Não me chame de gostosa

olga marina

Marina Santa Helena é apresentadora da Mix TV e criadora do portal feminino Supremas. Já foi VJ da MTV e fez fotos para Trip e Playboy. Se você acha que a fama a protege do assédio pelo qual qualquer mulher passa nas ruas, saiba que é o contrário.  Aqui, ela conta em detalhes como desde os 10 anos, e em vários momentos do dia-a-dia, foi intimidada por homens e sofreu machismo por parte das mulheres. E como aprendeu a lidar com isso.

Em um cenário em que temos tão pouco debate, números ou informações sobre as violências que as mulheres recebem na rua, são denúncias como essa que nos ajudam a despertar a consciência. Leia abaixo o depoimento de Marina:


Assédio aos 10 anos

Eu me desenvolvi muito cedo, e tem homem que é cara de pau e olha mesmo, pode ter a idade que for. Aos oito anos, era a mais alta da classe e usava sutiã. Aos nove, fiquei menstruada e chorei horrores porque não estava preparada para aquilo. Com dez anos, já ia sozinha pra escola – eu morava em cidade pequena e tudo era meio perto – e aí sim foi que sofri minha primeira intimidação sexual de verdade.

Um dia eu estava voltando da escola, quando um cara de bicicleta apareceu do nada e passou a mão na minha bunda. E não foi só uma simples passadinha de mão, ele encheu a mão mesmo, sem nenhuma vergonha. Daí saiu em sua bicicleta como se nada tivesse acontecido. Eu fiquei parada uns minutos, sem saber o que fazer, sem saber se contava pra alguém, se chamava polícia. Poxa, há poucos minutos a minha maior preocupação era a boneca que ia levar no noutro dia pra escola ou o que seria servido no almoço lá em casa, daí apareceu esse cara…

Não chorei, nunca contei pra ninguém, nem deixei isso virar tema de terapia. Mas foi a primeira vez na vida que tive essa sensação horrível. Um gosto amargo na boca, o coração acelerado, uma vergonha, uma culpa por algo que eu nem conseguia entender ou explicar. Mal sabia que esse seria um sentimento recorrente a mim, e a todas as mulheres têm que lidar com situações de assédio nas ruas.

O dia-a-dia

Além dessa primeira história, que já foi bem marcante, aconteceram várias outras situações. Sempre tem um cara que acha que você tá lá, linda e cheirosa, vestida pra ele, e chega em você sem ter senso nenhum do ridículo, sem ter noção de que sim, essa é uma forma de violência, eu diria até de estupro.

Uma vez eu estava em um show e, também do nada, apareceu um sujeito completamente bêbado e veio certo pegar nos meus peitos. Claro que ele ganhou um belo de um tapa. Outra vez, quando tinha feito umas fotos de lingerie pra uma revista, o porteiro do prédio onde eu trabalhava decidiu que estava apaixonado por mim ou, sei lá, achou que eu tinha feito as fotos pensando nele, e começou a me dar presentes e pedir pra “me acompanhar até o ponto”. Sorte que não fiquei muito tempo nesse trabalho.

Fora as milhões de vezes que eu (e quase todas as mulheres) tenho que andar pelas ruas na defensiva, evitando olhar quando chamam, mesmo que seja pra pedir informações. Engraçado é que ontem mesmo aconteceu uma dessas. Eu estava andando de fones de ouvido – sempre, para evitar ouvir as bobagens que os homens falam – e aí veio um cara por trás de mim, pegou no meu ombro e eu, bobona, achei que ele queria perguntar algo pertinente. Desacelerei o passo, tirei o fone e ele disse “onde a princesa vai com tanta pressa?”. Ahh, mas fiquei tão brava, que caí na besteira de xingar o homem com todos os palavrões conhecidos, o que pareceu deixa-lo ainda mais instigado. Saí de perto do homem, quase correndo e fiquei olhando para trás o caminho inteiro, para ver se ele não tinha me seguido. Quase pego um taxi.

olga marina santa helena

Deixar de fazer coisas por medo

Sim e acho que muitas mulheres já deixaram. Por exemplo, se deixo o carro em casa e vou a pé, de ônibus ou de metrô para algum lugar, a roupa é outra. Visto uma calça jeans e um camisetão, jamais vou de saia. Se vejo um grupo de caras de um lado da rua, atravesso. Outra coisa que raramente faço é ir sozinha para um bar. Acho que a primeira vez que fiz isso foi há uns dois anos, quando estava viajando sozinha. Nessa noite, aconteceu outra história marcante. Chegaram alguns caras tentando me pagar drinks e neguei todos. Até que apareceu um outro, que só pode ter achado que eu estava lá a negócios, se é que você me entende. Ele foi tão insistente que achei melhor ir embora do bar. Mesmo assim, ele me seguiu até a esquina, falando bobagens e agarrou o meu braço quando tentei seguir por outro caminho. A rua estava vazia, não passava nenhum taxi e eu já estava entrando em desespero, quando apareceu um outro cara e eu ameacei gritar. Daí ele me largou e foi embora. Depois desse dia, apesar de não me privar de sair, penso três vezes antes de ir sozinha.

A culpa é nossa?

No início, eu sentia gosto amargo, uma vergonha, uma culpa. Era como se eu fosse a culpada por aquilo estar acontecendo, pelo simples fato de que meu corpo era o que “inspirava” os caras a cometerem esse tipo de violência – a velha e terrível mentalidade de que a culpa do estupro é do vestido, um pensamento horroroso que a sociedade tende a enfiar em nossas cabeças. Mas, ao longo do tempo, fui amadurecendo e vi que quem tem que ficar com vergonha não sou eu, mas um sujeito que faz isso, os pais que criam os filhos dentro dessa cultura, as mulheres que julgam o tamanho do seu vestido. Ninguém sai de casa com um vestido curto porque “tá pedindo pra ser estuprada”, ninguém faz fotos sensuais porque quer ser desejada e abordada a todo instante, ninguém anda nas ruas rezando para que o próximo mané da esquina a chame de gostosa e puxe um papinho. Hoje, o gosto amargo ainda volta e o coração ainda acelera nessas situações. Porém, não sinto mais culpa ou vergonha, só raiva.

Como é ser famosa e ler comentários sobre seu corpo

Essa ainda é uma questão que preciso trabalhar melhor. Sim, os comentários “positivos” desse naipe (“gostosa”, “delícia”) também incomodam. Esses dias recebi comentários no Instagram de um cara dizendo que queria me comer, que me pegava fácil e outras coisas do gênero (daí pra pior). Fiquei bastante incomodada, pensei por vários dias se deveria responder ou não. Mas, no final das contas, simplesmente apaguei os comentários e bloqueei o usuário. Pronto, a pessoa sumiu da minha vida. Pelo menos até o próximo imbecil aparecer para comentar tudo de novo. Não dá pra se acostumar com esse tipo de coisa, é algo que, assim como os comentários negativos, sempre estará lá pra te machucar naqueles dias em que você não está se sentindo tão bem assim.

olga jessica

O machismo das mulheres

Por incrível que pareça, as reações mais absurdas de quando fiz um ensaio para a Trip e uma foto para o calendário da Playboy foram de mulheres. Tem muitas que acham que esse tipo de trabalho denigre a imagem das mulheres como um todo, tem quem ache que você é só mais uma pessoa insegura, carente de atenção e tem outras que queriam mesmo é estar no seu lugar.

Passei muito tempo tentando justificar os comentários que recebi, mas é complicado. Acho que, quando você faz uma foto, aparece num filme ou num programa de TV, a imagem deixa de ser sua para virar domínio público. Não tem nada que você possa fazer em relação a isso, a não ser se libertar. As pessoas vão te julgar sempre, para o bem ou para o mal. Eu já fiz fotos vestida, de biquíni, de lingerie e nua, sinceramente não vejo muita diferença. O preconceito, os julgamentos, os estereótipos, moram na cabeça das pessoas. Eu fiz fotos ditas “sensuais” porque me sinto confortável com elas, me sinto segura vestindo apenas a minha própria pele e não preciso justificar meus motivos para cada hater que aparece. Claro que, se isso me afetar diretamente de alguma forma, vou precisar me defender, mas até agora tudo o que recebi foram comentários pela internet.

Coragem para debater o assédio

Não acho que o assédio sexual é debatido minimamente na nossa sociedade e é por isso que estou aqui no Olga. Sinto que é uma coisa muito velada porque a gente se acostumou. Ora, onde já se viu passar pela obra e não ser chamada de gostosa? Onde já se viu passar um caminhão do seu lado e não buzinar? A gente acha que isso é normal, mas não deveria ser. É um constrangimento sem tamanho. Outro dia passei de carro e vi uma amiga andando na rua, buzinei para ela e ela não olhou, claro que não olhou. Podia ser uma cara fazendo gestos obscenos, podia ser alguém que ia apontar uma arma e obrigá-la a entrar no carro.  É comum. Se você for homem e não estiver entendendo, achar que estou exagerando, pode perguntar para sua irmã, sua mãe, namorada ou amiga se ela já sofreu algum tipo de assédio e eu tenho 100% de certeza que ela vai dizer que sim.

