As mulheres inspiradoras de 2013

mulheres

 

É quase uma tradição: todo final de ano, as grandes publicações do país fazem suas listas de pessoas mais influentes. E uma parte desse ritual é colocar poucas mulheres. Esse problema já foi destrinchado várias vezes, mas ainda há quem insista que essa ausência seja justificada – “não existem mesmo tantas mulheres influentes na área X”, é um dos argumentos mais usado. Para provar que isso não faz sentido, criamos essa lista das mulheres inspiradoras de 2013. Ela nasceu de maneira informal durante um debate no grupo de discussão da Olga, o Talk Olga, e não é, nem pretende ser, definitiva. Sabemos que ela é um recorte – seja da nossa classe social, da cidade em que vivemos, da cor da nossa pele e até mesmo dos nossos interesses pessoais. Por isso mesmo, ela não pode parar. Os leitores estão convidados a acrescentarem não apenas novos nomes nos comentários, mas também novas categorias. O importante é provarmos que existem muitos trabalhos relevantes feitos por mulheres, e que eles não merecem ser ignorados. Daí quem sabe as outras publicações não começam a lembrar mais das mulheres nas suas listas de 2014?


ARTE

Alexandra Moraes é autora de O Pintinho, tirinhas publicadas na página de Facebook homônima (com mais de 20 mil curtidas) e no jornal Folha de São Paulo. Em 2013, os quadrinhos que foram reunidos em uma coletânea publicada pela editora Lote 42.

Beatriz Lopes, de apenas 19 anos, criou o Zine XXX, exclusivo para quadrinistas mulheres, por meio de financiamento coletivo bem-sucedido em novembro. O lançamento está marcado para janeiro de 2014.

Cris Bertoluci é uma das fundadoras do Coletivo Feito à Mão, que revive a arte do tricô. Neste ano, foi ensinar seu experiência com as agulhas até nas salas da FAAP

Elisa Sassi é ilustradora, pintora e artista de muitos talentos, que em 2013 também fez o elogiado curta Once Upon a Time.

Evelyn Queiroz é criadora da Negahamburguer, personagem ícone da aceitação e do body positive. Em 2014, lançará um livro do seu projeto,o Beleza Real, fruto de um financiamento coletivo realizado em 2013.

Mariamma Fonseca, Samanta Coan e Samara Horta são criadoras do Lady’s Comic, que fala sobre a ainda pequena participação feminina no universo dos quadrinhos. Em 2013, deram uma bela resposta  à declaração equivocada de Maurício de Sousa, sobre a impossibilidade da entrada de mulheres no mundo das HQs, e jogaram luz num caso de assédio na mais recente edição da FIQ.

Rivane Neuenschwander, mineira e artista plástica que já expôs em três andares do New Museum, em Nova York (EUA), na Bienal de São Paulo e voltou a expor na capital paulista em 2013. Em outubro, ganhou o Yanghyun, prêmio coreano que contempla artistas com obra já reconhecida.

Sirlanney é a criadora do Magra de Ruim, página no Facebook que expressa, através de quadrinhos, a vida cotidiana, com enfoque no feminino.

ATIVISMO

Åsa Dahlström Heuser é a criadora da página Cantada de Rua – Conte seu caso, que incentiva mulheres a enviarem seus depoimentos de assédio para serem divulgados (com completo sigilo em relação à autora da denúncia) e encorajar outras mulheres que tenham passado por situações semelhantes a vencer a culpa e o medo. A página deve chegar ao seu primeiro milhar de depoimentos ainda em 2013.

Ana Cruz fundou o movimento Mulheres Negras Construindo Visibilidade em 2013, que divulga casos de racismo e também as conquistas dos movimentos sociais negros.

Bruna Provazi é criadora do Mulheres no Volante, que aborda em encontros em diversas capitais brasileiras temas como artes, música e cinema através de debates voltados à luta feminista.

Juliana Monteiro, Camila Ximenes, Babi Sonnewend e Majonéz Budafóki, ex-alunas da ESPM, criaram o Coletivo Chute, para discutir medidas e ideias pra inibir a violência sofrida pelas mulheres em ambientes sociais, principalmente nas festas da universidade. No Facebook, o grupo de discussão que já soma quase três mil membros.

