As ruas são nossas

olga vem pra rua

As mulheres devem reivindicar as ruas. Os assédios, os abusos e as intimidações sexuais – comportamentos tão comuns no Brasil – tiraram de nós a liberdade de ir e vir. Não nos sentimos bem em locais públicos. É uma situação  que não só nos traz problemas ao nos deslocarmos de um local para o outro, mas principalmente porque nos impede de aproveitar o que esses espaços oferecem de melhor: áreas de lazer, de convivência e de descobertas.

Mas os últimos dias nos lembraram que, na verdade, as ruas hoje não pertencem mais a ninguém. As calçadas mal arquitetadas e destruídas; a violência que nos prende em casa à noite; o trânsito insustentável, a luta diária do transporte público e a impossibilidade de andar de bicicleta; e, agora, a repressão às manifestações que exigem o bem estar da população são outros fatores que nos prendem em casa. Só que esses se aplicam a todos nós, homens e mulheres. Entendi que a conquista das ruas é um objetivo em comum – todo mundo deve lutar para retomá-las, sem agenda nenhuma a não ser nosso bem estar. 

Foto da passeata de Berlim em apoio aos protestos no Brasil
Foto da passeata de Berlim em apoio aos protestos no Brasil

A violência policial, que oprimiu as manifestações nas vias públicas no Brasil, em muito se assemelha com a intimidação sexual. Ambas são despertadas pelo sentimento de superioridade que eleva o agressor a acreditar que detém o controle sobre o corpo alheio. Há um sadismo sem causa, que se alimenta da humilhação, da dor e do medo, principalmente o de reagir. Os dois lados sentem a certeza da impunidade: o agressor age porque sabe que não vai sofrer consequências, a vítima não denuncia pelo mesmo motivo.

Em ambos os casos, há a cultura de culpar a vítima. Quando a mulher é atacada, é comum ouvir as mais absurdas justificativas como “quem usa esse vestido, estava pedindo” ou “é pirigueti, então merece”. Fatos ou escolhas em nada relacionada à sexualidade são vistas como permissão para abusos, como, por exemplo, estar em uma balada. “Se está lá é porque precisa aguentar com as consequências”. A Polícia Militar fez a mesma coisa com os manifestantes: ela tenta deslegitimar o protesto ao marginalizar a integridade dos participantes. “São todos vagabundos” – que mulher que nunca ouviu isso ao recusar uma cantada inapropriada?

Só que nós despertamos. Vamos às ruas e vamos retomá-las – porque elas já deveriam ser nossas em primeiro lugar.

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Sobre Think Olga

A OLGA é um projeto feminista criado em abril de 2013 cuja missão é empoderar mulheres por meio da informação.

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One comment

  1. Amanda
    16 de junho de 2013 at 22:00

    demais!

Os comentários estão fechados no momento.