Mas acho que o debate não é tão grande porque ainda rola aquela coisa da vergonha. Muitas ficam envergonhadas de admitir que, sim, resolveram sair lindas de casa, passaram perfume, maquiagem e colocaram sainha. E se sentem culpadas porque isso desperta o interesse de dúzias de caras que se acham no direito de assediá-las sexualmente. Não vão ser os homens que vão começar a debater uma coisa que os afeta tão pouco, ainda por cima quando muitos deles são os responsáveis pela perpetuação desse tipo de comportamento.

Como lutar contra a intimidação sexual

Depende muito do tipo de intimidação. Não dá pra fazer um escândalo toda vez que um cara assobiar e te chamar de gostosa. Isso vai acabar com o seu dia, vai te transformar numa pessoa amarga e raivosa. Agora, nos casos de intimidação mais direta – como quando um sujeito passa a mão numa mulher, ou a segue ou tenta agarrar – acho que tem que pôr a boca no mundo mesmo. Vale gritar, espernear, chamar o cara de tarado, pedir ajuda. É muito comum acontecer isso no metrô, na hora do rush, quando tudo está lotado e aquele cara te dá uma encoxada, assim, como quem não quer nada. Eu sou muito a favor de partir para a violência para cima do cara ou de gritar até deixá-lo constrangido, para ver se aprende uma lição e nunca mais faz aquilo.

Agora, fora desse tipo de situação, o que dá pra fazer é debater o assunto, conversar mais com os amigos (homens e mulheres), educar as crianças para que elas tenham consciência de que interferir no caminho de uma mulher de qualquer forma (palavras ou atos), com o intuito de se obter vantagens sexuais, é sim uma violência.  Acho que muita gente não tem isso muito claro. Por exemplo, será que um cara que assobia pra você sabe que ele tá te deixando com nojinho e não com tesão? É por isso que esse tipo de conversa é importante, temos que criar uma nova cultura.

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Sobre Think Olga

A OLGA é um projeto feminista criado em abril de 2013 cuja missão é empoderar mulheres por meio da informação.

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82 comments on “Não me chame de gostosa

  1. Mari
    22 de julho de 2013 at 13:09

    Eu realmente me pergunto se algum desses caras já conseguiu mulher desse jeito pra achar q essas abordagens péssimas funcionam, pq ñ pode ser q eles achem q a gente gosta, eu ñ me conformo. Toda vez q sou abordada, eu faço questão de fazer cara de nojo, pra deixar claro que isso não atrai, pelo contrário, causa repulsa. Tbm me dá nojo ser olhada como se eu fosse pedaço de carne, mas menos mal q pelo menos o cara ficou quieto (não q eu ñ fique constrangida de qq forma).

  2. Cris B.
    22 de julho de 2013 at 16:03

    É muito triste pensar que isso é o “normal” em nossa sociedade. Quando eu tinha uns 18 anos, estava no interior caminhando e veio um cara na minha direção e simplesmente apertou meus seios. Eu fiquei tão horrorizada e sai pela cidade procurando saber quem era o sujeito. Pois pra minha surpresa, as pessoas da minha própria família riram e disseram que era um homem que tinha problemas mentais… Aí, fiquei eu pensando: por que ele tem problemas mentais tenho que aceitar isso? Outro dia, estava chegando em casa umas 20h e passei por um cara, que percebi já estava me olhando com o canto dos olhos fazia tempo, e quando resolvi acelerar o passo e passar por ele, ele perguntou as horas. Eu disse rápido e aí ele falou “pára, que eu quero falar Há algum tempo vi um casal brigando na rua e a moça tentava sair e pedia pro cara deixar ela em paz. Ele puxava ela pelo braço, pulava como doido na frente dela… Eu só não desci do ônibus porque estava atrasada, mas me deu vontade de encher ele de bolsadas… Fora outras tantas coisas que acontecem e ouvimos todos os dias. Fora pseudo homens que dizem que isso não existe, que é tudo exagero. Todos devem ter nascido de chocadeira ou ter mães tão machistas quanto eles. Hoje em dia, qualquer “princesa”, “linda” ou “gostosa” que eu escuto, eu mando tomar naquele lugar ou mando pra pqp, bem alto. Não tenho mais paciência com isso.

  3. metamorfosedelirante
    22 de julho de 2013 at 17:28

    Republicou isso em Eu prefiro ser uma metamorfose ambulante que uma paranoica delirante,e comentado:
    sobre assédio

  4. Aryanne Costa
    22 de julho de 2013 at 19:10

    Tenho 17 anos, e ainda esse ano eu estava voltando da escola de manhã e um mendigo, todo sujo, e com uma sacola na mão, bateu a sacola na minha “periquita” e me chamou de gostosa, eu parei e comecei a fazer um barraco com ele, mas quando vi que ele estava ameaçando correr atrás de mim e da minha amiga, a gente apertou o passo, eu nunca mais vi esse cara, mas se eu ver de novo, eu xingo demais, por favor né, ele não tem esse direito!! Fiquei muito estressada o dia todo, isso é muito chato pra gente.

  5. cpelizzon
    22 de julho de 2013 at 19:52

    Pessoal,

    Apesar de falarem que mulher gosta de ser assediada na rua, todo homem sabe que mulher não gosta disso. Mexer com mulher na rua, seja agarrando, seja falando qualquer coisa, seja olhando de um jeito constrangedor, tem uma única razão: homem faz isso porque (acha que) pode. E também tem um único objetivo: “colocar as mulheres no lugar delas” por meio da agressão. Sou homem e peço desculpas por isso.

    Então eu respondo às mulheres acima e ao post: sabemos que dá nojo, sabemos que nenhuma mulher fica com tesão. O objetivo não é esse.

    Mas devo discordar de algo do post: as mulheres devem lutar para que isso mude, mas os homens devem ajudá-las nessa luta também. Senão, duvido que isso mude. Espero ter contribuido de alguma forma..

    • Cris B.
      22 de julho de 2013 at 22:01

      É isso mesmo Pelizzon. Acham que podem e que a mulher tem que ouvir isso, pois não é nada demais, como já vi muitos “homens” falando. Resultado de nossa cultura, infelizmente!

  6. taynacoelho
    22 de julho de 2013 at 19:56

    Republicou isso em Olhando por aíe comentado:
    Porque nós temos, sim, o direito de nos vestirmos como nos der na telha e nenhum homem tem o direito de abusar de nós por isso!

    • Thiago
      23 de julho de 2013 at 00:57

      vocês tem o direito de se vestir como quiser e nós temos o direito de pensar o que quiser!!

      • Cris B.
        23 de julho de 2013 at 14:14

        Pensar qualquer pessoa pensa como quiser e o que quiser. O que não dá o direito de agir como um ser irracional em suas atitudes. Essa que é a questão do texto.

      • Manoel
        24 de julho de 2013 at 15:00

        Pensa o que quiser.
        Mas fica de bico fechado, é uma favor a humanidade,

  7. Rosana
    22 de julho de 2013 at 20:10

    Maravilhoso esse “texto” tudo o que eu penso , eu odeio passar na rua e ser assediada isso é constrangedor demais.Desde novinha sempre tive corpão tb, e mestruei cedo como ela e isso eu odiei , sempre homens bem mas velhos q eu me assediavam na rua isso é tão ruim a gente se sente lá em baixo.Todos os homens deviam ter a consciência q isso n é legal.

  8. Amanda Pupin
    22 de julho de 2013 at 20:15

    A tendência é só piorar, essa é a realidade e não há nada que possa se fazer para mudá-la.

  9. Amanda Freitas
    22 de julho de 2013 at 20:16

    As pessoas tendem a confundir esse tipo de desabafo com “frescura” por parte das mulheres. Quantas vezes já li “até fazer elogios agora incomoda” por parte de muitas pessoas (se é que olhar para nós e ver ali um objeto, um pedaço de carne esperando para ser devorado é um elogio).
    Eu super entendo o desabafo. Desde nova também sofro com esse tipo de situação. É constrangedor andar na rua e ser enxergada como uma ‘coisa’. E se você é bonita, se cuida, se veste bem, ou gosta de sexo, de se expressar, de ser sensual, parece que está com uma placa na cara dizendo “entre, e se divirta”.

    • Cris B.
      22 de julho de 2013 at 22:03

      Nossa Amanda, como eu já ouvi gente falando que é frescura… meu Deussss!!! É uma coisa que não entra na minha cabeça!