Daniela Andrade, uma das mais importantes vozes na internet sobre a transexualidade, criou o Transemprego, site que faz a ligação entre empresas e transexuais e travestis que desejam ingressar no mercado de trabalho.

Débora Maria da Silva é a fundadora do movimento Mães de Maio, composto por mães e pais de jovens mortos em ações policiais duvidosas. Além de tentar extinguir os chamados autos de resistências das justificativas por mortes em abordagem policial, o movimento atua nos protestos que buscam a paz nas periferias.

Hailey Kaas é ativista transexual e transfeminista, criadora do site Transfeminismo, que tem se tornado referência no tema aqui no Brasil. Em 2013, Hailey foi uma das ativistas a conseguir que o congresso de feminismo “Fazendo Gênero” tivesse, finalmente, uma mesa sobre transgeneridade; ela também publicou um capítulo sobre transfeminismo no livro A Quem Pertence O Corpo da Mulher – Reportagens e Ensaios, organizado por Leonardo Sakamoto e Maíra Kubik Mano.

Maju Giorgi, ativista e mãe, é fundadora do Mães pela Igualdade, grupo voltado ao combate à homofobia, à lesbofobia e à transfobia. Apesar do nome, os pais pela igualdade são muito bem acolhidos pelo movimento.

Maria José Ricardo é presidenta do Católicas pelo Direito de Decidir, grupo de apoio aos movimentos pela descriminalização do aborto no Brasil, que foi uma frente de batalha contra o Estatuto do Nascituro, que visava diminuir ainda mais as possibilidades legais de aborto.

Marilia Moschkovich, socióloga e ativista, teve grande participação na onda de protestos de junho. Um mês depois, inspirou música de mesma temática do cantor Tom Zé.

Monique Prada é ativista ligada ao reconhecimento do exercício da prostituição e do combate à violência contra as prostitutas.

Renata Mol é a criadora do Questões Plurais, site pioneiro em falar de interseccionalidade, um conceito super importante para o feminismo. O site surgiu em fevereiro de 2013 e virou referência no tema.

CINEMA E TV

Fátima Toledo é preparadora de elenco e e tem em seu currículo filmes como PixoteCidade de Deus, no qual usou a dança para o preparo dos atores. Trabalhou junto com o diretor Diego Quemada Lopez no filme A Jaula de Ouro, consagrado na Mostra de SP e em todo o mundo.

Fernanda Montenegro ganhou o Emmy este ano por sua atuação em Doce de Mãe. A atriz agora, aos 85 anos, se prepara para fazer par romântico com Nathalia Timberg em uma novela ainda sem nome a ser exibida pela Rede Globo.

Laís Bodanzky é diretora e roteirista de cinema, sendo responsável pelo premiado Bicho de Sete Cabeças e pelo documentário Cine Mambembe – O Cinema Descobre o Brasil. Com seu marido, Luiz Bolognesi, mantém desde 2005 um projeto itinerante de exibição gratuita de filmes em cidades paulistas, fluminenses e paranaenses, intitulado Cine Tela Brasil. 

Lúcia Murat dirigiu o filme A Memória que me Contam sobre a ditadura militar, período em que foi presa e torturada. A protagonista do filme é interpretada por Simone Spoladore e é um alter-ego de Lúcia. Ganhou o prêmio da Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica (Fipresci) no Festival Internacional de Moscou.

Nathalia Timberg é uma consagrada atriz brasileira de 84 anos, que esse ano está no ar na novela Amor à Vida, da Rede Globo. Sua personagem, Bernarda, trouxe à tona o ainda tabu sexo na terceira idade. No seu próximo papel, fará par romântico com Fernanda Montenegro. Apesar do autor da novela afirmar que não haverá beijo entre ambas, os papéis de Nathalia vêm desmitificando questões que cercam o amor e o sexo na terceira idade.

Petra Costa, diretora e atriz do filme Elena, que conta a história do suicídio de sua irmã 13 anos mais velha, em Nova York. É forte, delicado, feminino e, acima de tudo, corajoso. Ganhou vários prêmios, entre eles o de melhor direção no Festival de Brasília.

Tata Amaral dirigiu o filme Hoje, que se passa na ditadura, tendo como protagonista uma mulher. Ganhou no Festival de Brasília os prêmios de melhor filme, melhor atriz (pra Denise Fraga), melhores roteiro, direção de arte e fotografia.

