confundir o programa com a propaganda. De repente, o consumo vira uma consequência do que precisamos para crescer, e o ter vem na frente do entender as próprias emoções.

Em Criança, a Alma do Negócio, da Maria Farinha Filmes, as crianças, em textos voltados diretamente para elas, são superestimuladas a consumir. Tem uma parte bem triste, inclusive, que elas estão num papo de roda e assumem que preferem ir ao shopping a brincar, entre outros exemplos que podem ser vistos neste link. Da mesma produtora, um outro documentário chamado Muito além do peso alerta para os altos índices de diabetes infantil e o problema do consumo na alimentação. É triste ver o posicionamento das marcas, principalmente porque é tudo muito agressivo e dirigido às crianças.

Com tantos estímulos de consumo voltados para elas, como incentivar compras conscientes?

Acho que se alguém tivesse essa resposta, ela já estaria por aí, mas acho que a criança reflete muito o que vê nos pais. É o que costumo dizer para quem me pergunta como fazer para o filho gostar de ler. Eu sempre respondo: Ele vê você lendo?

Na verdade, acredito que levar uma vida menos competitiva, em todos os sentidos, pode ajudar na questão do consumo consciente. Tenho exemplos práticos que vejo e admiro, mas acho sempre muito complicado entrar neste tema porque ainda não sou mãe, e porque (sendo ou mãe ou não) acho injusto e errado dizer para os pais como a gente acha que eles devem criar seus filhos – um pouco arrogante você achar que sabe mais do que o outro se tratando da própria vida dele, não? Afinal, estamos falando de pessoas, ou seja, de algo muito particular e baseado não somente no hoje, mas nas experiências e na própria criação desses pais, de valores e do que consideram importante, de sentimentos, emoções, do maior amor do mundo e tanto mais.

Agora, falando não apenas das crianças, mas dos adultos também, me lembro de ter lido uma entrevista com a Monja Cohen em que ela dizia que não precisamos abrir mão de todas as nossas vontades, mas que para viver mais tranquilamente a gente precisa aprender que não tem de realizá-las o tempo todo. É isso, talvez seja (para algumas famílias) uma opção. Esses dias, uma amiga comentava sobre as festas infantis feitas em bufês nota mil, onde as crianças brincam sem parar com monitores e os adultos conseguem, enfim, conversar com calma. E ela indagava: “Vendo aquilo, pensei em que momento os mundos se tocavam. E era tanto estímulo que chegava a ser agressivo.” Fiquei com isso na cabeça, não em relação à escolha da festa (porque não podemos generalizar e já fui a festas assim em que todos brincavam e se divertiam juntos e separados), mas com a formação da frase: “tanta coisa que chega a ser agressivo”.

Não só entre famílias, mas com amigos também, sinto que estamos correndo o tempo todo, cansados ou obrigados a sentir tudo incrivelmente. E essa oferta maluca de coisas, que chega a ser agressiva e maravilhosa ao mesmo tempo, também traz uma baita ansiedade. Os adultos sofrem por ter de aproveitar tudo. Por outro lado, muitas crianças não conseguem ficar “sem nada” pra fazer, porque estão acostumadas a estar sempre ocupadas. Isso é consumo pouco consciente? Gosto da ideia do tempo livre, de perceber o tédio. Penso que isso é importante na infância também.

Brinquedos ainda possuem distinção de gênero. E por isso, é comum crianças sofrerem bullying por usarem itens destinados ao outro sexo. Recentemente, Michael Morones, de 11 anos, tentou suicídio por ser maltratado pelos colegas por gostar de um personagem cor de rosa. Como o GF aborda essas questões?

Acho lamentável uma notícia dessa e cada comentário ou piadinha a respeito. Conheço mães e pais que não gostam que os meninos tenham uma queda pelo rosa ou mencionem, por exemplo, brincar de boneca ou dançar balé. E escuto muito a frase “ah, menininha”, como sendo quase ingênua, mas sem refletir sobre o que isso quer dizer hoje e no futuro dessa criança. Somos formados pelos acontecimentos da nossa infância e esse tipo de registro pode trazer duras consequências, por mais bobocas ou sem maldade que pareçam.

Me emocionei com o discurso da Ellen Page, ao se declarar gay, dizendo que o mundo poderia ser um lugar bem melhor se fôssemos menos horrorosos com os outros. E, na sequência, uma amiga fez um comentário lindo no Facebook: “Seria tão bom se, a cada vez que alguém sentisse vontade de fazer uma gracinha idiota, um comentário maldoso, ou, pior, agredir uma pessoa por quem ela simplesmente é que pensasse nisso: por que eu não posso ser menos horrível com os outros?” A questão sexo e gênero é algo que falamos algumas vezes no Garatujas Fantásticas, e que queremos dedicar mais atenção. Nos preocupa por toda violência psicológica e física que crianças e jovens sofrem. E também porque, de alguma forma, nosso papel é trazer conteúdo que ajude as pessoas a pensar mais livremente, com amor e respeito igualitários.