  10. Vitor
    22 de julho de 2013 at 20:21

    Parabéns pelo seu texto. Deve ser muito esclarecedor para quem é babaca e faz isso. Se estou perto e vejo uma atitude dessa de um cara passar a mão em uma mulher, desço a porrado no cara. A Ironia é que esse mesmo machismo torna a profissão de modelo com tanto mercado… Se os padrões de beleza fossem mais “naturais”, a situação não mudaria para a beleza masculina ser tão admirada como a feminina? Ou talvez a agressividade natural dos homens não combine com esse tipo de situação? Talvez seja algo explicado pela genética ou ainda estamos um pouco longe de saber..

  11. claudia castelo branco
    22 de julho de 2013 at 20:29

    Problema sério. Uma vez parti pra violência e apanhei

  12. Leandro Inhesta Cerqueira
    22 de julho de 2013 at 20:41

    Talvez eu seja o único representante à comentar,porém;
    Não dá pra dizer também que são todos os homens que fazem isso, mas reconheço, somos um pouco símios quando lidamos com o sexo oposto, nosso quociente intelectual diminui quase sempre na mesma proporção da exposição da beleza feminina, MAS, não significa que tenhamos que externar de forma vulgar e constranger para manifestar nosso interesse, existem formas mais criativas.
    O problema é que existem exceções dos 2 lados, da mesma forma que existem os canastrões, existem as mulheres que se vulgarizam e se submetem à esse tipo de abordagem e pior, há as que contam vantagem disso e fazem uso disso para se promover sim.
    A sociedade porém, é quase sempre generalista em todos os aspectos, tendemos a padronizar nossas opiniões sobre determinados grupos usando como parâmetros justamente as exceções desses, daí dizemos que todo padre é pedófilo, que todo mendigo é drogado, que o cara gentil é gay, que o favelado é ladrão e por aí vamos com nossas hipocrisias.
    Minha namorada sofre com isso, ela não pode usar o que quiser, mesmo de mãos dadas comigo, triste…
    Mas entendam mulheres, não que esteja propondo a eterna guerra mundial dos sexos, pois não é machista afirmar que é desigual e quase chantagista a exposição de belas curvas, se as vestimentas não fizessem a menor diferença veríamos prostitutas com aquelas saias jeans abaixo do joelho.
    Em todo caso, gostei muito da matéria e dou razão, não vou saber nunca o que é sentir isso na pele até porque meu layout não é tão generoso, mas manifesto meu apoio em prol da “desgeneralização” de esteriótipos hiprocretizados pela sociedade, pois queria muito poder sair com minha namorada sem que ela seja comida com os olhos.

    Abraços

  13. Fern T.
    22 de julho de 2013 at 20:46

    É muito cultural. Vejo que no Brasil isso é muito acentuado. Existem países que o respeito é imenso, e quem faz este tipo de agressão é mal visto e repreendido, visto como um “bárbaro”. Nunca ninguém é repreendido por isso no Brasil. As pessoas (homens) crescem sem coerção nesse sentido. Precisamos de senso e de coerção. Não é punição ou conservadorismo. É aquele senso de sentir “mal”. Tudo tá beleza, nada aqui “pega nada” então falam e fazem mesmo… Quando alguém faz, todos ao redor não ligam, ou se ligam, não falam nada. Se, por exemplo, um homem agride verbalmente uma mulher na rua chamando-a de gostosa e/ou gritando outras asneiras e ato continuo homens ao redor olham para o agressor e perguntam ” Gostosa o que rapaz? Toma vergonha na cara… mais respeito..” então com essa educação, com uma cultura assim, as coisas mudam… porem isso não acontece…

  14. Vanessa
    22 de julho de 2013 at 20:54

    Eu gostei muito do seu texto. Como pra tudo o importante é ter educação, sem ela nada vai para frente. Temos que mudar a mentalidade das pessoas.

    Uma vez eu estava indo pra aula, isso já dentro da universidade, e eu estudo engenharia, logo muitos homens. Para entender o caminho: o prédio de aulas de engenharia também contém pedagogia , muitas mulheres, e ed.física e são desses cursos as primeiras salas, então todo mundo que passa por ali primeiro.
    Havia um grupo de meninos bem perto da porta, depois eu descobri que eram de eng. mecânica, que acharam que seria uma ideia brilhante ficar ali mexendo com as meninas que estavam passando. O pior é que sempre tinha umas que sorriam, levavam na graça, como se fosse bonito. Então eu passei, já sabendo dessa palhaçada, de cara fechada, pra tentar intimidar. Eles não mexeram comigo, mas depois ficaram falando de mim, como se eu fosse a errada da história, como se eu fosse obrigada a ser legal com um bando de babacas. No começo ignorei, mas depois tive que ameaçar um deles que ia reclamar na reitoria, nunca mais ficaram lá parados.

  15. Clayton
    22 de julho de 2013 at 21:07

    Outro dia parei o carro e buzinei para minha esposa. Ela não reconheceu o carro e saiu andando rápido, desesperada. A rua estava escura e ela achou que seria atacada. Precisei sair correndo atrás dela para explicar que estava tudo bem. Quando ela percebeu que não estava em perigo, me abraçou e quase desmaiou. Estava sem fôlego. Eu lamento que tantas mulheres sejam obrigadas a conviver com esse medo. Parabéns pelo artigo e por combater o machismo, tão presente em nossa cultura.

  16. Rodrigo
    22 de julho de 2013 at 23:18

    Texto forte.

    Rodrigo
    http://www,vindi.com.br

  17. Thaiane Abel
    23 de julho de 2013 at 00:51

    Confundem normal e comum, uma coisa que é comum não é normal, como no caso dessa situação. A coisa mais importante a ser trabalhada é a criação das crianças (meninos principalmente), dia desses minha mãe ficou incomodadíssima quando viu meu sobrinho de 5 anos ajudar minha irmã a arrumar as roupas dela e aí soltou a terrível frase “para de mexer com coisa de mulher, vai coçar o saco e mexer com umas gatinhas na rua”. Fiquei tão puta que tive vontade de partir pra cima da minha mãe mas me contive e tentei argumentar, pedi pelo amor de deus pra ela nunca mais falar uma coisa dessa pra uma criança, e nem perto de mim porque desde que descobri que eu nasci com o feminismo pulsando em minhas veias, não posso nunca mais suportar uma coisa dessas…

  18. Danielle
    23 de julho de 2013 at 00:52

    QUE MULHER BRASILEIRA NÃO SE IDENTIFICA COM SEU DEPOIMENTO? EU ME IDENTIFICO EM TODAS AS FASES DE SUA VIDA!! EM TODAS AS SITUAÇÕES DE CONVÍVIO SOCIAL. NO LAZER, NA RUA, NO TRABALHO…E COMO PROFESSORA…EU FORMO CIDADÃOS, COMO PROFESSORA DE SOCIOLOGIA E FEMINISTA TRAVO UMA LUTA CONSTANTE, MESMO COM TODA AULA DE GÊNERO NÃO CONSIGO FAZER COM QUE MEUS ALUNOS TIREM O FOCO DO MEU CORPO, E PRESTEM ATENÇÃO NA AULA REALMENTE, ME CUBRO DE TODAS AS FORMAS, MAS NADA…E AINDA TENHO QUE OUVIR COLEGAS ME RECRIMINANDO DIZENDO QUE MINHAS CALÇAS SÃO MUITO APERTADAS, E EU TENDO QUE RESPONDER,: ” NAO TENHO CULPA SE MEU CORPO É ASSIM, NAO EXISTE CALÇA FROUXA PRA MINHAS PERNAS, E EU NAO SOU CULPADA POR ISSO ,ELES NAO APRENDERAM A RESPEITAR UMA MULHER, E INFELIZMENTE EU TENHO QUE FAZER ESSE PAPEL MEIO TARDIO,..”OU OUÇO COLEGAS PASSAREM O DIA TODO ME ENCHENDO O SACO, JOGANDO INDIRETAS SOBRE O MEU CORPO PRA VER SE ROLAR ALGO…AFF…PIOR QUE COMO TRABALHO NUM SISTEMA DE ENSINO PUBLICO NO CAMPO, TENHO QUE MORAR COM PROFESSORES NUMA CASA ALUGADA PELO ESTADO DURANTE A SEMANA NUMA LOCALIDADE BUCÓLICA!! EU SEMPRE ESTOU PREOCUPADA NA CASA EM TENTAR CHAMAR O MENOS DE ATENÇÃO POSSÍVEL,, PASSAR DESPERCEBIDA PELOS PROFESSORES DA CASA E NAS COMUNIDADES ONDE LECIONO…QUASE NÃO CONSIGO SAIR DA CASA, POIS PARECE QUE VIRO ATRAÇÃO NUMA LOCALIDADE..ENTÃO, ENTRE SOFRER O CONSTRANGIMENTO DA CASA E DA COMUNIDADE, TENHO QUE ESCOLHER O ‘”MENOS PIOR” A CASA, QUE PELO MENOS POSSO ME ISOLAR NO QUARTO!!