EMPREENDEDORISMO

Amanda Rahra e Nina Weingrill são fundadoras do É nóis, que trabalha com educação e cultura voltados a jovens de periferia.

Bel Pesce após conseguir ingressar no MIT, uma das melhores instituições de ensino superior do mundo, criou o aplicativo Lemon, em 2012, baixado milhões de vezes ao redor do mundo. Ao retornar ao Brasil, lançou o livro A Menina do Vale e, em 2013, abriu uma escola de empreendedorismo, a FazINOVA.

Barbara Soalheiro é fundadora do Mesa&Cadeira, empresa que inova a forma de educar por meio de workshops com os profissionais mais brilhantes de suas áreas. Foi elencada no ranking dos 50 mais inovadores em 2013 da Proxxima e ministrou palestra no South by SouthWest (SXSW), em Austin, Texas.

Dani Noce, chef do I Could Kill For Dessert, blog com mais de 100 mil curtidas no Facebook, que reúne vídeos receitas. Além disso, tem um programa semanal no canal VH1. 

Daniela Arrais é sócia da Contente, empresa criadora do Instamission e do Cinemission (lançado em 2013, que já está em sua décima quinta missão). Dani também tem o blog Don’t Touch My Moleskine, que aborda artes, músicas, fotografia e música, é considerado um dos mais influentes do Brasil.

Flávia Durante é jornalista e editora do site da Revista TPM e, em 2013, criou o bazar POP Plus Size.

Gabriela Hunnicut é uma das vencedoras do prêmio Winning Women Brasil 2013 com a agência da qual é sócio-fundadora e diretora geral, a Bold Conteúdo.

Helena Rizzo foi eleita a melhor chef mulher da América Latina em 2013 e é proprietária do Maní, eleito também este ano um dos 50 melhores restaurantes do mundo.

Maria Lutterbach é sócia-fundadora da Mínimasestúdio que produz pequenas tiragens de livros mais artesanais. Neste ano, se especializou em booktrailers e já tem a Cia das Letras como cliente.

Marina Gurgel Prado e Tatiana Pascowitch são criadoras do A Bela do Dia, floricultura que utiliza bicicletas para a entrega de flores em São Paulo.

Maristela Bizzaro é diretora executiva do braço brasileiro, fundado em abril de 2013, da WIFT (Women in Film and Televison) associação internacional de incentivo, educação e fomento às mulheres dentro e fora da telas do cinema, da TV e de novas mídias.

ESCRITA

Aline Valek e Sybylla organizaram uma coletânea de contos e criaram Universo Desconstruído, a primeira ficção científica feminista brasileira.

Ana Guadalupe, escritora de Maringá (PR), tem seus poemas republicados por jornais e revistas de todo o mundo.

Angélica Freitas, autora de Um Útero é do Tamanho de um Punho (CosacNaify), livros de poemas com temática feminista, foi finalista de diversos prêmios, como o Portugal Telecom.

Bruna Beber é autora do livro de poesia Rua da Padaria, terceiro mais vendido na edição de 2013 da Flip.

Dinha, uma das melhores escritoras da literatura que celebra a periferia, lançou, em novembro de 2013, seu segundo livro Onde Escondemos o Ouro. 

Elizandra Souza lançou no finalzinho de 2012 seu segundo livro, Águas da Cabaça, e foi uma das organizadoras de Pretextos de Mulheres Negras, antologia com 22 escritoras negras publicado em agosto de 2013. É ativista cultural, radialista, editora da agenda da periferia de São Paulo, locutora da Rádio Comunitário Heliópolis FM e moradora do distrito do Grajaú, extremo sul paulistano.

Fabi Secches e Flávia Stefani criaram a Confeitaria Mag, revista independente formada por um coletivo de autores, que também dá espaço a textos de convidados. Em 2013, a Confeitaria continuou a crescer e já conta com cerca de 70 autores publicados, em mais de 300 textos.

Fernanda Torres lançou em 2013 seu primeiro e elogiado livro, Fim (Companhia das Letras), ambientado no Rio de Janeiro de 1970.