Os brinquedos, e os pais têm de entender isso, não têm gênero, são de meninas e meninos. São as crianças que têm de ter a liberdade de escolher como querem brincar, isso jamais pode ser imposto ou interrompido por qualquer padrão social ou preconceito do adulto, uma recriminação. Até porque o brincar é a coisa mais importante no desenvolvimento de uma criança, é quando ela ativa o cérebro por meio da imaginação para poder se concentrar.

Existe dificuldade em encontrar opções de entretenimento para as crianças?

Depende do que estamos falando e onde. O que vejo é falta de sentir-se seguro para brincar nas ruas com as crianças, por uma série de razões, incluindo violência, falta de uma calçada larga e praças, um monte de carros nas ruas. Mas tudo depende de onde estamos falando e de quem e como essas pessoas vivem ou encaram situações. Até porque em São Paulo, por exemplo, vejo um movimento bom de utilizar melhor as praças. Quando completou um ano, Garatujas Fantásticas realizou um piquenique na Praça das Corujas. Foi tudo colaborativo! Kelly Orasi topou contar uma história e a dupla de palhaços Fulana e Melão fez uma apresentação linda sobre reaproveitamento de materiais. Divulgamos no site e pedimos para os convidados levarem o que comer e beber. Reunimos cerca de 250 pessoas durante uma manhã incrível, livre, alegre e simples.

Não sei se é uma questão de falta de opção, porque a gente vê peças de teatro, museus, oficinas de arte e contação de histórias gratuitas em livrarias, tudo especialmente para crianças. Falta mesmo é sentir a cidade, cruzar espontaneamente com as pessoas e se desenvolver através dessa troca tão importante, bater uma bolinha na esquina ou dar uma volta de bicicleta no quarteirão sem preocupação. Fico feliz, aliás, quando vejo as famílias aproveitando as ciclofaixas no fim de semana, e sinto que todo mundo se anima muito com isso.

Em cidades menores, podemos ver que muitas formas de brincar de antigamente correm lindamente. O projeto Infâncias, por exemplo, trata de registrar a vida de crianças em diferentes cantos do Brasil. No site deles, dá para ver fotos, vídeos, textos e também buscar pelo curta Disque Quilombola, uma maravilha feita em forma de brincadeira, o telefone de lata. Foi assim que crianças do morro São Benedito, em Vitória, conversaram com outras da comunidade quilombola São Cristóvão, na região do Sapê do Norte – uma grande brincadeira. Acho, de verdade, que conhecemos muito pouco as infâncias do Brasil. Não sei dizer se falta entretenimento por aí, pois como diz Adélia Prado, a gente tem nossos limites – dois “quadradinhos” apenas pra olhar o mundo.

Em um mundo cada vez mais digital, como é a relação das crianças com a tecnologia? Como ela ajuda na inovação da educação?

Acho que se bem utilizada, a tecnologia pode ser muito importante no desenvolvimento e formação das crianças. Há muita coisa que podemos conhecer e aprender com isso, além da troca que se pode ter e de onde podemos chegar com a internet. Recentemente, li sobre duas escolas, uma nos Estados Unidos e outra no México, que por hangout brincavam de adivinhar informações geográficas e culturais sobre o país do outro. Havia informação, uma mediação interessante e crianças se olhando e criando algum contato cheio de curiosidade. Falamos de uma geração que intuitivamente sabe como mexer com tecnologia. Por isso, há suportes e ferramentas que explodem em estímulos audiovisuais, que conquistam as crianças. Mas ainda acho que tanto elas como os adultos estão em processo de aprendizagem. E é importante nesse processo questionar o que está sendo entregue à criança.

A tecnologia é ótima, mas quem sabe como isso será aplicado em salas de aula, por exemplo? Há um enorme interesse de empresas que cada vez mais estão investindo em tecnologia e educação, quem garante que o que está sendo pensado é positivo a partir do desenvolvimento, do conhecimento cognitivo e social e não apenas do comercial? Sou uma desconfiada muitas vezes. Outro dia, vi um vídeo do professor espanhol Jorge Larrosa Bondia, da Universidade de Barcelona, muito bom para refletir. Ao falar de educação, ele disse como os pais estão entregando seus filhos e filhas à escola mais cara já pensando em um retorno futuro, sucesso. E ainda emendava que hoje, com a sala de aula se transformando em grandes centros de conexões, o espaço físico está mudando, as relações espontâneas também. O que vai ser disso? O que queremos? Quem sabe?