  19. Nana (@nanaenbcn)
    23 de julho de 2013 at 08:54

    Me identifiquei tanto com o texto e é algo que morando 5 anos em Barcelona me dei conta que, por ser brasileira, terei esse “medo” ou me sentirei intimidada eternamente. Aqui ninguém mexe com você, as poucas vezes que aconteceu era latino americano. Nunca tinha pensando o quanto isso é cultural…

    Várias situações já me provaram esse medo presente no nosso sangue, tipo caminhar sozinha de saia e salto e passar por um grupo de moleques e não acontecer nada… absolutamente nada. Provavelmente um ou outro olhou mas ninguém sentiu a necessidade de se reafirmar perante os amigos fazendo algum comentário ou intimidando …

    • Cris B.
      23 de julho de 2013 at 14:17

      Nana, acho (infelizmente) que isso é sim uma questão cultural latino americana. Se não me engano, há alguns meses, uma moça holandesa foi abordada e assediada por um rapaz latino, coisa que no país dela é um absurdo, pois isso praticamente não existe. Foi um escândalo, ela foi até na TV falar sobre o assunto. Se fosse aqui, faltaria espaço na TV pra tanto depoimento.

  20. Carol
    23 de julho de 2013 at 13:43

    Lendo esse texto lembro-me imediatamente de uma conversa que tive no ensino médio e o rapaz disse que achava um A-B-S-U-R-D-O sair com a namorada dele e um cara mexer com ela. Vejam bem, ELE se sentia desrespeitado, não achava que o desrespeito era com ela. Se a mulher está sozinha, o dever dela é ouvir ofensas e achar bom.

  21. Fabio
    23 de julho de 2013 at 14:21

    Fazendo o papel de advogado do diabo: Ao posar para uma revista masculina você não está alimentando essa cultura machista?

    • Erica
      23 de julho de 2013 at 22:07

      Fabio, uma coisa é fazer um trabalho onde não se tem contato ALGUM com o leitor q compra e vai pro seu banheiro, isso é uma coisa.
      Outra coisa é mulheres normais como eu q ontem mesmo fiquei putíssima pq vieram mexer comigo na rua, eu estava há quase 5 minutos tentando atravessar uma avenida movimentada e na hora q fui atravessar escutei um “GOSTOSA! AI SIM,HEIN?!” – fiquei em choque e com vontade de matar o infeliz!

      Eu me privo de sair com um short, com uma saia, com uma calca mais apertada, com uma blusa q valoriza os seios e afins se não estou na companhia do meu namorado! É ridículo eu ser privada de usar roupas q comprei pq vai ter um retardado sedento por sexo q não vai conseguir sequer fingir q não estava olhando pra minha bunda! Sem contar os idiotas q não respeitam nem msm quando estou com um homem do meu lado!

      Resumindo: uma coisa é alguém comprar uma revista pra satisfazer um desejo sexual no seu banheiro, outra coisa é constranger e ‘agredir verbalmente uma mulher na rua!

      • Fabio
        24 de julho de 2013 at 14:57

        Perfeito Erica, concordo plenamente, só questionei pq acho que esse tipo de comportamento é incentivado por esse tipo de publicação que vende a mulher como objeto, e não entendo pq uma mulher que sente isso na pele e crítica a sociedade machista se presta a fazer um ensaio para uma revista que vai vendê-la para homens como esses que mexeram com vc na rua.

  22. Veronica
    23 de julho de 2013 at 14:53

    Isso é uma característica marcante na cultura brasileira mas não é exclusiva do nosso país. Morei 6 meses na Tunísia, o mais ‘liberal’ dos países árabes no norte da África, e lá a situação consegue ser pior. Mulheres que andam sem véu ou com roupas um pouco mais ajustadas são tratadas como pedaços de carne no açougue e quase todos os homens acreditam que tem esse direito.
    Uma mudança na cultura da sociedade leva muito tempo para acontecer mas isso não significa que seja impossível. No ótimo texto da Marina já temos exemplos de como mudar isso. As Marchas das Vadias estão acontecendo em todo o mundo. Temos que apoiar boas iniciativas como esta e promover o debate para conseguir melhorar essa situação!

  23. Rodrigo
    23 de julho de 2013 at 15:17

    É de se levar em conta o fato do latino, mas…não é o ponto chave da discussão.

    Rodrigo
    http://www.vindi.com.br

  24. Ana
    23 de julho de 2013 at 17:02

    A questão é: acredite, EXISTEM mulheres que gostam de ser chamadas de “gostosa”, “linda”, “princesa” isso é uma questão pessoal, de auto-estima, de reafirmação da beleza pra muitas. Pra algumas isso é uma ofensa, pra outras nem tanto, aceitem essa realidade. Nem todas mulheres se sentem ofendidas por esse tipo de situação, algumas inclusive se vestem se portam propositalmente de determinada forma pra atrair esse tipo de olhar, de comentário, isso é uma elevação do ego da mulher. Nem todo homem que comenta algo assim, embora possa ser trouxa, é um estuprador em potencial, pra que essa paranóia e esse exagero? Assim como existem as mulheres imbecis e superficiais, que se interessam pelo cara pelo dinheiro/carro – e congêneres – e não hesitam em desvalidar um homem por essas questões banais, há também o homem idiota e bruto, que gosta de passar a cantadinha do pedreiro, de passar a mão na guria. Dois lixos. Cretinisse independe de gênero, gente! O que tem de homem “arrasando” (na concepção deles) com muitas mulheres justamente usando desses artifícios ridículos, cantadas baratas, e afins, HÁ MULHERES QUE GOSTAM DISSO. Chame de “assédio”, chame do que quiser.
    Já cansei de sair com amigas que são cara de pau, chegam no cara na balada mesmo sabendo que é compromissado, passam cantadinha no garçom bonito, bebem um pouco e já chamam um e outro de gostoso, e tudo isso É LINDO e aceitável quando é a mulher que faz. Dizer que todo homem gosta disso pq ele é homem, é proporcionalmente o mesmo que dizer que toda mulher gosta de ser cantada e se veste de tal maneira pra receber essas cantadas. Simples.

    A Marina é linda, e deve enfrentar muitos perrengues como esse por ser linda, infelizmente é uma realidade que se efrenta por ser bonita e isso fica ainda mais “alarmante” por ela ter posado pra revistas, WOW isso era tão inesperado! Tadinha, não devia saber que fama atrái esse tipo de coisa, INDEPENDENTE DO TEU GÊNERO. Isso não quer dizer que o homem não enfrenta o mesmo assédio por parte das mulheres. Quantos neurônios é preciso queimar pra ver isso?
    As “Neymarzetes” (desculpe mencionar essa boçalidade) que quase invadiram o hotel onde o jogador estava no Rio e choraram em frente as câmeras da Globo por não poderem declarar o amor delas pra ele. Algumas ficaram embaixo do hotel com cartazes “lindo, gostoso, te amo, meu homem”, outras tentaram ir contra seguranças, agredindo, atirando objetos, isso é aceitável, e uma linda “paixão” pelo Neymar, tá tudo lindo. Gente, e se fosse o inverso? Os homens que fizesse o estardalhaço todo? Não, se um homem se aproxima da Marina e encosta no ombro dela e diz “pra onde ta indo, princesa?” ela chora de medo. Oh!
    “A mulher sofre por ser mulher” essa falácia é tão escrota que se eu arrotasse sairia um argumento melhor. Feminismo lixo, cada dia se confirma mais.

    • Olga
      23 de julho de 2013 at 17:07

      Ana,

      O contrário também é verdadeiro. Também existem homens que se incomodam com o assédio feminino. Ninguém disse que isso não existe. E a mulher não sofre por ser mulher. Ela sofre por ser maltratada, desrespeitada, humilhada por homens e também por outras mulheres, como você.

      Acho que isso pode ajudar ter mais clareza do assunto: http://ottawa.ihollaback.org/top-ten-myths-of-street-harassment/.

  25. Luis Fernando Oliveira
    23 de julho de 2013 at 17:03

    É realmente um absurdo este tipo de violência que uma mulher sofre diariamente. Entretanto, nem todo tipo de abordagem é uma violência. Se o homem chega em uma mulher no bar sabendo conversar, com respeito e educação, onde está a violência?

    Pedir para pagar drink é apenas uma forma de um homem que não sabe muito bem como começar uma conversa com uma mulher, é verdade. Mas daí a achar que isso seja violência é demais. Pode ser inconveniente para você? Claro! Nem é violência o porteiro lhe cortejando porque lhe viu numa revista masculina. Se fosse o dono do prédio, poderia? Você pode mexer com as fantasias de um homem e ele não pode sequer tentar conversar com você?