Isabela Noronha é jornalista e escritora e, sem nenhum livro publicado, já ganhou dois prêmios de literatura. O primeiro foi em Londres, onde fez mestrado em criação literária, na Brunel University. Seu trabalho de fim de curso, um romance, foi premiado este ano pela agência literária Curtis Brown, uma das maiores do Reino Unido. Ainda em 2013 ela competiu com outros 1300 escritores e ganhou, aqui no Brasil, um dos mais prestigiados prêmios de literatura juvenil, o Barco a Vapor, da Fundação SM. Pelo livro “O Garoto que Engolia Palavras”, Isabela Noronha recebeu R$30 mil em dinheiro, como adiantamento, e garantiu a publicação.

Juliana Cunha é autora do blog Já Matei por Menos e do livro homônimo, coletânea publicada pela Lote 42 em 2013.

Juliana Frank lançou em 2013 o livro Meu Coração de Pedra-Pomes, pela Cia das Letras. Seu primeiro livro, Quenga de Plástico, repercutiu tanto que recebeu convite para escrever o roteiro baseado em Pornopopeia pelo próprio autor do livro, Reinaldo Moraes.

Paula Fábrio ganhou na categoria autor estreante com menos de 40 anos, com seu primeiro livro, Desnorteio (Patuá), o Prêmio São Paulo de Literatura, um dos mais prestigiados do país.

Vanessa Bárbara lançou este ano o romance Noites de Alface (Objetiva) e também foi elencada entre os 20 melhores escritores jovens brasileiros, pela Granta.

INSPIRAÇÃO

Élida Aquino é criadora do coletivo Meninas Black Power, grupo que celebra os cabelos crespos e o universo da mulher negra.

Ellen Oléria foi a ganhadora da primeira edição do The Voice Brasil, em 2012. Além do vozeirão, Ellen também recebeu atenção da mídia após seu casamento em agosto com Poliana Martins e tornou-se um ícone da luta de negras, gordas e lésbicas.

Luma Nogueira é a primeira (e por ora, a única) travesti a obter um título de doutorado no Brasil, pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Antes do título, Luma já atuava na área da educação, como concursada da rede estadual de ensino cearense.

Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres no Brasil, eleita em 8 de julho deste ano.

Nilma Lino é a primeira reitora negra de uma universidade federal brasileira. A conquista é um grande passo na democracia racial, ainda distante da realidade das universidades brasileiras.

JORNALISMO/ Mídia

– Mídia Impressa

Daniela Arbex é autora do premiado livro-reportagem Holocausto Brasileiro (Geração Editorial), que traz à tona um capítulo negro e esquecido que compreende quase todo o século XX. O Hospício de Barbacena, em Minas Gerais, foi cenário da morte de mais de sessenta mil pessoas, 70% sem qualquer distúrbio psicológico antes da entrada no local (o enlouquecimento gradual era parte da tortura), sendo a maioria epiléticos, homossexuais, prostitutas, alcoólatras e rebeldes aos sistemas políticas (entre 1903 e 1980 ocorreram dois períodos classificados como ditaduras no Brasil).

Jeanne Callegari é jornalista e editora da revista Vida Simples, onde criou a campanha Chega de Dieta, que promove a auto-aceitação.

Sabrina Duran criou o projeto Arquitetura de Gentrificação, em parceria com a Repórter Brasil e financiado pelo Catarse, para mapear a gentrificação e a especulação imobiliário em São Paulo. Sabrina também publicou esse ano o livro Mulheres Centrais, com perfis e fotos de mulheres que moram no centro paulistano. Além da área de moradia, também atua na área de mobilidade urbana.

– Digital

Andrea Dip é jornalista, especialista em direitos humanos, tendo inclusive escrito um livro há cinco anos sobre a aplicação prática da Declaração Universal dos Direitos Humanos no Brasil. Sendo colunista da Agência Pública, abordou as vergonhosas revistas pelas quais passam mulheres que fazem visitas em presídios.

Anna Beatriz Anjos, Gabriela Sá e Natacha Cortêz são estudantes de jornalismo que tiveram o terceiro projeto mais votado da Reportagem Pública, com uma investigação sobre o aborto no Brasil, mais especificamente no sistema público de saúde, em “Aborto Legal: do Direito ao Tabu”.