Agora, acredito que programar pode se tornar no futuro uma disciplina do currículo escolar. E vou achar ótimo, se for para que as crianças sejam mais independentes e entendam essa linguagem tão presente hoje. Só vou achar chato se isso acontecer não porque estamos pensando em hackear a escola, no sentido de questionar métodos, alterar normas e ser criativo com aquilo que descobrimos e gostamos, mas porque “vai ser bom para o futuro profissional dessas crianças”.

GF é uma plataforma que pode ser acessada pelas crianças, pelos pais, por educadores… Por que decidiu investir nessa intersecção?

Falamos com os pais, que podem ser educadores, porque acreditamos que eles são os grandes mediadores nessa relação. São eles, muitas vezes e falando principalmente das crianças menores, que escolhem o livro, qual música ouvir, que programa fazer. Nossa ideia é apresentar conteúdos que sejam interessantes para as famílias, que promovam ou tratem os assuntos de forma leve e profunda ao mesmo, que de alguma forma faça parte da rotina deles de um jeito gostoso. Ao mesmo tempo em que falamos para esses selecionadores, que entram no Garatujas para buscar dicas e ideias, mantemos uma linguagem simples e um visual infantil porque queremos que não haja barreira nessa troca de informações. Se a criança estiver ao lado dos pais nesse momento em que navegam pelo site, ótimo, eles podem conversar sobre o que estão vendo e até mesmo deixar que a criança leia o texto sem problemas.

Embora não seja escrito para ela, tudo que está ali pode ser seguido. Se tiver uma palavra que ela não conheça, talvez no contexto funcione, ou isso vira uma chance para aumentar o vocabulário, perguntando aos pais. Se o texto estiver muito longo, ela não precisa ler até o final e tudo bem. Com um pouco de tempo e muita vontade, o que está ali pode ser devorado tranquilamente por todos. Até mesmo em sala de aula, pois temos depoimentos de quem enxerga no Garatujas muita inspiração não para trabalhar uma forma (e nem queremos que seja assim), mas para abrir ideias.

Quais foram os seus maiores desafios na liderança desse projeto?

O projeto começou sem qualquer pretensão, pois o que queríamos mesmo era colecionar e dividir com as famílias as coisas legais que víamos. Se pensar que criamos isso moramos em países diferentes (eu em Londres, Tartaruga Feliz em Paris e Tati em São Paulo, a maior dificuldade foi e é o fato de passamos muita vontade de estar mais perto, de resolver no mundo offline o que fazemos no nosso quintal virtual. Claro é ótimo ter essa possibilidade de seguir pela internet, mas qualquer hora vamos dar um jeito de criar “Residências Garatujas” para, ao longo do ano, ter uma semana de inspiração conjunta e ao vivo. Esse é o maior desafio: conciliar horários, tentar não mandar cinco emails por dia pra não ficar chato, manter o ritmo, a qualidade do trabalho e a empolgação, afinal, ele só existe se for gostoso pra todo mundo. E por ter jornada dupla, às vezes estamos exaustas.

É importante dizer que pra poder se dedicar ao Garatujas, nós três sempre mantivemos um outro trabalho meio período, de que gostamos muito. Garatujas nunca recebeu qualquer investimento, é um projeto levado com muito carinho e dedicação por seus criadores e amigos. E dividir nosso dia entre um trabalho remunerável e um projeto pessoal é o segredo para que sejamos felizes fazendo as duas coisas.

Com o Garatujas, acabamos conhecendo e nos aproximando de algumas pessoas que admiram o nosso trabalho. E percebemos que, se podíamos passar tantas horas por dia pesquisando e produzindo conteúdo autoral para nós mesmas, poderíamos trabalhar também como um estúdio que desenvolve ideias similares para clientes – porque precisávamos em algum momento tornar essa atividade rentável e porque não queríamos colocar publicidade no Garatujas. Foi assim que nasceu o Estúdio Voador e o Garatujas acabou virando um projeto do Voador. Com o estúdio, estamos trabalhando em dois modelos: criando projetos para clientes e tendo novas ideias para o Garatujas. O desafio? Entender que a brincadeira virou trabalho, um trabalho que criamos e que consideramos ideal, portanto gostamos muito, mas que com ele, do modo formal, entram todas as burocracias que serão, pra sempre, nosso maior desafio. Mas tudo bem: já estamos bem melhor do que antes e o contador nem nos odeia porque teve de explicar tudo umas cinco vezes – brincadeira, foi umas 10.

Arte: Kat Hannah

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Sobre Think Olga

A OLGA é um projeto feminista criado em abril de 2013 cuja missão é empoderar mulheres por meio da informação.

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