    • Marina Maria
      23 de julho de 2013 at 20:05

      Luís, pressupor que toda mulher que senta sozinha em um bar está querendo companhia já é uma violência. Se fosse só um carinha que tentasse, tudo bem, mas não é isso que acontece. Se uma mulher estiver sozinha em um bar, vários caras tentarão, porque, na cabeça deles, ela quer algum deles. :p

      Deve ser muito difícil um homem entender isso, porque são várias pequenas coisas, vários “inconvenientes”, vários comentários sem graça. É toda uma vida olhando de lado, sendo cuidadosa, pensando no próprio comportamento, tudo para evitar uma atitude errada do outro.

    • Sybylla
      24 de julho de 2013 at 19:43

      A questão não é acabar com a paquera. A questão é que uma mulher andando na rua, indo ao banco, ao médico, indo estudar, sei lá, não merece os tipos de comentários maldosos e muitas vezes agressivos que somos obrigadas a ouvir.

      Um cara se aproximar com educação, com respeito, para conversar numa boa é uma coisa. Outra é ele chegar gritando “que bundão gostoso!”. Qual dos dois é o agressivo, inconveniente?

  26. cristianoalveslima
    23 de julho de 2013 at 18:15

    Eu como homem me sinto envergonhado por tais atitudes do que se dizem “homens”.
    Infelizmente se não mudarmos a maneira como educamos nossos meninos, acabaremos perpetuando essa selvageria por muitos e muitos anos.

    Quantas vezes tiraram sarro a minha cara e até me chamaram de gay por não chamar uma garota de gostosa, não curto ficar fazendo essas brincadeiras de mau gosto, não fui educado dessa maneira, graças a Deus meu pai me ensinou que toda mulher merece respeito, pois se eu falto com respeito, outros faltaram com sua mulher.

    Mas também não é só não chamar um garota ou mulher de gostosa, mas também se omitir em meio a isso é mais uma agressão.

    Como a Marina disse e muitas outra dizem, não é o fato de estar usando uma sainha, ou outra roupa que faz uma mulher se sentir bem que dá o direito ao homem de tratar a mulher como um objeto e não como um ser humano.

    Dói muito saber que quando minha esposa não está perto de mim, trabalhando, ou mesmo tenho algum compromisso fora de casa ela possa está sofrendo essas agressões e que futuramente minhas filhas também passarão por isso.

    Acho que o que falta é uma boa educação para nossos meninos. É o que procuro ensinar ao meu sobrinho e que ensinarei aos meu filhos.

    Parabéns pela entrevista Olga, sensacional.

  27. Marcelo Ricciardi
    23 de julho de 2013 at 18:17

    Sinto muito, mas quem compra a Playboy está comprando a revista para ver mulher pelada. Sejam adultos ou adolescentes (esses, é quase certeza), olham ali para aquelas fotos com o intuito velado de se masturbar.
    Ainda que as reportagens, as entrevistas e todo o restante do conteúdo também sejam bem interessantes, só funcionam como um complemento: o que vende é a GOSTOSA que está na capa!
    Existe um caráter artístico nos ensaios? Sim, e é o que dá um certo glamour para a marca Playboy — em detrimento da Sexy, por exemplo. Porém, esse lado artístico só retrata garotas de rosto e corpo bonitos, como o da blogueira. Ali não tem gordinha, só tem o que os padrões convencionaram chamar de GOSTOSA! E, convenhamos, é uma minoria dos leitores que aprecia e realmente valoriza esse lado artístico.
    Não sei os motivos que a levaram a posar para a Playboy e isso diz respeito só a você. Pode ter sido uma mera fotinha ali perdida, em que nem seios, bunda ou vagina aparecem. No entanto, ao fazer parte disso, você está contribuindo para uma indústria que lucra com o corpo da mulher, tratando-o como uma pedaço de carne, justamente aquilo de que está reclamando aqui.

    P.S: quanto às atitudes masculinas que você critica, imagino que devam ser mesmo constrangedoras — e, pior ainda, ameaçadoras, dignas de condenação. O fato de você ter posado para a Playboy, o que me incomodou, realmente não dá o direito de nenhum abusado lhe chamar de gostosa sem o seu consentimento. Não está certo, não é justo, mas o fato de existir uma revista mundialmente conhecida e venerada por retratar a mulher como objeto é um reflexo do pensamento mesquinho da sociedade machista.

  28. cristianoalveslima
    23 de julho de 2013 at 18:20

    Eu como homem me sinto envergonhado por tais atitudes do que se dizem “homens”.
    Infelizmente se não mudarmos a maneira como educamos nossos meninos, acabaremos perpetuando essa selvageria por muitos e muitos anos.

    Quantas vezes tiraram sarro a minha cara e até me chamaram de gay por não chamar uma garota de gostosa, não curto ficar fazendo essas brincadeiras de mau gosto, não fui educado dessa maneira, graças a Deus meu pai me ensinou que toda mulher merece respeito, pois se eu falto com respeito, outros faltaram com sua mulher.

    Mas também não é só não chamar um garota ou mulher de gostosa, mas também se omitir em meio a isso é mais uma agressão.

    Como a Marina disse e muitas outra dizem, não é o fato de estar usando uma sainha, ou outra roupa que faz uma mulher se sentir bem que dá o direito ao homem de tratar a mulher como um objeto e não como um ser humano.

    Dói muito saber que quando minha esposa não está perto de mim, trabalhando, ou mesmo tenho algum compromisso fora de casa ela possa está sofrendo essas agressões e que futuramente minhas filhas também passarão por isso.

    Acho que o que falta é uma boa educação para nossos meninos. É o que procuro ensinar ao meu sobrinho e que ensinarei aos meu filhos.

    Parabéns pela entrevista Olga, sensacional.

  29. Bruno
    23 de julho de 2013 at 19:18

    Só uma coisa: A sociedade tá ficando chata demais. Não pode isso, não pode aquilo. Tá muita cagação de regra.

    Se acho bonita e gostosa eu mecho mesmo. Buzino.

    Quer mudar mais de 10 mil anos de história pq tá com nojinho…

    Se dê o respeito, que vão te respeitar.

    Vejo uma porrada de obra que tem engenheiras. E elas conseguem mais respeito que engenheiros. Por quê será? Não, elas não vão trabalhar de biquini.

    Isso tudo aqui é Recalque. Mulher quer sempre mais. Já conseguiram igualar os direitos, mas não querem rachar conta.

    Já perceberam o tanto de gay que tem no mundo hoje? Esses são os primeiros a desistirem de mulher. Pq tem que gostar muito mesmo. Mulher é um bicho muito chato. Amizade entre mulheres é tudo falsidade.

    Resolvam internamente entre si primeiro. Pois pra gente, sempre resolveu termos uma mulher ao lado, cerveja e futebol.

    • mayu
      24 de julho de 2013 at 17:49

      Saio de casa sem maquiagem e sem roupa apertada,não tenho paciência de ficar me arrumando,e recebo muitos comentários ridículos,de homens de todo tipo,não existe essa de pobre ou rico,ou se a mulher se da ou não ao respeito ,pq na rua ninguém me conhece e MSM assim acha q tem o direto de soltar aquela piadinha ou encoxar no ônibus ou metro.isso mesmo se estar arrumada.

      Isso vai da cabeçã da pessoa,pq mesmo que digam q isso não é certo,quem garante que ela vai respeitar?..isso é coisa de homem com cabeça de garoto,que não consegue se controlar.

      Se a pessoa acha que não podem reprimir “10 mil anos de história” então é melhor q volte a viver como a 10 mil anos atrás,vá viver sozinho ou na floresta e não na sociedade e as regras q temos hj ,porque HOJE NÃO É 10 mil anos atrás, HOJE o seu direito acaba quando começa o do outro,quando você vive em sociedade,você não pode ficar fazendo tudo que vem na sua cabeça,acho que quem pensa assim não gostaria de ser comido ou assediado por outro cara que te ache gostoso só pq ele quer não é? ué,não são “10 mil anos de historia” não é mesmo?

    • Sybylla
      24 de julho de 2013 at 19:40

      Mulher não tem que se dar o respeito porque ele é nosso por direito.

      Você é que não tem respeito por uma mulher ao chamá-la de gostosa e ficar buzinando. Te garanto que 99% das mulheres vão te achar um grosseirão mal educado.

    • Leticia Sampietro
      26 de julho de 2013 at 15:49

      por que VOCE nao se da ao respeito e vai cagar as SUAS regras em outro lugar? nos nao gostamos do que homens como voce fazem e VAMOS RECLAMAR MESMO.