Bia Cardoso, Thayz Athayde, Liliane Gusmão e Iara Paiva fazem o Blogueiras Feministas, blog que traz notícias e reflexões sobre mulheres que a mídia tradicional muitas vezes ignora. 

Charô Nunes, Maria Rita Casagrande, Zaíra Pires, Larissa Santiago, Verônica Rocha, do Blogueiras Negras, blog sobre questões afins à negritude e ao feminismo. Toda mulher negra e afrodescendente que se identifique com a proposta pode participar de comunidade e escrever para a página.

Clara Averbuck e Nádia Lapa são autoras do blog Feminismo Pra Quê?, onde abordam temas como machismo e sexualidade.

Eliane Brum escreveu textos que viralizaram nas redes sociais em 2013. Colunista semanal da Época, abordou temas polêmicos, como o aborto.

Jarid Arraes se destacou com seus post para o blog Blogueiras Negras e artigos sobre gênero para a Revista Fórum.

Juliana Romano é jornalista e blogueira, escrevendo sobre moda com foco na diversidade no Entre Topetes e Vinis.

Nathália Viana é uma das fundadoras da Agência Pública, de jornalismo independente. A Pública ganhou diversos prêmios e viabilizou a publicação de várias reportagens sobre temáticas relevantes, como as revistas de agentes penitenciários a mulheres.

Tati Ivanovici é criadora do Rede do LadoDeCá, que aborda atividades culturais nas periferias de todo o país.

Thais Caramico é criadora do Garatujas Fantásticas, site com conteúdo sobre a infância que aborda de forma leve e fluida temas como identidade de gênero, papéis sociais por gênero e consumismo, arte. Parte do conteúdo é feito para as crianças.

POLÍTICA

Manuela d’Ávila (PCdoB-RS) é a única líder partidária mulher na Câmara dos Deputados e ganhou destaque recentemente por conta de um vídeo em que discursa no plenário contra o machismo, após um deputado responder, de forma machista, a uma pergunta da deputada de cunho político.

Mayara Vivian é uma das maiores vozes do Movimento Passe Livre, criado em 2004 em Santa Catarina mas que viveu seu auge em meados de 2013 com protestos simultâneos e diários em dezenas de cidades do Brasil.

Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) é a primeira mulher à frente da Procuradoria da Mulher do Senado, que lançou este ano o Mais Mulher na Política, em parceria com a Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados. 

PROJETOS SOCIAIS

Ana Carolina Rocha é a criadora da campanha Vaidoa, que divulga e incentiva a doação de sangue.

Casa de Lua é um espaço físico criado por 28 mulheres em São Paulo para receber debates sobre o universo feminino e workshops profissionalizantes.

Gal Martins leva às periferias do sul paulistano oficinas e apresentações de arte contemporânea, com ajuda da companhia de dança Sansacroma.

Giovanna Nader e Raquel Vitti Lino, dupla criadora do Projeto Gaveta, que, na contramão do consumismo, estimula a troca de roupas usadas entre pessoas em evento (as peças que não passam pela seleção delas são doadas para a ONG Filhos de Paraisópolis).

Juliana Bussab e Susan Yamamoto, criadoras da organização Adote um Gatinho, uma das pioneiras do Brasil em resgatar gatos abandonados, que continuou a se destacar em 2013 com um dos maiores bazares da história do grupo.

Juliana Russo e Natália Garcia são criadoras do Cidade para Pessoas, que espalha boas ideias de urbanismo de cidades de todo o mundo, visitadas através do financiamento coletivo.

Renata Quintella criou o projeto Nova Jornada, cujo objetivo é espalhar boas ações pelo Brasil, mesmo que por meio de pequenos gestos, como dar um abraço ou ajudar a carregar sacolas de mercado para alguém.

Simone Mozzilli, publicitária e empresária, voluntária do Hospital A.C.Camargo, fundou o Beaba em 2013 e foi eleita uma das 50 profissionais mais inovadoras do mercado digital pela ProXXima. O Beaba é uma entidade sem fins lucrativos para educação, suporte e apoio à criança com câncer.

TECNOLOGIA E INTERNET

Alessandra Nahra Leal é especialista em programação e sócia fundadora da Saiba+, consultoria de usabilidade e arquitetura de informação, que atende a grandes empresas brasileiras e foi destaque em TI em 2013.

