Em 2014, chega de clique de indignação

olga clique indignacao

No fim do ano, minha lista de resolução tinha apenas um item: em 2014, não mais distribuirei cliques de indignação. Sabe aquela matéria que alimenta o preconceito latente contra negros, mulheres, pobres, ciclistas, gordos, homossexuais, pessoas de direita ou de esquerda? São aqueles textos que você sabe que estão errados por mil razões, e até compartilha o link, mas só para poder mostrar todas as falácias que eles trazem. Pois é, isso mesmo é que não vai rolar no meu 2014.

Não quero mais compartilhar e dar audiência (a minha e a dos outros) para textos mal-intencionados. Para muitos colunistas e jornalistas (e tuiteiros e celebridades da internet), qualquer polêmica é vista como positiva, mesmo que envolva até insultos a outras pessoas. Os exemplos são inúmeros e incluem talvez a maioria dos autores mais populares na internet. Mas eu não vou citar aqui porque, como eu já disse, não vou dar mais cliques de indignação para ninguém.

Ideias e posturas com que não concordamos, quando ricas em argumentação e escritas com o mínimo de respeito ao seu leitor, sempre fizeram parte do jornalismo, da internet, das relações humanas e são bem-vindas. Mas os textos aos que me refiro, os mendigos de cliques, vivem do desprezo das pessoas. Escrevem para chocar, não para provocar um novo debate, e suspeito até que não acreditam de verdade no que publicam. Nas gírias de internet, o nome disso é trolada. Qualquer pessoa experiente em fóruns online sabe que a primeira regra é não alimentar esse tipo de disparate perverso. Mas os colunistas chamam isso de “ser polêmico” – algo que tem uma conotação positiva – quando, na verdade, estão apenas reforçando preconceitos e reavivando discussões que já deveriam ter sidos superadas há decadas.

Acontece que nosso clique na matéria por raiva e revolta vale o mesmo que um clique legítimo, de um leitor que reitera tais pensamentos. Um clique é só um número a mais na audiência e na publicidade, não importa se você gostou ou foi humilhado. Então esses escritores-trolls recebem qualquer audiência de braços abertos e ganham dinheiro com a nossa fúria.

Portanto, decidi ignorar. Neste ano, não alimentarei os pombos. É dar munição para que caguem na sua cabeça. E tenhamos assim um feliz 2014. 

  • 0.1

    Avaliação geral

  • Avaliação dos leitores:2 Avaliações

Compartilhar

Sobre Think Olga

A OLGA é um projeto feminista criado em abril de 2013 cuja missão é empoderar mulheres por meio da informação.

Você também pode gostar de

5 comments on “Em 2014, chega de clique de indignação

  1. Deilson Leite
    7 de janeiro de 2014 at 02:49

    Mais pessoas com bons pensamentos resultam em boas mudanças!!!

  2. cristianoalveslima
    7 de janeiro de 2014 at 11:15

    Infelizmente há caçadores de “polêmicas” em muitos lugares Olga, gente que quer ver somente o circo pegar fogo e ver no que vai dar.
    As vezes parece que quanto mais acesso as pessoas tem a debates, mais elas acham que tem que haver ofensas e coisas do tipo. Todos querem a liberdade de falar, mas não querem assumir o dever de ouvir.

    Que você tenha um ótimo 2014 Olga, com mais texto e debates para discutirmos e refletirmos, da maneira correta é claro.

    Até mais.

    🙂

  3. Fred Di Giacomo Rocha
    7 de janeiro de 2014 at 12:56

    Bom campanha! Apoiada 😀

  4. Aline Mascarenhas
    7 de janeiro de 2014 at 23:46

    É isso aí, Olga! Boa reflexão pra 2014!
    Vou tentar levar pra vida.
    Obrigada.

  5. Luiz Claudio Lins
    12 de janeiro de 2014 at 00:28

    Na minha humilde opinião:

    “Sabe aquela matéria que alimenta o preconceito latente contra negros, mulheres, pobres, ciclistas, gordos, homossexuais?”

    Sei, é o texto da direita. A esquerda, mesmo a stalinista tem revisto seus reacionarismos não na velocidade que deveria mas pelo constragimento causado. Já a direita só se mexe quando vê a chance de lucrar com a neoliberalidade. No resto do tempo permanece “direita festiva”, tenebrosamente “tea party”

    “Neste ano, não alimentarei os pombos. É dar munição para que caguem na sua cabeça”.

    Uma frase clichê-metáfora antropocentrista dos mais infelizes e delineadora de uma postura, sem querer querendo, estranha..

    No mais, um bom e lúcido post.

Os comentários estão fechados no momento.