  30. Mauro
    23 de julho de 2013 at 23:02

    Marina, você descreveu em um belo texto e o relato de uma mulher linda e que sofre por não ter a liberdade de exercer ser bela e escultural.
    Acho que você não deveria sofrer, não!
    Grandes divas que já se passaram pelo mundo da moda, da música, arte, além de lindas e talentosas como você, tenho certeza que antes de tudo passaram por isso e você neste início de carreira deseja mais, porque nasceu pra ser bela e talentosa e este é o caminho.
    Não estou aqui para tentar justificar ou ponderar o seu ponto de vista, mas é a minha pura e honesta opinião e não sofra, sem rancores!.
    Nasceu como uma grande maioria das mulheres gostariam de ser e portanto, é única, somos únicos e cada um com o dom que recebemos em nossas vidas.
    Vivemos em um país machista por natureza, o assédio que recebe principalmente dos homens, são ofensas gratuitas daqueles que jamais na vida teriam a coragem e o talento de no mínimo ser cavalheiro, daí a grosseira inusitada e a agressão machista e espontânea.
    Não liga não, viu! Deixa chamar de gostosa! Já pensou em mudar o título para “Me chamem de gostosa!
    Que alívio, hein! Já pensou que virada?
    Nada pejorativo não! Lembra aquela música do Jair Rodrigues, “Deixa que digam que pensem e que falem…”
    Viva a vida e relaxa!

  31. Yuri
    24 de julho de 2013 at 05:13

    Chamo de linda, maravilhosa, poesia.. sempre um adjetivo mais exagerado e jogado aos seus pés.
    Na rua, assovio ‘fiu-fiu’.. falo besteiras, teoricamente engraçadas, como ‘Caramba! Brutaliza com o meu coração!’.

    Ja reparei tambem, que as vezes, buzino, chamo ou assovio e as gurias, mesmo conhecidas, amigas, não olharam.. fiquei triste por elas.. pela situação.. senti o medo delas. Ate num caranaval, tomei um catiripapo duma amiga que demorou a me reconhecer, por nem querer olhar na minha cara, só por eu ser uma figura masculina.

    Voce esta certa, MAS EU ACHO que, mesmo sendo importante se discutir mais o assunto, afim de mudar a “macro-realidade” tosca, que acontece, tambem é importante, e mais urgente, penso eu, mudar, cada um, sua “micro-realidade”.

    Antes de mais nada, o que somos? Animais.
    O que queremos? Passar os genes adiante.

    Observemos os animais, sobre isso.
    Como eles lidam com isso? Porque a femea nao libera pra quem ela nao quer e, que eu saiba, nao rola estupro.

    Grupos. Matilhas. Bandos.
    As femeas se agrupam a machos dominantes, fortes, com bons genes, que as possam proteger de outros machos ‘psicos’ por ‘procriar’.

    Mas nós somos humanos, né? Somos evoluídos, vivemos em uma espécie matilha superior chamada sociedade, onde todo mundo é especial e cada um é cada um. Entao, se nao andamos sempre em grupo, como ‘deveríamos’, as mulheres que se sentem vulneráveis, devem procurar se ivulnerabilizar (uma solução a curto prazo, mudar a ‘micro-realidade’). Algumas espécies de animais tem femeas maiores ou mais fortes que os machos, muitas vezes, especies com tendencias solitárias, como nós, humanos.

    Quer se sentir segura, mesmo?
    Pratique uma arte marcial.
    Nao que seja a solução.. mas é um remédio bom, com excelentes efeitos colaterais.
    Recomendo, para mulheres, o Jiu-Jitsu, que é a luta pro fraco vencer o forte.
    Mas todas valem.

    Espero nao ter ofendido ninguem com minha opiniao.

    • bibianaht
      24 de julho de 2013 at 14:08

      mas esse texto é justamente sobre violência psicológica, não adianta dar porrada no cara depois, o estrago já foi feito.
      e se somos mesmo evoluidos na nossa sociedade, a lei do mais forte não deveria ser regra.

    • Leticia Sampietro
      26 de julho de 2013 at 15:45

      mais um cara falando besteira e comparando os seres humanos com o resto do reino animal…. RISOS
      ah, e so pra voce saber, existe estupro no reino animal sim. alias, existem todos os tipos de variacoes do ato sexual. tem uma especie de pato que tem o costume de varios machos fertilizarem a mesma femea ao mesmo tempo. e depois os machos entre si, inclusive. a femea pato nao deve gostar muito.

    • Bárbara
      31 de julho de 2013 at 19:20

      Ah, meu querido! Mas você falou muita merda agora.

      Se você é civilizado o suficiente pra não abaixar a calça e cagar no meio da rua quando a natureza chama, porque não pode ser civilizado o suficiente para não despejar merda pela boca quando é acometido por esse outro tipo de ~estímulo natural~?

      Vc fala de instinto, fala de violência sexual em outras espécies. Mas esquece que a diferença primordial e mais gritante que temos delas, o que faz da humanidade o que ela é hoje, é a consciência. Somos sereis morais e racionais. Quando outro ser humano te diz que uma atitude sua magoa, machuca, etc, e vc escolhe ignorar isso e continuar com um comportamento deliberadamente nocivo para esse seu semelhante… o que dizer de você como ser humano? Melhor te levar com a carrocinha, né? Porque esse é um comportamento que não condiz com a suposta evolução da espécie humana.

    • Bárbara
      31 de julho de 2013 at 19:27

      Ah, e sobre como fazer as mulheres se sentirem seguras: NÃO ASSEDIEM. NÃO ESTUPREM. ENSINEM SEUS FILHOS A RESPEITAREM AS MULHERES E NÃO REPETIREM O COMPORTAMENTO AGRESSIVO.

      Simples, né?

      São os homens que fazem as ruas um lugar inseguro para nós. São eles que nos intimidam e nos intimam com olhares, palavras, gestos e atos obscenos.

      Vocês não têm o direito de nos desrespeitarem simplesmente porque nascemos mulheres. Quando todo mundo entender isso, vai ser maravilhoso poder andar na rua.

  32. mozzart.cp@gmail.com
    24 de julho de 2013 at 15:09

    Sinto muito pelos teus traumas, mas…

    Tudo o que eu li foi “mimimimimi”. É hipocrisia dizer que quem é pobre é bonito, raras são as exceções. Uma pele, cabelo, corpo e outros atributos físicos tornam-se bonitos (atraentes ao sexo oposto – ou não) com o bom cuidado que se tem quando se tem dinheiro. Logo, você deve ter um condição de, no mínimo, classe média, pois é bonita. Não faz meu gosto pessoal, e além de tudo gosta de um choramingo vitimista, mas, mesmo assim, é claro que você é bonita. Tanto é inerente à pouca cultura e educação que o cara que passou a mão na tua bunda estava de bicicleta, e não com um bom carro. Esses ‘pedreiros’, geralmente, são filhos do pauperismo e da pouca cultura. Não se misture, então. Gente com maior educação não faz esse tipo de coisa.

    Novamente digo: raras são as exceções.

    Caso você tivesse dito que foi pela grana que posou nua, respeitaria mais do que respeito ao ver que você diz que se sente bem, confortável. E não é só porque você se sente confortável nua à frente de uma câmera que isso te isenta do fato de ser uma exibicionista. Aliás, isso é um fator que te faz ser exibicionista, que é logo um passinho de ser indecente.

    Então, não use de tua influência e ‘quase fama’ que tem para dizer às poucas cabeças que leem isto aqui que mulheres bonitas são vítimas e que vocês são cordeirinhos em meio a uma enorme alcateia. Vocês não estão contra a parede, estão em frente aos holofotes.

    Tudo depende da educação e cultura. Mulher não gosta de grosseria, mas ama uma cortesia. Aliás, todo mundo gosta. “Mulher isso” e “homem aquilo” já encheu o saco, assim como você me encheu.

    Apesar disso, sou solidário aos teus traumas. Sinto muito.

    • Bruna
      28 de julho de 2013 at 03:44

      Não acredito no que li. Então você acha que só homem POBRE mexe com mulher BONITA na rua? Só por definir um padrão de beleza e por relacionar intelectualidade com nível social, já dá pra perceber o tipo de pessoa preconceituosa que você é. Em primeiro lugar, não, não são só as “gostosas” padrão panicat e atriz da globo que são assediadas na rua: são as baixinhas, as gordinhas, as feinhas, desarrumadas, de calça, vestido, shorts, saia ou o caralho a 4. Em segundo lugar, como você pode dizer que a moça tá se vitimizando? Um cara passou a mão na bunda dela quando ela tinha DEZ ANOS, você sabe o que é passar por isso? Comigo aconteceu exatamente a mesma coisa, e sabe-se lá com quantas CRIANÇAS isso acontece. Se você acha que reclamar por isso é se vitimizar, deve achar bem normal a situação, quem sabe até praticar esse tipo de coisa. Em terceiro lugar, se ela posou nua ou não, ela tem o direito sobre o próprio corpo e faz o que quiser com ele: dá pra quem quiser, usa a roupa que quiser, posa nua se quiser e não importa se é por grana ou por gosto. Quem você acha que é pra julgar alguém de indecente, ou achar que, por ela ter posado nua, possui algum direito sobre o corpo dela? Sério, cara, vai estudar mais, ler mais, procurar entender quão ruim é passar por esse tipo de coisas, porque garanto que você não sabe o que é sofrer assédio, por ser homem; não sabe como é se sentir invadida ao receber um “gostosa” na rua, como isso fere a nossa intimidade, mesmo quando a agressão é verbal, quem dirá quando ela chega a ser física. Olha cara, todos os argumentos usados por ti têm um embasamento machista e moralista, me restando apenas sentir pena de você e esperar que se um dia você tiver uma filha ela não precise passar por situações que NÓS, MULHERES passamos hoje em dia, por culpa de pessoas que tem o pensamento igual ao seu.