Ana Haddad e Camila Haddad são fundadoras do Cinese, plataforma para divulgação e troca de conhecimentos e divulgação de eventos.

Ana Luiza Gomes e Mayra Fonseca são fundadoras do projeto O Brasil com S, projeto que divulga e valoriza a pluralidade da identidade brasileira.

Ariane Queiroz e Jessica Grecco administram a página do Facebook Indiretas do Bem, que já tem 1,2 milhões de curtidas e além de reconhecer boas ações, se engaja em lutas que estão em ampla divulgação na mídia.

Beatriz, Daniela e Débora Andreucci, da InspirationPage, que este ano lançaram novos projetos e um site novo, que promove e divulga boas ações de todo o mundo.

Bia Granja é a criadora do YouPix, site que virou referência no mundo geek e tem um festival próprio, o youPIX Festival, que cresce cada vez mais. 

Carol Moré criou o blog Follow the Colours, que fala diariamente de ideias, ações inspiradoras, artes e design, ao qual se dedicou em tempo integral este ano. Também foi considerada uma das mulheres mais interessantes para se seguir no Twitter. 

Daniela Silva é fundadora da rodAda hacker, um site que volta oficinas de programação às mulheres, normalmente excluídas num meio majoritariamente masculino.

Janara Lopes é a criadora do IdeaFixa, site de curadoria de arte, referência no meio criativo. O site acabou virando livro, Ideafixa’s: greatest hits (Arte e Letra). Com autoria de Janara e Alicia Ayala, a publicação reúne 11 edições da revista digital do site, com 86 artistas de todo o mundo.

Jaqueline Barbosa é diretora de conteúdo do Hypeness, que seleciona criações de todo o mundo, sempre direcionada a boas iniciativas que podem ser reproduzidas sem barreiras linguísticas ou culturais.

Márcia Olivia Granja é criadora do projeto Sonhos num Pontinho, que fez seu primeiro aniversário este ano.

INTERNACIONAL

Alice Munro, escritora canadense, venceu o Nobel de Literatura de 2013.

Amanda Palmer, cantora norte-americana, escreveu textos com viés feministas que viralizaram.

Amy Poehler, estadunidense, criadora do projeto “Smart Girls at the Party” que baseia na autodescoberta de jovens mulheres. Ao lado de Tina Fey, apresentou o Globo de Ouro – a dupla foi elogiadíssima. Além disso, no seu trabalho como atriz, foi indicada ao Emmy em 2013, por seu papel em Parks and Recreation.

Chelsea Manning, soldado transexual americana, condenada por vazar documentos ao Wikileaks. Poucos veículos noticiaram sua transição de gênero e sua preferência pelos pronomes e nome feminino.

Debbie Sterling, criadora do Goldie Blox, empresa norte-americana de brinquedos para montar com massiva campanha voltada às meninas. A proposta é incentivá-las a brincar com outras coisas além de bonecas.

Debora Spar, cientista política norte-americana, autora do livro Wonder Women, um dos destaques de 2013, com grande repercussão no meio feminista internacional.

Eileen Pollack, escritora e professora da Universidade de Michigan (EUA). Foi a segunda mulher a se formar em física pela Yale e, em 2013, está preparando um estudo interessante sobre mulheres nas ciências exatas, que vai lançar em forma de livro.

Ellen DeGeneres é uma importante apresentadora estadunidense de talk show voltado a mulheres. Um dos seus monólogos mais famosos de 2013, “Bic for Her”, foi visto quase 3 milhões de vezes em um só canal do YouTube, e satiriza a criação de objetos do dia-a-dia ditos “adaptados às mulheres”. É também uma importante figura da luta LGBT nos Estados Unidos.

Greta Gerwig é atriz e co-roteirista do ótimo filme Frances Ha, eleito por todas as listas de cinéfilos como um dos melhores do ano.

Jennifer Lawrence, ganhadora do Oscar 2013, questiona os padrões impostos às atrizes hollywoodianas e o reflexo deles na sociedade, se tornando referência também fora das telonas.

Kerry Washington, atriz norte-americana, foi a primeira mulher negra indicada ao Emmy desde Cicely Tyson, em 1995. 

Laverne Cox, atriz negra e transexual que rouba a cena no seriado Orange is The New Black, lançado em 2013. Seu personagem foi fundamental para mostrar que existem atrizes transexuais excelentes, e que não é preciso contratar mulheres cisgêneras para representar mulheres trans.