  33. Mariana
    24 de julho de 2013 at 18:12

    Cara, realmente é muito contraditório voce posar nua em uma revista e reclamar do assédio. Eu nao tou aqui pra julgar mulheres que posam nuas, cada um com seus motivos, nao vou entrar nesse mérito… mas na minha opinião, a intimidade é uma das coisas mais valiosas que existem, e não é para ser dividida com qualquer um.. eu acho que quando voce tem respeito pelo seu corpo e se valoriza de verdade, voce nao exibe seu corpo numa revista pra todo mundo ver. Como muitos aqui ja falaram, se voce ta posando nua, voce ta alimentando esse mercado machista que trata a mulher como um objeto, e o que eu acho pior, voce ta praticamente vendendo o seu corpo. Anyway, cada um faz o que bem entende do seu corpo.

    • Sybylla
      24 de julho de 2013 at 19:38

      Quando um comentário contém “se valoriza de verdade”, já tem algo errado.

      Sabe por que mulher não tem que se dar ao respeito ou valor? PORQUE ELE É NOSSO POR DIREITO.

      Não interessa se uma pessoa posou nua numa revista ou se fotos da intimidade dela foram parar numa revista, não interessa se é famosa ou não, NÃO INTERESSA, isso não é motivo para que nossa privacidade, nosso corpo, nosso espaço, sejam invadidos por mal educados babacas que acham que isso é elogio, porque não é! Isso não é elogio, isso é sim um abuso, pois uma sociedade patriarcal dá ao homem o “direito” sobre nossos corpos. Por isso que chamar uma mulher de gostosa na rua não é um elogio.

      E não interessa, não importa, não tem nada a ver se ela posou nua ou não, se é famosa ou não, se é modelo, atriz, manequim, dona de casa, não interessa. Todas nós temos o nosso valor e precisamos de respeito, aquele respeito que todo SER HUMANO precisa.

    • Marisa
      24 de julho de 2013 at 21:57

      Que pensamento podre, ridículo, mesquinho e “cultura do estupro”.
      Por que? Porque isso é criação. Homem pensa essas coisas ridículas “posou nua agora tenho direito de comer, tava era querendo dar”.
      Engraçado porque quando o vampeta posou pelado não fiquei sabendo de mulheres assediando ele na rua. Nem o gianechinni, nem nenhum outro cara – podem sim ter sido abordados por mulheres, mas DUVIDO que como uma mulher seria.

      E aliás, se você acha que certo comportamento é adequado para homens e não para mulheres, moça você é machista.

    • Bianca
      31 de julho de 2013 at 21:08

      Falar que posar nua numa revista é igual a não poder reclamar do assédio é tolice. Abre portas a mais e mais exceções. Se para você, posar nua é dar razão, para outro mostrar os joelhos pode ser pretexto, para outro pode ser mostrar os ombros e por aí vai.
      Não é certo, incomoda e é invasivo e ponto final, sem desculpas nem exceções.

  34. Nathalia Sautchuk Patricio
    24 de julho de 2013 at 21:20

    Tem muito homem que realmente acha que mulher curte levar uma cantada quando está andando na rua ou a qualquer instante…

    Lá perto de casa nada de sair de bermuda (não é shortinho curto não, bermuda até o joelho) pra ir até a padaria que fica na outra esquina que já tá pedindo pra levar uma cantada. Nós mulheres temos que ficar nos policiando para “não dar motivos” para o assédio. Beira o ridículo. E não importa se é saia curta, bermuda, calça de moleton… Com qualquer roupa, a situação acontece. Isso mostra que não existe essa de “se dar o respeito” (como se usar saia fosse permissão para alguma coisa), levou cantada porque tava vestida de forma sexy.

    Acho uma falta de educação extrema, realmente dá nojo de um cara que faz isso como foi bem dito no post.

    Ai vem homem dizendo que mulher está reclamando de ser elogiada. Ser elogiada é uma coisa; o que está sendo exposto no texto é outra coisa, só não vê quem não quer.

    Tem exceções? Sim, lógico que tem mulheres que acham isso legal e que estão arrasando. Mas eu diria que é uma minoria que espera isso. E isso também é reflexo da nossa cultura machista que incute que mulher pra ser mulher tem que ser desejada pelo seu corpo. Não importa se têm estudo, profissão e seja a mais intelectual, se ela também não for “gostosa”, não será uma mulher desejável, “será solteirona”, “é mulher macho”, “não vai ser feliz”… Enfim, várias coisas que embutem na nossa cabeça para nos sentirmos inferiorizadas…

  35. Mariana Faria
    24 de julho de 2013 at 23:47

    Também sempre penso “cara, o que você acha que vai ganhar me chamando de gostosa na rua?”. Acho pesado, acho agressivo, e ofende. Até a virada de pescoço me ofende, não gosto. Mas o que geralmente faço é encarar o sujeito, um “Tá mexendo comigo?” com o olhar. E fico olhando. Os mais sensatos ficam sem-graça e saem andando. Os mais abusados insistem e repetem. Desses eu tenho medo, e nunca falei nada, só fico olhando mesmo. Mas um dia ainda pergunto o que acham que vão ganhar com o “elogio”.

  36. Luciana Santos
    25 de julho de 2013 at 00:15

    Sem dúvida é um tema muito pertinente para discussões e reflexões.
    Os livros da trilogia Millenium do sueco Stieg Larsson abordam bastante essas questões.

  37. Carol M
    25 de julho de 2013 at 12:27

    Republicou isso em fantasticomundodecarole comentado:
    Trata-se de uma questão séria que pode ser abordada desde vários âmbitos: sociológico, familiar, educacional, psiquiátrico e, por que não, patológico. O que vemos em comum em todas as situações citadas no texto é que o assediador se desvencilha de quaisquer constrangimentos ou mesmo culpa, tal é a sociedade que corrobora sua falta de empatia. O que posso afirmar com toda a segurança é que um homem que se sente másculo ao tomar uma atitude assim desconhece o significado do termo HOMBRIDADE.

  38. adoroetc
    25 de julho de 2013 at 13:58

    Republicou isso em adoroetc.

  39. Marcelo
    27 de julho de 2013 at 22:55

    Comigo já aconteceu várias vezes, dá mulher ficar ofendida com um olhar, é complicado, eu entendo ela e sei que é minha culpa, de alguma forma, mas de coração não faço de maldade, é carência e vc vê uma pessoa do sexo oposto na sua frente atraente, vc esta absurdamente carente, é algo automático, é subconsciente, qdo vc vê já olhou. Não consigo saber a maneira que eu olho, pq não consigo me ver de fora, olhando para pessoa pra saber, mas deve ser de maneira desrespeitosa acredito eu. Depois que acontece fico triste comigo msm, mas é complicado. Qdo acontece ao contrário e elas ficam olhando, não fico ofendido, fico lisonjeado.

  40. Giovana
    29 de julho de 2013 at 03:21

    Ótimo texto, suas palavras expressam a verdade pura! ;D

  41. Nadja Sofia
    31 de julho de 2013 at 19:18

    Me sinto tao identificada com o texto! É lindo saber que nao estou sozinha!!!
    Comigo co assedio começou aos 8 anos…

    Acho que o mais difícil atualmente é que moro em um país onde a maioria das mulheres gosta de receber assédio na rua ; chamam de piropos. E perguntei pra muitas mulheres mesmo, elas acham que é bonito e legal.

  42. Laís
    31 de julho de 2013 at 22:56

    Já sofri assédio quando pequena… Também nunca contei a ninguém. Na época eu tinha medo de que, caso eu contasse, não acreditassem em mim. Hoje, já com 19 anos, não conto pois não quero que a minha irmã (ela estava presente no local, estava distraída e não viu o que o desgraçado fez) fique triste, pense que não sabia cuidar de mim… Eu acho que eu tinha uns 12 anos se não for menos.
    Hoje repúdio qualquer assovio e gracinha. Comecei a ir à academia têm algumas semanas e lá sofro com mais asneiras… Que raiva!