Lena Dunham, escritora e criadora da série “Girls”, estrelada por quatro atrizes e ganhador de dois globos de ouro em 2013, que também foi renovada este ano.

Lila Azam Zanganeh, escritora franco-iraniana, que teve destaque na Flip 2013 com seu livro O Encantador – Nabokov e a Felicidade.

Lorde, neozelandesa, é cantora teen feminista de apenas dezessete anos. Seu primeiro álbum conseguiu quatro indicações ao Grammy 2014.

Lupita Nyong’o, atriz nigeriana, faz o papel de uma escrava em 12 Years to Slave, filme que tem 7 indicações ao Globo. Ela está cotada para concorrer ao Oscar.

Mindy Kaling, primeira atriz com ascendência indiana a protagonizar um seriado norte-americano, The Mindy Project.

Miranda July é escritora, cineasta e artista performática, autora de O Escolhido foi Você e de projetos de sucesso em 2013, como We Think Alone.

Roxane Gay, blogueira e escritora norte-americana, é uma das vozes mais influentes do feminismo, com destaque em 2013.

Sheryl Sandberg, empresária norte-americana, conhecida pelo seu trabalho como chefe operacional do Facebook há quatro anos. Em 2013, lançou seu livro, Faça Acontecer, que retrata as questões de gênero no mundo do trabalho, mais especificamente à frente de grandes empresas.

Tina Fey, atriz, escritora e musa inspiradora, foi um dos destaques do Emmy deste ano por 30 Rock (indicada como atriz e vencedora como roteirista, pelo episódio Last Lauch, ao lado de Tracey Wigfield).

Wendy Davis, senadora norte-americana, ficou de pé e discursando por 11 horas, sem comer, beber água ou ir ao banheiro, para impedir o endurecimento da lei anti-aborto estadunidense.

ESPECIAL

Gabriela Leite dá nome a um Projeto de Lei que visa melhorar a vida das prostitutas, sua luta durante toda a vida. Faleceu em outubro de 2013.


Um obrigada especial às colaboradoras que tiveram participação massiva na formatação da lista: Fabi Secches*, Francielle Sads, Isabela Mena e Jeanne Callegari*. Muitas outras leitoras e leitores do Talk Olga também enviaram seus votos e sugestões.

* Fabi e Jeanne aparecem na lista, mas, obviamente, não puderam votar em si mesmas. Elas foram indicadas por outras pessoas.   

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Sobre Think Olga

A OLGA é um projeto feminista criado em abril de 2013 cuja missão é empoderar mulheres por meio da informação.

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25 comments on “As mulheres inspiradoras de 2013

  1. Nina Vieira, Livreira
    19 de dezembro de 2013 at 21:46

    São divas essas moças: Juliana Cunha, Juliana Frank, Aline Valek, Alexandra Moraes e as Fernandonas Torres e Montenegro. Essas eu aplaudo de pé e me servem de exemplo. Servem de exemplo, aliás, para toda uma geração. Pensando melhor: são atemporais.

  2. Dani Miranda
    19 de dezembro de 2013 at 22:13

    Incrível a lista! Parabéns a todas! Acrescentaria aí a jornalista Silvana Andrade, fundadora da maior agência de notícias de direitos animais do mundo, a ANDA. http://www.anda.jor.br

  3. edgarsabinno
    19 de dezembro de 2013 at 23:31

    Uma sugestão de categoria poderia ser ciência…
    😀

  4. Carol Monterisi
    19 de dezembro de 2013 at 23:34

    Republicou isso em Só mais uma coisa…e comentado:
    Ótima lista!

  5. Luciana Misura
    20 de dezembro de 2013 at 04:07

    Adorei a lista, mas faltou Malala, adolescente paquistanesa indicada ao Nobel da Paz.

  6. Ana Paula Baptistella Faracini
    20 de dezembro de 2013 at 12:15

    Matéria legal, valeu pela iniciativa de mostrar que as mulheres são tão influentes quanto os homens, e que fazem trabalhos incríveis, mas em internacional faltou alguém muito importante: a ativista paquistanesa, de 16 anos, Malala Yousafzai, que defende o direito a educação para todas as mulheres. Abraço!

  7. Tatiane Ramos da Luz (@TatiLuz)
    20 de dezembro de 2013 at 21:51

    E as meninas do esporte, não tem nenhuma…

  8. stevescarolina
    20 de dezembro de 2013 at 22:34

    Republicou isso em Por Onde Esteves?.

  9. Åsa Dahlström Heuser (@ateiahumanista)
    21 de dezembro de 2013 at 00:03

    Eu não tenho palavras para exprimir o quanto fiquei emocionada e o quanto me senti honrada com essa referência, ao ser incluída na lista de ‘mulheres inspiradoras.
    Muito obrigada!

  10. Sybylla
    21 de dezembro de 2013 at 17:05

    Fiquei tão feliz de estar nesta lista com tantas mulheres incríveis!

    Obrigada! 😀

    E 2014 está aí, VAMU DOMINÁ TUUUDO!

  11. Marina Gurgel Prado
    21 de dezembro de 2013 at 20:18

    Uau, eu e a @Tatiana Pascowitch ficamnos muito honradas de fazer parte dessa lista! Muito obrigada <3 E que venha 2014!

  12. Elaine Müller
    22 de dezembro de 2013 at 05:01

    Eu acrescentaria os nomes de
    Melania Amorim, professora da UFCG, que implantou um projeto de humanização do atendimento ao parto no Isea, em Campina Grande, PB, que está estre as finalistas na seleção de vídeos Humaniza SUS; além de todo o trabalho de divulgação científica na área de Medicina Baseada em Evidências, do blog Estuda, Melania, Estuda e seu perfil no Facebook e dos artigos acadêmicos e orientações de trabalhos de graduação e pós na área de Medicina, tanto na UFCG quando no Imip.
    Tatianne Cavalcanti Frank, enfermeira obstetra, parteira urbana, que atende partos domiciliares em Recife, PE, é coordenadora do Projeto Parteria Urbana, que está em sua segunda edição, único no país a formar profissionais para atuarem no atendimento ao parto domiciliar, e que leva esta possibilidade para mulheres de baixa renda parirem gratuitamente e com respeito. Além disto, Tatianne está vinculada a um grupo de pesquisa chamado Narrativas do Nascer, da UFPE, no qual tem contribuído muito com a divulgação científica de informações sobre o cenário obstétrico brasileiro.
    Ligia Moreiras Sena, a Cientista que virou mãe, que tem um blog com este nome e se apresenta como: Bióloga, mestre em psicobiologia, doutora e com pós-doutorado em farmacologia, área que deixei após se tornar mãe e que a estimulou a mudar de área, de foco e de vida, levando-a a um novo doutorado, agora em Saúde Coletiva. É pesquisadora da assistência ao parto no Brasil, da violência obstétrica e da medicalização da infância e do corpo feminino.

  13. Elaine Müller
    22 de dezembro de 2013 at 05:26

    Ah, e Fabiana Moraes, a jornalista que mostrou a cara do Secretário de Defesa Social de PE, com esta matéria (http://especiais.jconline.ne10.uol.com.br/casagrandeesenzala/wilson-damazio.php) – ele pediu demissão no mesmo dia, tamanha revolta popular.

  14. Ana Carolina Q.
    22 de dezembro de 2013 at 17:52

    Tem a Jeane Freitas que criou o “Estilo periférico”: https://www.facebook.com/EstiloPeriferico?fref=ts

  15. Gustavo Gitti
    23 de dezembro de 2013 at 14:00

    Excelente e mais que urgente.

    Minhas adições: Isabela Raposeiras, Tenzin Palmo, Ana Thomaz, Jeanne Pilli, Ana Cristina Duarte e as jogadoras da seleção de handball.

  16. Thais Linhares
    30 de dezembro de 2013 at 10:01

    O Maurício realmente deu bola fora, escrevi este texto sobre isso:
    http://thaislinhares.blogspot.com.br/2013/10/como-assim-nao-temos-mulheres.html

  17. Élida Aquino
    31 de dezembro de 2013 at 15:25

    Obrigada pelo carinho. Agradeço em nome de todo Coletivo Meninas Black Power.

  18. misael philipe
    19 de janeiro de 2014 at 04:50

    Cade a Raquel sherazade???

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