  43. Thaesa
    1 de agosto de 2013 at 18:15

    O assédio que tu constate no texto, ainda menina, logo após a menstruação e por um cara de bicicleta. Aconteceu igual. Eu xinguei tanto, tanto aquele sujeito e fui o caminho inteiro pra casa com uma pedra na mão. Eu não sabia se queria que ele não aparecesse ou que ele aparecesse pra eu tentar machuca-lo. Ele não podia fazer aquilo.
    Cresci com esse instinto natural de proteção… um dia, indo de volta do trabalho pra casa um cara me seguiu. Me chamou de gostosa, fez barulhos nojentos e me seguiu. Quando entrei no onibus ele ficou possesso, pois, tinha conseguido escapar. Eu tava de calça jeans, camisetão do uniforme e tênis. Essa história de que a culpa da roupa é balela.
    Uma vez eu vi uma analogia e achei interessante. Se tu ver alguém contando dinheiro na tua frente é certo ir lá e rouba-lo? Se não é certo, fazer isso com coisas materiais é certo fazer isso com o corpo, com a mente, com a vida de alguém? Eu posso estar sem roupa se quiser. O corpo continua sendo meu.
    A culpa do assedio é só do assediador. Mas, é triste viver com medo.

  44. Aline
    3 de agosto de 2013 at 05:04

    Ola, adorei o texto realmente precisamos mudar. Queria dizer que moro na Australia ha 4 anos e por aqui as meninas usam o que quiser … Os homens nao secam e começam a chamar a garota ou nada do tipo alguns de outras culturas olham muito mas nao fazem Nada . Eu vejo isso e penso comigo … Queria que o Brasil pudesse crescer dessa forma . Mulher aqui tem voz .. Se o cara faz qualquer coisa ..a. Mulher chama a policia e em dois minutos ele esta com problemas serio. Só quero registrar que é possivel mudar .. Mas precisamos de muito trabalho… Bjo

  45. Michele
    5 de agosto de 2013 at 20:39

    Uma noite pedi comida em casa, o pedido atrasou e meu marido atendeu o entregador de samba-canção e sem camisa, imediatamente imaginei que o oposto geraria, no mínimo, muuita confusão. Desde criança sempre fiquei impressionada como os homens gozam de uma liberdade ilimitada, tão natural, que nem eles se dão conta. A falta de dissociação entre mulher e objeto sexual, por parte de muitos , é uma coisa tão enraizada, tão cultural, tão passada de geração pra geração que chega a dar nó na cabeça de uns rapazes que comentaram aqui. E fica ainda perceptível uma mescla de frustração e raiva, em alguns comentários, somente pelo fato de uma moça…resumindo, dizer que o corpo dela é dela e somente dela.

  46. Marina
    14 de agosto de 2013 at 14:03

    Esse cara de bicicleta é onipresente, e eu nem tinha menstruado. =/

    • Leka
      23 de agosto de 2013 at 17:26

      Eu tinha 12 anos quando isso aconteceu e ainda sinto vergonha e raiva…

      Alguns garotos passaram de bicicleta e um deles apertou minha bunda e me chamou de gostosa, enquanto os outros riam. Qual é, eu só tinha 12 anos!!

      Aquilo para mim foi horrível, eu tinha acabado de me mudar para o interior, até então NUNCA tinha ido sozinha para escola porque morava em SP, e meus pais não deixavam.

      O engraçado disso é que só mudei para o interior devido a violência.
      Chorei muito, mas nunca contei aos meus pais o motivo, só dizia que queria voltar pra SP.

      Pois é, fico pensando que muitas de nós que passam por isso durante a tenra idade nunca esquecem.

      Depois é claro que aconteceram inúmeras vezes, moro extremamente perto da academia que frequento, cerca de um quarteirão, todavia vou de carro porque me sinto extremamente constrangida com os comentários nojentos.

  47. Vanessa*
    19 de agosto de 2013 at 07:42

    Será que os homens não percebem que isso é repugnante? NENHUMA mulher gosta de ser tratada feito um objeto,um pedaço de carne.
    Já fui seguida por um cara e ao contar o ocorrido aos meus pais,irmão e namorado todos disseram que a culpa era minha pq estava usando short.. Até hj essa reação das pessoas que deveriam me apoiar e me defender me dói muito,me enoja e me lembra o quão machista a nossa sociedade é.

  48. Dani Brandão
    27 de agosto de 2013 at 13:30

    hoje, conheci o blog “think olga” e li esse depoimento que mexeu comigo. mexeu porque me identifiquei com várias situações e com os sentimentos de vergonha, culpa e impotência que acabam tomando conta da gente.

    assobiar, cantar e, até, alguns tipos de olhares não são elogios, mas formas de violência contra a mulher que a nossa sociedade machista nos ensina a ver como naturais, mas que nos constrangem, inibem e ferem muito mais do que se imagina.

    parabéns pela coragem de falar e se fazer pensar sobre o assédio sexual.

  49. Jess (@jessqueto)
    5 de setembro de 2013 at 15:12

    Me identifiquei demais com as situações descritas e achei que era a única que mudava de calçada ao passar em uma obra. Me pergunto se esses homens acreditam realmente que a maioria das mulheres apreciam esse tipo de comportamento.

  50. Kéllen Valeska
    5 de setembro de 2013 at 16:29

    Estou passando aqui pela primeira vez e pretendo voltar. Este é o primeiro texto no qual vejo uma mulher falar tão abertamente sobre um assunto de grande importância para nós mulheres. Vejo muito os programas da Mix Tv ,sendo assim já tinha visto a Marina Santa Helena por lá ,ela é uma excelente profissional no que faz,ótima apresentadora e depois desse texto a admiro mais ainda,principalmente pela coragem. E ela que como nós tem lutado por um mundo sem essas babaquices,não sei de onde os homens tiraram a ideia de que assedio sexual -independente de qual- vai fazer a mulher se apaixonar por ele , querer lhe dar seu corpo ou o que for! Aff… Homens sejam mais inteligêntes,sinto falta do bom e velho cavalheirismo, que usava o elogio,o bom homor, um bom papo como forma de chamar nossa atenção e não essas palavras torpes,sem noção e sem o minímo de respeito. Belo texto!

  51. Fernanda Maciel Maia
    5 de setembro de 2013 at 21:02

    Eu já tive crises de choro por causa de episódios como esses que você citou. É absolutamente constrangedor, faz você se sentir diminuída a uma mero objeto sem valor, nada mais importa, suas crenças, sua cultura, seus valores, seu conhecimento, parece que somos só uma coisa e eu não consigo me conformar com essa situação! Parabéns pelo texto!

  52. wicca_ju@hotmail.com
    5 de setembro de 2013 at 21:21

    gostei muito do texto, parei para pensar e cheguei a conclusão que amo andar com as pernas de fora, mas não faço isso porque alguém vira me assediar… é horrível deixar de usar algo pq sabe que alguém vai te desrespeitar….

  53. Rayssa Guimarães
    5 de setembro de 2013 at 22:45

    Me identifiquei bastante com o depoimento pois o assédio começou cedo,quando era de um menino que eu estava paquerando,confesso que não me importava,mas em várias situações já mudei meu percurso habitual por ter um número certo número de homens.O episódio que me lembro e que me deixou com “o gosto amargo na boca,o coração acelerado e uma vergonha” foi quando eu tinha 14 anos de idade e estava indo pra escola sem a farda,estava normal de blusa,bermuda jeans,chinelo e mochila,nada chamativo, quando fui para a avenida pegar o ônibus um mototaxista me pára e pergunta uma coisa,como não escutei direito pedi para ele repetir,ele abriu a boca e disse “Moça,vc quer ir foder comigo?”.Soltei um som de raiva e saí,fui o caminho todo para a escola chorando,com essa mesma sensação de que algo foi tirado de mim.

  54. Vane
    12 de setembro de 2013 at 01:17

    Vivo passando por isso. Aqui perto da minha casa tem um bar, faço de tudo, tudo mesmo para não ter que passar por lá, sinto nojo e receio. Os caras param, chamam a gente, às vezes, sabem até o nome, e eu não gosto disso. Algumas vezes, eram crianças, tipo, uns 9 anos, e eu tenho 17. Que tipo de influência é essa? Que país é esse? Concordo com o assunto ser pouco discutido, essa semana mesmo fiz um seminário sobre assédio moral e sexual, ninguém parecia ligar, e pior, não há leis para algo tão sério, e é uma violência, e ninguém parece ligar. Adorei a matéria :))

  55. Clicia Jatahy
    28 de novembro de 2013 at 22:15

    Sabe o que é mais surpreendente? Isso não é típico da cultura brasileira. Vi uma reportagem em Paris que os caras ficam assediando as mulheres nas ruas. ficam se esfregando no metrô… e os homens foram entrevistados mas não viam esse lado de que a mulher ia se sentir mal nem nada. Eles só pensavam que tinham que tentar conseguir uma garota ou então no caso do asquerosos do metro, eles simplesmente pensavam no prazer que tinham no roçar. Que raiva! Odeio os caras de bicicleta, odeio os operários, os mecânicos. os porteiros (n]ao todos, mas os que ficam dizendo frases asquerosas)…e todos aqueles que acham que podem sair falando coisas indecentes para toda mulher que passa na rua ou emitindo sons que só de pensar tenho vontade partir pra cima!

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